AUSTRALOPITACOS (8)

SÃO PAULO (gostaram?) – E vamos à corrida, enfim. The big picture. Como se imaginava, Vettel passeou. Mas Webber, não. Foi apagado, ficou longe do piloto que, na metade do ano passado, deu a impressão de que poderia ser campeão. O título de Tiãozinho Alemão parece tê-lo abatido. Seu pior momento foi quando chegou em Alonso, com pneus macios e novinhos, e abdicou da luta.

A Red Bull informou que não usou KERS algum em Melbourne. A história do mini-KERS permanece um mistério, que o time não vai revelar a ninguém. Mas o fato é que mesmo sem a traquitana (dispensável, não?) Vettel não foi ameaçado em momento algum. Quando seus pneus começaram a dar algum sinal de fadiga, parou e trocou. Duas vezes. Talvez em pistas mais abrasivas e quentes, como na Malásia, sejam necessárias três.

Três que a Ferrari fez, assim como Webber, que não soube administrar a borracha como seu jovem companheiro. Já a McLaren foi para duas paradas. Ninguém precisou de quatro, como muita gente apostou que poderia acontecer, e Pérez fez a prova toda com apenas um pit stop. O lance dos pneus, de fato, provocou várias mudanças de posição. Mas elas aconteceram nos boxes. O festival de ultrapassagens prometido não aconteceu, porque piloto não é bobo. Na aproximação de alguém com pneus mais inteiros, vai para o pit stop antes de levar nabo na pista. Isso se viu bastante na Austrália.

A asa móvel só serve para narrador falar “olha lá a asa abrindo”. Algo que vai cansar, uma hora. Em circuitos com retas maiores, talvez tenha alguma serventia. Mas continuo achando uma babaquice artificial e injusta com quem está na frente. E nem funciona direito. Um bom vácuo é muito mais eficiente. Uma tolice, em resumo.

Não foi uma corrida inesquecível. Os dois primeiros, Vettel e Hamilton, foram também os dois primeiros no grid. Deu para perceber que os pneus, de fato, perdem rendimento bruscamente, mas o antídoto para que isso não estrague a corrida de ninguém é parar nos boxes. Os macios são ótimos em uma ou duas voltas, mas depois estabilizam. Não são uma arma duradoura para passar adversários de pneus mais duros. Basta se defender por uma ou duas voltas e pronto.

Se não havia um favoritismo absoluto da Red Bull por conta das novidades do regulamento, que sempre podem atrapalhar aqui e ali, agora há. E nem se pode dizer que esse favoritismo é da Red Bull inteira. É, sim, de Sebastian. O pequeno tedesco chegou à sua 11ª vitória na categoria (empatou com Barrichello e Massa nas estatísticas; passará os dois em pouquíssimo tempo) e me deu a impressão de que colocou Webber no bolso de vez. A vitória foi muito fácil, sem sustos, tranquila. Esse rapaz é melhor que quase todos seus pares. Com um carro bem superior aos demais, e agora sem a ânsia de querer ser campeão a qualquer custo — portanto, menos propenso a erros —, passa a ser quase imbatível.

Assim, no balanço das horas, não deu para ficar otimista demais com esse campeonato a partir desta corrida de abertura. A McLaren me parece ser a única esperança de bater de frente com os rubrotaurinos. Achei a Ferrari frágil. Alonso terminou a corrida esbaforido, mas em nenhum momento brigou por algo muito melhor que um terceiro lugar — que acabou nem conseguindo.

Não sei vocês o que acharam. Pensem no assunto. Enquanto isso, levantem-se e coloquem a mão no peito. Sim, chorem incontrolavelmente, infames capitalistas! Porque eu vou é comemorar a chegada da gloriosa URSS ao pódio com o camarada Petrov.

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fernando amaral
fernando amaral
10 anos atrás

eu gostei de ver as asas sendo usadas nos treinos. gostei porque deixa óbvio quando os carros começam a frear.
mas se é pra ter um monte de restrições no domingo, melhor seria continuarem fixas. eu gostava dos f-ducts porque eram completamente intuitivos no primarismo da concepção e envolvia atitude física do piloto, assim como girar volante e apertar pedais.
sempre achei que num futuro distante haveria asas móveis, e que de algum modo seriam acionadas tão facilmente quanto um acelerador, p. exemplo. não é o caso de agora.

essas de agora parecem mesmo um recurso artificial , mas tanto quanto me pareciam o boost dos motores turbo quando não tinham nenhuma limitação por regulamento, lá nos anos 80 – serviam para a mesma coisa, facilitar ultrapassagens no meio das retas, o que as tornava menos ‘ vistosas’, ao menos para mim, que comecei a ver corridas nos anos70. mas ninguém criticava aquilo.

o narrador da retransmissora nacional age como qualquer um da dita emissora, que orienta seus profissionais a tratar o espectador como um débil mental incapaz de perceber coisas no momento da imagem . isso vem desde sempre, desde q transmitem corridas de F1.

Yuri
Yuri
10 anos atrás

Não sei…Alonso ainda é o mais completo piloto, mais entender como o Massa está visivelmente com um carro mais lento do que o do Alonso fica difícil.Algo está errado porque massa é um cara muito rápido sem dúvidas.Será que a ferrari já abandonou mesmo o Massa?

Fernando Ranzinza
Fernando Ranzinza
10 anos atrás

O problema é que esse mafioso britânico chamado Bernie Ecclestone ameaça as equipes de Fórmula 1 com represálias, caso contratem pilotos oriundos da Fórmula Indy ! Ele nunca digeriu o título mundial conquistado por Jacques Villeneuve ! Depois disso só os medíocres Juan Pablo Montoya e Sebastien Bourdais tiveram chances na Fórmula 1 !! Não é possível que nenhuma equipe de Fórmula 1 não tenha se interessado por Tony Kanaan, Helio Castro Neves, Vitor Meira, Bia Figueiredo ou Felipe Giaffone !!! O Massa só renovou contrato por pura compaixão da Ferrari, em face do terrível acidente que sofreu ! E o Barrica continua aquela PIADA PRONTA de sempre !!!

fernando amaral
fernando amaral
Reply to  Fernando Ranzinza
10 anos atrás

você acha mesmo que alguém no mundo da F1 já ouviu falar de Bia Figueiredo ou Felipe Giaffone? e os 3 primeiros da sua ‘lista’ iniciaram carreira internacional na Europa – porque será que nenhum deles nem chegaram perto de conseguir um assento de titular na F1?

a melhor coisa de seguidos anos sem piloto brasileiro concorrente ao título mundial de pilotos será enterrar esse ufanismo babaovo de ‘nação emergente’ – um povo que conquista o direito de organizar copa e olimpíadas mas age como se tudo já estivesse pronto, achando que vai dar pra fazer tudo direito em cima da hora – esse povo é naif ao extremo, seja elite ou não.

Fernando Ranzinza
Fernando Ranzinza
10 anos atrás

Esses pneus Pirelli vão estragar o campeonato ! Muita confusão com paradas de boxe, “pegas” desiguais na pista – pilotos com pneus novos brigando por posição com pilotos com pneus esfarelando ! Nas pistas mais abrasivas e com temperatura ambiente elevada vai ser um caos ! Não gostei mesmo ! Acho que tem maracutaia nos carros da RED BULL, algum segredo que os comissários ainda não detectaram ! Na Brown, em 2009, eram os difusores ! E na RED BULL, hein ?

Bruno
Bruno
10 anos atrás

Po ara, ele só tava brincando…