LARANJADAS (1)

Casa cheia: corrida raiz

ITACARÉ (dá até medo) – Casa cheia, áreas de escape de brita, roda-gigante de parquinho mambembe, mato por cortar, Zandvoort voltou com tudo. Gostamos desse jeitão dos anos 70! E de circuitos com curvas que têm nome. Uma delas é a Arie Luyendyk, lembro bem dele na Indy, cabeludo, arrebentava nas 500 Milhas (ganhou duas vezes, em 1990 e 1997), figura simpática e veloz.

A Holanda recebeu a F-1 pela última vez em 1985. A McLaren fez dobradinha naquele dia 25 de agosto de 1985, com Niki Lauda em primeiro e Alain Prost em segundo. A diferença entre eles na chegada foi de apenas 0s232. A equipe, na época, usava motores TAG-Porsche. Foi a última vitória do austríaco na categoria. Apesar de Prost lutar pelo título com Michele Alboreto, da Ferrari, não teve moleza nem jogo de equipe no fim. Niki estava prestes a encerrar a carreira e sabia que aquela poderia ser a chance de vencer pela última vez.

Ayrton Senna, de Lotus-Renault, foi o terceiro. Nelson Piquet, de Brabham-BMW, fez a pole em 1min11s074 — a última das 39 poles da equipe na F-1; Nelson foi o responsável por 18 delas. O brasileiro foi o mais rápido na sexta e a chuva, no sábado, impediu os pilotos de melhorarem seus tempos. Mas ficou empacado na largada e não lutou pela vitória.

A foto abaixo tem muito peso. Somados, esses três pilotos ganharam dez títulos.

Agora, avancemos 36 anos no tempo.

Pódio de 1985: dobradinha da McLaren

Hoje há mais taças em atividade. São 14 distribuídas entre Alonso, Hamilton, Vettel e Raikkonen, os campeões que seguem na labuta neste 2021. Estavam todos na pista para iniciar a nova fase holandesa na F-1.

O primeiro dia de treinos para a 13ª etapa do campeonato não foi dos mais tranquilos. Algumas bandeiras vermelhas interromperam os trabalhos nas duas sessões, sendo uma delas provocada pelo líder do Mundial, o que gerou um frisson nas arquibancadas.

Logo no começo do segundo treino, Lewis avisou pelo rádio que tinha perdido potência no motor e a equipe mandou que ele parasse o carro imediatamente. Segundo as primeiras informações, foi detectada alguma anomalia no sistema de lubrificação. Lewis acabou ficando apenas com 11ª posição, depois de meras três voltas com pneus médios. Seu carro foi rebocado para o meio do formidável matagal nas margens da pista e lá ficou até o fim da sessão.

No fim do dia, a surpresa: Ferrari em primeiro e segundo. Depois de algumas corridas bem apagadas, a equipe vermelha se acertou na pista curtinha e cheia de curvas de Zandvoort e pode incomodar os favoritos no fim de semana. Charles Leclerc foi o mais rápido com 1min10s902, único a andar abaixo de 1min11s na ensolarada sexta-feira na região. A cidade litorânea fica a menos de 25 km da capital, Amsterdã. E o vento joga areia da praia para a pista o tempo todo. É demais.

Carlos Sainz ficou 0s154 atrás do monegasco e foi seguido por Esteban Ocon, Valtteri Bottas e Max Verstappen nas cinco primeiras posições. Do primeiro ao décimo, Sebastian Vettel, apenas 0s811 no cronômetro. O que não deve espantar ninguém, dada a extensão diminuta do circuito, de 4.259 m.

Mazepin na brita: escapou, dançou

Nikita Mazepin foi o responsável pela segunda bandeira vermelha da tarde, ao atolar na brita. Essa pista tem disso: errou, babau. Fica mesmo. Na hora, Verstappen abria um giro rápido e bufou pelo rádio, irritado com a paralisação da prática: “Esse cara não consegue completar uma volta”.

Max disse que os pneus perdem performance muito rápido e que por isso será decisiva, amanhã, a sessão de classificação. Tem de acertar a volta na mosca. Tráfego também será um problema, não só porque a pista é curta, mas também porque é estreita. “Posição de largada aqui será muito importante”, apostou o holandês — que recebeu o apoio enlouquecido de arquibancadas pintadas de laranja o dia todo.

Arquibancada tingida de laranja: torcida vibrando com Verstappen

Além de Hamilton, quem também teve problemas de lubrificação no motor foi Vettel, no treino da manhã. As suspeitas para ambos recaem em uma característica do circuito: as duas curvas inclinadas em 18°. Elas fazem com que o óleo no conjunto todo, incluindo câmaras, filtros, bombas, cárter e galerias tenha um comportamento, digamos, instável e errático por alguns décimos de segundo.

É claro que as equipes e as fabricantes de motores conhecem esse efeito e se prepararam para isso, mas sempre pode surgir algum imprevisto. A foto abaixo mostra bem a inclinação dos “bankings” que serão uma atração à parte na corrida.

As curvas inclinadas (na foto, a 3; 13 e 14 são as outras): atração à parte

Hoje à noite, às 19h, vamos falar dos treinos no “Fórmula Gomes”, ao vivo, e também discutir as últimas do mercado de pilotos. Parece que a Mercedes quer vetar Alexander Albon na Williams, com medo de ele se transformar num espião da Red Bull. Já ativem a notificação entrando aqui.

Abaixo, para fechar, os tempos de hoje.

Comentários

  • Como eu gosto de área de escape com brita. Não é preciso preocupação com limites de pista quando o piloto vai pra brita. O prejuízo da escapada é praticamente garantido. Entendo o asfalto na área de escape se a razão for segurança, só que a brita pune o piloto na pista. Na maioria das vezes não será necessária investigação de comissários. Tem o inconveniente de que, nas regras atuais, tendem a acontecer mais bandeiras amarelas nessas pistas. A F1 atual faz os trabalhos de retirada de carros sob bandeiras amarelas muitas vezes. Ainda assim é bem melhor. Porém, aquela pistinha curta e estreita pode ser uma tragédia para ultrapassagens.