SOBRE ONTEM DE MANHÃ

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Vitória (tardia) das mulheres: Aseel Al-Hamad festeja o direito adquirido de dirigir na medieval Arábia Saudita

MOSCOU(metade já foi) – Deveria ser motivo de vergonha para qualquer país, mas em vez disso neguinho celebra cheio de sorrisos, quando a crítica feroz cairia muito melhor. Enfim… A imagem do domingo em Paul Ricard é dessa linda moça aí em cima, Aseel Al-Hamad, que representa a Arábia Saudita na Comissão Feminina de Esportes a Motor da FIA e primeira mulher federada na confederação de automobilismo de seu país. Ela guiou o Renault E20 da antiga Lotus preta que venceu o GP da Abu Dhabi de 2012 com Kimi Raikkonen para festejar a conquista do “direito” das mulheres de seu país de… dirigir carros.

[bannergoogle]Sim, na Arábia Saudita, até ontem, mulheres não podiam dirigir. É ridículo, medieval, primitivo, mas antes tarde do que nunca. Parabéns a Aseel, e que ela lute para que as minas sauditas tenham direito a tudo, absolutamente tudo. Guiar um automóvel é apenas o começo.

Vamos tocar o barco, porque daqui a pouco tem Portugal em campo e quero ver, com minha camisa da Lusa.

O GP da França, como dito ontem, não foi nem muito bom, nem muito ruim. Mas teve lá seus destaques, e embora o amigo internauta tenha escolhido Vettel como “piloto do dia”, meu voto seria para outro: Kimi Raikkonen, terceiro colocado em Le Castellet. É dele o…

NÚMERO DE PAUL RICARD

25num…pódios Raikkonen acumula desde sua última vitória, na abertura do Mundial de 2013 na Austrália pela Lotus preta. Naquela ocasião, inclusive, ele vinha de outra vitória, no finalzinho de 2012, em Abu Dhabi. Desses 25, sete troféus ele conquistou com a Lotus e 18 com a Ferrari. Este pode ser o último ano do finlandês na F-1. Ele não tem sido brilhante, é verdade. Desde o retorno a Maranello, em 2014, não ganhou nenhum GP. Vettel, que chegou em 2015, já venceu 11.

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O gorila da Pirelli: simpático e esquisito

O troféu que Kimi levou para casa ontem chamou a atenção do mundinho da F-1 pelas formas, digamos, inusitadas. Que bicho é esse aí? Um gorila? Parece que sim. O GP foi patrocinado pela Pirelli, e na hora imaginei que essa figura esquisita vinha sendo usada pela fábrica de pneus em campanhas publicitárias.

A ignorância é uma endemia, e por isso fui me informar. O bicho é mesmo um gorila e foi criado pelo premiado artista francês Richard Orlinski, de quem eu nunca tinha ouvido falar — o que não significa muita coisa porque não entendo nada de arte.

Muita gente achou feio. Eu achei apenas esquisito. Mas gosto da diversidade. Nada me deixou mais aliviado que o fim dos patrocínios do Santander aos GPs da F-1. Aquele cocozinho era um horror. No Brasil, já tivemos coisas legais. O pessoal foi criativo em alguns anos recentes, até com uma obra de Niemeyer feita com material reciclável e outra que incluía uma pedra do pré-sal.

Sendo assim, alvíssaras ao simpático gorila da Pirelli!

Quem lamentou muito não levar o gorila para casa foi Ricciardo. Depois da corrida ele e a Red Bull explicaram direito sua perda de rendimento que acabou custando o terceiro lugar ao australiano.

Pelo rádio, ele já vinha avisando que seu carro saía muito de frente. No pit stop, os mecânicos notaram que um pedaço da asa dianteira se quebrou sozinha, ou talvez tenha sido atingida por algum detrito espalhado na pista. Depois, foi no lado esquerdo. Com uma grande perda de eficiência aerodinâmica na frente, Ricardão foi presa fácil para Raikkonen. Acontece.

Mas chateado, mesmo, estava o moço da nossa…

FRASE FRANCESA

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Alonso: “Não me importo”

“Cara… Estou sem freio, sem pneus, fora dos pontos, posso tentar qualquer coisa, mas pra dizer a verdade não me importo muito.”

Fernando Alonso, irritado com o péssimo desempenho de seu carro no final da corrida, que ele terminaria abandonando com um problema de suspensão. Depois de pontuar nas cinco primeiras corridas do ano, o espanhol zerou nas últimas três. Por isso, perdeu o 7º lugar na classificação para Hülkenberg.

Alonso_Franca1É claro que Maurício Falleiros, nosso cartunista oficial, percebeu quanto Alonso ficou desiludido com seu fim de semana em Paul Ricard. Principalmente porque no domingo anterior o asturiano estava nas nuvens, observando extático a vibração de mais de 250 mil pessoas em Le Mans, depois de vencer com Buemi e Nakajima as 24 Horas em Sarthe com a Toyota.

Aliás, Alonso tem sido vítima frequente do Falleiros. É o cara da zoeira de 2018. Como foi em 2017, 2016…

De Leclerc já falei ontem, né? Tinha separado uma foto dele para colocar no “Gostamos”, mas deixa pra lá. Excesso de elogio às vezes atrapalha. Mas para não dizer que não falei da Sauber — que vem surpreendendo em tudo neste ano –, vejam que bacana. Rola um campeonato de pit stops patrocinado pela DHL na temporada. Não sei quem está ganhando. Mas o vencedor de ontem na França foi a turma que trocou os pneus de Ericsson.

O que mais espanta nesse quadrinho aí embaixo é constatar que uma troca de pneus em 3s19 ficou apenas em décimo lugar no ranking de Paul Ricard! Se alguém tiver paciência para procurar a classificação até agora, manda o link pro pessoal nos comentários.

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Ericsson: finalmente ganhou alguma coisa

E agora já dá para terminar com a consagrada seção que vocês mais gostam, e eu mais ou menos porque sempre me atrapalho com o tamanho das fotos e o número de linhas. É o que mais demoro para fazer neste tradicionalíssimo rescaldo pós-GP, então tratem de valorizar.

GOSTAMOS…

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Paul Ricard: muita gente

…da volta da <<< França ao calendário, como não? Foram dez anos de ausência, e embora eu tenha saudades de Magny-Cours, Paul Ricard é um local histórico que merece sua corrida. A pintura das áreas de escape é meio irritante, o trânsito para chegar ao autódromo foi horroroso, mas o público encheu as arquibancadas, mostrando o carinho do país pela velocidade. Foram 160 mil pessoas em três dias, segundo os organizadores.

 

NÃO GOSTAMOS…

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Vettel: nova barbeiragem

…de mais um erro besta de Sebastian Vettel >>>, que logo na largada acertou Valtteri Bottas por trás, estragando a corrida dele e a do finlandês da Mercedes. A cada patacoada dessas, o alemão da Ferrari fica mais longe de Hamilton na classificação. Isso pode levar o inglês a disparar precocemente na tabela, tirando a graça do campeonato muito mais cedo do que gostaríamos. Já são 14 pontos de vantagem.

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