OS TRIOS

SÃO PAULO (é o samba, é o povo, é o trio) – Eu gosto de carnaval. Sempre tenho a sensação de que estou aproveitando menos do que deveria, que está todo mundo se divertindo, menos eu, mas creio que é sensação comum a quem, por alguma razão, não está numa escola, ou num sambódromo, ou atrás de um trio, ou num bloco, ou no frevo. Ninguém me proibiu de fazer nada disso, não estou/vou porque não deu/não quero, então gosto mesmo assim, e embora já não faça parte dele faz tempo, não tenho raiva de quem gosta.

Já tive meus carnavais, é bem provável que já tenha escrito algo parecido no passado, e essa é também uma sensação comum a quem parece meio alijado da festa ou porque não é chicleteiro, ou porque não descolou um convite para o camarote-da-brama, ou porque não arrumou nenhum pacote da CVC para Recife, ou porque não tem onde ficar no Rio para cair num bloco às sete da manhã. A sensação de que carnaval já foi. Algo que, aliás, muitas músicas de carnaval cantam, aqueles carnavais. Se temos de reclamar do carnaval, que seja disso. Porque contamos nossa vida em carnavais, e eles vão ficando para trás, e a vida também.

Aí que muita gente fica deprimida no carnaval, porque na TV parece que nos obrigam a escancarar o sorriso, a ser felizes, a pular, pular e pular. Como ordenam todas as cantoras e cantores de carnaval — de qualquer gênero, na verdade —, vâmo tirá o pé do chão e jogá a mãozinha pro céu! Se um dia proibirem cantores e cantoras brasileiras de nos pedirem para tirar o pé do chão e jogar a mão para o céu, acabam os shows de música no Brasil — assim como se proibirem os participantes do Big Brother de pronunciarem a palavra “afinidade”, o programa sai do ar.

Quem está em casa não tem como tirar os pés do chão e jogar as mãos para o céu, ou para o alto, não sei direito se é para o céu ou para o alto. Não fica bem, seria algo meio patético. Mas é fato que nestes quatro ou cinco dias quase todos os aparelhos de TV ficam ligados como se impusessem aos não-foliões um fundo musical obrigatório, para não deixar ninguém esquecer que são dias em que é preciso pegar, abraçar, beijar, suar, trepar, ser feliz ou fingir que é. E se você não está no meio daquela multidão em Salvador, Olinda, Rio, Floripa, Ouro Preto, sei lá onde mais, é você que está com problemas. No ano que vem, não esqueça de procurar seu agente de viagens, ou de comprar uma fantasia para sair na comunidade da Viradouro, mesmo se você nunca esteve em Niterói — foda-se, saiu na escola é da comunidade —, ou um abadá para o Nana Baiana, o Camaleão, o trio da Ivete Sangalo.

Abadá. Quando passei o carnaval em Salvador pela primeira (e única, infelizmente) vez, eram mortalhas que comprávamos para sair atrás do trio. Mas tinha trio que não precisava pagar nada. O de Armadinho, Dodô e Osmar, por exemplo, era seguido só pela turma da pipoca. Não tinha “corda” — entre aspas porque “corda” no Carnaval soteropolitano, e acredito que nas micaretas, é na verdade uma barreira humana, seguranças que protegem os saltitantes vestidos com abadás patrocinados dos pipocas sem grana e sem patrocínio, que pulam do lado de fora escutando a mesma música, e de graça.

As mortalhas viraram abadás por obra e graça de um publicitário baiano, Pedrinho da Rocha, que conta essa história e muitas outras em um blog bem legal. Eu gostava da palavra “mortalha”, fiquei meio contrariado quando elas viraram abadás de um ano para o outro, mas nunca tinha ouvido falar numa até o Carnaval de 1993, o tal que passei em Salvador. Foi quando descobri que era preciso comprar uma mortalha se eu quisesse seguir o trio que cantava Cara Caramba Cara Cara-ô, ou sair atrás daquele da moça que achei que se chamava Eva, mas depois vim a saber que era Ivete Sangalo (essa moça tem uma legião de devotos hoje que desprezo olimpicamente, considero completamente retardados/as quem se refere a ela como “Vevete”, uma espécie de entidade inatacável; acho-a uma pentelha medíocre, musicalmente desvirtuada, mas reconheço que tem pernas muito interessantes), enfim, não sabia que funcionavam como um convite, que eram vendidas por cambistas ou por funcionários de hotéis, e fiquei legitimamente espantado com aquele comércio todo, que julgava inexistente na ingênua Bahia dos meus livros de Jorge Amado — que de ingênuos nada têm, sacanas, isso sim.

Hoje vejo na TV que a festa baiana é cada vez mais “corporate”, por assim dizer. Ela foi tomada pelos marqueteiros de São Paulo, não há um centímetro quadrado no circuito Barra-Ondina ou do Campo Grande que não seja patrocinado por alguma marca de cerveja, ou de cartão de crédito, ou de banco. Tem patrocínio até no rabo do mais durango pipoca, não se abana o rosto sem fazer propaganda de alguma coisa, os trios são estruturas futuristas com DJs e telas de LCD, aquela coisa pretensamente modernosa mas que no fundo é cafona a dar com o pau, cantam e tocam qualquer merda, até o cara do Chiclete com Banana tirou a barba — e isso vai virar case na agência das giletes, certamente, pela enorme repercussão de fato tão relevante nos sites de celebridades.

Trio elétrico é algo que existe desde 1950, salvo engano, e começou com um fordinho com uma guitarra e um violão elétrico ligados na bateria, Dodô e Osmar eram os músicos, depois veio o Armadinho (não sei se a ordem de chegada é exatamente essa) e o povo atrás. No início, portanto, era uma dupla elétrica, e com a chegada do baixo elétrico virou trio, e o nome continua valendo, inclusive para vender carro popular com trava-ar-direção. Depois vieram os caminhões, mercedões sendo os mais populares, e não é de hoje que eles são usados como outdoors ambulantes. Afinal, são enormes, o que não falta é espaço para anunciar. Esse da foto lá no alto é dos anos 80, do trio Traz os Montes, pioneiro em algumas bossas elétricas que não sei direito quais são, onde o Chiclete começou a tocar com outro nome. Eram quase todos assim.

Suspeito que o som dos trios antigamente era mais legal, quase sempre instrumental, elétrico mesmo, havia uma música de trio, um gênero musical, bem diferente estética e musicalmente desses megapalcos cheios de celebridades ocas que se movem entre camarotes patrocinados, gente fazendo coraçãozinho com as mãos e outras gravando tudo para colocar no Facebook o mais rápido possível como a gritar para os amigos: vejam como eu sou feliz e aproveito a vida!

Está tudo meio babaca, mas não é um fenômeno isolado da Bahia, tudo está meio “corporate” hoje em dia e nada existe se não for parar no YouTube ou no Facebook. Paciência. Deve haver, certamente há, carnaval em algum canto do país onde as pessoas apenas brincam, sem preocupação alguma com o novo iPad. Eu ainda vou encontrar.

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Celso Vedovato
Celso Vedovato
11 anos atrás

Claro que há coisas originais, aqui na Bahia mesmo. Todo carnaval vamos para uma praia esquecida aqui da Bahia, chamada Barra do Itariri, ficou até famosa quando cacá Diegues filmou Tiêta lá, depois graças a Deus a esqueceram novamente. Lá temos um bloco que anda pelas ruas de terra do lugarejo. Estyá convidado para em 2012 integrar o bloco Taboca Rachada. Abraço

MarceLo Feitosa
11 anos atrás

Como sempre, muito preciso na escrita, mas essa parte foi demais:

“ou sair atrás daquele da moça que achei que se chamava Eva, mas depois vim a saber que era Ivete Sangalo (essa moça tem uma legião de devotos hoje que desprezo olimpicamente, considero completamente retardados/as quem se refere a ela como “Vevete”, uma espécie de entidade inatacável; acho-a uma pentelha medíocre, musicalmente desvirtuada, mas reconheço que tem pernas muito interessantes)”

Arrebentou!!!

Rafael
Rafael
11 anos atrás

Tem um carnaval que é muito bom e fica perto de São Paulo….

São Luiz do Paratinga foi muito bom e de quebra ajudamos a cidade e se reerguer da enchente, houveram problemas de infra-estrutura, mas em conversa com os comerciantes locais eles estão confiantes para 2012.

mario aquino
mario aquino
11 anos atrás

Eu conheço um cantor Italiano, ele era crooner do falecido maestro Zaccaro, este cantor é meio que carcamano e quando está no meio de uma tarantella ele gosta de olhar para o publico e gritar impositivamento “Aleggria, allegria”, para aqueles que parecem mais desanimados.
Isto lembra bem os seus comentários Sr. Flávio, se não ficar alegre aqui, suma desapareça, é isto que está acontecendo hoje se voce não entrar no espirito da manada.

Fernando
Fernando
11 anos atrás

Sou Paulistano, morei 10 anos em Recife e estou morando 7 anos em Salvador. Já brinquei em varios carnavais, todos tem suas qualidades e seus defeitos. Por exemplo o de Salvador virou mesmo esse mercado, esse comercio da folia, com exceção do Pelourinho que é de graça com ambiente muito familiar com sonoridade retrô, só toca marchinhas com bandas de sopro e nos palcos do Pelô só se ouvi a musica original e instrumental da guitarra baiana.
Em Recife de fato o folião é a estrela e só ele! porque falta musica e musicos, sem falar que o frevo é uma musica morta, ninguem dança ou canta ou escuta frevo fora do carnaval e aquelas reposrtagens que mostram o carnaval de Recife com aqueles passistas segurando uma sombrinha colorida são todos fake! O frevo parou no tempo e veio pra Bahia e evolui pro bem ou pro mau, não sei, mas evoluiu, enquanto que em Recife/Olinda ele ficou parado no tempo!

mizael
Reply to  Fernando
8 anos atrás

…”Em Recife de fato o folião é a estrela e só ele! porque falta musica e musicos, sem falar que o frevo é uma musica morta, ninguem dança ou canta ou escuta frevo fora do carnaval e aquelas reposrtagens que mostram o carnaval de Recife com aqueles passistas segurando uma sombrinha colorida são todos fake! O frevo parou no tempo e veio pra Bahia e evolui pro bem ou pro mau, não sei, mas evoluiu, enquanto que em Recife/Olinda ele ficou parado no tempo!”

Que santa inteligência desse rapaz senhoras e senhores, palmas para ele por favor!
Para ele, o frevo deve ser executado ao ritmo do tango do afoxé ou mesmo do samba! Pessoas como essa visão, infelizmente para azar da maioria, muitas vezes, vão parar em algum cargo de influencia, e põe em pratica os seus pensamentos equivocados, destruindo coisas importantes da nossa cultura. Não gostar do frevo da valsa ou do calypso é uma coisa natural. Agora, propor mudar um ritmo que recebeu o titulo de Patrimônio da Humanidade é no mínimo um absurdo! Uma coisa dessa vai ser chefe de uma família ou deputado de um povo! Imagine só o estrago.

Viviane
Viviane
11 anos atrás

A descricao da Ivete valeu o texto. Criatura mediocre que faz musica pobre. E quanto ao carnaval em geral, voce esta certissimo.

Roberto Valle
Roberto Valle
11 anos atrás

Carnaval junta três coisas que odeio: calor, multidão e barulho…

Kleber Oliveira
Kleber Oliveira
11 anos atrás

São Luís do Paraitinga também é muito bom!!!! Fora o ambiente histórico da cidade, só toca marchinha dos blocos locais, não existe abadá, várias pessoas se preocupam apenas em fazer uma fantasia ridicula e brincar, quem vai todo ano adquire um carinho pela cidade que vai além de estar ali somente pelo carnaval!!!! Vale a pena!!!!

Osvani
Osvani
Reply to  Kleber Oliveira
11 anos atrás

Olá Kleber!
Acompanho, quando posso, seu trabalho na TV Aparecida. É você mesmo? Parabéns!
Numa próxima oportunidade irei conhecer São Luís do Paraitinga. Devemos um gesto
de solidariedade à população de São Luís, que tanto sofreu com as enchentes do ano anterior.
Salve a cultura popular, raíz de nossa nação!

hugo
hugo
11 anos atrás

Acabei de voltar do Rio, realmente os blocos de rua estão voltando. Free.

Mas carnaval de rua de verdade, da porra mesmo, e de graça, é o de Olinda e Recife.

Ano que vem to lá!!!

Rodrigo Duarte
Rodrigo Duarte
11 anos atrás

Ah Flavio Gomes, se soubesse a sensação de bem-estar que me dá depois de ler um texto desses, definitivamente, depois de acompanhá-lo por tanto tempo são textos assim que me fazem ter cada vez mais certeza que estou no blog certo, lendo o blogueiro certo.

Osvani
Osvani
Reply to  Rodrigo Duarte
11 anos atrás

Olá Rodrigo!
Um breve comentário em relação ao carnaval. De fato, uma festa popular, como o futebol,
sendo na maioria das vezes utilizada como espaço de comercialização via mídia.
Sugiro conhecer numa próxima oportunidade o Carnaval em Alto Rio Doce, zona da mata mineira que, apesar da singeleza da região e da restrita população (o município tem menos de 15.000 habitantes), tem arrebanhado uma razoável multidão, talvez pela hospitalidade da população e pela singeleza das brincadeiras. É isso!

Marcus Vinicius
Marcus Vinicius
11 anos atrás

Eu sou baiano, já brinquei muito carnaval, saí em muitos blocos, mas hoje prefiro descansar.
O melhor carnaval é aquele que você gosta, ou seja, o carioca adora o carnaval das escolas de samba, o pernambucano acha o seu modelo o melhor e o baiano a mesma coisa…

Eu particularmente gosto do modelo baiano. Não gosto da atual tendência dos camarotes, que roubam espaços dos foliões e não contribuem em nada, ao contrário dos blocos que é quem realmente banca a festa pois o poder público não teria como arcar com todas as atrações, então o que acontece aqui é a grosso modo quem pode paga as atrações para quem não pode. Sem os camarotes as cordas dos blocos não atrapalhavam em nada, tinha espaço suficiente ao lado dos blocos para os foliões “pipoca” aproveitarem de graça.

Concordo sobre a música que está ruim, mas isso não se resume a música baiana, o rock está uma merda ultimamente, a MPB também não tem mais nada que preste, o forró agora só fala de cachaça e mulher, o sertanejo não fala mais sobre o sertão e virou pop, então criticar apenas a música baiana é meio sem lógica também.

maxwell
maxwell
11 anos atrás

Deveria dar uma passada em Caicó, no Rio Grande do Norte. A Festa é boa, a música é variada e tem muita segurança. Eu fui a primeira vez neste ano e me surpreendi.

Bruno
Bruno
11 anos atrás

Boa Flávio!

Por isso que meu carnaval é todo ano animado!

No rancho, muita música (qqer coisa ta valendo, contanto que seja velha – Marchina, Rock, Samba, Pagodão, Sertanejo), muita folia barata, cheio de confete e serpentina, uma cervejinha, uns passeios de barco, uma pescaria pra curá a ressaca, muito tempo pra dormir e bagunçar, comida boa e um monte de amigos e seus pais, irmãos, filhos, sobrinhos, cachorro, papagaio e etc…

Tem barraco, tem festa, tem briga, tem solteiro, casado, viúva, divorciado, casal novo, casal velho, ex-casal formando novos casais e etc… Tem até quem queira ir pra ficar triste e sozinho… mas depois volta mais tranquilo pra casa, por ver a turma de amigos!

Só não pode ter TV.

André Ximenes
André Ximenes
11 anos atrás

Flávio,
É obvio que acompanho seu blog por causa do automobilismo, mas especificamente pela F1.
Mas reconheço que seus melhores posts são aqueles que não tem (ou de forma remota) ligação com automobilismo…. lembro de um muito bom quando o Michael Jackson morreu e quando vc leva seus moleques pro Canindé…. este aí acima é outro exemplo clássico.
Manifeste-se mais vezes sobre o cotidiano….
Abraço

lop
lop
11 anos atrás

Gosto de você, assim como gosto da Ivete. Gosto é mesmo como aquilo, cada um tem o seu.

Alex R.
Alex R.
11 anos atrás

Oi Flavio!
Gostei desse post e da tua sinceridade ao falar desse assunto.
Achei esse link:
http://www.youtube.com/watch?v=oLmFQxsMbN4
Assiste. Talvez você goste! ;)
Abraços!

Marly
Marly
11 anos atrás

Perfeito post, acho que poderíamos criar um bloco para os “chatos”, pois, como a maioria aqui, estou completamente de acordo com todas as pausas, pontos e vírgulas além das sábias palavras. Me perdoem aqueles que adoram mesmices.
O Fabiano postou um link valioso pra ser visto e para os dispostos no exercício da reflexão.
Tudo está uma porcaria, ou então, eu sou uma completa idiota como voce Flávio. Vou visitar seu blog, mas já antecipando que me tornarei sua fâ…rsss.
Obrigada pelas palavras, estava me achando um bicho estranho, pois escolhi ter um carnaval, assistindo filmes, ouvindo música e lendo o que possa de alguma forma acrescentar algo mais valioso ao meu espírito.
Não critico quem gosta e vai atrás dessa sujeira, mau cheiro, muita alegria provocada mais pelo efeito das bebidas e outros artifícios para estimular esta alegria “toda”.
Aqui não se ouvem músicas, é só aquele pagode baixaria que serve pra mostrar a disponibilidade sexual para os turistas (principalmente se forem estrangeiros).
Só quem está aqui e se coloca à distância é que pode de verdade analisar a “festa”.
Um abraço.

Obs: Moro em Salvador desde ago/79, me tornei testemunha de muitos absudos até aqui.
Ouvi dizer que o Chiclete foi isento de pagar impostos, não sei se do município ou estado, imagino que ele realmente não poderia, “coitado”, arcar com as dívidas de anos…ele ganha tão pouco com o trabalho dele ná?? E sabe-se lá desde quando??? Mas, está aí uma coisa que deveria ser levada à uma sensata consideração, assim acredito.

Arlindo Ponciano
Arlindo Ponciano
11 anos atrás

Não li todos os comentários mas vi algumas alusões a Pernambuco e outros lugares.

De forma objetiva, o lugar para apenas brincar o carnaval é, de fato, em Pernambuco. Prá dar uma idéia, a propaganda principal deste ano fala que vc, “o folião”, é a estrela.

E, de fato, é isso mesmo. Vc não precisa seguir a dança “corporate” da Bahia (um inventa e todos repetem) e nem ficar cheio de regras como nos sambódromos que fazem que uma escola inteira saia triste do carnaval por causa de 10 minutos de atraso… Em Recife ou Olinda se um bloco atrasar “só” 10 minutos ou duas horas ninguém nem percebe…

Aqui é possivel, sim, ainda hoje, apenas “brincar” o carnaval. As regras são as leis do país e, assim mesmo, com alguma permissividade que não prejudique os demais. Cada um com sua fantasia e sua performance compoe a festa de todos. Essa é a magia.

E se quiser levar o “só brincar” ao pé da letra, alugue uma casa em Olinda e fique lá de sexta a quarta de cinzas. Assim vc não se preocupa nem com o deslocamento do hotel pro foco da folia!

P.S.: Não tenho nada contra o carnaval na Bahia ou no RJ e SP. Apenas prefiro o daqui justamente por permitir só brincar.

Carlos
Carlos
11 anos atrás

O meu eu ja achei Flávio.

Sérgio
Sérgio
11 anos atrás

Não é à toa que Carnaval rima com Natal: são duas festas impositivas e cujo real objetivo é fazer o povo consumir.

No RJ e SP, a mesmice das escolas de samba, numa competição esquizofrênica que nada lembra uma festa popular autêntica. Se jurado não dá 10 às grandes escolas, é ameaçado de morte. Os sambas parecem exatamente os mesmos, cheios de temas batidos e clichês nas letras.

Na Bahia a coisa não é melhor. A panelinha de sempre comanda os trios, e realmente é impressionante como as pessoas se sujeitam a pagar caro pela “mortalha”. Já vi gente pagar quase 1000 reais por esse pedaço de pano. Talvez seja pra depois mostrar pros colegas, como se quisesse provar que seu feriado prolongado foi brilhante, cantando aquelas maravilhas da Ivete Sangalo, fazendo propaganda ambulante de uma cerveja e mijando na garagem de alguém.

GEcKodriver
GEcKodriver
11 anos atrás

– Dou graças a Deus quando acontece o carnaval pois todos os “chicos” do meu bairro vão pular bem longe daqui. Fica uma paz que vocês não imaginam.
– Ainda bem que tenho meu controle remoto pra evitar as Escolas de Samba, Trios elétricos e toda aquela baboseira. Será que você não enjoam dos mesmo temas que eles cantam no Carnaval? Se for ver, é tudo a mesma coisa. Só muda uma letra aqui, uma paradinha ali…
– Ivete Sangalo é um produto da midia. Eles tem que dar ao povo o que o povo quer. Já to de saco cheio de ligar a televisão e ver apresentador chamando “IVENTE SANGAAALOOO”. Já encheu.
– E afinal de contas: o que é aproveitar a vida? Abusar do corpo até a exustão, de todas as formas como se não houvesse amanhã? Alguns aproveitam tanto toda essa foliagem que vão parar no cemitério. Belo aproveitamento, hein?

E se isso é felicidade, prefiro ficar no meu cantinho…

Beaba
Reply to  GEcKodriver
8 anos atrás

Irmão ou irmã, procure um médico. Vc. pode estar com mais problemas do que aqueles que estão pulando lá fora.

JP
JP
11 anos atrás

Quanto a Ivete, eu penso que ela é mal aproveitada, mas mesmo eu não sendo fã, se pegar Rihana, Lady Gaga, Beyonce e outras porcarias americanas, não dão o sabugo da unha da bahiana.

Herminio Gomes - Natal/RN
Herminio Gomes - Natal/RN
11 anos atrás

“Porque contamos nossa vida em carnavais, e eles vão ficando para trás, e a vida também.” Cara, sem exageros, essa frase foi uma das coisas mais bonitas e tristes que já li sobre o carnaval. E é uma frase tão singela, mas que diz tanta coisa…

Elson
Elson
11 anos atrás

Sou soteropolitano e concordo, em boa parte, com o que você diz. Porém as festas populares, o perfil dos políticos, as instituições, etc., são o retrato fiel da sociedade que vivemos.
Quero dizer, que aqui na Bahia ainda existe alternativa: O Pelourinho ainda tém o carnaval tradicional!
Em tempo – Não sou político e nem funcionário público.

Muller
Muller
11 anos atrás

É o modelo baiano que se espalha aqui pelo NE, o motivo é bem simples: grana.
Infelizmente, ao contrário do recém-pacificado Rio de Janeiro, poucas cidades decidem investir tanto em infra-estrutura para um verdadeiro carnaval de rua, como Olinda/Recife/Ouro Preto. É mais fácil fechar uma avenida, incentivar fiscalmente a construção de “camarotes” e largar tudo na mão dos “produtores” que arranjam os blocos, trios, atrações, “convidados especiais dos camarotes” e podem repassar esse valor para os abadás.

Já estive um muitos carnavais no Brasil; até o de Manaus, que por sinal é muito bom. Como bom paulista que sou, sempre fui dois-pés-atrás quando se fala em folia.

Mas até hoje, não encontrei nenhum que chegue perto do de Recife (pra quem gosta de coisa mais “família”) e do de Olinda (para quem gosta de folia). Um, pelos pesados investimentos da prefeitura em atrações nos (diversos) palcos da cidade e nos blocos de carnavais antigos; outro, pela tradição popular de simplesmente ir pra Olinda de manhã e só voltar no fim da tarde, após seguir – gratuitamente – uns 5 blocos de frevo, 3 maracatus e conseguir aquele tão sonhado telefone da turista bonitona.
Por isso, sempre chamo aqueles que não gostam de carnaval, mas olham com inveja as imagens da TV, para passar os 4 (ou5) dias aqui; é fácil mudar de idéia, como eu mudei a minha.

Rogerio
Rogerio
11 anos atrás

To the tone of your words I think your wife had kissed 1000 guys or your daughter have been dancing necked.
Eu sou brasieleiro casado com uma canadense, viví lá 4 anos tenho cidadania e tive que mudar pra outro país por trabalho e nao comparto 10% do que você escreveu sobre o Canadá. Você esteve lá como turista? Viver y trabalhar no país sao outros 500. O Canadá é de fato uma garnde naçao, eu quero que, se as coisas continuarem como sao, que meus filhos sejam educados lá, mas também nao vou menosprezar meu povo e minha cultura como você o faz só porque comeu algums poutines e se lambusou todo.
Go Canada go “Brazil” go.
Pra frente Brasil!!!