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Friday, 12 de July de 2013 - 20:28Colunas Warm Up

NAKA-SAN

SÃO PAULO (orientais) – Depois das férias e de colocar a vida em dia, a coluna Warm Up volta hoje com uma cartinha a Satoru Nakajima, que não podia passar Piquet na Lotus. Por contrato. Os documentos da “F-1 Leaks” são o tema, claro, desta semana. Um trecho:

nakaseloEstou escrevendo mesmo por causa da tal cláusula de conduta. Não poder chegar na frente do companheiro de equipe é osso, hein? Mas é gozado. Imagino que você não tenha se preocupado muito com isso. Não vou levantar os números, nem rever todas as corridas daquele ano, mas acho que você não deve ter chegado na frente do Piquet em nenhum GP “em condições normais”. Engraçado, mesmo, é um cara como o Piquet, tricampeão do mundo, querer isso no contrato. Assim como o Senna.

Para ler na íntegra, é só clicar aqui.

36 comentários

  1. O Saturo Nakajima era um turista japonês privilegiado por ter tido o Ayrton Senna e o Nelson Piquet como parceiros, e só esse fato já vale pela sua carreira toda! O Saturo pode contar isso para o seus netos e bisnetos, que não é mentira, e sim uma verdade de fato! Para min sua melhor corrida foi o GP da Austrália 1989, que foi debaixo de uma forte chuva, mas ele conseguiu um Quarto Lugar fazendo a melhor volta da corrida, no seu único resultado do ano!

  2. eraldo.a says:

    Piloto mesmo era o Piquet, o “outro” era só o garotinho da Globo.

  3. Luis says:

    Boa cartinha, Flávio, só tenho uma correção a fazer, quando se diz que primeiro e segundo piloto é coisa do esporte.

    Você não vê isso na Indy, na GP2, nas categorias de Endurance, na Nascar…

  4. SIMÃO says:

    FG…
    acredito que (como vc mesmo escreveu) o problema é falta de confiança. Ninguém confia em ninguém, ainda mais em se tratando de cifras astronômicas como na F1. O piloto 1 não conhece o contrato do piloto 2 e vice versa, e então pra se garantir contra surpresas desagradáveis vai tudo pro papel.

    Abraço
    Simão

  5. Hector says:

    Ponto 1 -Como disse Piquet nesta entrevista, em 1987 ( http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=YS1WZIaelo0 ) ele foi campeão contra a própria equipe. E Piquet era primeiro piloto. Mudou-se para uma Lotus-HONDA, (HONDA) -> Preciso desenhar?

    Ponto 2 – Em 1988, Piquet conseguiu 3 pódiums com o carro que Jackie Stewart considerou o pior carro de F-1 que ele já dirigiu.

    Ponto 3 – Nas corridas que ambos terminaram, Nakajima jamais conseguiu chegar perto de Piquet, quanto mais ter chances de ultrapassá-lo.

  6. Rony says:

    Achei legal isso vir a tona…Talvez assim todos, antes de falar merda de qualquer que seja o piloto inclusive a galera da imprensa, pense umas cem vezes…Eu como mero fâ de corridas sempre imaginei que essas coisa de 1º e 2º piloto estavam escritas em algum lugar e agora fica bem claro que existem contratos… Como sempre digo: independente do salário, é sempre muito fácil falar dos outros, ou seja, porque não desobedece as ordens da equipe, ou isso ou aquilo, mas quero ver quem está descontente e tem coragem de mandar seu chefe à merda. O jardim do vizinho é sempre mais bonito, e os outros fazerem as coisas por nós, melhor ainda…

  7. Marcelo says:

    Lições do Batman…

    Na foto abaixo, Batman alerta Robin sobre favorecimentos na Formula 1:

    https://fbcdn-sphotos-h-a.akamaihd.net/hphotos-ak-prn1/p480x480/1010701_672825669401178_1109223806_n.jpg

  8. Fabiano Lacerda says:

    E isso seria surpresa pra quem? Nem pros ufanistas tapados que crucificaram caras como Schumacher e Alonso por tantos anos, acredito eu. Eles sabem como o circo funciona pra todos. No caso deles, sempre foi mera questão de carater. Ou melhor, a falta dele.

  9. Mauricio says:

    Deixemos de frescura. Isso existe desde sempre. Na época do Fangio, o segundo piloto deveria abandonar a corrida e ceder seu carro em caso de quebra do carro do primeiro piloto.
    Piquet recusou convite da Copersucar porque sabia que ali ninguém podia andar na frente do Emerson.
    Schumacher e Alonso não inventaram nada de novo, pois.

  10. celso says:

    Hahaha

    Genial, a carta.

    Abraço!

  11. Trapizomba says:

    Essa clausa de nao ultrapassar era pq o Piquet nao queria barbeiros em volta dele. Imagina o Naka entrando de bico na curva e tirando os dois da corrida.

  12. fagner andre says:

    q semana agitada hein… vão se os dedos ficam se os aneis, realmente piquet senna foram os melhores. balela falar q os caras nao precisavam daquilo no papel, realmente uns bostas perto do piquet senna , mas f1 nunca foi para meninos e sim para profissionais, vc chega e é avisado qual é o seu lugar, ou vc senta p janela ou p o corredor, sentavamos na janela ate 94, depois nos jogaram para o corredor e acho que no proximo ano vão nos jogar para fora do onibus ou melhor motorhome,
    mas quem sabe… burti ja perdeu a vaga para barridolar
    e regi vai perder para massegundo…

    valeu piquet senna!!! o resto é pior que o resto…

  13. Contratos…… rsssss, coisas da F1. Não acharam nenhum do Schumacher? Gostaria de ver o dele também

    abraço

  14. marcelo silva says:

    Nada como um dia após o outro , na F1 como na vida ! Ficamos sabendo então que “nossos” sagrados campeões também boicotavam seus companheiros de time !! Tudo em nome da competitividade e do esporte limpo !! Schumi deve estar gargalhando…!!!

  15. keniti says:

    Acho que essa “celeuma” desproporcional. Os supostos prejudicados não assinaram o contrato de segundos pilotos com uma arma na cabeça. Se aceitaram, deitem na cama que arrumaram.

  16. Walter Magalhães says:

    Aproveitando o selo que ilustra o post, gostaria de indicar uma coleção filatélica temática sobre a marca AUDI…
    http://www.japhila.cz/hof/0294/index0294a.htm

  17. Douglas Arruda says:

    Ótimo para aquela termina que dizia “na época do Senna não era assim”. A F-1 continua essencialmente o mesmo esporte de sempre…

  18. Fabio says:

    Olha, cachorro que leva picada de cobra tem medo de linguiça. É bom lembrar que Piquet foi contratado com status de 1º piloto pela Williams em 86, condição que foi desrespeitada pela equipe após o acidente sofrido pelo Frank no começo daquele ano. Foram dois anos de perrengues na Williams, e penso que, por conta disso, a tal cláusula até se justificava, embora fosse plenamente dispensável.

  19. Marcelo says:

    “esporte é disputa, competição, e que vença o melhor”

    Foi duro demais aguentar a pachecada dizer que jogo de equipe era invenção da Ferrari e do Schumacher…pqp

    Na maioria dos casos abaixo, a ordem era entregar a posição ao líder da equipe. Até o francês Alan Prost tinha mordomias na Williams. René Arnoux já reclamava que Prost era paparicado na Renault em 81 e 82.

    Grosjean entrega 2º lugar a Kimi, que agradece com a mão Bahrain 2012
    http://www.youtube.com/watch?v=IXEYYGPDVT8&feature=youtu.be

    Grosjean entrega 6º lugar a Raikkonen-Cingapura 2012
    http://www.youtube.com/watch?v=WooZBaxb2f8&feature=youtu.be

    *Bom lembrar, Grosjean entregou posição a Kimi no GP da Inglaterra e Alemanha 2013

    Líder D.Hill entrega posição a Prost GP Canada 93
    http://www.youtube.com/watch?v=2HSAm0pZS04

    Líder D Hill entrega posição a Prost GP França 93
    http://www.youtube.com/watch?v=sAP9Smmix3U&feature=youtu.be

    Assista a partir de 9:54 os comentários de Galvão e R.Leme.
    gp da italia 1993 (Italy Grand Prix 1993)
    http://www.youtube.com/watch?v=4PsIAE2NfVA

    Reginaldo Leme: “Williams admitiu ordem para Prost ser campeão em 93.
    http://www.youtube.com/watch?v=64nMDgrzkMo&feature=youtu.be

    Massa entrega posição a Heidfeld na Sauber
    http://www.youtube.com/watch?v=1ol0KTDmO54&feature=related

    Fisichella entrega posição a Alonso
    http://www.youtube.com/watch?feature=endscreen&v=Ia8d-oupdMs&NR=1

    Ralf Schumacher recebe ordens para não tirar vitória de Hill
    http://www.youtube.com/watch?v=ykI39M27y10&feature=related

    Líder Coulthard entrega liderança a D.Hill-GP Portugal 1994
    http://www.youtube.com/watch?v=yqY9_JSa5BU&feature=youtu.be
    O escocês foi até na parte suja da pista para facilitar para Hill.

    F1 1997 European GP: Hakkinen pass Coulthard and Villeneuve
    http://www.youtube.com/watch?v=3RMX9NiBZd0
    Notem que era para David vencer, ele estava a frente de Mikka, abaixo a conversa pelo rádio:

    _Mikka P3 perto, Coulthard abra para Mikka na reta dos boxes.

    “Repita por favor”

    _Abra para Mika nos boxes, OK?

    “Desculpe não entendi…interferência”

    Nesse momento, Ron Dennis furioso pega o rádio e dispara:

    _COULTHARD, AQUI É RON DENNIS, PUTA QUE PARIU!!! SEU FILHO DA PUTA, SE VOCÊ NÃO DEIXAR MIKKA PASSAR NESSA VOLTA NA RETA DOS BOXES, VOCÊ SERÁ DEMITIDO, ENTENDEU???

    Na corrida seguinte, David nem questionou pelo rádio…rs

    David Coulthard allows Mika Hakkinen – AUS 98
    http://www.youtube.com/watch?v=aHd8n1D4wkM
    Era a primeira corrida do ano, que papelão Mclaren…

    No vídeo abaixo outro momento que a Ferrari favoreceu o primeiro piloto, novamente a placa “slow” era mostrada na F1. Era apenas a quinta prova na temporada, a Ferrari não permitiu que Johansson vencesse a primeira na carreira.

    F1 1985 FIA Review 05 Canada
    http://www.youtube.com/watch?v=sH6cNwEF5fY

    Schumacher abaixo entrega a liderança a Irvine – Malásia-99
    http://www.youtube.com/watch?v=kbsawr_3sgA

    Hilário é ouvir Galvão elogiando o alemão por fazer um trabalho de escudeiro para ajudar Irvine. Bom, ele não deve se lembrar dos tempos do fiel escudeiro Berger na Mclaren…

  20. Marcelo says:

    “esporte é disputa, competição, e que vença o melhor”

    Quem disse que nos anos 70 e 80 não existia ordens de equipe?

    Fittipaldi e Chapman – GP da Itália de 73

    Aqui, quem descumpriu o trato foi o próprio chefe da equipe, não o piloto. Expliquemos: antepenúltima rodada de 73, o GP da Itália soava para Emerson Fittipaldi como sua última cartada para tentar impedir o tri de Jackie Stewart naquele ano. Para isso, o brasileiro precisava impreterivelmente vencer, além de contar com a improvável sorte de que seu rival não terminasse acima da quarta colocação. Todavia, foi estabelecido um tácito acordo verbal entre ele e Colin Chapman antes da prova, prevendo que, caso a situação se desenhasse da forma como Emmo necessitava e Ronnie Peterson estivesse liderando a corrida, logicamente com seu colega em segundo, seria dada uma ordem para inversão dos lugares.

    Logo na volta 8 da corrida, Stewart foi acometido por um furo de pneu, sendo forçado a parar para trocar o jogo. Como o escocês voltou em 20º, Fittipaldi achou que aquele era o momento perfeito para ele ser alçado à condição de primeiro colocado, já que vinha comboiando o companheiro em segundo. Entretanto, a tal ordem de Chapman nunca veio, permitindo que Peterson continuasse na frente e vencesse. Stewart ainda se recuperaria até a zona de pontos, mas terminou exatamente no quarto posto, resultado que, sem a vitória de Emerson, lhe assegurou o título. Muito magoado, o “Rato” rompeu com a Lotus no fim do ano, indo parar na ascendente McLaren. Resumindo, para Emerson a Lotus tinha sempre que fazer seu “jogo”, não fez, ele pulou fora.

    Villeneuve e Scheckter – GP Itália 79

    Gilles Villeneuve teve que aceitar um “pedido” de Enzo Ferrari no grid no GP de Monza 79. Gilles não podia disputar posição muito menos a vitória com o companheiro, Enzo Ferrari foi claro, aquele título já tinha dono, era de Scheckter e tinha que ser vencido em Monza na frente dos italianos. Curioso o comentário de R.Leme aos 3:22 do vídeo abaixo, fala sobre a situação de Gilles no campeonato, com certeza ele não sabia da “armação”.

    Fórmula 1 1979 – GP da Itália(Rede Globo)
    http://www.youtube.com/watch?v=t9z9dKV9uKo

    Um ano antes, Peterson foi impedido por contrato de disputar o título com Andretti, e olha que o sueco levou patrocinador para a equipe em 78. Gilles e Peterson tinham boas chances de serem campeões, nem Ferrari ou Lotus deram chance.

    Reutemann e Jones – GP do Brasil de 81

    Campeão da temporada antecedente, Alan Jones gozava do status de primeiro piloto da Williams em 81, ainda mais depois de ter faturado com autoridade a etapa oficial de abertura, em Long Beach. Por isso, quando Carlos Reutemann ponteava o GP do Brasil, segunda rodada, com o australiano logo atrás, o chefão Frank Williams não titubeou em mostrar uma placa ao argentino a cada volta que ambos completavam pela reta principal do finado Jacarepaguá, com a inscrição “JON – REU” indicando a troca das posições.

    Orgulhoso como todo bom hermano, Reutemann descumpriu a ordem e venceu, formando um verdadeiro racha que prejudicaria toda a equipe pelo resto do ano, e ajudaria Nelson Piquet a ficar com o título para a Brabham, mesmo com um carro inferior. Até hoje, Reutemann diz que foi sabotado por parte do time naquela disputa contra o brasileiro em Las Vegas, tudo por causa de sua insurgência em solo brasileiro. O mais engraçado é que, duas semanas depois do ocorrido, a F1 seguiu justamente para a Argentina, onde a torcida local compareceu em peso ao autódromo Oscar Gálvez, portando cartazes com os dizeres “REU – JON”. Nem é preciso explicar o porquê.

    Abaixo a foto da famosa placa na mão de Frank Williams indicando que Reutemann cedesse posição a Jones no GP do Brasil de 81:
    http://tazio.uol.com.br/wp-content/uploads/2013/03/Reutemann-e-Jones.jpg

    Pironi e Villeneuve – GP de San Marino de 82

    Com tão poucos carros no grid e o já quase protocolar abandono das Renaults por falha no motor, Villeneuve e Pironi passaram a se ver em um desfile de gala, rumo àquela que talvez seria a dobradinha mais fácil da história da Scuderia. Nessa toada, os dois ferraristas se passaram e repassaram várias vezes, porém com a pré-definição de que a vitória deveria ficar com Villeneuve, o primeiro piloto.

    Acontece que Pironi não estava a fim de seguir instruções prévias(placa slow) e decidiu escrever seu próprio desfecho: na última volta, surpreendeu o então amigo e o ultrapassou, sem dar chances para troco até a linha de chegada. De bons colegas, os dois passaram a arqui-inimigos pelo resto da vida (pelo menos no caso de Gilles, que levou tal panorama às últimas consequências).

    E foi justamente tentando evitar que seu novo desafeto largasse na sua frente em Zolder, 14 dias depois, que o canadense abriu desesperadamente uma última volta rápida na classificação do sábado. Se com a cabeça em ordem Gilles já era imprevisivelmente instintivo em suas ações na pista, agora ele havia se tornado um animal incontrolável, que apenas a força daquele terrível acidente com a March de Jochen Mass pôde domar.

    Arnoux e Prost – GP França 82

    Arnoux liderava a corrida em casa, mas a equipe Renault mostrou placa para o francês entregar a vitória ao compatriota Prost. Arnoux fez exatamente como Reutemann, ignorou a ordem e venceu a corrida, depois rompeu contrato com a equipe. Arnoux no ano seguinte estava correndo pela Ferrari, 1983 foi sua melhor temporada na Formula 1, com chances de até ser campeão.

    Bom lembrar, nos anos 70 e 80 não existia multa milionária pra deixar as equipes, isso facilitava a rebeldia dos pilotos. Hoje, se um piloto pisar na bola…ai ai ai

  21. Marcelo says:

    Belíssimo texto Gomes, parabéns!

    “esporte é disputa, competição, e que vença o melhor”

    Tirando Mansell em 86-87 e Prost em 88-89, todos companheiros de Piquet e Senna sequer existiam no time(em 86 Senna teve a molezinha de usar o fantástico motor de classificação com cerca de 100 cv a mais que o resto do grid. O companheiro de Senna, Dumfries não tinha essa mordomia em classificação). E quando os brasileiros pegavam companheiros fortes, tudo terminava em briga exatamente como Alonso e Lewis na Mclaren. Ninguém gosta de dividir equipe, ainda mais se um organiza o time, desenvolve o carro enquanto o outro somente senta e pilota. Por isso, Piquet, Prost e Alonso reclamavam muito, eles eram os “pilares” da equipe. Pode observar, quando eles saíram o time nunca mais foi o mesmo, os pilotos que ficaram não deram conta do recado, com o tempo todos caíram fora em busca de carro melhor.

    Bom lembrar, nos anos 70 e 80 ordens de equipe era feita por placas, por isso fica a impressão que não existia marmelada, mas o fato é que elas existiam. Até J.M. Fangio tinha status de primeiro piloto nas equipes que pilotou.

    Luigui Fagioli ficou famoso por sua determinação e por seu temperamento explosivo. Em 1934 muito antes da F-1 existir, correndo uma prova pela Mercedes em pleno Nurburgring, recebeu ordens para ceder a vitória a um companheiro de equipe. Furioso, parou o carro na beira da estrada (a corrida era disputada em uma rodovia) e voltou para casa, deixando a equipe.
    Em 1951 Fagioli era companheiro de equipe de Juan Manuel Fangio, e à altura do Grande Prêmio da França o argentino disputava o título com Giuseppe Farina. Durante a prova Fangio teve problemas com seu carro, e usando um artifício permitido pelo regulamento, a Alfa chamou Fagioli (líder da prova) para os boxes e entregou seu carro a Fangio(para Fagioli ceder é porque tinha algo no contrato). O argentino venceu a prova, mas de acordo com o regulamento, a vitória e os pontos foram repartidos com Fagioli. Bom lembrar, Fagioli entregou a liderança e terminou em 11º lugar. Era apenas a terceira prova do ano de um total de sete, ou seja, Fangio foi favorecido no início da temporada.

    Em 1956 Peter Collins chegou à ultima prova do campeonato em Monza numa posição em que poderia ser campeão do Mundo. Fangio liderava a corrida mas teve um problema na coluna de direção indo para os boxes. A equipe ordenou a Luigi Musso para que cedesse seu carro a Fangio(de novo?), mas o italiano recusou. Contudo, o piloto argentino teve carro para prosseguir a corrida e alcançar o título. Carro cedido por… seu rival, Peter Collins. Como podem ver, a coisa era até pior que nos dias de hoje, Collins tinha chance de ser campeão, mas foi obrigado a favorecer Fangio.

    Mais tarde, quando a corrida terminou, Fangio celebrava o seu segundo lugar da corrida (vencida por Stirling Moss) e conseguia os pontos suficientes para ser campeão do mundo pela quarta vez. Perguntou-se a Collins o porquê deste gesto de aparente fair-play. A resposta foi simples, mas hilária:

    “Sou demasiado novo para ser Campeão do Mundo”

    Ahhhhhhhhhhh, me ajuda aí Flavio Gomes!

    Acredite quem quiser, mas eu não engoli essa desculpa “sou demasiado novo para ser Campeão do Mundo”, Collins recebeu ordens da equipe para ceder o carro a Fangio. Luigi Musso recusou, mas Collins aceitou sem reclamar bem ao estilo capachão-Coulthard…

    Collins foi um “banana” essa que é a verdade, tinha chance de ser campeão, mas se rendeu aos caprichos do time que bajulava Fangio.

    Alguns vão lembrar que as corridas em “duplas” ou “trincas” eram permitidas na década de 50. ok, mas porque Fangio era sempre o favorecido? O argentino nunca cedia seu carro, sempre ele era o piloto que pegava carro emprestado. Em alguns casos, sequer o carro de Fangio quebrava, ele sentia que o carro não estava bem, parava no boxes e pegava carro do companheiro que estava melhor(caso do líder Fagioli acima). Oras, assim é fácil ser pentacampeão…

    • Fabio says:

      Olha, amigo, a história de Collins não aconteceu da forma que você contou, não. Primeiramente, Peter não disse isso que você destacou, mas sim que Fangio merecia o título, e que ele, por ser novo, teria muitas outras oportunidades na carreira.
      No mais, a chance de Collins ser campeão em 56 era apenas matemática, pois dependia de vencer a corrida na Itália sem que Fangio pontuasse, visto a desvantagem existente de 8 pontos na ocasião. E quando Peter Collins cedeu o carro a Fangio, faltando somente 15 voltas para o final da prova, encontrava-se apenas na quarta posição, atrás de Moss, Luigi Musso e Harry Schell.
      Além disso, Mike Hawthorn, grande amigo de Peter, registrou em sua biografia, “Challenge me the race”, que a cessão do carro foi realmente espontânea.
      Gestos de desprendimento assim aconteciam com certa habitualidade; von Trips tirou o pé para Piero Taruffi vencer a Mille Miglia de 1957 (a história está descrita com detalhes no livro “The Limit”, de Michael Cannell), enquanto Moss “salvou a pele” de Hawthorn no GP de Portugal de 1958, evitando uma desclassificação do piloto da Ferrari que poderia lhe dar o título mundial. Como ainda não havia profissionalismo, tais situações dependiam apenas do caráter dos envolvidos.
      Por fim, Fangio era o favorecido habitual porque era o melhor. Simples, não?

  22. guilherme says:

    Não relacionado à coluna: o Jalopnik traz um artigo de um estudante de arquitetura sobre o projeto de uma casa sobre a curva saca-rolha de Laguna Seca!

    http://jalopnik.com/this-is-a-house-built-over-americas-most-famous-corner-733510067

    Não seria propriamente uma casa, mas um espaço habitável para fins de semana de corrida. Bem que alguém poderia encampar o projeto!

  23. guilherme says:

    Imagino que primeiro e segundo piloto por escrito não exista da Force India pra baixo, mas nas equipes que disputam corridas, deve ser a norma mesmo. Afinal, o piloto não é apenas uma pessoa que guia o carro, mas uma peça de marketing. Contratar um piloto estrela é um investimento alto e o objetivo é o retorno que ele vai dar para o patrocinador. Faz muito mais sentido pra Ferrari, Red Bull, Lotus e Mercedes que seus campeões sejam novamente campeões, gera muito mais mídia.

    Imagine só o clima em uma reunião dos departamentos financeiro, pessoal e marketing de uma grande equipe depois que o piloto pagante deixar o que recebe milhões comendo poeira na temporada.

  24. Angelo Simoes says:

    Não vejo nenhuma novidade nisso tudo. Os que ficam mal são justamente aqueles que choram e dizem que não são segundo piloto. Massa, Rubinho (muito bem pagos por sinal). Assim como foram Patrese, Berger, Irvine etc…Sempre ridículo o Barrichelo no inicio de cada temporada dizendo que lutaria pelo título. E o Piquet que disse que acha jogo de equipe nojento, como é que fica agora?

  25. Oi? says:

    E, no final das contas, os “Pachecos” estavam certos… ainda bem que nunca os chamei assim.

    • Fabiano Lacerda says:

      Equivocados ao demonizar certos pilotos fora de série estrangeiros, que engoliam os brazucas, e tão errados quanto em idolatrar pilotos fora de série tupiniquins que tinham o mesmo “modus operandi”. Equivocados também em condenar a F1 por isso, sendo que as coisas sempre foram feitas dessa forma.

      Equivocados e falhos em todos os aspectos possíveis, os tais “pachecos”.

  26. José says:

    Olhem, 1985, Lotus 97T, Dupla Ayrton Senna – Elio de Angelis, Senna fez sete poles, Elio uma, Senna venceu duas, Elio venceu uma, tirando a velocidade de Senna em uma volta, eles terminaram respectivamente Senna em 4, com 38 pontos e Elio 5, 33 com pontos, Ayrton teve sete pódios e Elio três, no entanto Elio não tinha muitos quebras e acidentes, e Senna alguns numerosos abandonos, pelos números, pareciam em igualdade, afinal ainda eram duas promessas.

  27. Rodrigo says:

    O próprio Piquet tratou do contrato dele na Lotus na entrevista para a Playboy, deixando claro que era o primeiro piloto, que o Nakagima tinha que abrir passagem e que ele ganhava algumas vezes mais do que o Senna. Está tudo lá.

  28. Anderson says:

    O selo com referência à lenda de Urashima Taro é animal, Flavio!

  29. Luciano says:

    Hei Flavio, já viu isso ?
    http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=lfAIvXzRXPc
    Pit stop da RedBull em slow motion. Achei interessante.
    Ah sim, suas cartinhas também são sempre interessantes. É uma de minhas seções preferidas do blog.

  30. Fernando Carvalho says:

    E agora como fica Rubens ou Massa ? e ainda falam bem do ” Alonsito” , do Schumacher, do Piquet ; do Senna ( ” Putas” pilotos…..) Sem comentários ……

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