HUNGARIANAS (2)

“Chamem o Albon!”, escreveram no Twitter: Red Bull, desta vez, evitou cair na pilha das redes sociais

SÃO PAULO(virada?) – O que aconteceu no finalzinho do Q3 agora há pouco em Budapeste tinha tudo para jogar gasolina na fogueira em que ardem as tretas entre Mercedes & Red Bull & Hamilton & Verstappen desde o GP da Inglaterra.

Para quem não viu: Comandante Amilton tinha um tempo mais de 0s5 melhor que o de Verstappinho depois da primeira tentativa de volta rápida de todo mundo. Na segunda rodada de “flying laps”, sua volta de saída dos boxes foi muito lenta, com os dois carros da Red Bull atrás dele, e mais alguns. Bottas, o primeiro a deixar os boxes, já estava bem à frente. Faltavam poucos segundos para zerar o cronômetro. Sem a velocidade adequada, ninguém aqueceu direito os pneus. Alguns se atrasaram tanto atrás da fila puxada por Hamilton a passo de tartaruga, que nem abriram volta, como Pérez. Max conseguiu. Até melhorou seu tempo. Mas não o bastante para tirar do inglês a 101ª pole de sua carreira, terceira no ano, primeira desde maio, na Espanha.

Imediatamente as redes sociais começaram a atacar Hamilton. Nas arquibancadas de Hungaroring, vaias sonoras para o piloto da Mercedes. Explica-se: nas redes os idiotas são de várias nacionalidades, e no autódromo havia muitos holandeses, pela proximidade entre os países. Lewis olhou para a galera, deu uma risadinha e falou: “Nunca me senti tão bem com vaias na minha vida. Elas só me dão mais energia”.

Hamilton: “Não ligo pra isso, vaias só servem para me dar mais energia”

Só que nem Red Bull nem Verstappen entraram na pilha dos que queriam ver o circo pegar (mais) fogo. Christian Buziner disse que foi tudo normal, que Lewis tinha sua posição na pista e que qualquer um faria o mesmo. Max nem se referiu à lerdeza de Hamilton na sua frente. Falou que o carro perdeu aderência no final da sessão, ficou meio estranho, e que desde ontem ele tem sido um pouco mais lento que a Mercedes. Só na coletiva, quando alguém perguntou pela milésima vez sobre o acidente de Silverstone para tentar antecipar o que pode acontecer na largada amanhã, o holandês se irritou. “Dá para vocês pararem de perguntar a mesma coisa um milhão de vezes? Desde quinta-feira vocês só me perguntam isso! Chega, não temos mais nada a falar sobre isso!”.

Tem razão, Verstappen. Aquilo passou. A questão da primeira volta amanhã é outra e tem a ver com pneus e jogo de equipe. Max vai largar de pneus macios. Os dois únicos que começam o GP da Hungria de médios, entre os dez primeiros, são Hamilton e Bottas — para esticar o primeiro stint numa corrida de prováveis duas paradas. Valtteri, pela quarta vez seguida na Hungria, ficou em segundo no grid.

Os pneus macios podem ajudar num pulo de Verstappen sobre os dois mercêdicos na hora em que as luzes de apagarem. É aí que vai ser decidida a corrida. Se o líder do campeonato não conseguir ganhar nenhuma posição e ficar encaixotado atrás de Bottas, acabou. Hamilton ganha. Porque mesmo com pneus médios o finlandês deve segurar Max por algumas boas voltas, num circuito chato para ultrapassar como é Hungaroring. Se o fizer, Lewis dispara na frente. E, então, terá apenas de administrar sua vantagem para tentar um novo recorde: nove vitórias na mesma pista.

Hamilton na frente de Verstappen: “outlap” lenta, mas só as redes sociais reclamaram

Não dá mesmo para acusar Hamilton de nada na classificação porque Verstappen conseguiu abrir sua volta e ainda melhorou seu tempo, mesmo estando atrás do inglês na “outlap”. E se a Red Bull não quer correr riscos, que mande seu piloto para a pista antes, ora bolas! A polêmica, por conta das reações dos protagonistas, morreu no nascedouro. Hamilton apenas disse, quando alguém mencionou um tuíte de Grosjean (“se fez de propósito, foi feio”, escreveu o hoje piloto da Indy), que “tem gente que não tem a menor ideia de como é o trabalho que fazemos aqui”. “Eu não preciso desse tipo de tática ou de joguinho mental”, encerrou.

Ontem, escrevi aqui que Hamilton e Verstappen fariam tudo pela pole, que Bottas poderia ser uma surpresa e que a Mercedes era favorita pelo retrospecto na Hungria e pelo bom desempenho ontem. Tudo se confirmou, mas não é preciso ser adivinho para antecipar algumas coisas. Estava na cara que a equipe alemã iria apostar tudo numa primeira fila, fundamental em Budapeste. E assim foi, com os carros pretos deixando para andar rápido na hora em que precisavam.

Vettel, décimo: de novo na frente de Stroll

A classificação começou com sol, 29°C e 60°C no asfalto — também como avisei ontem, a previsão de chuva era simplesmente mentirosa. Verstappen virou 1min16s214 no Q1, deixando Hamilton a 0s210 de distância e Bottas, a 0s396. Parecia que suas chances de pole eram muito grandes, mas quem observou bem a Mercedes ontem e hoje no terceiro treino livre sabia que a equipe tinha algumas cartas na manga. Foram eliminados Tsunoda (cada vez pior), Russell (primeira vez fora do Q2 neste ano), Latifi, Mazepin e Schumacher (sem tempo, porque bateu o carro de manhã e não deu tempo de arrumar).

No Q2, as duplas de Red Bull e Mercedes saíram para suas primeiras voltas com pneus médios, mas apenas Hamilton e Bottas sustentaram a ideia de largar com eles. Verstappen e Pérez trocaram depois e Max fez uma volta muito boa em 1min15s650 com macios. Leclerc foi o segundo. A Ferrari, porém, nem teve tempo de festejar. Sainz bateu bisonhamente — e forte, 22G de impacto lateral — na última curva e a sessão teve de ser interrompida. Depois de reiniciada, muita gente, tirando tudo da borracha macia, foi lá para cima. E a classificação parcial ficou com Verstappen, Norris, Gasly, Pérez e Alonso nas cinco primeiras posições. Hamilton? Sexto. Bottas? Oitavo. Os dois nem aí pra Hora do Brasil.

(Se não entenderam o que é “não estar nem aí para a Hora do Brasil”, sugiro um Google. Ou perguntem para seus pais, tios, avós. Blog também é cultura.)

Dançaram Ricciardo (que péssima fase, tá louco…), Stroll, Raikkonen, Giovinazzi e Sainz.

Gasly, quinto no grid: no fundo, o grande destaque do dia

Veio o Q3 e, aí sim, Hamilton e Bottas sentaram o pé. O inglês fez 1min15s419. Seu parceiro, 1min15s734 (0s315 mais lento). Verstappen, em sua primeira volta rápida, acabou ficando a 0s565 do rival. Tirar essa diferença seria quase impossível. No fim, ficou a 0s421 depois da segunda tentativa.

“Quem está em quinto? Gasly? Então é bem capaz que ele ganhe!”, brincou Pebolim Wolff ao falar do que pode ser a largada com duas Mercedes na primeira fila e duas Red Bull na segunda — Pérez ficou em quarto, atrás do companheiro de equipe. Seria legal, Gasly ganhar. Depois de um mau GP na Inglaterra, a AlphaTauri se reencontrou e o francesinho voltou a dar um show, se classificando como o “primeiro dos outros”. Mas não vai acontecer. Norris, Leclerc, Ocon, Alonso e Vettel fecharam os dez primeiros.

O grid em Budapeste: primeira fila da Mercedes, segunda da Red Bull

Amanhã não chove de novo e Hamilton tem uma chance enorme de virar o jogo num campeonato que, depois das três vitórias seguidas de Verstappen nos GPs da França, Estíria e Áustria, parecia perdido — eu mesmo cravei aqui que quem saísse dessas três provas na frente seria o campeão. O fato é que na Inglaterra Lewis mostrou que estava vivo, e vai seguir assim até o final. Por quê? Porque não corre pela Tabajara Racing, porque é o melhor de todos e porque está curtindo uma batalha diferente das que travou nos últimos anos, quase solitária. Agora, tem adversário à altura.

Bottas será essencial na corrida de Budapeste como escudeiro. A Verstappen, resta tentar alguma coisa na largada. Mas nada de muito camicase. Mesmo se perder na Hungria, ainda terá muita chance de se recuperar depois da férias de verão. O que não pode é dar uma de vaca louca e jogar pontos pela janela. Num campeonato como este, pontos atirados pela janela não voltam mais.

Hoje à noite, às 19h, tem “Fórmula Gomes” com tudo isso ao vivo e em cores no YouTube. Apareçam lá!

Lewis comemora: fim do jejum de poles que vinha desde Barcelona

Comentários

  • Não dá pra descartar Hamilton e Mercedez, nunca. Mas também acho que o que Hamilton fez no Q3 é anti desportivo, e muito. E a desculpa que outros fariam o mesmo, não muda nada. E hj saiu a informação que a Honda encontrou uma rachadura no motor do Max. Vai correr com o 3o motor, e óbvio, tem grandes chances de ser punido no 2o semestre, caso tenha que trocar de novo. Por essas e por outras, acho que o providencial acidente de Silverstone pode ter definido o campeonato. Saiu muito barato para o comandante Amilton. Segue o jogo.

  • Bicho, respeito a opinião de todos e, como o próprio Flávio fala no texto, nem o pessoal da Red Bull reclamou da atitude de Hamilton e talvez fizessem o mesmo, mas se o que se viu hoje não foi uma atitude anti-desportiva, eu não sei mais o que poderia ser…e, Flávio, ter uma opinião diferente não nos faz ser idiotas.

  • Flavinho Gomes! saudações… Que texto espetacular.

    Lí com muita calma pra ver se o que eu tinha assistido batia com a sua postagem…
    Não podia ser diferente , ainda mais com os seus tantos anos de F1…

    Falhas da Band: 71gs e quase quebra de pescoço do Vesrtappen…nada ? Ele morreria.
    Uma saída do Norris de frente e que no final se tornou uma traseirada. Nada! foi lindo.

    Se me permitir e sei que você é duro com os que postam, falei sobre os engenheiros Hitler (documentário) e que Mercedes jamais deixaria de voltar pra 2021 e acertar seu carro e passar vexame. São os donos da tecnologia.

    Em tempo 1: Lí o livro ,Beneditinos do Trajano e me senti resgatado no tempo, hj com 66 anos e tudo que nós, da antiga, passamos…Vale a pena ler.

    Em tempo 2 : Por favor, como não estamos conseguindo responder aos que postams, dedico meu repúdio ao COSTA, o pior de todos os seus seguidores… Um racista e debochado.
    abs

  • Hamilton lembrou de 2007 e repetiu Alonso. . .
    Tsunoda, depois dos pontos na estréia, já era precocemente endeusado como um ser quase sobrenatural. . .
    Riccardo sempre foi superestimado, essa é a verdade, tanto que quando Max chegou, o australiano pegou o seu banquinho e saiu de fininho. . .
    Perez é mais um nessa lista.
    Em resumo, tem muito pangaré posando de puro-sangue.
    E muito “entendido” endeusando.