SOB O SOL DA RIVIERA (3)

Vitória de Verstappen: primeira da Honda em Mônaco desde 1992, com Senna

SÃO PAULO(triste, muito triste) – Foi uma corrida ruim com um resultado bom. Eu diria ótimo, pensando num campeonato de dois pilotos. Um deles correu hoje, em Mônaco. E venceu. E, pela primeira vez na carreira, lidera o Mundial. O outro passeou. De positivo, fez a melhor volta. Mas sua equipe já não aparece mais na ponta da classificação ao final de um GP. Não é algo inédito desde o início da era híbrida da F-1. Mas é raro.

Os dramas de Mônaco hoje aconteceram com pilotos que não são exatamente protagonistas na temporada: Leclerc e Bottas. O primeiro, depois de fazer a pole ontem, não sabia ainda se a Ferrari teria de trocar seu câmbio depois da batida no fim da classificação. A equipe resolveu não mexer em nada para não perder posições no grid. Perdeu todas. Ao levar seu carro para alinhar para a largada, Charlinho quebrou o câmbio. A posição da pole, assim, ficou vaga. Já o segundo, que poderia redimir a Mercedes num fim de semana ruim, está até agora esperando a equipe trocar o pneu dianteiro direito de seu carro. Abandonou.

Leclerc nem aproveitou a pole: carro quebrou a caminho do grid

Desta forma, sem Leclerc para atrapalhar e sem Bottas para ameaçar, foi muito fácil para Max Verstappen vencer nas ruas de Monte Carlo. Com Hamilton em sétimo, numas das provas mais apagadas de sua brilhante trajetória, o holandês da Red Bull saltou para o topo da tabela com 105 pontos, contra 101 do inglês. OK, a Mercedes não esperava muita coisa em Mônaco, uma pista tradicionalmente ruim para seus carros. Mas sair atrás nos dois campeonatos, de pilotos e construtores, foi um pouco além da conta.

A prova começou com Verstappen fazendo o que tinha de fazer: a primeira curva na frente de Bottas, que tinha um corredor à frente com a ausência de Leclerc. Conseguiu, e foi embora. Valtteri até que acompanhou o rival durante um tempo, apostando em algo na parada única para troca de pneus. Mas nem deu tempo de saber se a estratégia do time alemão, de chamá-lo primeiro para os boxes, daria certo.

Enquanto a Mercedes tentava tirar o pneu, Bottas saiu do carro e avisou que iria esperar do lado de fora. “Se precisarem de mim, estou lá em cima vendo TV”, avisou. Um desastre total. As causas para a roda emperrada? Uma porca que não saía nem com reza braba. Verstappen parou quatro voltas depois de Bottas, na 35ª. Na janela dos pit stops aconteceram as alterações mais significativas na procissão monegasca, uma prova aborrecida e sem nenhuma emoção: Vettel ganhou duas posições, subindo para quinto, e Pérez saltou de sétimo para quarto. E acabou.

Hamilton, sétimo: prova apagada e irritação com a estratégia da Mercedes

Para não dizer que não houve nada de interessante, na parte final da prova o mexicano se aproximou de Norris, terceiro colocado, e ensaiou uma briga pelo último degrau do pódio – lá na frente, além da vitória garantida de Verstappen, Sainz também navegava tranquilo em segundo lugar. Mas o ensaio durou apenas algumas voltas. Ele chegou, mas nem tentou passar. Lando sequer precisou se defender.

O pódio de Mônaco foi o terceiro mais jovem da história, média de 23 anos, 11 meses e 18 dias de idade com Max, Carlos e Lando. Só para registrar, o mais jovem de todos foi o do GP do Brasil de 2019 que teve Verstappen em primeiro, Gasly em segundo e Sainz em terceiro: média de 23 anos, 8 meses e 13 dias. Nesse ranking, o segundo mais jovem foi o do GP da Itália de 2008, que teve Vettel, Kovalainen e Kubica: média de 23 anos, 11 meses e 16 dias (apenas dois menos que o de hoje).

Todos estavam sorridentes e felizes com o resultado. Sainz, que ganhou seu primeiro troféu vestindo vermelho, ainda recebeu um abraço de Leclerc na pista – o monegasco expressou sua decepção pelo abandono antes da largada, claro, mas não se derreteu em lágrimas, nem se atirou no Mediterrâneo com uma pedra amarrada nas pernas. Pérez recebeu a bandeirada em quarto, 20s490 depois de seu companheiro de equipe, que venceu pela segunda vez no ano e 12ª na carreira. O quinto foi Vettel, em sua melhor corrida na temporada – com 23% dos votos do amigo internauta, foi eleito o “Piloto do Dia”. Estava feliz da vida.

Gasly, Hamilton, Stroll, Ocon e Giovinazzi fecharam a zona de pontos. Nenhum deles precisou suar o macacão no domingo ensolarado de Monte Carlo. Alguns festejaram o desfecho do GP, como Gasly – à frente de uma Mercedes, ora bolas! – e Giovinazzi – que fez o primeiro ponto da Alfa Romeo no ano. Outros fizeram o feijão com arroz necessário para pontuar, como Stroll e Ocon. E Hamilton amargou uma posição rara e opaca. Foi apenas a décima vez que terminou uma corrida em sétimo. Recebeu a quadriculada agitada pela tenista Serena Williams 1min08s231 depois de Verstappen. Para os padrões mercêdicos aos quais nos acostumamos nos últimos anos, um belo de um vexame, apesar do pontinho extra da volta mais rápida da corrida – obtida graças a um segundo pit stop para colocar pneu macio no fim da prova para minimizar o prejuízo dominical. A primeira parada, no entanto, foi prematura. Pelo rádio Lewis reclamou. Acabou que perdeu posições. “Não podemos tolerar mais um fim de semana como esse”, resumiu.

Depois de cinco etapas, a Red Bull tem 149 pontos, contra 148 da Mercedes. McLaren, com 80, e Ferrari, com 78, se descolaram de vez das demais e farão até o fim seu campeonato particular em busca da terceir colocação. A sorte da Ferrari foi que a equipe inglesa, como ela, pontuou com apenas um carro. Ricciardo terminou apenas em 12º e foi outro que, neste fim de semana, decepcionou com D maiúsculo. Não deu desculpa alguma. Simplesmente foi mal.

Largada sem incidentes: corrida morna, sem grandes disputas ou novidades

Pela primeira vez no ano, os problemas que a Mercedes apresentou na pré-temporada saltaram aos olhos e ficaram expressos em números. Até a última corrida, a “má fase” da equipe era desmentida por uma estatística de simples compreensão: três vitórias em quatro etapas. Agora o placar está em 3 a 2 no duelo com a Red Bull de Verstappen.

Continua sendo difícil e perigoso afirmar com todas as letras que o time alemão desandou em 2021. Ainda tem muita coisa pela frente, 18 corridas, e hoje, como já dito, os caras sabiam que teriam problemas.

Só não imaginavam que seriam tantos.

Comentários

  • Prezado F&G : Mônaco, é o exato retrato da F-1, F-1, nunca foi esporte é sim puro negócio, é a grana, dinheiros, mozzarella . É neste GP que começam as negociações e estudos de trocas e avaliações , existem muitas razões e variantes para 2022, Título de L.Hamilton-em 2021 (certeza de aposentadoria), Fim de jogo para quem eu acreditava em uma possível reação “El Fodon”, volta para casa frustrado, Vettel, com quatro títulos e uma frota de caminhão de dinheiro na garagem, Kimi o último bom canalha e tirador de sarro, e outros dois pilotos de carrinhos de HOT-DOG.
    GP – Mônaco 2021, mérito total de Max, Norris e Carlos: nota 10 (dez ). o Pior sempre começa por minha paixão maluca pela FERRARI : precisa levar o troféu burrice atômica do ano em não trocar o câmbio de Charlinho , e a PORCA, torceu o rabo para o BOTTAS, que ficou puto nas calças e com toda razão, com a palavra o chefe da Equipe Mercedes-Benz. ( Ficou mudinho).

  • Hamilton, não é a primeira vez, manda para a equipe o discurso “eu ganho, nós empatamos, vocês perdem”.
    A Mercedes vende carros, não Hamiltons.
    E ele custa bem caro.
    Uma hora o chefe cansa.

  • Procissão chata dos infernos.
    Mas… Sou obrigado a admitir. Mônaco é necessária.
    Eu preferiria que fosse uma corrida extra-campeonato. Uma espécie de “festa da firma”, em que pudessem mudar pinturas, capacetes, trocar pilotos de lugar à vontade, colocar um terceiro carro e chamar gente de fora, ficar bêbado depois da corrida e falar verdades pro coleguinha, coisas assim. Seria muito mais divertido, e não ligaríamos tanto pra corrida em si ser uma procissão motorizada.
    Ver a cara de tô nem aí do Verstappen pra melhor Williams do fim de semana na entrevista pós corrida foi de doer. Eu teria tietado, pedido selfie, autógrafo, ficaria na ponta do pé (provavelmente eu precisaria) pra tirar foto com aquele mulherão da porra. E ele com cara de “o que essa dona tá fazendo aqui?”. A impressão é que no fundo ele não liga pra ninguém. Só pra ele mesmo. Mas é opinião minha formulada unicamente por uma antipatia incorrigível que nutro por esse piloto.
    Mas compensou o momento quinta série do Norris x Sainz. Pensei sinceramente que isso fosse acontecer com Norris x Ricciardo, que seria a dupla mais zoeira do grid, os dois sorrindo com sessenta e quatro dentes na boca, um fazendo chifrinho no outro, e tal. Mas o Ricciardo parece tão pouco à vontade no carro que periga até parar de sorrir.
    Valeu a pena por ver Vettel numa corrida muito sólida – sim, é Mônaco, quase não se dá pra passar – mas andou bem o fim de semana inteiro, não foi sorte. Pérez fez bem também, ainda briga com o carro, briga com ele mesmo, briga com a caderneta do Marko, briga com o psicólogo, mas não faz uma temporada de todo ruim. Só não dá pra fritarem o cara à cada décimo que tomar do Verstappen. Aí nem Hamilton aguentaria.
    Gasly vem mostrando o quanto o jóquei japonês foi superestimado no início. Yuki-San terminou atrás do Latifi. A-trás do La-ti-fi.
    Gostei do ponto do Giovinazzi. Motivação extra depois da fá mirim prestigiar o Sansão Italiano.
    O que me fez pensar na importância de ser exemplo. Todos eles. Desde o Hamilton até o Deledda, aquele italiano ruim pra caramba lá da F-2. Começa a aparecer na TV, já vai virar inspiração pra alguém. Mesmo ainda na base. Já deve ter jovem aqui de olho no Drugovich.
    Um cara que a gente imagina “deve ter fã só na família” aí aparece uma menininha do nada que é fãzaça dele. Imagina que exemplo ela levaria se o cara fosse um idiota total? Na hora eu pensei nisso. Imaginem as criancinhas russas fãs do Mazepin? Preferiria ser fã do Giovinazzi mesmo.
    Que não é nenhum fora de série. Mas meio Giovinazzi dá dois Latifis. Se bem que o que vi até agora do Latifi em entrevistas parece ser um cara mega educado.

  • Ontem foi um (raro) dia ruim de Hamilton. Acho que as possibilidades para a corrida contribuíram para isso, após se classificar mal: por mais que fizesse, não melhoraria muito. E sobre a procissão de Mônaco: ontem foi mais uma, mas o que sempre entusiasma é a possibilidade de, naquele cenário, a qualquer momento, o santo cair do altar e a corrida ficar emocionante. Quando acontece, é ótimo. Quando não, é o tédio que se viu. Mônaco é sempre um GP “imaginário”, justificado por isso.
    Mas, no campeonato pouco mudou: continua muito competitivo e pró-Hamilton, creio. Eu duvido da consistência do equipamento da Red Bull: mais dia, menos dia quebra, o que tem sido raro de ocorrer com a Mercedes do Hamilton.

  • Já notaram que os problemas só acontecem no carro do Bottas? O finlandês me lembrou o Rubinho na época que correu na Ferrari e falando nisso, ele fez aniversário neste domingo.
    Voltando ao assunto, uma porca teimosa acabou com a corrida do Bottas. Inacreditável.
    Segundo piloto sofre…

  • Verstappen teve o seu dia escolhido por Deus que acabou traindo a Ferrari e derrudanbo a Mercedes, dessa vez Deus resolveu ser Holandês.
    Vettel em quinto! Parece até um resultado inédito para ele depois de um início negro.
    Mazepin o último dos últimos chegou em penúltimo, vale uma vitória para ele.
    Sainz conseguiu o melhor resultado do ano para Ferrari chegando em segundo, esse foi o primeiro resultado dele na frente do Leclerc que acabou não largando.

  • Milhões de dolares investidos num carro , e a porca não sai .
    Não saiu da cabeça dos engenheiros da Ferrari,que com aquela batida o cambio já era.
    Esses dois motivos acima estragaram a corrida , e Vertapinho deu um passeio
    Mônaco é oito ou oitenta….dessa vêz foi 8.

  • Gostaria que de fato este campeonato fosse até o fim tão parelho quanto mostra a tabela de pontos, porém só acredito que Mônaco é uma pista absolutamente particular, e nas demais a Mercedes volta ao normal. (Torcendo para queimar a própria língua)

  • Saudações Flavinho Gomes !!!

    ” Uma das corridas mais apagadas da carreira de Lewis Hamilton “… Você traduziu a corrida em uma única frase : Verstappen está no apogeu da idade ( pegando gente até no Brasil ) e Hamilton se afastando a cada dia do foco nas pistas, agora assumindo os bombardeios na faixa de Gaza.

    Sou o fã n. de Hamilton, comprei um Barrilzinho da Heineken, preparei meu churrasquinho e nunca tinha visto Hamilton num fim de semana tão apagado.

    O que resta : toda vez que a Mercedes faz “M”, na prova seguinte vem chumbo grosso…
    Abs e aguardemos…

  • Tudo dito, um detalhe apenas, Mônaco é sempre assim. Deve ser como a Stock Car, a corrida ao vivo deve ser legal pacas, mas pela TV é sempre essa lenha lenga. Definitivamente não gosto.

    Que o Campeonato continue assim, esse ano tá bem legal.

    Pergunta: O Alonso abrirá o berreiro em qual etapa?

  • Será mesmo que Hamilton teve no seu carro os mesmos problemas do início do ano? Acho que não. Bottas ia bem (no seu nível) até ter o azar fenomenal. Hamilton não foi bem no fim de semana e decepcionou até mesmo com as declarações sobre a equipe antes da corrida: “I don’t want to be critical of the team, but behind closed doors, I will be”.
    Um piloto heptacampeão certamente é ultracompetitivo e perfeccionista. Ficar irritado com qualquer pequeno erro, é normal. Mas foi mal, o inglês.

    O que podemos esperar, pelo histórico de Hamilton, é uma performance avassaladora na próxima corrida, após a corrida de hoje. Button já disse que ele tem esse comportamento. Verstappen que se prepare.

  • Será que existe a mínima, remota, possível possibilidade de pensarem em algo para esta prova ficar um pouco mais emocionamente? Tipo um carro especial só para esta corrida, menor, mais lento, sei lá. Pra ficar chato de assistir, precisa melhorar muito

  • O trenzinho de Mônaco passeou novamente após 1 ano de folga. Com esses carros enormes e com contorno de curva absurdamente rápido, os pilotos não tem nem chance de assustar o cara da frente. Os caras sequer conseguem se aproximar pra valer do piloto à frente. Eles nem tentam. Não vale a pena. Só o russo pavoroso da Has foi ultrapassado numa disputa pra valer. Mas esse não conta.