PINTURA 4: AUDI

SÃO PAULO (chegaram chegando) – Acho muito difícil que algum carro seja mais bonito nesta temporada que o da Audi, que faz sua estreia na F-1. Isso porque está muito claro que a montadora alemã se preocupou com muito mais do que apenas entrar na categoria. Fê-lo com estilo e vai ser assim até o fim, como era em Le Mans. A Audi, tradicionalmente, se preocupa muito com detalhes. O pacote todo conta.

E esses detalhes estão, primeiro, no layout do R26, nome escolhido para o automóvel — “R” de “Racing”. A pintura é linda. O prata que vem lá dos anos 30 domina a maior parte da carenagem, então vem o corte vertical e brusco no terço final do carro para que se insiram o vermelho néon e o preto. Decoram o conjunto as argolas em vermelho e os patrocínios dispostos com elegância e discrição. Depois vêm os uniformes feitos pela adidas, que se escreve assim, mesmo, em minúsculas — a adidas faz questão que seja dessa maneira. Sóbrios e modernos, prata sobre cinza, minimalistas. Seguem os tênis personalizados para todos os membros da equipe, exclusivos para a F-1, macacões pretos com detalhes vermelhos, uma aula de design de cabo a rabo.

Claro que nada disso adianta se o carro não andar bem, mas a Audi é velha conhecida das pistas. Não entra para brincar. Planos anunciados hoje: lutar pelo título a partir de 2030. Até lá, aprender, aprender, aprender. O corpo técnico é excelente. Mattia Binotto e Jonathan Wheatley têm trabalhos sólidos na Ferrari e na Red Bull, a engenharia da marca é espetacular, a experiência com híbridos vem de Le Mans e há, principalmente, uma história por trás de tudo isso. São mais de 100 anos na estrada. A Audi é de 1909. Juntou-se à Horch — de August Horch, que fundou a Audi –, à Wanderer e à DKW para formar a Auto Union em 1932, e daí vêm as argolas. Desde a década de 60 as quatro marcas pertencem à Volkswagen, depois de breve período sob propriedade da Mercedes. Em 1965 a montadora alemã aposentou a sobrevivente DKW e ressuscitou a Audi, que estava adormecida desde antes da Segunda Guerra. Manteve as quatro argolas como seu logotipo. O último DKW, F102, deu origem ao primeiro Audi da era moderna. Eram praticamente idênticos. Foi trocado o motor dois tempos de três cilindros por um de quatro cilindros quatro tempos, desenvolvido na Mercedes. Antecessor dos motores que, anos depois, veríamos nos nossos Passat, Santana, Gol, Voyage e Parati.

É uma história e tanto. A Audi, para resumir bem, é foda.

Gabriel Bortoleto fez muitíssimo bem em apostar nesse projeto quando este se lhe apresentou. Para abraçá-lo, precisou abrir mão de uma posição até promissora de terceiro piloto da McLaren. Muita gente achou perigoso. Eu sempre disse: era o melhor caminho possível. O brasileiro não estava assinando, sei lá, com a Mahindra ou a BYD — que não têm tradição, história, vocação, DNA de competição. Era a Audi. Au-di. Quatro argolas. Gabriel tem talento e juventude e pode ficar muito, muito tempo no time. Vai ajudar a escrever uma história que — podem apostar — alcançará o objetivo traçado para 2030. Pelo mesmo motivo, no começo de 2024, falei: Carlos Sainz, hijo mio, se você tiver juízo, agora que foi chutado pela Ferrari, aceite o convite da Audi. É a Audi. Au-di.

Foi para a Williams. Não vai ganhar nada nunca.

Para Nico Hülkenberg, a Audi caiu como um presente dos céus. Estava praticamente aposentado quando foi resgatado pela Haas em 2023. Seu último campeonato completo tinha sido o de 2019. Entre 2020 e 2022 disputou quatro GPs substituindo titulares acamados. Ficaria a pé de novo quando a Haas decidiu mudar sua dupla para 2025. Mas aí as opções da Audi foram desaparecendo entre os nomes com alguma experiência e, assim, caíram quatro argolas no colo do veterano alemão. Terá uns três ou quatro anos belíssimos pela frente, entre outros motivos porque é bom piloto, sim.

Foi uma apresentação bonita, a da nova equipe. Fizeram a cerimônia em Berlim com classe e sobriedade. Os discursos foram menos entusiasmados e emocionantes do que poderiam ter sido. Esperava mais dos pilotos, inclusive. Maior reverência à marca e sua história, por exemplo. Especialmente por parte de Hulk, que é alemão e sabe do que se trata aquela estrutura toda. Mas aí é apenas uma impressão pessoal de quem conhece muito bem o passado da empresa de Ingolstadt. Talvez eu esteja romantizando um pouco as coisas.

Seja como for, o lançamento da Audi era o mais esperado do ano e não decepcionou. Teve uma grandiosidade que me pareceu proporcional ao momento, que é efetivamente histórico. Afinal, a marca que dominou os Grand Prix nos anos 30, a era pré-Fórmula 1, finalmente chegou à categoria da qual foi precursora. E levou mais de 75 anos para que isso acontecesse.

Uma apresentação, claro, bem mais relevante que a da Cadillac, a outra equipe estreante de 2026. Um arremedo de equipe, diga-se, que só existe porque sacanearam Michal Andretti e alguém percebeu que poderia ser um negócio lucrativo. O lançamento oficial do time dar-se-á no intervalo do Superbowl, em 9 de fevereiro. É a cara dos EUA, este país lamentável: relegar um time de F-1 à mesma condição de um comercial de maionese Hellmann’s, Doritos ou Budweiser.

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Markonikov
Markonikov
4 meses atrás

Digo mais: acho que é uma das pinturas mais bonitas da História da categoria!

Victor
Victor
4 meses atrás

No X a garotada detestou. Pra mim é a pintura mais bonita do ano, ainda mais depois de ter visto a Ferrari calva.

Maxwell
Maxwell
4 meses atrás

Discordo do Autor do blog. Se fosse todo preto e vermelho como na traseira, ou todo prateado, só com preto e vermelho no topo, ficaria bem melhor.

Mas gosto é gosto.

Danilo
Danilo
4 meses atrás

Como é o meu primeiro comentário esse ano, desejo a todos um 2026 com muita saúde, o resto cabe a nós irmos à luta.

O nobre escriba é suspeito ao falar sobre a Audi, por bons motivos é claro, e justamente pela História e relevância dela que eu torço muito que o projeto na F1 seja bem sucedido, independente se será com o nosso Bortoleto. A F1 traz grandes riscos até para grandes marcas do automobilismo, mas prefiro me apegar ao absurdo que eles fizeram no WEC. Resultados positivos agradam os acionistas e isso é importante para que não seja uma aventura de voo de galinha.

Max PS
Max PS
4 meses atrás

Acho que faltou uma transição mais interessante do grafismo da parte frontal para a traseira. O grafismo da Audi no WEC era lindo.

Carlos
Carlos
4 meses atrás

Concordo com tudo o que foi dito sobre a AUDI. E que carro lindo. Achei de muito bom gosto a adequação dos patrocínios à pintura. Torcendo demais por essa equipe

Marcus
Marcus
4 meses atrás

A Audi para mim só poderia ser alcançada pela BMW. Seria lindo se ela voltasse à F1.

Cansado
Cansado
4 meses atrás

Não sei se Sainz vai ganhar algo mas a Williams vai, eventualmente. James Vowles não deve ser subestimado.

Mário Epifanio
Mário Epifanio
4 meses atrás

Rapaz, a Audi realmente é aquela sua “marca do coração” né FG? A minha é, se me permite dizer, a Alfa Romeo.
Meu irmão que foi hipnotizado pela marca quando meu pai nos levou para o “Salão do Automóvel e Auto Peças” (tinha auto peças no meio) de 1994 e a Audi levou o AVUS. Nada mais importava, todo resto perdeu a graça, esse garoto repetia Audi, Audi… por uns 2 meses.
Ele guardou o poster desse carro que ganhamos lá mesmo por mais de 20 anos.
Audi é F&¨%$ ele sempre diz isso.

Sebastian Koerk
Sebastian Koerk
4 meses atrás

AUDI deve chegar chegando, já mostrando resultados sólidos. Pra Hullckemberg tudo que vier é lucro e penso que serão os melhores dias dele na F1, ele pode surpreender positivamente, e o bello Bortoletto tem muito futuro mas não sabemos que futuro será, mas sorte ele teve com essa oportunidade na AUDI.

Marcelo
Marcelo
4 meses atrás

O capacete do Hulk ficou muito bonito….

Sergio Reis (Não é aquele)
Sergio Reis (Não é aquele)
4 meses atrás

Que texto lindo, não sei como as empresas não contratam o Flavinho, lamentável. Parabéns!!!

Sergio Reis (Não é aquele)
Sergio Reis (Não é aquele)
Reply to  Flavio Gomes
4 meses atrás

Uma rede Globo, por exemplo, ou um grande canal de esportes…

Carlos Jose Pimenta Franco
Carlos Jose Pimenta Franco
4 meses atrás

Fi-lo porque qui-lo, rsrsrs.

OZZMAIR
OZZMAIR
4 meses atrás

O carro é bonito mesmo, mas a Mercedes manda bem também…

Jeferson Araújo Pereira
Jeferson Araújo Pereira
4 meses atrás

Gabriel Bortoleto já está no Livro dos Recordes: seu capacete tem o maior número de patrocínios da história da F1.

José A. Matelli
José A. Matelli
4 meses atrás

Fê-lo com estilo (…)”
“(…) quando este se lhe apresentou.”
“O lançamento oficial do time dar-se-á (…)”

FG dando um chute nos fundilhos da IA com classe e fidalguia.

ROGERIO
ROGERIO
4 meses atrás

Está mesmo lindão!

Carlos Frederico Pereira da Silva Gama
4 meses atrás

Borboletas, Borboletes, Borboletos do pais dos 7X1 para a Alemanha,

Era uma vez uma equipe de F1 sediada nos Alpes Suicos.

Um dia, uma grande marca alema com pedigree impecavel no automobilismo comprou o Toblerone.

Colocou seus motores, nome e uma pilha de dinheiro no carro de F1.

A equipe suica que transicionou para alema venceu apenas 1 GP.

Cinco anos depois, a beira da falencia, a ex-equipe suica que transicionou para alema deixou de ser alema e transicionou de novo para a terra do Fondue.

Gracas ao talento e ao dindim pagante de um piloto pacheco como vosotros, a equipe suica escapou da falencia e continuou a ser figurante no grid da F1.

Moral da Historia: vosotros estao vendo a Historia acontecer, nao uma profecia miguxos.

Ja houve um fracasso alemao na historia da Sauber.

A campeonissima BMW levou o time suico a lugar nenhum.

Felipe Nasr salvou o time suico do fim (como Checo fez com a Force India).

Bortoleto fez bem ao trocar a Invencivel Papaya Bicampea Mundial pelo risco?

Veremos, miguxos e miguxas e miguxes. Enquanto isso, vosotros vao torcer para nosso lento Borto.

Mesmo largando segundos atras das Invenciveis Papayas que ele perdeu.

Mesmo levando 7X1 do Incrivel Hulk

Esse sim, esta no lucro.

Cinco anos atras, era piloto substituto chamado quando o COVID-19 aparecia.

Hulk tirou a sorte grande e continuou na F1, ganhou seu podio. Futuro = lucro.

Cinco anos atras, Max Verstappen tinha “0” titulos mundiais (alo alo MASI).

Lewis Mimimi (aquele, da Beyonce, do ex-canino querido, do ano sem podio na Ferrari humilhado pelo Monegato) era chamado de G.O.A.T.

O Brasil era governado pelo chefe da OCRIM de 8/1/23. A Venezuela, Nicolas Maduro, para alegria do MST e PSOL. Os EUA, Joe Biden (acreditem).

A menos que vosotros acreditem nas patacoadas e fake news de Bananinhas, Flavios, Nikolas, Malafaias e quejandos, o futuro e incerto e o fim e sempre proximo como dizia Jim Morrisson, miguxos.

2030 nao depende das mas ou boas intencoes de vosotros. Ou da Audi.

Ou de ninguem.

Ah sim. O carro.

Meio Mercedes. Meio McLaren.

O que aconteceria se o Novorizontino resolvesse adotar um distintivo meio Curintia, meio Parmera?

Seria com certeza uma bela porcaria.

Beijos no Valtteri Cadillac!

Tempo, senhor da Ilusao.

Markonikov
Markonikov

Nossa, dá ban nesse cidadão, poupe-nos de tanta abobrinha antes do campeonato começar….

Romero
Romero
4 meses atrás

A língua portuguesa é maravilhosa. É muito agradável quando bem aproveitada.

Antonio Fernando
Antonio Fernando
Reply to  Romero
4 meses atrás

Nossa língua é muito bonita mesmo. Sou um fã incondicional dela.

Antonio Fernando
Antonio Fernando
4 meses atrás

Gostei! E não duvido que eles alcancem mesmo esse objetivo. Talvez até antes.