GP DE SP (1)

Hamilton e seu capacete: homenagem a Senna

ITACARÉ (com sol) – Pela primeira vez desde 1988 não estarei presente a um GP de F-1 no Brasil como jornalista. Foram 32 seguidos, dois em Jacarepaguá, em 1988 e 1989, e de 1990 a 2019 em Interlagos. Me perguntam se estou sentindo falta. Sim, gosto de corridas e de vê-las ao vivo. Mas não será nenhum trauma. Li agora no texto do Gabriel Curty que nestes tempos de pandemia, ainda que para o público nada mude — exceto a apresentação de testes e/ou passaporte vacinal –, lá dentro está tudo muito diferente.

As credenciais são restritas e o Grande Prêmio, por exemplo, teve apenas duas neste ano. Costumávamos cobrir este GP com mais de dez pessoas. Gabriel e Fernando Silva serão nossos representantes no autódromo. Não faria sentido me credenciar pelo site porque meu trabalho na corrida, há anos, resume-se ao blog — e é divertidíssimo fazer essa cobertura assim, sem grandes compromissos com horários e pautas obrigatórias. Acabo sendo um mero cronista de frivolidades.

Não haverá espaço para esse tipo de cobertura neste ano. O acesso ao paddock está limitadíssimo, não teremos aquele clima gostoso de encontrar amigos e velhas figuras de outros tempos, os protocolos que a F-1 estabeleceu desde o ano passado são muito rigorosos e nem com os pilotos se pode falar se você não trabalha para alguma emissora de TV. Assim, estar longe do nosso templo neste fim de semana não significa nada muito especial para este que vos bloga. Ficarei aqui, de longe, observando tudo. Pelo jeito, não vai fazer muita diferença.

Vamos começar, então? Em tópicos, que fica mais gostoso de ler…

BRAGAMILTON – Lá no alto vocês já viram: Hamilton vai usar um capacete com referências ao Brasil e a Senna, usando as cores do país e do capacete de seu ídolo. Lewis tem uma relação muito especial com o Brasil por vários motivos, sendo Ayrton o maior deles. Mas acabou fazendo amizade com Neymar, com Anitta, tem o Cristo Redentor pintado em seu capacete e o desenho que adota há anos é de autoria de um designer brasileiro. Mas não podemos deixar de registrar também que hoje ele chegou a Interlagos vestindo um modelo claramente inspirado nos uniformes do Bragantino de 1990/1991 — campeão paulista e vice brasileiro. Justa homenagem aos 30 anos daquelas conquistas épicas. Só não sei se ele sabe que hoje o Braga é da Red Bull. Mas é melhor nem contarem para ele.

TROCA OU NÃO TROCA? – Ainda sobre Lewis, a boataria hoje em Interlagos dava conta de que a Mercedes vai trocar parte importante de seu motor para esta corrida, a saber: o motor propriamente dito, o V6 com pistões, bielas, cabeçote, carburador, velas, platinados e condensadores. As bagaças que fazem dos motores da F-1 unidades híbridas, os tais MGU-K e MGU-H, não precisarão ser trocadas. Assim, é bem provável que ele perca cinco posições no grid domingo. O que conseguir amanhã na classificação para a Sprint não muda sua posição de largada na minicorrida. Até agora a Mercedes ainda não confirmou a troca.

Norris no Palestra: pé-quente

PORCOLANDO – Sem muito o que fazer ontem à noite, Lando Norris foi ao Parque Antarct…, digo, ao Palestra It…, digo, ao Allianz Parque ver Palmeiras x Atlético Goianiense. Os verdes venceram, 4 a 0. Foi a sexta vitória consecutiva do time da Crefisa no Brasileirão. Junto com o piloto da McLaren estava Callun Ilott, vice-campeão da F-2 em 2020 e atual piloto reserva da Alfa Romeo, ao mesmo tempo em que segue vinculado à Ferrari como piloto de testes. Lando ganhou camisa personalizada.

SÓ NA TERÇA – Falando em Alfa Romeo, Frédéric Vasseur, chefe do time, disse que a decisão sobre o segundo piloto para 2022 já está tomada. Mas só será revelada na terça-feira da semana que vem, dia 16. Como se sabe, Kimi Raikkonen vai se aposentar e Valtteri Bottas já foi contratado. Antonio Giovinazzi gostaria de ficar, mas não sei não… A lista de candidatos é bem numerosa, e o mais forte segue sendo o chinês Guanyu Zhou, atual vice-líder da F-2. Mas não vou arriscar nome algum.

ISSO AQUI Ô-Ô – A corrida deste fim de semana, não se esqueçam, tem o nome oficial de GP de São Paulo por decisão do governador João Dória, ex-bolsominion que virou inimigo do saco de estrume que comanda o país. Aliás, este, em junho de 2019, anunciou que em 2020 havia “99% de chances” de o GP do Brasil acontecer no Rio, no autódromo que um sujeito surgido do nada garantiu que iria construir em Deodoro. Claro que não saiu autódromo nenhum, o que é ótimo — a Floresta do Camboatá foi preservada (hoje foi aprovada pelos vereadores do Rio sua transformação em “Refúgio de Vida Silvestre”) e a picaretagem evidente não prosperou. E Dória se envolveu pessoalmente nas negociações da Prefeitura de São Paulo com a Liberty, garantindo um contrato com Interlagos até 2025. Aí, aproveitou e mudou o nome do GP. Acima, as artes idealizadas por duas equipes para celebrar a prova. A Alpine foi numa linha urbana grafitando Ocon e Alonso num muro. OK. Já a Mercedes meteu um tucano na Praça da Sé, decorou o cartaz com samambaias e umas flores indefiníveis e, ó, ficou uma merda. Mas se a ideia era fazer uma menção ao Tucanistão, acertaram na mosca.

VOU NÃO VIR – Política também está relacionada a uma ausência em Interlagos. Segundo o blog do Fábio Seixas, Nelson Piquet pai, que virou um bolsonarista enlouquecido, daqueles de babar na gola da camisa camuflada, não virá à corrida, como costumava fazer, para não associar seu nome ao de Dória, inimigo do genocida do Planalto. Verstappen esteve com Piquet no começo da semana em Brasília — ele namora a filha do ex-piloto. Perguntaram a ele se Nelson lhe deu algum conselho para a reta final da temporada. “Ele não deu nenhum porque não preciso de conselhos”, respondeu com aquela humildade que lhe é peculiar.

Vettel com Diniz: outro papo

VETTEL VERDE – Alheio às picuinhas da baixa política brasileira, Sebastian Vettel, ontem, foi visitar Pedro Paulo Diniz na Fazenda da Toca. O ex-piloto, há alguns anos, saiu dos holofotes automobilísticos e mergulhou num belíssimo projeto de agricultura regenerativa orgânica na cidade de Itirapina, interior de São Paulo. Vettel é o piloto de F-1 mais engajado nas causas ambientais, tema que hoje parece lhe entusiasmar mais do que as corridas. Muito legal, muito mesmo.

O NÚMERO 1 – Verstappen disse hoje que se for campeão vai querer usar o número 1 no ano que vem, no lugar do #33. Era tradição, até algum tempo atrás, o campeão correr com o #1 na temporada seguinte. Mas depois que os pilotos puderam optar pelos números de sua preferência, em 2014, ninguém mais quis saber dele.

ANOTE AÍ – Vamos aos horários do fim de semana. Amanhã, sexta, primeiro treino livre às 12h30 e classificação às 16h. Aí sai o grid da Sprint. Previsão do tempo para amanhã é de chuva em algum momento. Poderemos ter pista molhada. No sábado, segundo treino livre às 12h e largada para a Sprint às 16h30 com 24 voltas ou meia hora. Da Sprint sai o grid de domingo. Antes da minicorrida, o safety-car de 1993, o Fiat Tempra que carregou Senna pendurado na janela depois de vencer em Interlagos, vai desfilar pela pista. Há três anos, ele foi encontrado largado em São Roque (SP) por um sennista fanático, o empresário Ivan Gusmão, de Itabuna (BA) — aqui pertinho. Ele caçava o carro havia um tempão, comprou por uma ninharia, restaurou e agora vai exibi-lo. A largada para o GP de São Paulo está marcada para as 14h com 71 voltas. Segundo a meteorologia, não chove no sábado nem no domingo.

BOM DESCANSO – Para terminar, curiosidade hoteleira. Treze dos 20 pilotos da F-1 estão hospedados, neste ano, no Palácio Tangará, um hotel de luxo com vista para o Parque Burle Marx no Panamby, um bairro vizinho ao Morumbi colado na Marginal Pinheiros, bem perto do autódromo. As diárias vão de R$ 2 mil a R$ 38 mil. São 141 quartos e as suítes mais caras têm mais de 250 metros quadrados de área.

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