SACANAGEM

S

SÃO PAULO (tudo errado) – Uma brecha num regulamento mal escrito vai permitir que Ferrari, Renault e Mercedes desenvolvam seus motores (OK, unidades de força, saco) ao longo da temporada em alguns componentes, que representam 48% dos conjuntos formados pelos motores turbo V6 e seus dois auxiliares elétricos. A Mercedes ficou puta, mas vá lá. Terá as mesmas possibilidades.

Só que a Honda, não. O que é uma clara sacanagem da FIA. Como é fornecedora nova, segundo Charlie Whiting, não se enquadra no regulamento ao qual as outras foram submetidas. Os japoneses terão de homologar sua unidade de força até 28 de fevereiro e não vai poder mexer mais.

Claro que a McLaren está igualmente puta. A Honda, idem. É ridículo a FIA discriminar a montadora. Que, se não conseguir reverter o quadro, começa o ano claramente atrás da concorrência. Primeiro, porque está chegando um ano depois das demais, que já conhecem a fundo o que têm nas mãos. Depois, porque enquanto as três poderão corrigir eventuais falhas, a Honda terá de ir até o fim da temporada com aquilo que homologar no fim de fevereiro.

Espero que a FIA volte atrás. Porque fazer isso com quem está chegando, numa categoria tão derrubada e em crise, é uma cagada federal.

Sobre o Autor

Flavio Gomes

Flavio Gomes é jornalista, mas gosta mesmo é de dirigir (e pilotar) carros antigos.

41 Comentários

  • Certíssimo, a Honda esperou um ano para entrar e não se enquadrar na política dos motores congelados, ficarám um ano desenvolvendo o motor enquanto as outras sofriam! O tiro saiu pelo culatra! Quer entra? Um ano de motor congelado! justo!!!

  • Se a FIA continuar com isso, a Honda pula fora, afinal ela só voltou para F1 porque achou interessante a nova tecnologia dos motores. Se mudar, é bem capaz de se transformar somente em um simples fornecedor e a McLaren que se vire no desenvolvimento. A Mercedes levou cinco anos para vencer, se continuar vencendo, até vai engolir essa nova regra aí, do contrário, se começar a levar ferro de Renault e Ferrari também vai chiar bastante. E convenhamos, as montadoras não pensam duas vezes para pularem fora do circo.

  • Pergunta imbecil: Mas a Honda não ficou um ano inteirinho estudando a F-1 e desenvolvendo o seu motor?? Ainda por cima, quer queira ou não tendo acesso irrestrito aos carros da Mclarem equipados com os Mercedes (nesse caso que ficou putissima da vida foi a Mercedes).

  • Quem me recomenda uma nova categoria de ponta para acompanhar? Qual seria? Em qual canal passa? Categoria com motores de verdade e, de preferência, com monopostos. A F1, está ficando cada vez mais difícil tragar. Em 2014, não vi quase nada.

    • Desculpe-me mas vc não me engana. Não tem essa de dizer que vai assistir outra categoria que vc nem sabe qual. Eu, por exemplo, assisto F1, Stock e F-E, Tb pedri um pouco de interesse pela F1, mas, se eu não gostar de uma delas, eu já sei que tem a Indy, a Nascar, a GP2, Gp3, WEC, Word Series…..

      Quem gosta de automobilismo sabe o que passa.

  • Não é isto. Acontece que depois de homologado o motor não pode mais mudar e para correr tem que ter motor homologado. As outras equipes vão correr com o motor 2014 para testar algumas peças de 2015. Mas no fundo, este motor 2014, mesmo com modificações, não vai ser bom como o de 2015 porque as mudanças estão limitadas. A Honda teve um ano a mais para fazer testes. Poderia ter (se não fez) colocado o motor em mulas para testá-lo. Então, enquanto os outros tiveram o ano de 2014 inteiro com o motor congelado, a Honda via (pela McLaren) os defeitos dos outros e podia modificar. É claro que certamente Ferrari e cia tb fizeram isto (em mulas). Eu acredito que a Ferrari e cia logo homologarão o motor de 2015 porque se iniciarem com o de 2014 já será uma de quatro unidades força utilizadas.

    • Vou dar um exemplo, durante o ano, todos descobriram que a vantagem do motor da Mercedes era principalmente ter a turbina distante do compressor. A Ferrari e Renault não puderam mudar isto e não poderão se iniciarem com o motor 2014 porque o trabalho em cima do motor 2014 é limitado a melhorias e não outra concepção. Já a Honda, certamente na hora imitou a Mercedes e vai ter um motor com a correção destes problemas.

      • Pelo que li, é exatamente isso. Talvez alguma fabricante arrisque correr 3 ou 4 corridas com o motor de 2014, enquanto tenta otimizar o de 2015, mas terão desvantagem em relação a quem homologar o motor de 2015 logo antes da primeira corrida. Decisão difícil.

  • Flávio, somos peões no jogo da corporativo da vida, mas penso há tempos que o propósito da FIA é esse mesmo: matar a F1 em nome de uma “revolução” no esporte, que seria a F-e. Porque não é possível que os caras consigam organizar tão bem uma categoria nova e metam os pés pelas mãos na categoria rainha, despropositadamente. A esperar e ver.

  • Que é sacanagem, é… mas, certamente os japoneses já fizeram um motor igual ou melhor que os da Mercedes que foram a referência que tiveram. Então, se não puderem melhorar durante o ano, também não vão passar vergonha, afinal, ainda será um ano de aprendizado. O problema é se a McLaren vai fazer um bom carro ou não pois estão devendo nisso.

  • Eu acho que, na mesma esdruxulo-regulamento, a Honda pode alegar que não-há-nada-escrito que a montadora que ingressa em 2015, será obigatoriamente impedida de desenvolver a sua UP. Éh sem dúvida, uma tremenda-&%$#nagem com a Honda! Ela tem sim de pedir explicações a a Dona-FIA. Esta F1 esta kda vez mais parecida com a politica brasileira!

  • A FIA alega estar usando o mesmo critério utilizado no ano passado, Renault, Ferrari e Mercedes-Benz homologaram seus motores até o final de fevereiro de 2014. Durante o ano passado não foram permitidas modificações. A Honda provavelmente teve acesso aos motores Mercedes-Benz utilizados pela sua parceira McLaren em 2014, e observou em competições os outros 3 motores, então quem está tendo vantagem lançando seu motor um ano após os demais fabricantes, tendo observado e coletado dados do motor alheio na garagem de sua parceira e em competições?

  • Muito provavelmente o grupo FIAT,dono da equipe de Maranello deve ter dado uma mexidinha no seu boneco mameluco que ocupa o posto de “presidente da FIA”,podem dizer : Más só a Honda foi prejudicada !
    Más um concorrente a menos já é alguma coisa, ainda mais um que ela conhece muito bem o potencial. Alguém pode informar quantos campeonatos a equipe do Cavallino Rampante ganhou enquanto a Honda era fornecedora de motores para a equipe inglesa ; por ai já da para ter uma ideia da “PAURA” pois terá que enfrentar além dos tedescos ,também os japoneses ,outro povo que é obstinado por bons resultados e tem igualmente com alemães capacidade técnica ,organização,liderança(tipo marcial) , muita determinação e quase sempre costumam achar o caminho para o sucesso , coisa que a italianada parece bater cabeça ,apesar de terem boas cabeças por lá também,talvez não sejam as que decidem , más tem ; quem sabe ????????

  • Pelo que entendi a Honda tem que homologar o motor antes da temporada justamente porque não correu o ano passado. As demais devem correr com o motor “velho” até homologarem o motor deste ano, então não será muita vantagem postergar o desenvolvimento da unidade deste ano.

  • É lamentável a falta de respeito ao esporte este tipo de ação tomada pela F1. Se a F1 passa por dificuldades em conseguir novos parceiros, assim só irá espantar os que talvez tivessem a intenção de competir no futuro. Analisando bem o gerenciamento desse esporte, vejo que as propostas da F1 mudam ao longo de uma noite de sono de um senhor que “delira” de vez enquando. As regras mudam conforme, sei lá, o bom ou mal humor do seu chefe. Não tem organização e parece ser gerenciado por um bando de mimados que não sabem mais o que fazer para chamar atenção. Esportes consolidados como NBA, NFL, Nascar e outros, seguem uma receita de um bom tempo. Muitas vezes complexa aos olhos dos leigos, mas funciona.. Dá dinheiro, todo mundo gosta e no final das contas, forma mais uma legião de fãs.

  • Infelizmente no automobilismo sempre há essas cagadas federais.. Já Eh um clichê.. Sacanagem com a honda.. Seria medo da nova parceria? Não sei.. Mas alguém dúvida dos japas? São sempre mt bons

  • Partindo que as demandas de desenvolvimento de qualquer coisa na F1 ainda vem principalmente da quilometragem em corrida, isso é uma trolha sem tamanho. A Honda mais do que nunca terá que provar que tem Engenheiros e Advogados. E Psicólogos para o Alonso.

  • Não penso assim a Honda teve este ano para ver os problemas dos outro e pode estudar o motor Mercedes da Mclaren, acho é que eles estão em vantagem chorando de barriga cheia, sacanagem é com a Mercedes.

  • Se fizerem isso, jesus… A F1 só faz cair em audiência, interesse do público e de equipes/montadoras. Já que existe a falha e isso vai liberar esse desenvolvimento parcial, que inclua a Honda também. Parece que existe uma má vontade gigantesca com quem está chegando na categoria, não importa o porte de quem chega.

  • Ué no começo de 2014 , nos comentários , falavam que a Honda , levaria
    vantagem de obter informações da Mac Laren , do motor Mercedes durante
    o ano . Agora acho justo um ano de ferrada , igual a ferrari e renault , levaram
    da Mercedes , a não ser que já fizeram um canhão, aí a história será outra.

  • Cagadérrima!
    Só o fato de não permitir mudanças (desenvolvimento) já é uma decisão tremendamente imbecil, mas permitir para uns, e proibir para outros, sei não…
    Parece que querem acabar com a F1.
    Desse jeito, acabam conseguindo!

Por Flavio Gomes

Perfil


Flavio Gomes é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.” Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo”, revistas “Placar”, "Quatro Rodas Clássicos" e “ESPN”, rádios Cultura, USP, Jovem Pan, Bandeirantes, Eldorado-ESPN e Estadão ESPN — as duas últimas entre 2007 e 2012, quando a emissora foi extinta. Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020. Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o "Grande Prêmio" passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o "Esporte de Primeira" na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Em 2005, publicou “O Boto do Reno” pela editora LetraDelta. No final do mesmo ano, colocou este blog no ar. Desde 1992, escreve o anuário "AutoMotor Esporte", editado pelo global Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, "Dois cigarros", pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas "Gerd, der Trabi" (Gulliver, 2019). É torcedor da Portuguesa, daqueles de arquibancada, e quando fala de carros começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs e Volkswagens de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. É com eles que roda pelas ruas de São Paulo e do Rio, para onde se mudou em junho de 2017. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020.
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