KOMBI DO DIA

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Sobre o Autor

Flavio Gomes

Flavio Gomes é jornalista, mas gosta mesmo é de dirigir (e pilotar) carros antigos.

18 Comentários

  • Flávio nesse encontro o Marcelo Tonella, não sei se você já ouviu falar vai estar-lá, ele tem um conteúdo vasto no youtube sobre manutenção e alterações na mecânica VW a ar, o cara é bem legal, vale a pena bater um papo com ele. Um abraço

  • Gomes, tentei mandar um Fale Conosco pelo link do site do GP, mas, seguidamente, o e-mail voltou informando que [email protected] está com a cota estourada. Assim, correndo o risco de receber um “Foda-se, rapaz” em resposta, reproduzo as observações aqui mesmo e espero que sejam repassadas a quem for cabível.

    *****************************
    RE: Conceito de física

    Na chamada DIABOS VERMELHOS, encontrada no dia de hoje na página http://grandepremio.uol.com.br/f1/noticias/invasor-tinha-uma-meta-ao-cruzar-reta-principal-em-xangai-testar-um-carro-da-ferrari-e-faz-seguranca-ser-redobrada , há um tropeço cruel em relação à temperatura.

    Diz a chamada: “Os 16ºC de temperatura ambiente e 33ºC do asfalto sequer chegaram perto dos valores registrados na Malásia, há duas semanas. Em Sepang, estava duas vezes mais quente — e não é força de expressão.” Infelizmente, é, sim, força de expressão. Se a temperatura em Sepang há duas semanas era 32°C, ela NÃO era duas vezes mais quente que os 16°C de Xanguai hoje, a despeito do que indica o senso comum.

    A escala Celsius é relativa ao ponto de fusão da água, que marca seu valor 0. Assim, dobrar numericamente o valor em graus Celsius não significa que a energia térmica tenha dobrado. É simples entender esse conceito quando se pensa em uma temperatura de 0°C, que possui energia suficiente para manter outros materiais em estado líquido e até gasoso apesar do valor aparentemente nulo. Há uma piadinha besta que diz o seguinte: “Se faz 0°C hoje e a previsão do tempo anuncia que amanhã vai ser o dobro do frio, qual será a temperatura de amanhã?” O princípio é brincar com o dobro de 0, um cálculo impossível, mas a resposta é simples: amanhã vai estar -136,575°C.

    Outra forma de se pensar nisso é transformando a temperatura em Fahrenheit: ela iria de 60,8°F para 89,6°F, nem de longe o dobro.

    O cálculo direto, como está sugerido na chamada, se aplica apenas a escalas absolutas de temperatura, a mais comum das quais a Kelvin. A propósito, é exatamente por ser a escala Kelvin absoluta que são usados “graus Celsius” mas nunca “graus Kelvin”. Como aprendemos nas aulas de física, 0 K — ou -273,15°C — representa o zero absoluto, ou seja, ausência total de energia em um átomo, ponto a partir do qual é impossível ficar mais frio. Assim, 32 K é, de fato, o dobro de 16 K já que a energia contida na matéria é, de fato, duplicada.

    Concluindo, é válido dizer que a temperatura em Sepang estava bem mais alta do que em Xangai, mas nunca que estava duas vezes mais quente. Fosse esse o caso, a Malásia teria experimentado a improvável temperatura de 305,15°C! Creio que nem as Ferrari teriam tido bom aproveitamento dos pneus a essa altura!

    Em tempo, e temendo ser (desmascarado como) chato demais, noto que, aparentemente, foi usado o símbolo de ordinal (º, código ASCII 0186) em vez de grau (°, código ASCII 0176) na indicação de temperatura no texto. Isso ficou evidente quando escrevi o símbolo correto nessa mensagem e ele não correspondeu ao que eu havia copiado do site do Grande Prêmio. Pelo bem da precisão textual, sugiro que isso seja verificado.

    Atenciosamente,

    Guilherme Costa.

      • Nisso você tem absoluta razão, a que estava comigo havia 133 meses não está mais há 33 dias; que seja feliz no melhor estilo Wild World do Cat Stevens.

        Mas ela concordaria que estou certo em ambos os detalhes apontados, por mais que reclamasse que eu, mais uma vez, fui prolixo pra cacete.

        Enquanto isso, sinta-se à vontade para corrigir — ou perpetuar — uma daquelas clássicas falhas científicas do jornalismo leigo. Felizmente, os repórteres do GP sabem lidar com porcentagens.

      • 133 meses? Namorando? Vamos perpetuar. Não se trata de jornalismo leigo. Trata-se de jornalismo especializado em automobilismo, e não em Física. As pessoas entendem o que estamos dizendo. Certos tecnicismos cabem em outro tipo de texto.

      • Pois é, 133 meses. Como tudo na vida, há seus motivos. Errar com orgulho e relativizar tecnicalidades foi um dos motivos do fim, aliás.

        Jornalismo leigo no sentido de não-científico, não se faça de desentendido. É claro que o GP se dedica ao automobilismo, o que não o isenta de buscar aplicar corretamente conceitos de áreas diversas sob pena de falar besteira. A menção às porcentagens é quase autoexplicativa, mas eu, por chato, detalho: se a margem de corte para largada na classificação subir de 107% para 107,5%, ela não terá subido meio por cento, mas meio ponto percentual, para ficar em um exemplo cabível no GP. Qualquer jornalista, foca ou veterano, não pode cometer esse erro por mais que não escreva em uma publicação sobre matemática. As pessoas entenderiam o que estaria sendo dito, o que não tornaria o erro menos crasso. “Ponhei a faca na mesa pra mim cortar a mortandela” também dá pra entender perfeitamente, só não está certo.

        Tecnicalidade ou não, precisão de informações é uma das bases do bom jornalismo. Precisamente um dos motivos, diga-se, que me fazem leitor do GP.

        Como costumo dizer quando aponto erros na internet ou fora dela, sinta-se à vontade para continuar errando conscientemente. Apenas não se esqueça do popular complemento daquele ditado que diz que errar é humano, mas…

    • Lega, Guilherme! Sempre bom ler comentários inteligentes, coisa cada vez mais escassa por aqui. É um tal de chupa fulano, chupa siclano, quase não leio mais os comentários, o seu salvou a noite, rsrs!

    • Guilherme, concordo, e veja também o disparate da Sportv dizendo na transmissão todo ano, ser a China maior reta da F1, sendo que são 1170 contra 1200 metros de Austin. Fica minha dúvida se a reta de Austin é uma curva reta, ou reta em curva, o que o Flavio Gomes poderia nos ajudar por conhecer a Tamburello.

Por Flavio Gomes

Perfil


Flavio Gomes é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.” Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo”, revistas “Placar”, "Quatro Rodas Clássicos" e “ESPN”, rádios Cultura, USP, Jovem Pan, Bandeirantes, Eldorado-ESPN e Estadão ESPN — as duas últimas entre 2007 e 2012, quando a emissora foi extinta. Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020. Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o "Grande Prêmio" passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o "Esporte de Primeira" na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Em 2005, publicou “O Boto do Reno” pela editora LetraDelta. No final do mesmo ano, colocou este blog no ar. Desde 1992, escreve o anuário "AutoMotor Esporte", editado pelo global Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, "Dois cigarros", pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas "Gerd, der Trabi" (Gulliver, 2019). É torcedor da Portuguesa, daqueles de arquibancada, e quando fala de carros começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs e Volkswagens de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. É com eles que roda pelas ruas de São Paulo e do Rio, para onde se mudou em junho de 2017. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020.
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