MANÁ-MANÁ (1)

SÃO PAULO (cultura é tudo) – Um pouco de história. Manama é a capital do Bahrein. O nome da cidade ensejou a criação do clássico da música popular interplanetária “Mahna-Mahna”, que em muppetinês quer dizer exatamente “Manama”, uma canção que louva as belezas do Bahrein. A letra diz:

Mahna mahna
(ba dee bedebe)
Mahna mahna
(ba debe dee)
Mahna mahna!
(ba dee bedebe bedebe badebe debe de-de de-de-de)
Mah mama na mahna mah namwomp mwomp
Ma mo mo mana mo

A tradução literal é:

Em Manama
(Bar de bêbado)
Em Manama
(Bar de bêbado)
Em Manama
(Bar de bêbado é pra beber e ficar bêbado)
Em Manama
Mama, mano, mama

Escolhi, pois, tal canção para batizar os posts sobre a corrida deste fim de semana no Bahrein, numa homenagem à bela cidade cheia de bares (de onde vem o nome do país).

E é por sua vocação boêmia que Manama resolveu mudar o GP para a noite, de modo que todos possam sair dos treinos e da corrida para encher a cara em seus botecos, sabendo que as atividades no dia seguinte começam mais tarde. Hoje tivemos a primeira experiência noturna no circuito de Sakhir (palavra que significa “aquele que usa o saca-rolha para abrir a garrafa de vinho”; o sufixo “ir”, em muppetinês, tem a mesma função de “er” em inglês).

Deu Mercedes e deu dó. Dó dos outros, que levarão nova sova da dupla Hamilton/Rosberg. Vejam os tempos: Alonso, em terceiro, a mais de 1s do par prateado.

Como estou escrevendo tarde, já que foram horas de estudo até chegar a “Maná-Maná”, coisa de gênio, pitaquinhos pontuais:

– A temperatura da pista entre o treino da tarde e o da noite caiu 20°C. Tudo que se fez no primeiro treino não serviu para quase nada. Duas dezenas de graus medidos por Celsius, o Homem do Tempo, alteram profundamente o comportamento de qualquer tipo de borracha. Portanto, os tempos da sessão que abriu os trabalhos não devem ser levados em consideração. Fora que a pista estava suja e há poucas semanas todas as equipes passaram oito dias testando no Bahrein, e já sabem tudo que precisam saber sobre o circuito debaixo de sol.

– Felipe Nasr treinou pela primeira vez, andou direitinho com a Williams e, como disse Sapattos, “devolveu o carro em uma peça apenas”, o que está bom demais. Esse Sapattos é meio metidinho. Quanto ao brasileiro, está se dividindo entre a Williams e a abertura da GP2. Pode dar um nó na cabeça.

– Alonso citou Ivan Lins quando disse algo como “desesperar jamais” ao avaliar o que a Ferrari deve fazer para melhorar seu desempenho. Cantarolando na entrevista, explicou: “Aqui neste momento/progride lentamente/sempre com um olho/na confiabilidade do equipamento”. Esse trecho da música de Ivan Lins foi suprimido pela gravadora na época porque os produtores acharam que “lentamente” não rimava com “equipamento”. Ivan trocou para “Afinal de contas/não tem cabimento/entregar o jogo/no primeiro tempo”. Domenicali escutou a declaração e para mostrar que o time está com o discurso bem ensaiado, emendou: “É isso mesmo, em Monza, no máximo, estaremos bem. Na pior das hipóteses, Interlagos”. Nesse momento, Raikkonen, que passava por ali, tentou agredir o chefe, mas foi contido por uma moça de burca.

– Falando em Raikkonen, a impressão que tenho é que ele está bem arrependido. Não de ir para a Ferrari. De continuar na F-1. O saco-cheio do finlandês já é visível. Ele não gosta de pilotar esses novos carros. Simples assim. Não demonstra a menor paciência para aprender tudo de novo. A F-1 que ele conheceu era outra. Essa aí é meio sacal, para moleques imberbes. O duelo imaginado com Alonso, desconfio, não vai acontecer. O que é uma lástima. Mas é apenas uma impressão inicial. Estamos ainda no terceiro fim de semana de GP. Depois me cobrem.

– A Lotus se juntou a Caterham e Marussia no grupo das nanicas. Incrível como Grojã e Maldanado sofrem com o carro-tomada.

– O pequeno bolchevique Daniil K-Viado é ótimo piloto. Verme já está começando a ficar preocupado com o menino. E quem está amando tudo isso é Helmut Marko, responsável direto pela escolha.

– Nunca os releases da Red Bull foram tão sem graça. Apesar de sinais promissores nas duas primeiras corridas, o mau-humor, talvez desânimo, de Vettel é visível.

– Frase de Button: “Ninguém está feliz com seus carros neste momento. Só os caras da Mercedes”. Tem razão. Todo mundo tem motivo para reclamar de algo. Comandante Amilton e Rosberguinho não reclamam nem se pedirem para eles irem de camelo ao autódromo amanhã.

– A Pirelli fez uma avaliação dos pneus usados até agora em 2014 e uma das conclusões foi: o “graining” diminuiu consideravelmente. O que fará com que Luciano Burti tenha de trocar a consagrada expressão “aquele macarrãozinho” por “aquele miojinho sabor galinha caipira”.

– Bonito, o circuito barenita iluminado. Mas aquele visual de deserto, o bege areia dominando a cena, acho que vai desaparecer de vez. Só em treino livre.

– Alguma dúvida sobre quem fará a pole amanhã? Mercedes, claro. Que é a Red Bull de 2014, se é que vocês me entendem.

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