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Monday, 23 de January de 2017 - 22:52F-1

O MUNDO SEM BERNIE

fazenderirobernie

SÃO PAULO (e por hoje deu) – Acabou a era Bernie Ecclestone na F-1. Provavelmente amanhã, terça, os novos donos do negócio vão oficializar a saída do dirigente do comando da categoria. Compraram, agora querem levar. Faz todo sentido.

Bernie não é eterno. Aos 86 anos, estava mesmo perto do fim. Foram quase quatro décadas à frente de um campeonato que é o que é hoje, em termos financeiros, graças a ele.

Tino comercial, poder de convencimento, mão forte nos negócios, tudo isso pode ser dito para descrever as qualidades de Ecclestone como chefão da F-1. Ex-piloto e ex-dono de equipe, pegou o touro a unha em 1978 e transformou uma competição basicamente europeia num gigante global que invadiu mercados improváveis atrás de dinheiro, muito dinheiro.

Malásia, Bahrein, China, Turquia, Índia, Coreia do Sul, Azerbaijão, Abu Dhabi, Cingapura e Rússia — se esqueci de algum, me lembrem — entraram na sua roda-viva sem ter nenhuma tradição no automobilismo. Mas muita grana em caixa, e gente disposta a gastar com carrinhos de corrida. Alguns desses países já saíram do calendário, é verdade. O que nunca incomodou o dirigente. Se França, Alemanha, Portugal, Holanda, África do Sul e outros sítios históricos já foram riscados do mapa, que falta fazem os desistentes? Nenhuma. Sai um, chega outro. México e EUA, por exemplo, voltaram com força. E assim caminha a humanidade.

Bernie fará falta pela personalidade única. Autoritário, quase ditatorial, entendia do assunto. E era — é — um sujeito sedutor. Por isso quase tudo que fez deu certo. É verdade que se enrolou em várias negociações, brigou com gente grande, foi acusado de falcatruas de vários matizes, mas nada aconteceu na F-1 nos últimos 38 anos sem passar por ele. E graças a esse poder exercido em sua plenitude, enriqueceu e fez ricos muitos de seus pares.

O baixinho fará falta. Sempre gostei dele, apesar de tudo. E creio que a maioria na F-1, também.

E o que será da F-1 sem Bernie? É difícil acertar na mosca, mas pode-se imaginar que a categoria será menos fechada e exclusivista. O Liberty Media Group é gigantesco, sabe fazer dinheiro e tem um inegável olho no entretenimento nos moldes norte-americanos. A palavra de ordem é o show em primeiro lugar, sem grandes discussões técnicas e retóricas. Mais gente nos autódromos, mais gente vendo pela TV, mais penetração popular pelas novas plataformas de divulgação, proximidade maior com o público.

Como isso vai ser feito, sinceramente não sei. Já escrevi uma vez que a F-1 deveria olhar um pouco para o passado para dele extrair o que fez dela, nos anos 70, 80 e 90, um fenômeno de popularidade. Isso se perdeu com o tempo, por conta da concorrência de outros esportes e atividades, e da gradual demonização do automóvel no mundo — os jovens não têm mais a relação com carros que gerações anteriores tinham. É um desafio buscar lá atrás o que mais atraía as pessoas e, ao mesmo tempo, olhar para a frente e tentar adivinhar o que elas vão querer de uma competição motorizada.

É fato que a idade média do público que acompanha F-1 aumentou. O fã histórico envelheceu e não foi substituído pelo torcedor mais novo — aquele que está entrando no mercado de trabalho, começando a ganhar dinheiro, buscando formas de gastar o seu com diversão e entretenimento. Os jovens não ficam mais duas horas diante da TV para ver quase nada. Mergulham em seus celulares e neles passam horas e horas. Como tirá-los desse mundinho particular?

Saberemos nos próximos anos.

Ou não.

38 comentários

  1. Fernando Claudio says:

    Ele é Temer

  2. Burgos says:

    Molecada de hoje em dia, gosta de arrancada e entende de mecânica. Corridas em circuitos são chatas, igual assistir uma maratona e arrancada é a mesma coisa que assistir uma prova de 100 metros rasos, é dinâmica, mais emoção, eterna rivalidade de motor AP contra chevrolet e assim vai….

  3. rogerV says:

    Bem que podia ficar aqui, brincando de ‘café’ e colocar a mão na CBA!!!! (sonho…)

  4. Claudio Aun says:

    Bernie perdeu a mão faz tempo, deveria ter sido substituido há pelo menos 10 anos atrás

  5. LUIZ says:

    A unica coisa que desgostei do bernie, foi o fato de nao ter cancelado a corrida de Imola 1994.

  6. Hoje o Mundo muda a cada dia e o quase Bisavô Bernie ficou rico na F-1 com suas negociatas jogando até sua equipe Brabham pro alto que ainda tinha o fiel Bicampeão Nelson Piquet naquela época. Hoje a F-1 tem que ter várias cabeças no comando porque não mão de uma pessoa só acaba de ficar no passado.

  7. Coisinha says:

    Já vai tarde….MUITO tarde.

  8. Carlos Dias says:

    Também temo que o futuro não exista. Certa feita, li que o automóvel seria o cigarro do século XXI, a previsão está se cumprindo. Penso que a F 1 jamais terá o prestígio que teve outrora.

  9. jorgedacir says:

    Obrigado Bernie, graças à voce o Brasil teve a felicidade de ter pilotos na f1 como; Wilson Fittipaldi jr, Jose Carlos Pace e Nelson Piquet pela saudosa Brabham!!!!

  10. Victor says:

    Turma, o exemplo da F-E é algo a ser seguido? Será este o caminho?

  11. Edu says:

    Bernie vai fazer falta, a F1 perdeu seu publico, não!, Só não renovou, faltou incentivo? não sei, mas a visibilidade de certa forma jogou contra, ver uma categoria com limitações para desenvolver os carros? O barato era esse, São outros tempos, ok? Mas só as grandes foram beneficiadas, cade as pequenas que davam canseira, é só lembrar o começo da Willians, ficou grande e voltou a ser média/pequena…

  12. alvaro says:

    Espero que os novos controladores não americanizem o espetáculo com bandeiras amarelas, play off, etapas com pontuação diferente e outras idiotices que só estragam o espetaculo. O Ross Brawn falou em simplicidade, espero corridas em que o piloto fique por 2 horas com o pau dentro sem necessidade de economizar nada, principalmente pneus, que deveriam durar a corrida inteira sem perder a performance.
    Divulgação de espetáculo eles sabem fazer bem, torço para dar certo

  13. Douglas Arruda says:

    O mundo mudou muito, e continua a mudar. Acho que é um feito ter uma F-1 ainda tão relevante, com tantas outras opções de entretenimento, mais a internet que você mesmo mencionou. A ver o que a Liberty consegue fazer, é um negócio muito complicado para se mudar do dia pra noite. Se mexer errado, a F-1 pode morrer.
    Quanto ao anúncio de Ross Brawn, não faço idéia do que ele será capaz nessa posição…

  14. Bruno Cardoso says:

    Tomara que a F1 não entre na onda de chamar esses “pilotos de videogame” para sentar num cockpit de pilotos de verdade.

  15. Leonardo Silva Conrado says:

    Espero que com a chegada da Liberty media, a F1 volte a correr em alguns circuitos tradicionais, ocorra uma queda no preço dos ingressos, promovendo a acessibilidade de todas as classes sociais, e que a categoria volte a ter motores V10, V8 e promova maior igualdade entre as equipes.

  16. Muitos méritos, mas já tava na hora. Alguma coisa MUITO importante ficou pelo caminho, e ainda dá tempo de recuperar.

  17. Carlos says:

    Apesar de tudo, a F1 ficará mais chata. Ecclestone é uma personalidade ímpar, quer se concorde, ou não, com sua postura. Único alento nisso tudo é a, talvez, chegada de Ross Brawn, que cuidará da parte técnica. Talvez um regulamento não tão restritivo seja uma solução.

  18. sandro says:

    Aconteceu realmente tudo isso, porém, por “culpa” do próprio Bernie, ou seja, dinheiro, dinheiro, dinheiro e esqueceu da competitividade, pensou no bolso, amigo, cara bacana, falador, mas só e apenas pensou no dinheiro, competitividade e “laçar” o público sempre foi ZERO. Ninguém consegue nem chegar perto de um carro ou perto de um piloto, qual a graça de tudo isso ? por que os jovens gostariam de ver uma F1 onde nem perto de um carro pode chegar ? Em orlando, Flórida ou Vegas (devem ter mais) existem carros da Nascar espalhados pela cidade onde inclusive você pode sentar num deles. Pegar um autógrafo de um piloto só no Aeroporto e olhe lá. Graças a quem o tirou a tempo de recuperar a F1, ainda temos Hamilton e Verstappen pra tocarem roda com os Almofadinhas, espero que aproveitem tudo isso.

  19. Paulo F. says:

    Ross não é fraco não!
    Segue os passos de Bernie.
    Sera que aguenta o tranco?

    Bernie esta zilhardario! Sera que vai reativar seu lado garagista e tocar uma escuderia? Só para não ficar longe das pistas.

  20. Marques Goron R. da Silva says:

    Putz, pensei que o “véio” tinha morrido…

  21. Lucas Castro says:

    Bom Dia a todos
    acabei de receber um curriculum do Sr Bernie Ecclestone
    estamos na expectativa de melhoras e novidades

  22. Renato de Mello Machado says:

    O Bernie fez tudo,mas toda unanimidade é burra.Quem cria algo, também é capaz de matar e é isso que ele está fazendo. Por não ter freado, a entrada das montadoras hoje se paga esse deslize, já quê quem manda são elas.Faltou mais um gás, para colocar o motor alternativo e para quem não sabe a F1,já conviveu com dois tipos de motores correndo junto,turbo e aspirado.Não ter freado,o uso maciço da aerodinâmica matou a chance de ultrapassagen. O uso de pneus em quê se o piloto,pilotar como se deve acaba logo foi o pior junto do DRS.F1 deveria,ser simples como um Fusca,e hoje por tantas comodidades proporcionadas ao piloto,deve de ser mais difícil dirigir um Fusca.

  23. Zé Clemente says:

    Saber o que vai virar a F1 só o tempo pode dar resposta. Uma coisa já se pode prever – a F1 vai ser um produto americano. Na prática mais americano e não essencialmente americano. Acho que é possivel prever o ingresso de motores americanos na categoria, no futuro. Mas fico curioso por supor que influencia essa mudança na F1 pode causar na Indy. Aguardemos.

  24. Enio Alexandre says:

    O Flávio tocou num ponto que nunca tinha prestado atenção. A garotada não tem mais o gosto por automóveis que minha geração tinha. Natural que os esportes a motor percam em popularidade.

    • Romeo Nogueira says:

      Sim, inclusive FG já havia abordado o tema num post não tão distante. E gostaria que o escriba voltasse ao assunto, tratando-o de forma mais abrangente. Não sei sua idade, Enio, portanto, não sei se sua geração é a mesma que a minha – tenho 43. Mas é verdadeiro dizer que a garotada de hoje em dia não tem mais o gosto por automóveis como tinham as nossas gerações.

  25. Gabriel P. says:

    Bem interessante sua reflexão a respeito de um possível futuro da F1, Flávio.
    Mas acho que F1 é um esporte muito específico creio que seria impossível transformá-lo em show e continuar atraindo fãs do automobilismo de competição.
    Mais ou menos como música clássica, quem gosta, não quer ver efeitos especiai, show de luzes, cenários extravagantes, quer apenas curtir e se emocionar com o som, com a música.
    Sendo assim, dependendo do que fizerem, não vão atrair novos fãs e ainda por cima vão perder os velhos e tradicionais.

  26. Marcos Roberto says:

    Se com isso voltar os motores v10 está ótimo, até os v8 já serve no lugar desses de hoje.

  27. Kiko Costa says:

    Eu não sei como funcionaria, por causa de direitos de transmissão etc. mas acho que o futuro do consumo da F1 vai ser na forma de apps, como muitos esportes americanos já fazem, como a NBA, NFL e NHL… assinaremos apenas a F1 (cortando o intermediário, o canal de TV) e assistindo as transmissões da FOM.
    Eu, por um, não vejo a hora, assim não preciso mais de TV a cabo pra nada.

    • João Pedro says:

      Essas ligas tem transmissão própria dos jogos durante a semana, mas ainda tem a grande audiência relacionadas às TVs, principalmente os canais abertos, com abrangência nacional (os jogos de domingo à noite, horário nobre de lá, são os com mais audiência). Sem falar que a fonte de receita principal, de longe, de todas essas ligas, são as vendas dos direitos de transmissão. Talvez uma forma de se aproximar do público que faz uso da internet seja produzir conteúdos exclusivos, como essas ligas também fazem.

      No entanto, acho que o importante para a F1 é se tornar atraente o suficiente, novamente. O canal de transmissão, acredito, independe. Se o produto é bom, o público vai atrás independente de qual seja o meio de assisti-lo.

  28. Glauco Tavares says:

    O problema não é a saída de Bernie afinal já era mais do que hora de trocar o comando da F1. Bernie fez muito pela categoria e merece todo respeito (apesar de todos defeitos).
    O problema mesmo são as pessoas e principalmente a cultura e o tipo de mentalidade que estão assumindo o comando, estes caras podem fazer até os mais críticos sentirem uma enorme saudade de Ecclestone.

  29. Wanderson Marçal says:

    É um dia histórico no esporte a motor. Mas, se é verdade que o Bernie ajudou a construir tudo isso, também é verdade que em muito tem culpa pela ruína recente do esporte. O carro não é mais tão popular como antes, é verdade, e o automobilismo virou coisa de nicho. Mas a F1 atual nem esse nicho que tanto gosta da coisa agrada. Recuperá-lo seria um bom começo.
    Vamos ver para onde a F1 vai, mas temo que a coisa não mude muito com as poucas montadoras que se sujeitam a bancar a cara brincadeira ainda dando as cartas — é o que o Max Mosley dizia e com razão. Elas também, juntamente com Ecclestone e a nulidade de Jean Todt, têm muita culpa pelo estágio atual das coisas.

  30. Heriank says:

    Aposto minhas fichas que esses motores silênciosos e econômicos vão ser riscados do mapa. A F1 precisa sim voltar a ser um show de motores barulhentos, envenenados e beberrões. Chega de viadagem.

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