É O BAKU DA COBRA (1)

Hamilton sofre nas ruas de Baku: “Carro está muito lento”, falou.

SÃO PAULO(esquisito) – Alguém vai dizer que é pista de rua que nem Mônaco, e que por isso a Mercedes teria problema, mesmo. Aliás, mesmo na Mercedes teve gente que disse isso.

Mas Baku não é Mônaco. A média da pole de Charles Leclerc em Mônaco, duas semanas atrás, foi de 170,773 km/h. A pole de Bottas em Baku em 2019, última corrida lá, teve média de 215,043 km/h. A melhor volta da corrida em 2019, de Leclerc, foi obtida com média de 209,795 km/h. A melhor de Mônaco neste ano, de Hamilton, teve média de 164,769 km/h.

Baku não é Mônaco, não me venham com essa conversa. É uma pista que tem características muito, muito diferentes, A começar de uma reta gigante que parece pista de pouso de aeroporto internacional. Semelhanças, apenas na definição — circuito urbano — e no asfalto que não oferece lá grande aderência.

E parece que é aí que a Mercedes está apanhando. Hamilton foi P7 de manhã, com Bottas em P10. Acho chique usar P-alguma-coisa pra falar de posições. De tarde, Lewis foi P11 e Valtteri, P16. Péssimo-primeiro e péssimo-sexto. Que morte horrível. Hamilton tomou 1s041 do mais rápido do dia, Sergio Pérez. Bottas foi 2s069 mais lento. “Foi a pior sexta-feira da nossa equipe [em todos os tempos]”, disse Andrew Shovlin, o cara que comanda as operações da Mercedes na pista. “Em todos os tempos” ele não disse, mas eu deduzi que ele pensou isso. Porque acho que foi, mesmo.

Hamilton falou que o carro está muito lento, que vão ter de quebrar a cabeça de noite e de madrugada, e que nos “long runs”, que podemos traduzir como “runs longos”, que são aquelas garrafas de rum compridas e estreitas, as coisas não estão tão mal assim.

Pérez, primeiro colocado: achou o acelerador

Esqueçam a Mercedes em Baku. Vai levar um tremendo cacete da Red Bull. Que viu Pérez, finalmente, fazer algo notável, a saber: andar na frente de Verstappen. OK, é treino livre, mas vale. Porque normalmente ele tem sido mais lento até para tirar café espresso da máquina. “Acho que aprendi como tem de guiar esse carro”, falou o mexicano. Encontrou o pedal do acelerador, penso eu.

E acho que a equipe alemã vai levar um cacete também da Ferrari e da McLaren e talvez da AlphaTauri. Da Alpine, em que pese o bom resultado de Alonso hoje, não creio. Fernandinho foi o sexto e o sétimo foi outra surpresa, Giovinazzi, da Alfa Romeo. Na McLaren, para variar, Norris andou lá em cima, oitavo, e Ricardão lá embaixo, 13º. Mas desta vez o australiano disse estar tranquilo.

Sainz, terceiro: Ferrari andou bem, com Leclerc em quarto (notaram que a foto é idêntica à do Pérez?)

Pebolim Wolff segue atacando a Red Bull. Disse que se descobrir que a asa dos carros rivais está abaixando de novo, vai aos tribunais. Christian Buziner, chefe da equipe adversária, retrucou: “Se eu fosse Pebolim, com a asa dianteira que ele tem nos seus carros, trataria de ficar de boba fechada”. Uuuuuuh, chamou pro pau!

E a notícia do dia: cancelado o GP de Singapura, por motivos de Covid-19. Já estão correndo atrás de outro país, porque a Liberty está com ideia fixa de fazer 23 GPs este ano de qualquer jeito. Eu disse lá atrás que o calendário inicial sofreria alterações. Já cancelaram Canadá, que foi substituído pela Turquia, que cancelou também e entrou um novo GP na Áustria. Teremos mais mudanças até o fim do ano.

Às 19h espero vocês no “Fórmula Gomes” no meu canal no YouTube, apareçam!

Comentários