SPANTOSAS (1)

A câmera no capacete de Alonso: sensação do dia

SÃO PAULO(perigoso…) – A grande atração do primeiro dia de treinos em Spa, na volta das férias da F-1, foi a câmera que colocaram no capacete de Alonso. Não é exatamente uma novidade nas transmissões automobilísticas. A Fórmula E já tem e se chama “Driver’s Eye”. na Indy, é a “Visor Cam”. Mas, de todo modo, na F-1 é mais legal, porque a F-1 é mais legal que as duas anteriores. (Não fiquem bravos, eu acho que é, ponto.)

A sensação de velocidade é muito bacana e sem o filtro dos estabilizadores das câmeras on-board, que evitam que elas tremam, percebe-se a dura realidade dentro de um cockpit. Chacoalha tudo, a visibilidade é ruim, o volante inunda o piloto de informações e tarefas, enfim… Para quem acha que difícil era trocar marcha na alavanca, dá uma boa ideia de como é complexo, atualmente, guiar um F-1. Daí minha admiração pelos pilotos da atualidade. Tão grande quanto pelos do passado. Cada um em seu tempo, cada tempo com suas dificuldades. Me recuso a discutir com quem diz que hoje os carros são fáceis de dirigir. É uma falácia, uma mentira.

Isso dito, vamos a algumas notas avulsas para não esquecer nada, e depois falamos de pista. Começando com o capacete de Mick Schumacher.

Michael, 1991, e Mick, 2021: 30 anos de diferença nos capacetes

O filho de Michael corre em Spa com a mesma pintura que seu pai usou há exatos 30 anos, quando estreou na F-1 pela Jordan na Bélgica, com as cores da bandeira alemã. Linda homenagem. Schumacher, o pai, mudaria essa pintura alguns anos mais tarde, em 2000, já na Ferrari. Ela passaria a ser predominantemente vermelha, padrão que usou até o final de sua carreira, inclusive nos três anos de Mercedes.

Dois pilotos tiveram seus contratos estendidos por mais um ano, com anúncios oficiais de suas equipes. Ontem, a Alpine informou que Alonso fica no time em 2022. Hoje, a Red Bull encerrou as especulações sobre o futuro de Sergio Pérez e também confirmou que ele fica no ano que vem. Isso implica diretamente no futuro de Gasly, que por óbvio permanecerá na AlphaTauri, até por falta de outras opções.

O mercado, agora, se resume ao futuro de Bottas. Neste momento, a tendência é de que ele seja dispensado e acabe na Alfa Romeo provavelmente no lugar de Raikkonen, abrindo caminho para Russell na Mercedes. Mas a decisão ainda esbarra no desejo de Hamilton de que Valtteri permaneça no time. Se isso não acontecer, abre-se uma vaga na Williams, que não tem dono ainda. A Mercedes pode trazer Nyck de Vries da Fórmula E. Mas tem o papo de a Andretti se associar à Williams, e nesse caso a escolha ficará a cargo de Michael Andretti. Aguardemos.

Por fim, o calendário. As próximas quatro etapas estão confirmadas com datas e locais: Bélgica domingo, depois Holanda, Itália e Rússia. Aí começam os problemas. A Turquia, que já entrou, saiu e entrou de novo na programação, pode sair outra vez por questões ligadas à pandemia. Mugello entrou no radar para qualquer emergência. O GP do Japão, inicialmente marcado para 10 de outubro, foi cancelado. Catar e Bahrein se candidatam à data. EUA, México e Brasil estão confirmados e o GP de São Paulo será mesmo disputado no dia 14 de novembro, e não no dia 7, a data original. Arábia Saudita e Abu Dhabi fecham o Mundial. Aguardemos, também. O fato é que a Liberty não abre mão de fazer 23 corridas.

Verstappen na barreira de pneus: problemas à vista

Agora, os treinos. Aí em cima, o momento mais preocupante do dia, eu diria do semestre, para a Red Bull. Atrás no campeonato, pendurada no limite de motores — vai acabar tendo de usar uma quarta unidade, o que em algum momento significará punição –, a equipe ainda teve de amargar uma batida de Verstappen no final da segunda sessão de hoje. Notem que ele acertou a barreira de pneus com a traseira. Pode ter afetado câmbio. Se tiver de trocar, vai perder posições no grid. Aí, talvez seja o caso de já trocar o motor de uma vez. De novo, aguardemos.

É péssima notícia para Max, que nas últimas duas provas viu sua liderança no campeonato evaporar e está oito pontos atrás de Hamilton na classificação. O holandês foi o mais rápido de hoje com 1min44s472, apenas 0s041 à frente de Bottas e 0s072 mais rápido que Lewis. É bom lembrar que Bottas já começa o fim de semana com punição de cinco posições no grid por ter causado o acidente na largada da Hungria. Stroll foi punido pelo mesmo motivo, mas não será um “player” na Bélgica e importa menos, neste caso.

Alonso ficou em quarto e foi um dos bons nomes da sexta-feira, para além de sua câmera indiscreta. Gasly, Stroll, Ocon, Vettel, Norris e Pérez fecharam a lista dos dez primeiros, que conseguiram andar no mesmo segundo que Verstappen. O mexicano terminou a sessão 0s932 atrás. OK, está de contrato renovado, mas a Red Bull precisa desesperadamente que ele melhore em classificações para tentar ao menos incomodar a Mercedes.

Leclerc bate de novo: atração por muros

Na Ferrari, a chateação do dia foi creditada a Charles Leclerc, que bateu a 16 minutos do final do treino, causando a primeira bandeira vermelha do dia — a outra foi com Verstappen, que encerrou a prática faltando três minutos para a quadriculada.

O clima, como sempre, foi instável o dia todo. Antes das duas sessões choveu, mas a pista secou rápido e ninguém precisou usar pneus intermediários ou para chuva forte. A previsão para amanhã e domingo é igual: pode chover a qualquer momento. Gostamos.

Claro que falaremos disso tudo hoje à noite na live “Fórmula Gomes” lá no YouTube, apareçam!

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