PESTINHAS (2): MAX, ENFIM

P
hun195
Max: pole, finalmente, em momento encantado na temporada

RIO (chuva, só aqui) – Foram 92 GPs disputados para, finalmente, conseguir uma pole. Max Verstappen se tornou hoje o primeiro holandês a conseguir a posição de honra numa corrida de F-1 e o 100º piloto na história habilitado a colocar no currículo a honra de largar na frente na categoria.

Demorou um pouco mais que o desejado. Max já tem sete vitórias na carreira e a Red Bull, de vez em quando, vinha cravando uma pole mesmo nesta era dominante da Mercedes — Ricciardo fizera uma em 2016 e duas no ano passado. Mas desta vez, na Hungria, Verstappinho fez uma volta realmente próxima da perfeição em 1min14s572 e deixou para trás não só a dupla prateada, como o duo da Ferrari — que, mais uma vez, decepcionou.

“O melhor de ter feito esta pole é que vocês vão parar de me perguntar quando eu vou fazer a primeira”, brincou o moço diante de uma torcida apaixonada em Hungaroring, que tingiu parte das arquibancadas de laranja. Só os fãs poloneses de Kubica estavam em maior número, pela proximidade geográfica com o país e uma certa afinidade ideológica, pode-se dizer, entre Polônia e Hungria — no passado socialista, como satélite da gloriosa URSS, e no presente xenófobo, reacionário e conservador que macula a história das duas nações.

hun198Verstappinho, aos 21 anos e 309 dias, tornou-se o quarto piloto mais jovem da história a fazer uma pole. O recordista na precocidade é Vettel, que tinha 21 anos e 73 dias quando fez a pole para o GP da Itália, em Monza, em 2008 — de lá para cá, fez mais 55. Leclerc aparece em segundo (fez poles no Bahrein e na Áustria neste ano, a primeira delas com 21 anos e 166 dias de vida), com Alonso em terceiro (21 anos e 237 dias ao fazer a primeira de suas 22 poles, na Malásia em 2003 pela Renault). Barrichello é o quinto: 22 anos e 98 dias ao fazer a pole para o GP da Bélgica com a Jordan em 1994 — a primeira das 14 de sua carreira, sendo uma delas com a Stewart na França em 1999, uma proeza quase inacreditável, assim como a de Spa; ele fez também 11 com a Ferrari e uma com a Brawn.

hun193
Hamilton: cara amarrada e gripe mal curada

Foi uma classificação divertida, esta, num sábado seco e não muito quente em Budapeste e arredores. Sem chuva e com temperaturas mais amenas, esperava-se que a Mercedes nadasse de braçada, apesar da sempre presente possibilidade de uma surpresa da Red Bull por conta da excelência de seu chassi e do talento de Max.

Mas não foi bem assim. Hamilton, ainda não recuperado da forte gripe que ameaçou até sua participação no GP da Alemanha, domingo passado, não brilhou e ficou apenas em terceiro no grid, a 0s197 do holandês. Bottas foi quem acabou brigando com o rubro-taurino, terminando o dia em segundo, a meros 0s018 de distância. Fechando a segunda fila, a primeira Ferraril, de Leclerc, 0s471 atrás. Pior que o monegasco foi Vettel, em quinto. Ao estacionar seu carro no Parque Fechado, ficou namorando o antigo carro como se se perguntasse: onde fui amarrar meu cavalinho rampante?

hun194
Vettel: frustração e saudades da juventude

Fecharam os dez primeiros, pela ordem, Gasly, Norris, Sainz Jr., Grosjean e Raikkonen. Tudo mais ou menos nos conformes. O que causou espécie mesmo foram alguns resultados no Q1 e no Q2. A começar pela fase inicial da classificação, que limou Russell, Pérez, Ricciardo, Stroll e Kubica, nesta ordem.

A Racing India ficar fora, tudo bem. Seu carro não vai em pistas travadas como a húngara. Mas Ricardão foi um vexame. E é claro que não pode faltar uma palavra de elogio a Russell e à Williams, que deu sinal de vida. O inglesinho chegou a estar em nono quando o cronômetro foi zerado no Q1, mas aí quem ainda estava na pista foi empurrando o novato para baixo. Mesmo assim, largar na frente de três carros de duas equipes diferentes pode ser definido como uma façanha.

No Q2, empacaram Hülkenberg, Albon, Kvyat, Giovinazzi (que perderá três posições no grid por atrapalhar Stroll) e Magnussen. De novo, decepção para a Renault. E uma certa frustração para a Toro Rosso, que vem de um pódio na Alemanha.

hun192
Button em 2006: última pole da Honda

A Honda conquistou uma pole pela primeira vez desde o GP da Austrália de 2006, com Button. Foi a 78ª da marca japonesa, que vive um momento de êxtase com a Red Bull. Foram duas vitórias nas últimas três corridas, para desespero de Alonso, seu maior crítico nos últimos anos. O espanhol, a cada sucesso nipônico, é lembrado pela acidez com que tratava a montadora quando ainda estava na McLaren.

Mas isso é passado. O presente se chama Verstappen. Ele é o grande favorito à vitória amanhã. A Mercedes vai ter de suar muito na Hungria para deter a ascensão do menino.

Sobre o Autor

Flavio Gomes

Flavio Gomes é jornalista, mas gosta mesmo é de dirigir (e pilotar) carros antigos.

31 Comentários

  • Melhor GP da carreira do Hamilton, na minha irrelevante opinião. Ajudado pela estratégia, brilhante, mas que foi aquilo. “Ele tá fazendo 19.5 Hamilton. What?” Dá-lhe ritmo de classificação 10 voltas seguidas.
    Que pensas, Flávio?
    Agora que maravilhoso momento da F1 estamos vendo, o Verstappen foi sensacional.
    Bom ver o Vettel se reabilitando aos poucos, também.
    Segunda parte promete!

  • Não tem jeito o Max é o melhor piloto fora da Mercedes, sua primeira Pole veio tardia, mas o seu prêmio de consolo foi ter sido o centésimo a conseguir ela.
    Agora é largar bem, o que é fundamental nesse circuito travado, assim sua chance vai
    ser bem maior de chegar a terceira vitória.
    Com o Max a Holanda fica com vários GPs da Holanda pela Europa sem ter o GP da Holanda, no ano que vem o circo vai pegar fogo por lá.

  • Quando, referindo-se a Vettel, você escreveu “e de lá para cá fez mais 55” (poles), deu a dimensão do que o alemão já conquistou. E há quem diga que Vettel não é um bom piloto. Obrigado pela frase.

  • Molecada muito boa no Grid. Certeza de belas corridas pelos proximos anos, bem como é certeza que para um Brazuca brilhar na F-1 o mesmo terá que ser um super fora de série,

    • Não sou cego pra não ver a maravilha desse monte de feras no grid e o pau comendo bunito como tá agora. Mas dá saudade de um brazuca no grid, sim, nem que fosse pra tá ali no pelotão intermediário. Uma lástima. Único lado bom é que eleva o nível dos comentários da imprensa e torcedores. Até da Globo. Sem ufanismo ridículo.

  • Dois pilotos de boa cepa devem estar se rasgando ao verem o jovem Verstappen crescer cada vez mais:
    Alonso – porque desdenhou do motor Honda, sem atinar para o fato de que os japoneses não desistem enquanto não chegam no objetivo sonhado.
    Ricciardo – porque abandonou a Red Bull, sem atinar para o fato de que o dono das latinhas tem muita grana para jogar no desenvolvimento da equipe.

    Um, pelo menos, é campeão. O outro, pelo visto, não será.

  • Max Verstappen é um gênio. Ele definitivamente é a reencarnação de Ayrton Senna da Silva. E Pierre Gasly é um pé de chinelo. Um pé de chinelo capacho que consegue ser pior que um Berger e um Barrichello.

  • A FERRARI está com o desenvolvimento do carro voltado para o estilo de LECLERC, como eles mesmos admitiram. Isso aumenta ainda mais a minha suspeita que o Vettel está de saída. E depois de namorar o antigo carro, talvez ele esteja com saudades do jeito prussiano e organizado de ser. Eu ainda acho que ele sai final do ano, provavelmente pela situação política da Ferrari no momento. MAs provavelmente para ser apenas segundo piloto. Por outro lado, se a FErrari está desenvolvendo o carro para o LECLERC (o carro sai mais de dianteira, que é o contrário do estilo de Vettel, segundo ele mesmo declarou), ele também não vai ser o primeiro piloto da equipe por muito tempo.

  • E bom.pra o esporte que a RBR entre na disputa pelo campeonato sim que vertappen venca a 3 e jogue toda a responsabilidade no motor honda que n e tudo isso. Alonso n estava errado faltava confiabilidade e hj a rbr esta tendo alem de sorte de vencer 2 corridas em que n conta o carro e sim o piloto na chuva o holandes e bom e esta e sua melhor temporada na f1. . A ferrari n tem piloto pra combater as mercedes e o nome ALonso deve crescer durante as ferias deve ser a grande contratacao na ferrari e vettel cada bez mais perto da Red Bull

Por Flavio Gomes

Perfil


Flavio Gomes é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.” Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo”, revistas “Placar”, "Quatro Rodas Clássicos" e “ESPN”, rádios Cultura, USP, Jovem Pan, Bandeirantes, Eldorado-ESPN e Estadão ESPN — as duas últimas entre 2007 e 2012, quando a emissora foi extinta. Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil. Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o "Grande Prêmio" passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o "Esporte de Primeira" na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Em 2005, publicou “O Boto do Reno” pela editora LetraDelta. No final do mesmo ano, colocou este blog no ar. Desde 1992, escreve o anuário "AutoMotor Esporte", editado pelo global Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, "Dois cigarros", pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas "Gerd, der Trabi" (Gulliver, 2019). É torcedor da Portuguesa, daqueles de arquibancada, e quando fala de carros começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs e Volkswagens de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. É com eles que roda pelas ruas de São Paulo e do Rio, para onde se mudou em junho de 2017. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020.
ASSINE O RSS

Categorias

Arquivos

TAGS MAIS USADAS

Facebook

DIÁRIO DO BLOG

agosto 2019
D S T Q Q S S
 123
45678910
11121314151617
18192021222324
25262728293031