BORTOLETO








SÃO PAULO (sucesso, jovem!) – O Brasil volta a ter um titular na F-1 depois de sete anos de seca. Um rapaz que chega com um currículo comparável ao de três pilotos que defendem equipes de ponta na categoria. Gabriel Bortoleto ganhou a F-3 e a F-2 nas suas temporadas de estreia. O último que conseguiu isso foi Oscar Piastri, hoje na McLaren. Os outros foram Charles Leclerc, da Ferrari, e George Russell, da Mercedes. O monegasco foi campeão da GP3 em 2016 e da F-2 em 2017 — primeiro ano do campeonato com esse nome sob chancela da FIA. O inglês ganhou a mesma GP3 em 2017 e a F-2 em 2018. A GP3 era a equivalente à F-3 de hoje.
É uma façanha que não pode ser ignorada. E que leva a crer que o paulista de Osasco é um piloto especial, embora tenha uma carreira curta com carros. O que é óbvio, afinal tem apenas 20 anos de idade. Como toda a molecada que chega lá, começou no kart, foi morar na Europa muito novo e na hora em que o funil ficou mais apertado, mostrou talento e resultados.
Bortoleto é de família rica, o que não é crime. E auxilia muito no início da carreira num esporte caro como o automobilismo. Vi todas as provas da F-2 neste ano e deu para perceber que é um piloto muito agressivo e hábil para fazer ultrapassagens. Gosto do estilo. Fora da pista, pouco posso dizer — não o conheço pessoalmente. Pelas entrevistas, notei que tem a cabeça no lugar, mas abusa um pouco do papinho de que “corre pelo Brasil”, “representa o país”, “é pra vocês”, abusa um pouco desse patriotismo fajuto fora de moda que, na minha visão, mais atrapalha do que ajuda.
Mas é normal. Bortoleto é fruto das redes sociais, deve ler os comentários, se empolgar com as bandeirinhas do Brasil que o pessoal coloca ao lado das postagens. Eu seria um pouco mais cuidadoso com isso. Assumir o papel de redentor de uma nação é uma carga desnecessária e inútil. Usando uma expressão detestável, correr de F-1 “não é sobre” patriotismo. É apenas um esporte, uma competição pesada entre os melhores de uma modalidade que envolve marcas, patrocinadores, engenheiros, tecnologia, dinheiro e, no fim das contas, é cada um por si e não tem nada a ver com países. Os países disputam, quando muito, o direito de fazer corridas. Se eu pudesse dar um conselho, diria apenas isso: esqueça essa conversa fiada de que sua missão na Terra é elevar o verde e amarelo e mostrar ao mundo como somos resilientes e esforçados e não desistimos nunca. Isso é bobagem, sua missão na Terra é acelerar um automóvel — que no caso será alemão e fabricado na Suíça, e no ano que vem terá motores italianos.
O título da F-2 veio domingo com uma segunda colocação na 28ª e última corrida do ano. A temporada teve 14 rodadas duplas com provas curtas, as Sprints, e longas, as Features. Bortoleto não dominou o campeonato de forma arrasadora. Ganhou duas corridas longas, na Áustria e na Itália, e fez duas poles. A vitória em Monza foi o divisor de águas para ele: venceu depois de largar em último, o que chama a atenção em qualquer categoria. Mas foi regular e constante. Deixou de pontuar apenas seis vezes. O vice-campeão Isack Hadjar, apoiado pela Red Bull, ganhou quatro provas, mas zerou em 13. No final, o brasileiro terminou com 214,5 pontos, contra 192 do francês.
Filiado à McLaren desde o início do ano, Bortoleto só fez um teste com um carro de F-1. E de modelo antigo, 2022. Foi em setembro, na Áustria. Quem encurtou o caminho foi Fernando Alonso, que passou a ser seu agente no ano retrasado. No vaivém de pilotos para 2025, a Audi se interessou e a McLaren chegou a endurecer a negociação, já que não queria emprestá-lo. Mas acabou dando certo.
Bortoleto fará seus primeiros testes de verdade a partir de amanhã em Abu Dhabi. Não se deve esperar nenhum milagre no ano que vem, posto que a Sauber foi a última colocada neste ano. Mas, da mesma maneira, não se deve cobrar nada dele. É bom que os patriotas se contenham. Gabriel vai aprender a ser piloto de F-1 em 2025, algo completamente diferente de tudo que fez até hoje. Estará vinculado a uma marca que faz projetos de longo prazo e não entra na pista para fazer figuração. É uma ótima porta de entrada. O mais difícil, talento para pilotar, tem. Que os próximos anos sorriam para ele.
E se posso dar um segundo conselho, mude o capacete. Seu nome é Gabriel e o sobrenome é Bortoleto. Esqueça o resto. Preocupe-se em ser Gabriel Bortoleto da Audi. Essa coisa de querer ser a reencarnação de Ayrton Senna do Brasil não tem como dar certo.
2025 na torcida por Hamilton e Bortoletto, duas pessoas que respeitam nosso tri campeão 🏆 🏆 🏆
Talvez, assim como Senna fez e Hamilton faz, dizer o que a torcida quer ouvir traga engajamento, visibilidade e tudo mais, sobretudo num país que tem como referência, no esporte, alguém que fazia exatamente isso neste mesmo esporte. Em um mundo onde qualquer detalhe é observado e alavanca likes e comentários, pode ser uma estratégia em relação a patrocínios.
Hihihi. Calma Borboletto Gomes, deixe de ser ranzinza e deixe o garoto sonhar. Ou melhor não, não deixe não. Amanhã uns paspalhos já vão lá entrevistá-lo e coagi-lo a dizer que é a reencarnação do Dalai Senna e aí fudeu. E isso não pode trazer nada de bom, vide Rubens. Acho que isso é Karma, sinceramente, como disse Cristo, que os mortos enterrem seus mortos.
Texto perfeito!
FG otimo texto como sempre! Espero que o Gabriel leia!
Flavio , por favor , depois faça um texto sobre a série Senna da Netflix!
Tenho certeza que você já assistiu aquela novela mexicana:)
Tá na hora de começar a acompanhar meus conteúdos melhor… https://flaviogomes.substack.com/p/viver-e-melhor-que-sonhar
Já ouvi que o Patriotismo é o último refúgio do canalha. Se não me engano, foi o Millor Fernandes que disse que no Brasil é o primeiro refúgio. Bortoleto, trata de guiar, e fazer o seu melhor. Não é a bandeira do Brasil que vai mudar isso…
Caro escriba, gostei pessoalmente do seu texto sobre Bortoleto, em especial o penúltimo parágrafo, conselhos bons são sempre bem-vindos (com ou sem hifen). Por outro lado, no último, deixa transparecer sua ojeriza sobre o q foi e o q representou Ayrton Senna pra muita gente. Trate-se. Permita ao “menino” Bortoleto utilizar as cores que quiser no capacete, com o mesmo orgulho que um dia o fez enaltecer cores e símbolos soviéticos e, mais importante, as cores da Lusa em vossos capacetes.
Não me enche o saco, rapaz.
O ano que vem já está contaminado pelo pachequismo, visível em alguns comentários daqui e na transmissão pela Band.
Será muito ruim se o Bortoleto não se descolar dessa questão nacional/reviver a era Senna, como o FG apontou.
Porque os resultados provavelmente não virão logo e como o esperado por um bando de idiotas, e algum comediante virá com “bortolento”, “bortolerdo”, “bortolesma” etc.
Acho que Bortoleto foi instruído a agir dessa forma, afinal convenhamos o Brasil e o mundo é composto por uma multidão absoluta de “Pachecos”, não que eu tenha algo contra eles. Basta ver o número de bandeiras argentinas nos autódromos com o advento Colapinto ou quando os norte americanos nos estádios de futebol, em disputas internacionais, gritam USA… USA… usando as cores de seu país e até mesmo o fervor com que os brasileiros cantam o hino nacional nos jogos da seleção.
A opinião do Flavio Gomes é bastante sensata, porém a mídia, o público não é sensato e garanto que muita gente, se não a maioria, adorou o piloto brasileiro enrolado na bandeira brasileira, usando o capacete em alusão ao Senna.
Foda-se o público. O cara tem que acelerar e ser bem-sucedido por ele mesmo e pela equipe que o contratou.
Como vc mesmo disse no seu primeiro comentário… Os resultados não virão logo… Portanto construir uma boa imagem, captar a simpatia do brasileiros ajudara em muito na época das vacas magras.
Piquet nunca teve a nossa simpatia. Comeu o pão que o diabo amassou e botou rabo antes de começar a vencer, e depois disso também. Foi tricampeão e se tornou um dos maiores da história do mesmo jeito e, mesmo com suas posturas recentes, isso é inquestionável.
Flávio Gomes é muito pessimista. Para nós, brasileiros que nunca desistimos, falta muito pouco para a estratégia de Bortoleto do Brasil dar certo. É só manter esse capacete amarelo, chegar no próximo ano com uma Sauber, debaixo de chuva, no segundo lugar do GP de Mônaco, depois em terceiro em mais duas corridas, e ser contratado de volta pela MacLaren, no ano exato que a equipe terá o melhor carro novamente. E claro, não esquecer de levantar a bandeira no carro.
o sujeito aí desperdiça tanto tempo e neurônios se intoxicando com a ideologia verde-amarelista que acaba faltando para outras atividades mais importantes, como – por exemplo – aprender a grafar o nome próprio “McLaren” ou entender qual a função da vírgula na língua portuguesa escrita.
Amigo, jura que você não percebeu a ironia do “sujeito aí”?
Na minha opinião, a cor do capacete não é problema, a questão é o discurso. Foi esse mesmo discurso que atrapalhou a carreira do Barrichello. Pois foi colocado um peso nos seus ombros, o qual ele não tinha obrigação nenhuma. A própria cobertura feita pela emissora lá nos circuitos acaba contribuindo para jogar uma responsabilidade que o gurí não precisa. Ele tem a carreira dele para fazer, o resto é consequência.
É isso mesmo!!!! Perfeito!!! Penso absolutamente do mesmo jeito que você.
Olhe, também sempre achei (e continuarei assim) um saco, desnecessário e falso o discurso patriota de Airton e seguidores. Mas não acredito que isso tenha influenciado o desempenho deles. No caso de Rubens, pra mim o que atrapalhou a carreira dele foi o fato de ter corrido contra pilotos superiores a ele tanto em talento quanto em equipamento, mesmo durante seus anos na Ferrari e em 2009.
mas não é apenas e tão somente a “cor do capacete”… ele deu pra usar o logotipo do conglomerado empresarial inventado pela tal família para “explorar a marca” e lucrar em cima da “imagem” do piloto falecido em Imola.
Ser o “herdeiro” de Senna já deu errado para o Barrichello.
Ah e esqueci de mencionar que eu acho essa do capacete mais superstição viu….e não tanta idolatria ou comparativo ao Senna. Teve uma promoção ao Senna 30 anos no GP de imola desse ano e o bortoleto usou esse capacete…não tinha um pódio até então, e emplacou dois segundos lugares…aí já sabe, piloto eh pouco supersticioso, não deve ter lavado mais o capacete depois dessa e foi até o final do. Ele sempre usou uns capacetes bem detalhistas pintados pela Infinity aqui do Brasil e não tinha menção ao Senna. Pelo menos os que me lembro
O próprio Bortoleto declarou que como o capacete com o S do Senna deu sorte resolveu continuar usando nas demais etapas.
O povo tem que parar de ser bobo e achar que já é um novo ídolo, vencedor, etc e tal. A hora que os resultados que o povo quer, não aparecerem, vão queimar ele na fogueira da Inquisição? Me lembra o que parte da imprensa e do proprio povo fez com a Fittipaldi. Wilsinho e Emerson construíram uma linda história para depois serem chamados de açucareiro. Espero que não façam o mesmo com o Gabriel, mas com esse narrador da tv do Morumbi, não duvido ele queimar o rapaz com seus berros e compara-lo a todo momento ao Senna, criando expectativas infundadas.
Concordo com essa questão do discurso que é para o Brasil…Brasil nada, ele que foi lá e fez a carreira dele…ganhou no kart, tomou pau nos primeiros anos de fórmula e depois, com carros mais rápidos (ele mesmo já disse que não se acostumou com carros mais lentos e que no salto da F3 se sentiu melhor com o carro) foi lá e ganhou tudo..sucesso pra ele e cabeça no lugar que essa torcida que ele enalteceu o vai cobrar muito quando largar de 17•
Uma das poucas coisas legais que o chofer de genocida foi a resposta dada a alguém que lhe perguntou se ele dedicaria seu tri ao Brasil:
“Que Brasil o quê, dedico para mim mesmo, fui eu que corri e trabalhei!!”
Hahaha. Sensacional.
É improvável, porém seria bom q esse texto chegasse a ele e levasse a sério os conselhos… as poucas declarações que eu vi dele eu fiquei com a mesma impressão do FG, tem uma boa cabeça, ainda assim é muito fácil ele escorregar na inevitável e certa “casca de banana” do sentimento pacheco que irá imperar a partir de agora. Nem sou especialista, mas acho q a pequena chance da carreira dele na F1 ser bem sucedida se resume a se preocupar com o básico que é pilotar, o resto é armadilha q só atrapalha no q realmente importa q é o desempenho na Pista. Se for para falar em Senna q ele fale isso para quando conquistar algo, antes é uma besteira. Boa sorte para o rapaz.
Encontrei mais alguém que acha a expressão “não é sobre” detestável. Respiro aliviado.
Ahhhh se fosse um capacete laranja escuro !!! Ai a história seria outra…..cabeca boa tem esse moleke!!! O cara se espelha no melhor da historia…qual o problema??? Hamilton fez o mesmo….teve uma carreira cheia de problemas neh??? Duro ser fa de um piloto q meia duzia gosta neh…..kkkkk
Alonso é o seu agente? Xô!
Excelente texto, espero que chegue até ele.
Belíssimo texto! Excelentes conselhos também. Abraços FG
Bom conselho Fla.
Bortoleto precisa desencarna de Senna, Bortoleto & Alonso que linda história … só falta aparecer o Briatorre nela ?!
Tô achando até que foi muito maldade esses “Bortolindo ‘, “Bortolento”, “Bortoleta ” etc do Sérgio da Band & outros (eu mesmo comentei) , aliás com todo respeito a todos, lento lento lento ela não deve ser pq senão não estaria ma F 1 né gente e lindo é uma questão de gosto e opinião .
Transmissão da Band é uma palhaçada faz tempo
Que algum amigo de verdade o faça ler esse texto. Acho que a primeira coisa que ele deve pensar antes de 2025 é: criar um capacete com a personalidade dele! Não precisa falar muito de Brasil e fãs, faz sua parte se entregando nas pistas que o resto será consequência. Quanto antes tirar esse peso, melhor. Alguém precisa lhe dizer, aqui é F1 amigo.. cada um por si… Vide a novela mexicana Russel X Verstappen. Se prepara. O mental é tudo!
escrever (e falar em) “o mental” cai na mesmíssima gaveta do “não é sobre”
O leclerc tinha quantos anos nessa foto dos campeões da F2, eu daria uns 15 anos pra ele.
Boa sorte e sucesso ao Gabriel Bortoleto.
Mandou bem pracaraleo no texto, parabens !
Tomara mesmo que não caia no canto da sereia de novo Senna.
A lucidez do texto é irritantemente perfeita.
É a vida como ela é.
O recado está dado! E não faltarão idiotas querendo distorcer o que FG está dizendo! Que Gabriel se concentre em fazer o que realmente importa: acelerar!
Parabens Flavio. Penso o mesmo. E comentei o mesmo.
Concordo com tudo que você diz no post, mas acredito que o melhor que temos a fazer a partir de agora é aceitar que será inevitável toda essa pataquada do pachequismo exacerbado (e datado). Assim, não criamos falsas esperanças nem ficamos p*tos com algo previsível (até demais).