TEA FOR TWO (2)

Verstappen com a coroa de louros: boa ideia

SÃO PAULO(gostaram?) – Com cronista de irrelevâncias, começo falando do que achei mais legal nessa Sprint: a coroa de louros entregue ao vencedor/pole. Uma bela referência a tempos idos, ótima mistura de modernidade com tradição. Sigo com a questão da nomenclatura. A F-1, na transmissão oficial, reduziu tudo a uma palavra: Sprint, assim mesmo, com maiúscula. Nem Sprint Race nem Sprint Qualifying. A vetusta “Autosport” inglesa preferiu “Sprint Qualifying Race”. Vou optar pelo reducionismo. Sprint. Está de bom tamanho. E termino, no quesito irrelevâncias, com a observação sagaz de que arrumaram um jeito interessante de encerrar o dia, com o caminhão azul patrocinado por crypto.com, que suponho ser algum site de criptomoedas (algo incompreensível para este blogueiro que vos bloga), percorrendo a pista com a inscrição “victory lap” na lateral. Um cerimonial rápido e na medida. Boa solução de marketing para um evento que tem peso relativo: vale alguns pontos e uma pole; portanto, um troço intermediário que é mais que uma classificação e menos que uma corrida.

Foi legal? Eu diria que foi mais diferente do que propriamente espetacular. Creio que usar este formato em algumas etapas é algo bem aceitável. Em todas, não. Dá uma embaralhada no grid definido na véspera pelo método tradicional de voltas lançadas, isso é claro. Dos 20 pilotos, 11 ganharam posições em relação à sexta-feira (Verstappen, Norris, Ricciardo, Alonso, Vettel, Ocon, Raikkonen, Stroll, Latifi, Schumacher e Mazepin). Cinco perderam (Hamilton, Russell, Sainz, Giovinazzi e Pérez). Quatro vão largar onde já estavam (Bottas, Leclerc, Gasly e Tsunoda). Os dois que mais subiram foram Alonso e Raikkonen, quatro posições cada. O grande perdedor, Pérez: tinha ficado em quinto ontem, terminou em último e perdeu 15 posições.

Max se livra de Hamilton: vitória que valeu três pontos e a pole

Ah, não falei do vencedor, ainda. Verstappen levou a pole, a oitava de sua carreira, e os três pontos como vencedor da Sprint. Estava em segundo no grid. Largou como um foguete, assumiu a ponta, teve de se defender do ataque do pole Hamilton uma única vez e depois foi embora, recebendo a quadriculada, depois de 17 voltas, 1s430 à frente do inglês. Foi um dos 11 que lucraram com a minicorrida.

Quatro pilotos optaram por largar com pneus macios, já que a escolha do composto era livre. Foram eles Bottas, Alonso, Ocon e Raikkonen. Os outros 16 foram de médios, na segurança. Como se percebe, os veteranos da Alpine e da Alfa Romeo acabaram se dando bem. Ocon também: de 13º no grid para 10º ao final da Sprint. Bottas tinha uma única missão. Com a borracha mais aderente, atacar Verstappen na largada, tentar se colocar entre ele e Hamilton e permitir que seu companheiro vencesse a provinha. Não deu certo porque Max partiu muito bem, não dando a menor chance ao #77 de tentar algo. E Valtteri ainda teve de tirar o pé para não passar o parceiro.

Alonso: largada espetacular com seis ultrapassagens

Alonso acabou sendo o grande nome do sábado, com uma largada fenomenal: de 11º para quinto na primeira volta. Sainz se enroscou em Russell, caiu para 18º e teve de remar bastante em pouco tempo para recuperar terreno. Fora nono ontem, larga em 11º amanhã. Briga boa, embora fugaz, acabou sendo travada entre Alonso, Norris, Pérez e Ricciardo no início. O espanhol se segurou como dava. Checo rodou sozinho, de maneira bisonha, na quinta volta. Os dois carros da McLaren acabaram superando o azulzinho de Fernando nas voltas 6 e 9, e daí até o fim o bicampeão sofreu um pouco para se manter a frente de Vettel, e conseguiu.

Hamilton, segundo colocado: sorriso de ontem guardado no bolso

O resultado ampliou a liderança de Verstappen na classificação. Pulou para 185 pontos, contra 152 de Hamilton. A vantagem era de 32 pontos, passou a 33. E colocou o holandês na pole para amanhã, uma vantagem interessante numa pista que, embora seja muito rápida, não é fácil para ultrapassagens. Lewis, no caminhão azul, não escondia a decepção. “Perder quando se larga na pole nunca é bom”, resumiu. “Amanhã vamos tentar de novo, mas eles estão muito fortes.”

A derrota na Sprint foi um balde de água fria na Mercedes, essa é a verdade. O sorriso largo de Lewis após a pole-que-não-era-pole de ontem teve de ser guardado no bolso do macacão. Uma vitória amanhã sobre Max e a Red Bull, sendo bem honesto, é altamente improvável.

O resultado da Sprint: Verstappen é favorito amanhã

Comentários

  • Alguém viu a segunda ultrapassagem do Hamilton contra Lê Clerc, aonde ele foi passar? Por cima da zebra e claro forçando LeClerc pra fora da pista sem punição, pois é Hamilton, o queridinho do politicamente correto, do ativismo, do faça o que falo mas não faça o que faço. Punição de 10s :O se foi considerado culpado? Tinha que levar stop and go no mínimo, mas é Hamilton o cara que escolheu sempre o mais capacho dos segundos pilotos em toda sua carreira e quando teve alguém ao altura miou. Foi considerado preguiçoso pela Mercedes por não ler os manuais do volante do carro, enquanto Rosberg o sabia e isso ficou claro duas corridas atrás. O cara, queridinho da midia, é um pilotinho normal que quando pressionado perde a cabeça.

  • Discordo Flávio. MV estava à frente, deu espaço, quem tinha q ter sido cuidadoso era LH. Pela gravidade do acidente, acho sinceramente que a punição teria q ter sido maior. Ficou um gosto de injustiça, de vale tudo. Max tem se comportado exemplarmente nas disputas, sempre dando espaço(tirando as “espalhadas” que os 2 fazem igual), e agora acho que a disputa vai seguir um caminho mais perigoso. Bom para nós que estamos assistindo, mas pode ser ruim para um dos pilotos.

  • A posição do Valteri Bottas no final do GP Britânico da a dimensão exata da carreira de Hamilton. Sim, vence quando não existe adversário. Vence somente quando tem reserva de potencia absurdo contra os demais e bate pino quando pressionado. Foi assim quando teve Rosberg como adversário e não segurou o rojão. Vai lutar pra manter Bottas até seu final de carreira e jogar sujo como o fez hoje mas é o queridinho da mídia, porque será?

  • Só eu achei muito estranho o desempenho da Mercedes do Hamilton na largada? Depois de vacilar na partida, colou com extrema facilidade no Max, dando a impressão de que o motor tinha potência excessiva.

  • Sinceramente, não gostei. Essa sprint race, qualifying ou o que quer que seja, só valeu pelo fator novidade.
    A chance de um piloto ter um problema no carro, um acidente (rodada, colisão etc.) ou uma penalização é um fator que pode estragar toda a preparação da equipe no fim de semana. O prejuízo pode ser monumental, visto o caso do Perez.
    Imagine que ocorra um acidente nessa sprint race em que os dois veículos de uma equipe fiquem relativamente destruídos. A não ser que haja dois carros de reserva, um dos pilotos terá que torcer para que os mecânicos consigam reparar/aprontar tudo até a hora da largada (lembrar do Leclerc fora em Mônaco). E os dois ainda largarão do final do pelotão. :(
    Achei que Verstappen iria se dar mal por causa dos freios em chamas na largada. Sorte de campeão?

  • Eu esperava um pouco mais do formato de 17 voltas, admito. Mas quero ver novos testes em outros circuitos, gostaria de ver mais brigas pelas primeiras posições. Eu acho super válido a tentativa de inovar, embora deve ficar restrito a alguns circuitos, como o FG disse ontem.

  • Nem melhor nem pior, apenas diferente. Com aquele circo todo de coroa e caminhão, ficou a sensação que o domingo terminou no sábado.

    Mas é válida a tentativa. O gosto, às vezes, depende do costume. Para ficar diferente, acho que a largada tinha que ser com os carros em movimento. Agiliza o processo, diferencia do domingo e valoriza a sexta-feira.

  • Eu gostei! Sei que a maioria aqui tem uma certa versão ao que é novo. Eu mesmo me pego sendo nostálgico em várias ocasiões. Mas… qual é pessoal? Respondam: isso não mudou o perfil do final de semana? Desde ontem estou “grudado” na programação. Achei muito bacana o “qualifying” de ontem, que é, na verdade, o que acontecia no sábado transportado para sexta. Ou seja, a programação de sexta ganhou vida! Hoje fiquei esperando o sprint e achei bacana ter uma “corrida” no sábado, que funciona como um aperitivo para o Grande Prêmio de domingo. Alguém aqui tem coragem de dizer que aquela primeira volta do Alonso não foi fantástico de ver, arriscando tudo com um pneu que diziam não iria durar até o fim? O grid foi alterado em relação ao de ontem. Imaginem isso tudo acontecendo em um fim de semana de clima incerto… Eu sei de uma coisa: eu gostaria muito de estar nas tribunas desde sexta-feira vendo o desenrolar de um fim de semana com competição (desculpe-me, Flávio, mas o termo pouco importa… os caras correram de verdade) rolando nos 3 dias e não apenas em 2 deles. Gostei e apoio a mudança!

  • Gostei do ponto de vista do Alonso. Para ele o sprint tem a vantagem de colocar mais a posição do grid um pouco mais na mão do piloto e menos no desempenho do carro. Achei legal mas concordo que não pode ser para todas as corridas. Para Mônaco, por exemplo, deve ser um porre. Tem que ser pras cinco ou seis pistas mais velozes.

  • Não achei grande coisa.
    Se a questão é tentar misturar o grid, prefiro o formato onde cada piloto tem uma volta de aquecimento e uma única volta lançada para tentar a pole. Usar o mesmo pneu da qualificação e o combustível para a corrida. Seria colocar os nervos à prova e mexeria um pouco com a estratégia de pneus.
    E esse papo de que é uma corrida de 400 km com bandeira vermelha depois de 100 km, não é bem assim. Basta ver para quem vai a estatística da pole.

  • Gostei das 17 voltas rasas. É interessante para pistas que permitem ultrapassagens, e creio que no ano que vem será mais interessante com a possibilidade dos carros poderem colar mais nos da frente dando uma emoção maior.
    Se eu fosse o dono da Mercedes, num pensamento bem Dick Vigarista, contrataria logo o Russell para Coelho e dar um suadouro no Max e que sabe até um Totózinho (no bom sentido) dando espaço para o Hamilton e jogando o Holandês para o fundo do grid. Briatores a parte joga-se limpo na F1 acho, mas…

  • Reginaldo Leme em sua grande sabedoria deu uma ótima definição, meu caro. Ele considera que e como se fosse uma grande corrida de 400km com uma bandeira vermelha entre os 100 primeiros e os 300 subsequentes.

  • Melhor definição a do Reginaldo Leme: uma corrida de 400 km com uma bandeira vermelha depois dos cem.

    Gostei. Mas ainda acho que o pole tem que ser quem fez a volta mais rápida, ponto.