TORO ROSSO STR12

SÃO PAULO(ufa, acabou!) – Dei uma saída para comer um frango na brasa e quando voltei a Toro Rosso já tinha apresentado seu carro novo. Com ele, está pronto o lote de dez da F-1 em 2017. Dez equipes apenas… Acho uma pobreza. Para mim, 13 era um número legal: 26 carros no grid para dez pontuarem, isso seria legal.

Neste ano, pontos serão distribuídos para metade do grid. Se alguém zerar, creio que será um vexame muito grande. Afinal, são 20 corridas para terminar pelo menos uma vez em décimo.

[bannergoogle]Dificuldade que a Toro Rosso não terá com seu STR12 — o 12° carro da Scuderia Toro Rosso, sucessora da Minardi que foi comprada pela Red Bull para ser sua equipe satélite.

Já falo da pintura, a grande novidade. Antes, um pouco sobre esse time.

Com sede em Faenza, na Itália, em oito de suas 11 temporadas na F-1 a Toro Rosso usou motores Ferrari. As exceções foram em 2006 (Cosworth), 2014 e 2015 (Renault). No ano passado, a parceria com os italianos foi retomada, mas já acabou. Neste Mundial, a equipe vai usar a mesma unidade de força que a matriz, feita pela Renault. Mas nem na carenagem do carro aparece a marca francesa. Nunca vou entender essas coisas direito.

Não há grandes ambições para a equipe, que viveu seu maior momento de glória em 2008, quando um jovenzinho chamado Sebastian Vettel conseguiu vencer o GP da Itália, em Monza. Aquele foi o melhor Mundial da Toro Rosso, terminando o ano na sexta posição entre as equipes. Nos últimos três anos, sua classificação final foi a mesma: sétimo lugar.

Desde seu nascimento, o time vem oscilando na segunda metade da tabela, cumprindo a missão de revelar pilotos e/ou prepará-los para a Red Bull. É, por assim dizer, a “GP2” rubro-taurina particular. Além de Vettel, pode-se colocar na lista de bons nomes que passaram por Faenza gente como Bourdais, Alguersuari, Buemi, Vergne e, claro, Ricciardo e Verstappen — que hoje formam a dupla do time principal. Missão, portanto, mais do que realizada.

[bannergoogle]A dupla atual tem um piloto excepcionalmente bom — em quem a Ferrari está de olho — e outro excepcionalmente atormentado — embora tenha suas qualidades. Carlos Sainz Jr, para muita gente, é melhor que Verstappinho. Só não tem o mesmo carisma ou marketing pessoal. É difícil medir essas coisas. Daniil Kvyat passou por momentos complicadíssimos no ano passado, ao ser dispensado da Red Bull e rebaixado para a filial. Para piorar seu estado de espírito, Verstappen, seu substituto no time de cima, venceu logo na estreia. Não foram poucos os que acreditaram que, depois daquilo, se atiraria de uma das torres do Kremlin.

Mas, aos trancos e barrancos, Kvyat foi se recuperando e segurou o emprego. Sua vida não é fácil, deve-se admitir. Tinha como companheiro Ricciardo. Foi trocado por Verstappen. Agora encara Sainz Jr. Haja vodca para aguentar tanta pedreira.

Sobre o carro novo. É um dos mais belos — aliás, o Grande Prêmio colocou no ar uma pesquisa para vocês darem notas de 1 a 10 a cada um dos carros novos, é só clicar aqui para eleger o mais bonito. Finalmente a pintura se diferencia completamente da usada pela Red Bull. O azul metálico predomina, com o touro e a marca da proprietária/patrocinadora em prata e detalhes em vermelho. Não tem aquela chupetinha ridícula no bico e tudo parece mais limpo e bem resolvido do que, por exemplo, o que se viu na McLaren e na Ferrari.

str12

Em Faenza, ao contrário do que aconteceu na Haas, tenho amigos dos tempos de Minardi. Muitos continuam na equipe e sempre nos falamos. No caso, hoje, conversei em italiano com minha fonte e demorei um pouco para traduzir e fazer a transcrição.

Flavio Gomes (FG) – Dia longo, hein?
Fonte da Minardi que Ficou na Toro Rosso (FdaMqFTR) – Ah, aqui as coisas sempre acabam tarde.

FG – Qual foi a impressão que o pessoal teve das novidades?
FdaMqFTR – Todos gostaram, principalmente do novo carbonara.

FG – Novo carbonara?
FdaMqFTR – Usei linguiça toscana em vez de panceta.

FG – Ah… Ficou bom?
FdaMqFTR – Ninguém reclamou. Tirei a pele, fiz pequenas bolinhas, fritei no azeite, depois coloquei no molho feito com gemas, creme de leite e parmesão.

FG – Mas panceta é bem melhor.
FdaMqFTR – Mais cara, também.

FG – OK, e depois?
FdaMqFTR – Depois servi a sobremesa.

FG – Tiramisù?
FdaMqFTR – Meu amigo, isso era naqueles tempos. Pudim de leite, mesmo. Mas para disfarçar inventei um nome.

FG – Qual nome?
FdaMqFTR – Crema alla vaniglia caramellata con il latte ragazza.

FG – Latte ragazza?
FdaMqFTR – Leite Moça.

FG – Ah. E gostaram?
FdaMqFTR – Amaram. Aqui todo mundo come de graça, e de graça não pode reclamar.

FG – Bom, e o carro?
FdaMqFTR – O que tem?

FG – Por que mudaram a cor?
FdaMqFTR – Para o russinho entender que mudou de equipe.

FG – Certo. E como vai ser com os franceses da Renault?
FdaMqFTR – Ah, foi só traduzir o cardápio e chamar o pudim de crème caramélisé à la vanille avec du lait fille.

FG – E eles gostaram?
FdaMqFTR – Disseram que parece pudim, mas gostaram.

FG – Então bom trabalho amanhã. O que vai ter no café?
FdaMqFTR – Manioc crêpes avec du miel.

FG – O que é isso?
FdaMqFTR – Tapioca com mel. E café de coador.

FG – Porque no coador é mais forte, né?
FdaMqFTR – É.

FG – Você deve saber bem disso.

Desligou. Eu sempre pego ele nessa piada infame.

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