GIRA MONDO, GIRA

ALERTA DE FRUSTRAÇÃO ANTECIPADA: ao terminar de ler este texto, você não estará convencido de que Putin é o maior vilão do século 21, belicista empedernido e ditador com ambições imperiais. Também relutará em ver nos EUA e na OTAN os salvadores do mundo, defensores da democracia e da liberdade. Da mesma forma, talvez não encare a Ucrânia como vítima indefesa da insânia humana. Nem estará convencido do contrário, tampouco — que Putin é o mocinho, o Ocidente é o bandido, a Ucrânia é um país de párias que merece levar bomba, mesmo. O mundo é muito complicado. Em situações assim, não tem lado certo ou errado. Talvez, apenas, o lado de fora.

SÃO PAULO – Essa foto aí em cima deve ter sido tirada em 1979, no máximo no comecinho da década de 80. O registro foi feito no Canadá, onde o Lada Laika era vendido como Signet. A URSS tinha acabado de invadir o Afeganistão. Foi um dos momentos mais agudos da Guerra Fria. Na América do Norte, não é preciso dizer, qualquer um que tivesse alguma relação com os soviéticos, ainda que ela se limitasse à escolha de um automóvel, era tratado como inimigo da democracia e do mundo livre.

Ainda consigo rodar com os meus por aqui. Pelo menos isso.

Ah, um lembrete que cabe aos leitores mais assíduos deste espaço, antes de entrar no assunto de vez. A seção “Gira mondo”, eu tinha prometido, passaria a ser publicada todas as sextas. Não faz sentido estabelecer um dia da semana para ela. O mundo gira todos os dias. Assim, escreverei quando achar que devo. Agora vamos em frente.

Vladimir Putin tem sido tratado como o mais vil dos seres humanos (e a concorrência é pesada) depois que decidiu levar a cabo uma operação militar sobre a Ucrânia. A tentação de buscar compreender o mundo a partir de raciocínios binários — um lado é bom, portanto o outro é ruim e acabou — é grande, nos dias de hoje; simplificar as coisas, dividir o planeta em A e B, polarizar, pensar a realidade de modo maniqueísta e fugir de qualquer reflexão mais trabalhosa. As pessoas emburreceram. São cada vez menos capazes de enxergar nuances, admitir que entre o preto e o branco há muitos tons de cinza.

Para começo de conversa, Putin não é uma boa pessoa. É um autocrata machista, misógino, homofóbico, autoritário, pouco confiável. É difícil simpatizar com alguém assim. Mas não se deve pautar o entendimento do conflito na Ucrânia apenas pela simpatia ou antipatia por alguém. Sua figura detestável não o torna, automaticamente, o maior culpado por tudo que está acontecendo. E o que está acontecendo não é apenas um país enorme atacando outro menor, coitadinho. Tem muita história por trás.

A Ucrânia não é uma coitadinha. Ao contrário, é um país altamente militarizado de 45 milhões de habitantes que ocupa uma posição estratégica entre os antigos países da Cortina de Ferro e a Rússia, possui a maior extensão territorial da Europa (a Rússia tem parte de seu território na Ásia), é o terceiro maior produtor de grãos do mundo. Como país independente, tem meros 31 anos — já que é fruto da dissolução da URSS; era uma de suas repúblicas constituídas após a Revolução de 1917.

Quando a Alemanha foi reunificada e a URSS desmantelada, no começo dos anos 90, o Pacto de Varsóvia, aliança militar dos países que depois da Segunda Guerra passaram ao arco de influência soviética, foi extinto. Era o oposto da OTAN, a Organização do Tratado do Atlântico Norte, capitaneada pelos EUA e seus aliados na Europa Ocidental. A existência das duas alianças militares, uma “comunista” e uma “capitalista”, conferia algum equilíbrio ao mundo, era uma espécie de garantia de que nenhum dos lados iria extinguir a espécie se acordasse de mau humor.

A OTAN, porém, não encerrou suas atividades. Longe disso: descumprindo acordos feitos com a Rússia esfacelada, decidiu aproveitar a brecha e expandir seus domínios para o antigo mundo comunista. Cooptou República Tcheca, Hungria, Polônia, Albânia, Bulgária, Croácia, Estônia, Lituânia, Letônia, Romênia, Eslováquia, Eslovênia, Macedônia… Cercou a antiga URSS. Tentou a Geórgia, Putin reagiu. Opa, bebê, aqui não! Foi lá e botou ordem no quintal.

Depois do golpe de Estado que derrubou o presidente eleito Viktor Yanukovich em 2014, a OTAN resolveu aliciar a Ucrânia. O objetivo era claro e estava longe dessa coisa bonita de levar a democracia e as lojas da Starbucks para o mundo. O lance era mesmo controlar o abastecimento energético da Europa, que passa por território ucraniano — gás e petróleo russos, basicamente.

Yanukovich era um político pró-Rússia, derrubado depois de três meses de protestos nas principais cidades do país. Muito semelhante às jornadas de junho de 2013 no Brasil, o movimento foi chamado de Euromaidan. Parte dos ucranianos foi às ruas exigindo uma maior aproximação política e econômica com a União Europeia e o afastamento da Rússia. As manifestações, como aqui, foram usurpadas por uma extrema-direita ultranacionalista inspirada no pensamento de um certo Stepan Bandera.

Bandera foi um colaborador da Alemanha de Hitler na Segunda Guerra, quando os nazistas resolveram atacar a URSS rompendo o pacto de não-agressão assinado anos antes. Anticomunista ferrenho, pregava uma Ucrânia livre das garras de Moscou e alinhada aos alemães. Ajudou a montar tropas locais para combater o Exército Vermelho. Morreu em Munique em 1959 aos 50 anos, envenenado pela KGB.

O resultado da Euromaidan foi a ascensão ao poder de um governo francamente anti-Rússia e pró-Ocidente, liderado pelo magnata de mídia Petro Poroshenko — que estimulou a criação de milícias paramilitares formadas por neonazistas e neofascistas anticomunistas. Estas, por sua vez, sustentadas e armadas na surdina por potências estrangeiras interessadas em enfraquecer Putin. O célebre Batalhão Azov, cujos símbolos foram vistos à farta nas manifestações pró-Bolsonaro no ano passado, surge aí. E logo é incorporado pelo governo à Guarda Nacional do país. Sua primeira tarefa: combater os separatistas russos do leste da Ucrânia, nas províncias de Donetsk e Lugansk, região conhecida como Donbass. Suas regras: matar, torturar, estuprar, saquear e perseguir minorias. Antissemitas, homofóbicos e racistas, os integrantes do Batalhão Azov são a face mais deprimente da Ucrânia. Não por acaso, aqui no Brasil, simpatizantes do bolsonarismo costumam usar bandeirinhas ucranianas nos avatares que adotam nas redes sociais. Devem estar com seus dois neurônios em curto, agora. Bolsonaro não é amigo do Putin? Mas o Putin é inimigo da Ucrânia? Manhê, o que a gente faz? Que bandeirinha eu coloco ao lado do meu nome cheio de números?

Putin percebeu a cilada e resolveu retomar a Crimeia, no sul da Ucrânia, uma região de população majoritariamente russa que gozava de certa autonomia — porto importantíssimo “emprestado” pelo Kremlin à Ucrânia em 1954 e sede da Frota do Mar Negro, vital para os sistemas de defesa da Rússia. Foi rápido e eficiente, do ponto de vista militar. Depois cuidaria do Donbass. O que tentou fazer em 2015 com o Acordo de Minsk, que resumidamente pedia garantias de alguma soberania às províncias orientais de maioria russa e exigia um cessar-fogo por parte das forças ucranianas. O trato foi aprovado pela ONU e subscrito por França e Alemanha, com pompa e circunstância.

Mas o fato é que Kiev nunca respeitou o Acordo de Minsk. Claro que Putin não é santo. Ao perceber as intenções do governo ucraniano de desestabilizar o Donbass e perseguir a população russa com suas milícias neonazis, reagiu. E armou os rebeldes até os dentes. Essa guerra civil que já dura oito anos deixou, até agora, 14 mil cadáveres de saldo. É uma carnificina.

Em 2019, a Ucrânia elegeu um paspalho de nome Volodymyr Zelensky, ator e comediante, como presidente. Seria como se o Brasil, sei lá, escolhesse João Kleber para comandar a nação. Esse cara explodiu em popularidade no país representando, numa série de TV, um presidente idiota e bobalhão que se gabava, no entanto, de ser muito honesto. Qualquer semelhança com… Bom, deixa pra lá. O nosso não é ator nem comediante. O discurso que levou Zelensky à presidência foi o da antipolítica, o do cara que vem de fora do sistema, aquele que é “contra tudo que está aí” e que vai acabar com a mamata.

É um rematado imbecil. Continuou cagando para o Acordo de Minsk e ainda resolveu desrespeitar o Memorando de Budapeste de 1994, assinado para reduzir a capacidade nuclear da Ucrânia. O cara é chegado numas ogivas atômicas. E não faz nada contra os neonazistas que infestam o país, embora ele mesmo seja de origem judaica. A situação no Donbass saiu do controle. Putin deu sinais de que estava decidido a resolver a parada e começou a deslocar tropas para a fronteira. Zelensky se voltou choroso para a OTAN e para os EUA. Que enxergaram uma ótima oportunidade de enfiar o pé na maior das ex-repúblicas soviéticas. Putin ficou mais puto ainda. OTAN na Ucrânia é o caralho. E invadiu.

Como se vê, não tem santo nessa história. Os personagens são abomináveis. Todos. Incluindo os civilizadíssimos líderes europeus de países como Alemanha, França e Inglaterra, incapazes de bater de frente com os EUA — por sua vez comandados por um presidente que vem perdendo popularidade, é fraco e inseguro, e tem como único mérito o fato de ter derrotado o psicopata Donald Trump na última eleição.

Putin tem seus motivos para estar puto com a Ucrânia e com o Ocidente? Um monte. Isso faz dele um líder justo e admirável? Não, nunca, jamais. Mas é preciso se despir de conceitos muito arraigados e sólidos no chamado mundo livre, construídos à base de muita propaganda, filme de cinema e série de TV, para perceber que o outro lado também não é conduzido por virtuosas intenções de justiça, bondade, fraternidade e união entre os povos. Os EUA, nos últimos anos, invadiram Iraque, Síria e Afeganistão. E invadiram mesmo, com tropas, bombas, aviões e tanques, aproveitando o ensejo para alimentar sua abastada indústria bélica à base de destruição e morte. Indústria esta que precisa de uma guerrinha de vez em quando para girar a roda da economia, como não? Quando isso aconteceu, não se viu, pelos lados de cá, nenhuma reação indignada e histérica. Afinal eram os americanos, xerifes do mundo, sorridentes e superiores, guardiões da paz e da prosperidade, contra esses bárbaros de barba e turbante que vivem explodindo prédios e ônibus de turistas.

Putin pode ser um grande filho da puta. Mas não é o único.

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Andre
Andre
2 meses atrás

Flavio,
Entendo que o tratado de Minsk nao estava sendo cumprido.
Fico em cima do muro na verdade em que lado pender.
No entanto acabo de ver uma materia falando a respeito das mulheres da Ucrania (nao, nao as do deputado)..
Exemplo.. O Marido vai pra guerra por que homens na Ucrania sao obrigados a defender o pais. A mulher, que tem a opcao de se refugiar, se junta as forcas e vai lutar tambem.
Diversos exemplos de solidariedade e voluntarismo das mulheres deste pais.
Ou seja, o senso de patritismo e entendimento de que sao uma nacao e tao grande que deve ser respeitado.
Mesmo que a Russia instale um governo pro-Russia, vai ser dificil se manter a longo termo.

Abraco

taciana correia
taciana correia
2 meses atrás

com certeza, Putin não é o único, nem nunca haverá guerra se os dois lados forem competentes no saber viver, é pq nós seres humanos sempre torcemos pelos mais fracos e pelos soldados que vão para frente de batalha, que horror!!!!!!!!!

Fred
Fred
2 meses atrás

As pessoas emburreceram.

É, infelizmente essas — muito provavelmente — não circulam por aqui. Circulassem, teriam uma ótima oportunidade para dar um banho de luz em suas escurecidas mentes, lendo tão elucidativo texto.

Obrigado, Flavio!

Peter Zero
Peter Zero
2 meses atrás

Em suma, não tem virgem na zona.

Geurgetow F. Araujo
Geurgetow F. Araujo
2 meses atrás

Mandou bem, Flávio. Não estou de lado nenhum, porque não existem mocinhos nestes e noutros conflitos. Quero a Paz, mas já sou meio veinho para acreditar que a OTAN quer a Paz, como quer fazer crer a grande mídia.

Rafael Ramalho
Rafael Ramalho
2 meses atrás

Li o texto muitas vezes e tentei me informar mais sobre alguns fatos que eu desconhecia. Muitos artigos de 2014 e de hoje falando do acordo de Budapeste – sempre com o viés de que a Rússia destespeitou, e com um acadêmico alemão falando na Deutsche Welle que talvez a Ucrânia acabasse mesmo reconstruindo algum poderio nuclear (não achei referências de que isso tenha sido feito).
Aliás, li o acordo (bem curto, 2 páginas em inglês) e o 1o de 6 artigos diz que os signatários respeitariam as fronteiras da Ucrânia como elas existiam na época (ou seja, a questão da Criméia pode ser interpretada como desrespeito ao acordo).
Sobre o acordo de Minsk, vários sites (inclusive alguns russos) dizem que “os dois lados desrespeitaram”. E em um destes sites russos há uma citação de que “a Rússia só aceita retirar armamentos das repúblicas separatistas depois das eleições”. Não me parece algo muito pacifista…
Hoje a Rússia bombardeou uma maternidade e um memorial do Holocausto em Kiev (chega a ser estranho dada a argumentação sobre neonazismo na Ucrânia). Dado isto… minha leitura é de que, nesse momento, Putin não é o único filho da puta, mas é disparado o maior de todos. E, apesar da realidade ser complexa e não poder ser analisada de forma binária, as decisões são, sim, binárias. Ou dispara o míssil, ou não dispara. Ou ataca a maternidade, ou não ataca. Não tem jeito, é 0 ou 1. E nesse caso, novamente, Putin desponta claramente como o filho da puta do momento.
Obrigado Flávio pelo texto e por me fazer refletir, e buscar mais informação.

Rubens
Rubens
Reply to  Rafael Ramalho
2 meses atrás

Esqueceu fe falar que em 1931 e 1932p a Russia massacrou milhões de Ucranianos. Nos anos 80 Chernobyl. Infelizmente quem sofre e povo…

Raul
Raul
2 meses atrás

Bem por aí mesmo.

Luiz
Luiz
2 meses atrás

O bozo falou ontem mais ou menos o que tá escrito neste texto . Nem passou muito tempo pra começar a cheirar mal esse bando de palavras desviadas de verdade. Nem o Putin se perguntar , ele vai saber dizer o que está fazendo na Ucrania além estar matando o povo Ucraniano e ferrando os próprios Russos. Deu um nó no próprio pescoço e vai cair, só espero que nao achem outro ditatorzinho de merda pra colocar no lugar.

Wellington
Wellington
2 meses atrás

Flávio,

De todos os conflitos militares recentes esse é o único onde estão morrendo homens brancos em um local financeiramente relevante e, pra mim, isso diz muito sobre a reação ocidental ao ataque russo.

Fabrizio
Fabrizio
2 meses atrás

Sempre cirúrgico… como sempre, e lá se vão sei lá uns 20 anos, vale a pena voltar aqui para ler o que você pensa.

Rodrigo
Rodrigo
2 meses atrás

Bela defesa do Putin, Flávio 👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻‼️Não esperaria nada diferente disso, conhecendo suas ideias e opiniões!!

Rodrigo
Rodrigo
Reply to  Flavio Gomes
2 meses atrás

Mais defesa do Putin impossível! Não existe atenuante, vírgula, senão, ou qualquer coisa a ser dito a não ser cravar em poucas linhas que Putin é um ditador russo assassino!

Yuri Skijavinko
Yuri Skijavinko
Reply to  Flavio Gomes
2 meses atrás

Sou de origem Ucraniana. E você endossa o ódio contra nosso povo. Deveria dar mais valor ao Brasil que abraçou meus avós dos horrores da fome a da limpeza etinica promovida e financiada pelos Russos. Tire esse pensamento soviético e vermelho da cabeça. Se quiser ouvir relatos de Ucrânianos sobre o que é massacre e ódio, o convido para ir a São Caetano do Sul e conversar com membros da nossa comunidade. Se os Ucrânianos querem se separar da Rússia é pq coisa boa não são. Aliás esse é o resultado. E por favor tudo para vc é Bolsonaro e direta, quer ouvir nossa opinião venha até nos. Mas venha de Uber pq se vier com seu (meianov) será uma provocação a nós.

João
João
2 meses atrás

Quando uma invasão deste tipo acontece, e chamo de invasão mesmo porque por mais que a Ucrânia tenha suas armas e militares, em uma guerra de verdade contra a Rússia eles não durariam um dia. Quando países do tamanho e poder bélico da Russia, China e EUA começam um conflito assim, não se chama guerra, se chama invasão mesmo. A gente pode chamar de Guerra quando eles se enfrentarem entre si.

Dito isto, qualquer busca por uma explicação ou justificativa, seja histórica ou não, para tentar racionalizar o fato de que civis inocentes, crianças inclusive, estão morrendo, não faz o menor sentido.

Quando pessoas morrem assim, não existe explicação ou justificativa o suficiente. Todos os envolvidos neste caso são pessoas deploráveis, muito mais ainda o presidente russo que é era a única pessoa no mundo que poderia ter evitado isso. Está nas mãos dele. E se você tenta justificar isso ou relativizar, eu tenho pena do ser humano que você é.

Dionei
Dionei
2 meses atrás

Bom texto, mais realistas, com suas pinceladas, mas dá tons corretos às pessoas envolvidas.

Marcelo
Marcelo
2 meses atrás

Perfeito! Vale lembrar que os donos do mundo invadiram o Iraque falsificando um relatório sobre armas químicas. E o mundo não só não se indignou como tb apoio a invasão, com votação na ONU e o escambau! O pateta metido a presidente da Ucrânia pensou que era espero e, aproveitando o apoio do Tio Sam resolveu pagar pra ver com Putin, achando que a cavalaria viesse correndo salvá-lo se o pior acontecesse. Descobriu da pior maneira possível quem é o Tio Sam…

Fabio
Fabio
2 meses atrás

Uma vez li um texto seu que me marcou a seguinte frase “ou você está desse lado, ou do lado de lá. Simples assim.”. A frase se referia a Bolsonaro, pré-eleicao, e por mais que eu seja contra Bolsonaro como você, aquilo tinha me incomodado profundamente. Como um cara tão inteligente e sábio como o Flávio pudera expressar opinião binária tão superficial como aquela, apesar da repulsa natural pelo Bolsonaro.
E hoje, ao ler esse seu texto, onde você fala “o mundo é mais complexo do que aparenta, sem mocinhos e vilões óbvios”, fico aliviado, pois enfim, me convenço que você realmente não tem pensamento raso e superficial como aquele expressado anos atrás. O mundo é complexo, e menos julgamentos de caráter e mais racionalidade às análises ajudam a melhor compreensão de nossa realidade.

cesar
cesar
2 meses atrás

Flávio, sou seu leitor desde os tempos que você escrevia no jornal Lance, já faz tempo. Sempre torço o nariz quando leio seus pitacos sobre política, porém, desta vez , concordo, em partes, com o texto

Gaby Theisges
Gaby Theisges
2 meses atrás

Lendo esse monte de comentário apoiando esse absurdo desse texto só mostra que não é só o Bozo que tem gado. O Flávio também tem. Inacreditável as pessoas tentarem justificar o injustificável que é invadir um país matando milhares de civis inocentes. Simplesmente ridículo

weligton medeiros
weligton medeiros
Reply to  Gaby Theisges
2 meses atrás

faça o exercício de leitura. Se for difícil tu busca no google referência de várias invasões ao longos das décadas pelos EUA. Aí se não entender, muda o feno

Last edited 2 meses atrás by weligton medeiros
Ricardo Gomes
Ricardo Gomes
Reply to  weligton medeiros
2 meses atrás

olha o gado do Flávio aí…

CIRO AUGUSTO DE SOUZA MAGALHAES
CIRO AUGUSTO DE SOUZA MAGALHAES
2 meses atrás

Impecável!

Valmir Passos
Valmir Passos
2 meses atrás

Nada justifica, na minha humilde opinião, o que Putin está fazendo. Não há narrativa histórica que possa endossar passar com tanque por cima de um carro de passeio, como vimos, ou agora, ameaçar atacar a Ucrânia com armas nucleares. A população civil não tem a quem recorrer. São vidas humanas, nas mãos de um assassino, lunático.

Antonio
Antonio
Reply to  Valmir Passos
2 meses atrás

O tanque era ucraniano e não russo.

Tiao
Tiao
2 meses atrás

Triste fim. Não consigo diferenciar a narrativa de contemporização/explicação dos motivos da Russia e de Putin com o do marido enciumado que violenta e mata uma ex companheira. Não tem justificativa.

https://aeroin.net/a-russia-destruiu-o-antonov-an-225-mas-nao-os-nossos-sonhos-diz-ministro-ucraniano/?amp

Maria
Maria
2 meses atrás

Esqueceu de mencionar q muito antes de a Ucrânia fazer parte do União soviética era um dos países q fazia fronteira com a Rússia. Era um país livre. Os comunistas na Rússia promoveram a revolução russa! Depois foram expandindo suas fronteiras, invadindo todos os países vizinhos, ampliando seu território. Após gde luta , esses países foram reconquistando suas independências! Mas tem aqueles q não aceitaram essas independência e agora querem impedir, q esses países sejam independentes de verdade!

Luiz Tararam
Luiz Tararam
Reply to  Maria
2 meses atrás

Me desculpe, mas a Rússia nasceu em Kiev-Russ. O território ucraniano como está hoje delimitado é resultado de circunstâncias, acordos e concessões no século passado. De fato, a população tem origens proximas senão as mesmas, compartilham a língua que não é única e estão aparentados. Nada disso justifica a guerra por si, mas de fato a razão é bem mais complexa e envolve interesses geopolíticos que não cabe nesse espaço.

Marcelo
Marcelo
2 meses atrás

Cara, artigo bom, mas como vc mesmo escreve eh preciso ter cuidado para não generalizar… Qdo escreve que a Ucrânia tbem não é santa está de modo paralelo dizendo que “eles merecem”. Um dos seus argumentos são o presidente palhaço que está por lá no momento, nisso vc está corretíssimo, mas isso não podemos misturar com a imagem do país e dos ucranianos, seria como dizer pq o brasil tem um maluco no poder no momento, nos tbem não somos santos e merecemos…. (Apoiou golpe militar, homofóbico e etc.).
Com certeza não tem santos governantes nessa história toda, mas o ponto não são os governantes e sim a população que na maioria sofrem e são manipuladas por isso (tenho vários amigos amigos russos e ucranianos e tbem já gastei muito remoinhos lá).

Mas enfim parabéns pelo artigo.

Abrcs da Suíça

Zoe Arte
Zoe Arte
2 meses atrás

Mas é preciso se despir de conceitos muito arraigados e sólidos”
Exatamente o que vc não faz…

Marcelo
Marcelo
2 meses atrás

Sinceramente, nunca vi tanta besteira escrita. É óbvio que a sua análise seria de relativizar o conflito, levando em consideração o campo político que vc defende e sempre defendeu. Vai estudar garoto, leia “A Anatomia do Fascismo” de Robert Paxton, grande historiador e cientista político estadunidense, pelo menos você não verá fascismo em tudo que te rodeia, leia a ” A Era dos Extremos” de Eric Hobsbawm. Quem fala aqui é um professor de História e a sua análise está completamente equivocada; não esperava outra coisa vinda de você, você falou em seu texto que Putin é ex-agente da KGB? Este conflito está intimamente associado aos resquícios do socialismo realmente existente que ainda perdura na Rússia, pois por mais que URSS, tão amada por você, com seus campos de trabalho forçados, tenha deixado de existir, alguns resquícios se mantêm e sabe o porquê? Porque regimes sócio políticos antagônicos pode coexistir, até que o novo suplante totalmente o antigo, ou seja, embora a URSS tenha deixado de existir e o país tenha promovido reformas em direção ao capitalismo, resquícios do socialismo soviético ainda existe e este fator condicionou a guerra, na prática, a Rússia desde a desagregação da URSS ocorrida em 1991 foi comandada por políticos egressos do antigo Partido Comunista Russo, criado em 1918, ou seja, um ano após a Revolução Bolchevique. Em suma, sua explicação está totalmente inadequada.

Fred
Fred
Reply to  Flavio Gomes
2 meses atrás

Eu também espero!

Diogo Rocha
Diogo Rocha
2 meses atrás

Que coisa triste tudo isso.

Daqui de SC, temos uma amiga que está em Kiev.

Flávio, juro que o que mais vi nesses últimos dias foi justamente os bolsonaristas defendendo Putin e falando em combate aos nazistas.

Já estava achando invenção desse povo até ler o seu texto.

Mas acredite: eles tem falado justamente isso.

Enfim, torcendo pelo fim disso tudo.

Ser humano é simplesmente inexplicável.

“A história não se repete, mas rima”.

Como emburrecemos. Sempre.

Grande abraço. Excelente texto.

Luiz
Luiz
2 meses atrás

Obrigado pelo esclarecimento, pena que textos assim chegam a uma minoria. Parabéns 👏

Fabrizzio
Fabrizzio
2 meses atrás

Excelente, Flávio. Melhor que isso só se desenhar