RED BULL RB18
SÃO PAULO (oremos) – Ontem recebi e-mail da Red Bull me avisando para entrar no link tal porque hoje era dia de apresentação de carro novo. Muito bem. Na hora combinada entrei e apareceu a mensagem em inglês: “É dia de lanche!”. Já traduzi para vocês, claro. Mas não teve lanche algum, e sim um vídeo pré-gravado de meia hora, pouco mais, pouco menos, no qual fiquei sabendo que:
1) A equipe agora se chama Oracle Red Bull Racing, sendo “oracle” a palavra em inglês para “oráculo”, sendo “oráculo” o local em Delfos, na Grécia Antiga, onde sacerdotes e sacerdotisas faziam previsões depois de entrar em transe aparentemente por causa de gases que emanavam do solo. É uma história meio complicada que começa quando Zeus, que como todos sabem era o fodão do Bairro Peixoto, soltou duas águias de pontos opostos da Terra para definir onde era o umbigo do mundo, e seria onde elas se encontrassem, e elas se encontraram em Delfos, e ali foi feito um templo assim & assado para seu filho Apolo, que matou um dragão no local, na verdade uma espécie de serpente, Python, que também podia ser uma fêmea de dragão, nunca se sabe, e ela foi enterrada ali mesmo, e por isso começaram a sair vapores pelas fendas no chão e nas rochas do local, e a sacerdotisa-máster do templo ficou muito louca com aquele fumacê e desandou a fazer profecias, e elas davam muito certo, o nome dela era Pítia, certamente por causa da dragoa, ou serpente, e aí o lugar ganhou fama, e é daí também que vem a palavra pitonisa, e parece que a história dos gases é verdade mesmo, tem até livro sobre isso. Mas esse Oracle da Red Bull é só patrocinadora mesmo, empresa americana de software, tecnologia e essas coisas, aliás, já patrocinava a equipe e, agora, está pagando uns tostões a mais para colocar sua marca no nome oficial.

2) A Honda, que resolveu continuar fazendo os motores da Red Bull mesmo depois de anunciar sua saída da categoria, desapareceu do carro. Na carenagem aparece um minúsculo HRC, Honda Racing Corporation, a divisão de competição da montadora japonesa. De todo modo, e para todos os efeitos, os motores da Red Bull seguem sendo Honda. Nenhuma marca nova foi incorporada para batizar as unidades de potência. No passado, é bom lembrar, a própria Red Bull já chamou seus motores Renault de TAG-Heuer (que é marca de relógio) e a Prost batizou os Ferrari dela de Acer (nome de computador). Suponho, apenas suponho, que se alguém chegar com uma boa proposta para batizar os motores é capaz de levar. E não me contenho nas especulações. O Magazine Luiza poderia fazer uma oferta, e teríamos Red Bull-Magalu na lista de carros inscritos para os GPs. Ou o cara do guaraná Dolly: Red Bull-Dolly. Talvez os laticínios Piracanjuba, Red Bull-Piracanjuba, para dar nó na língua dos locutores ingleses. Mas não vai acontecer nada disso.
3) As fotos distribuídas para a imprensa são horríveis, muito escuras, e melhor teria sido tirar prints da tela enquanto os caras falavam dos carros. Daria, pelo menos, para distinguir as linhas do fundo negro. Acho que isso é tudo de propósito, e de qualquer maneira o próprio Christian Buziner, chefe do time, disse que os carros que serão vistos nos primeiros testes, em Barcelona, serão diferentes daquele que estava lá na frente deles, que por sua vez serão também diferentes dos que vão estrear no Bahrein, dia 20 de março. Portanto, digo o mesmo que disse no lançamento do carro da Haas: qualquer análise técnica que for feita pelos oráculos de internet é chute.
4) Verstappen disse que andou pouco no simulador, que o tamanho dos novos pneus de 18 polegadas alterou a visibilidade de dentro do cockpit, que começar o ano como campeão não tem nada de muito diferente, que o número 1 é melhor que o 33, que não sente pressão nenhuma para defender o título e só isso.
5) Pérez não consegue falar “season”, temporada, fazendo som de “Z” no segundo “S”, e por isso fala “sísson”.
6) Horner acredita que dificilmente o recorde de trocar pneus em 1s8 será batido, porque o conjunto roda + pneu deste ano, com calota e tudo, é mais pesado. “Acho que os pit stops vão ficar em torno de 2s”, falou. A distância, mandei-o à merda.
Por fim, a questão do nome do carro. RB18 é como ele será conhecido. “Meu RB18 estava bom hoje”, dirá Pérez um dia. “O problema desses RB18 é esquentar no trânsito”, queixar-se-á Verstappen em Mônaco. Claro que todos vão achar que RB é de Red Bull e 18 é porque se trata do 18º automóvel produzido pela equipe, que estreou em 2005 depois que Didi das Latinhas comprou a Jaguar, que era da Ford, que tinha comprado a equipe de Jackie Stewart. Notam-se, nas fotos abaixo, as semelhanças entre todos eles: o filho que é parecido com o pai, que é a cara do avô.
A verdadeira origem dos códigos dos carros da Red Bull, porém, nada tem a ver com a simplória associação com as primeiras letras da empresa que empresta seu nome à equipe. Há duas versões conflitantes que remontam aos primeiros testes que a equipe fez em Silverstone, logo depois da compra da Jaguar. David Coulthard e Christian Klien foram os pilotos escolhidos e o escocês, já em final de carreira, não queria encrenca com ninguém e estava dando graças aos céus por ter conseguido um emprego. Depois das primeiras voltas com o bólido, apesar dos tempos pouco promissores e de um comportamento errático na pista, foi questionado pelo chefe dos mecânicos sobre o carro e respondeu, polidamente, como sói aos escoceses: “Olha, eu posso dizer sem medo de errar que ele roda bem”. “Roda bem, roda bem!”, repetiu o mecânico pelo rádio para passar seu primeiro relatório do dia ao engenheiro, que por sua vez mandou uma mensagem de texto sucinta para o dono da equipe pelo celular: “Roda bem”.
A outra versão me parece menos verossímil e creio até ser um chiste, desses comuns entre mecânicos. Klien, que não era assim um piloto de grandes predicados técnicos, não conseguia fazer uma volta decente em seus primeiros treinos, dando rodopios e saindo da pista com frequência. O mesmo chefe dos mecânicos, dado a gracejos fora de hora, recebeu um SMS do engenheiro com um questionamento sobre ele. “E então, como foi o menino?”, perguntou o superior hierárquico, que estava na fábrica acompanhando a prática pelo computador. “Roda bonito!”, respondeu o rapaz nos boxes.
Seja como for, parece não haver dúvidas que o RB vem daqueles tempos, seja de “roda bem”, seja de “roda bonito”, e acabou ficando.
O 18 eu não sei o que é, não.








Muito bom…
Flavio esta livre leve e solto nos seus textos
Parabens
“A distância, mandei-o à merda”, hahahahhahahaha!
Flávio, vai se fuder, como você é criativo e eu besta repasso as suas histórias.
“É dia de lanche!” hahahahahahaha!!!
“It’s time for the lean, mean RB18” fica “é o time da linha, minha RB18… hahahahahahahahahaa!!!!!
Já que o assunto é F1, que tal esse grid alternativo?
https://www.youtube.com/watch?v=4jhGOjjwTc4
Tudo Photoshop. Não sei qual a razão de todo esse circo. Basta colocar o carro de verdade na pista e mostrar o bicho andando.
18 é o tamanho das rodas novas, pô! Tão na cara e vc não percebeu, Flavio?
Acho que essa questão de “apresentação de pintura” será a tônica dos próximos dias. A receita é fácil: Pega o mock-up da F-1, põe um bico fake e expõe os patrocinadores.
As cameras 3D vão ferver mesmo no primeiro dia de testes da pré-temporada onde os “carros de verdade” vão para a pista.
Tá inspirado!
Texto ótimo!
E essas apresentações de layout apenas estão uma piada, realmente.
Aguardemos os treinos…
Oráculo é dono da Java .. aquela ilhazinha que uma vez soltou lavinha e fumacinha um tempinho atrás, mas mudou alguma coisa na geografia daquela época
Resenha Bela!
Reflexão Bárbara!
Relato Boníssimo!
Relevantes Brincadeiras!
Retorne Brevemente…
Eis aí como fazer um belo texto em plena entressafra! Quem sabe agora o handicap de ser grande como Ocon e Russel não se torne uma advantage pelo fato dos pneus serem mais altos. Vai que, né?
Buziner… BUZINER !!!!
Me fez levar as mãos ao rosto…
…suas caixas coloridas estão o máximo . As caixas roxas de história deveriam virar apostila…para aprender e rir muito. Ou você aprende a origem Oracle ou pelo menos incorpora ‘fodâo” do Bairro Peixoto nas suas expressões (como o século passado era rico em expressões difíceis de serem aglutinadas pelo povo hoje: fodão do Bairro Peixoto, gostosão da Bala Chita…só alecrim dourado sobreviveu). Para dias difíceis…sua leitura é obrigatória e saborosa demais…obrigado!
Atualmente pode ser “Reclama Bagarai”. :D
Então o novo Mercedes pode ter a sigla THM, “Toto & Hamilton Mimizentos”
Flávio, seu texto é genial.
Achei bem original essa pintura da RB18 (irônico)
Por enquanto tudo meio igual, HASS e RED BULL parecem ter pego aquele modelo da FIA e pintado nas cores do time. Era mais divertido naquele ano que por conta do regulamento cada time veio com um bico diferente e alguns realmente horrorosos.
Caro Flávio, aguardo sua avaliação da aerdinâmica e dos famigerados fluxos de ar criados pelo novo design dos carros.
O 18” deve ser por conta dos aros das rodas q deixaram de ser 13”!
Quando vi a foto da Haas , comentei com meu filho , que os pneus aro 18,
iria dificultar o campo de visão do piloto, hoje Verstapinho já chiou,mas até
quanto vai ser ruim. Com o Halo foi a mesma coisa , e agora os pneus,
logo vão se acostumar e bola pra frente
Se eu tivesse uma equipe de F1 pegaria aquela maquete da FIA, não pintaria, colocaria os adesivos dos patrocinadores e apresentaria amanhã como o carro novo, só pra zuar a Haas e a Boi Vermelho.
Senti falta do campeão do ano passado na apresentação do time, alguém sabe pq Michael Masi não apareceu?
Michael Masi, o campeão do ano passado, está gastando os 2 milhões de dólares que ele recebeu da Liberty Media para ROUBAR o título do Hamilton.
a info 5 é a mais relevante
Roda bem….kkkkk melhor que isso só Red Bull Piracanjuba racing team
Flavio, você sabe a origem do Fodão do Bairro Peixoto, que com tempo virou o Fodão do Peixoto? Já pesquisei e não encontrei nada, nem um amigo, conhecedor das coisas daqui do Rio sabe. Abraço
O termo foi criado pelo pessoal do Casseta & Planeta, nos tempos da revista Casseta Popular…
18 é cachorro. RB18 Vem de “Roda bem pra cachorro” na versão de Coulthard.
A impressão é que os carros serão mais bonitos. A ver. O tom de verde da Jaguar era espetacular.
Seria melhor “Rouba Bem”…
É provável que todos os próximos lançamentos escondam as novidades, ou seja: no dia 23, início dos treinos coletivos, veremos carros bem diferentes. Então, usando uma expressão bem atual, todos esses lançamentos são fake news, e a coisa toda não faz sentido: faltam apenas 14 dias para o início dos treinos. Em apenas 14 dias nenhuma equipe terá tempo suficiente para copiar a ideia – e fabricar – alguma grande novidade.
Nesse realmente não tem análise técnica a ser feita. Análise técnica que não é análise de performance, essa seria chute mesmo. Mas os oráculos de internet, que são bem mais informados que os antigos oráculos de papel, podem sim fazer uma análise técnica. No caso do RB18 a análise é que esse é o carro base da FIA mostrado em 2019, protótipo “tango” – do alfabeto fonético – o carro que apresentaram em silver stone ano passado é o protótipo “uniform” a última e derradeira iteração do regulamento para 2022.
Esse carro apresentado pela Red Bull inclusive seria ilegal segundo Craig Scarborough, outro desses oráculos de internet que chutam sobre o assunto:
https://twitter.com/scarbstech/status/1491448841693925377?s=21
De qualquer forma ele fez uma análise técnica, chutada, que não análise de performance:
https://twitter.com/scarbstech/status/1491464640710258696?s=21
A diferença da apresentação da pintura da Red Bull pra apresentação da Haas é que a americana apresentou uma versão de seu carro, mesmo que seja uma versão baseada no protótipo da FIA (vai entender os caras seguindo o regulamento técnico…), claro que é do início do desenvolvimento e com muitos detalhes omitidos, mas mesmo assim algo mais próximo do que devemos ver no Bahrein.
Inclusive, pela análise técnica chutada pelos oráculos de internet há especulações de uma mudança radical no projeto de suspensão da Haas, que pode indicar algo similar na Ferrari porque a Haas tem uma salinha alugada lá perto…
https://twitter.com/scarbstech/status/1489559759489490949?s=21
O comentário deve estar cheio de erros de gramática, mas tá bem informado pelos chutes dos oráculos de internet que obviamente não sabem de nada. Se soubessem não estariam na internet…
Falou, falou, e não disse rigorosamente nada. Mas continue vindo aqui. Audiência nunca é demais.
Com certeza, adoro esse blog e a maioria dos textos desse velho ranzinza rabugento. ;)
Don Flávio, muitos hispanohablantes (não sei escrever isso em português e se eu olhar no google vc fica puto) têm dificuldades no som de ‘Z’, já que esse fonema não existe em seu idioma. Morei no México 8 anos e isso é comum por lá e em outros países da América Latina. Pedir para eles falarem o ‘J’ inglês (jay) também complica. Obrigado pelo texto e pela explicação sobre os oráculos. Abração! A luta continua, companheiro…