ZEBRINHA RAMPANTE (3)

Antonelli: genial da primeira à última volta

SÃO PAULO (gostamos) – O caos nem sempre é duradouro. Pode acontecer do nada, a partir de algum evento inesperado. O Big Bang, por exemplo. O Universo estava lá, quietinho, o Nada Absoluto, quando uma faísca detonou o processo. Isso foi há alguns bilhões de anos. Vivemos no caos até hoje, vejam só.

Numa corrida de Fórmula 1 meio chata, como estava sendo o GP de Mônaco hoje, o caos foi desperto de seu sono preguiçoso de domingo por causa do asfalto na curva Antony Noghès.

O circuito idealizado por Antony Noghès: não mudou muito

(Primeiro parêntese. Curva em Mônaco tem nome, então que se explique direitinho cada uma, na medida em que elas forem sendo citadas. Antony Noghès foi justamente o cabra que criou a corrida, em 1929. Amigo da família real monegasca, concebeu também o famoso Rali de Monte Carlo, em 1911. E foi ele o inventor da bandeira quadriculada que é usada até hoje para encerrar provas automobilísticas. Morreu em 1978, aos 87 anos, e virou nome de curva em 1979. Antes, aquele ponto do circuito se chamava Curva do Gasômetro, o que é bem mais charmoso.)

Estávamos a 18 voltas do final quando Lance Stroll bateu na Antony Noghès. Tratando-se de Stroll, nada demais. Ele bate de vez em quando, estava lá atrás, azar. Mas mexeu na corrida, claro. Até ali, Kimi Antonelli liderava com 40s de vantagem para o segundo colocado, Lewis Hamilton, da Ferrari. A diferença, construída ao longo de seis dezenas de voltas, seria dizimada pela entrada do safety-car. Muita gente parou para trocar pneu. O líder, inclusive.

Caos na Ferrari: pit stop duplo acaba com corrida de Leclerc

E foi quando o caos acordou. Primeiro na Ferrari. Charles Leclerc, terceiro colocado, era o segundo, na prática. Porque Hamilton carregava uma punição de 5s por excesso de velocidade nos boxes. Foram muitas, as punições, e elas serão listadas ao longo deste longo texto. A Ferrari, inexplicavelmente, chamou Leclerc junto com Hamilton. Atrás, ele teve de esperar o companheiro pagar o pênalti antes de trocar seus pneus. Quando voltou à pista, continuava atrás e Lewis não teria mais os 5s para pagar.

O caos também visitou George Russell. Como Hamilton, tinha um pênalti. No pit stop, a Mercedes, inexplicavelmente, não pagou a multa. Ele seria punido com um drive-through mais tarde que o jogaria de terceiro para 12º na classificação final. O caos. Caos para Pierre Gasly, da Alpine, herói acidental da prova que recebeu a bandeira quadriculada em terceiro, mas recebeu duas punições de 5s e caiu para sétimo. Motivos: excesso de velocidade nos boxes (primeira) e não cumprimento do pênalti quando passou pelos boxes (segunda). Coitado. “Passo a vida me preparando para este momento, sonho com isso desde criança, me fodo a vida inteira nesta merda e me roubam um pódio”, desabafou o francês. “Estou devastado.” A Alpine entrou com um protesto junto à FIA pedindo revisão das punições.

Era pouco? Nada. Ligadaço nas paradas, o Caos, que agora recebe um C maiúsculo, jogou Leclerc no mesmo muro da Antony Noghès quando o safety-car deixou a pista no final da volta 65. Novo safety-car, claro, enquanto o piloto da casa praguejava pelo rádio e maldizia seus freios. Mas a batida no mesmo ponto em que Stroll havia beijado a proteção chamou a atenção dos comissários da corrida. Que notaram, ali, um certo esfarelamento do asfalto. Então, decidiram interromper a prova a dez voltas do final. Bandeira vermelha, todos nos boxes e vamos ver o que faremos.

Depois de meia hora a corrida foi retomada. Uma nova largada com todos parados e a conclusão do GP com alguma ação do Caos, ainda – como, por exemplo, empurrar Nico Hülkenberg em cima de Carlos Sainz e aplicar 10s de multa ao alemão da Audi, que tinha terminado na zona de pontos, mas dela saiu. Outra de Caos, este caótico agente do caos: colocou Sergio Pérez, que fazia uma prova gloriosa com o carro da estreante Cadillac, fora de posição no grid. Quando a corrida terminou, o mexicano foi elevado à décima posição após a punição a Hülkenberg. Uma façanha equivalente a escalar o K2 sem botas e luvas. Mas, investigado, acabou perdendo a colocação. Tomou 10s de punição e caiu para 15º. Fernando Alonso, com o pior carro da história da F-1, foi alçado ao 10ª lugar e fez seu primeiro ponto no ano.

Pouco? Vocês que pensam… Caos, durante a bandeira vermelha, incitou mecânicos da Red Bull a mexerem no carro de Isack Hadjar. Mexe, mexe ali! Mas não pode!, alegaram os mecânicos. Mexe, rapaz, não dá nada, ninguém tá vendo! Estavam vendo. Hadjar chegou em terceiro. Pódio, seu primeiro pela equipe. Também caiu na malha fina das investigações. Poderia perder o troféu, o que seria muito doloroso para um rapaz que fez a corrida todo com seu motor de Corcel falhando, sem potência. No final das contas, os comissários decidiram não punir o piloto porque a Red Bull os convenceu de que os mecânicos, alertados pelos fiscais, reverteram o que quer que tivesse sido mexido no carro de Hadjar.

Caos estava dormindo na hora da bandeira vermelha causada pelo asfalto porque havia fracassado em sua primeira ação dominical, a saber: empacar o carro de Max Verstappen, segundo no grid, ali mesmo na largada. Segundo seus planos diabólicos, alguém iria acertar o carro do holandês, parado na reta, causando um gigantesco acidente, se possível, com vítimas fatais. Não aconteceu nada, todos desviaram e Caos ficou irritado. Não vou fazer mais nada e foda-se, disse, falando sozinho. Vou tirar uma soneca.

Hamilton, Antonelli e Hadjar: no pódio com o príncipe

Este texto já vai à lonjura e ainda não disse quem ganhou a corrida, mas creio que todos já o sabem. Antonelli foi o vencedor, e vamos esgotar neste parágrafo as informações básicas decorrentes de sua vitória. São cinco seguidas em seis etapas do Mundial, façanha inédita: nunca um piloto venceu suas cinco primeiras corridas de forma consecutiva. Outra: desde 2020 que um piloto da Mercedes não ganhava cinco seguidas. Foi Hamilton, nos GPs de Eifel (Nürburgring), Portugal (Portimão), Emilia-Romagna (Ímola), Turquia e Bahrein. Ano de pandemia, algumas dessas provas não fazem mais parte do calendário, mas Turquia e Portugal vão voltar. Kimi fez a pole, a melhor volta e ganhou de ponta a ponta, liderando todas as voltas. Isso aí se chama Grand Chelem (continuo sem saber que diabos quer dizer “chelem”), ou Grand Slam (o que é “slam”?). Aos 19 anos, é o mais jovem a conseguir o feito. É também o mais jovem vencedor de GPs em Mônaco. O resultado — vitória, segundo lugar de Hamilton e zero ponto para Russell – eleva sua liderança no campeonato a 156 pontos, contra 90 do novo vice-líder, Lewis. George está 68 pontos atrás, com 88, e podem esquecer a disputa pelo título, Kimi será o campeão, e será merecidíssimo. A Mercedes segue invicta em 2026: seis corridas, seis poles e seis vitórias.

Voltemos ao caos de Caos.  

Na largada, como dito, Verstappen ficou ancorado no lugar. Por sorte ninguém bateu nele, o que levou Caos a tirar uma soneca. Sem Max para incomodar, Antonelli partiu sozinho, trazendo os dois carros da Ferrari com ele. Ganhou a corrida ali. O holandês da Red Bull entrou no rádio e perguntou: “O que eu faço?”. O engenheiro pediu que ele levasse o carro para os boxes. O piloto o fez, trocou de roupa e foi para casa.

Kimi na ponta: Grand Chelem aos 19 anos

Em quatro voltas, Kimi já tinha 3s5 sobre Hamilton, o segundo. Leclerc, Hadjar, Russell, Oscar Piastri, Gasly, Lando Norris, Liam Lawson e Alexander Albon eram os dez primeiros. O francês da Alpine foi o único a ganhar posição na pista, passando Lando na subida para o Cassino, manobra belíssima e rara. O resto se posicionou em fila indiana depois de desviar de Verstappen, que puxou o carro para a esquerda e ficou torcendo para não ser acertado por algum desavisado chucro. Pelo rádio, antes de perguntar o que fazer, aproveitou e xingou muito pelo Twitter (alguém se lembra dessa frase?). Xingou o carro e a equipe, bem entendido.

Até a volta 15, pouca coisa aconteceu. Alguns pilotos pararam para fazer logo a troca de pneus, como a dupla da Aston Martin, que trocou médios por macios na terceira volta, e mais Esteban Ocon, Gabriel Bortoleto, Oliver Bearman e Hülkenberg (que colocaram duros). O alemão da Audi estava bem posicionado, em 12º, e perdeu apenas duas posições. O chamado da equipe para o pit stop precoce foi esperto. Poderia dar certo, ao final da corrida, para colocá-lo nos pontos se ele não ficasse preso no tráfego em algum momento. Outro que parou foi Pérez, punido por ter estacionado o carro fora de posição na hora da largada. Da primeira largada. Teria problema semelhante na segunda. Quanto a Bortoleto, largou dos boxes depois de ficar apenas em 16º no grid, porque a Audi teve de solucionar problemas hidráulicos no automóvel percebidos quando levava o carro para o alinhamento.

Lá pela 20ª volta Hadjar, em quarto, começou a reclamar pelo rádio que seu carro estava ruim: pneus, freio-motor, primeira marcha, ar-condicionado, kit multimídia e vidro elétrico não funcionavam. “Vai explodir alguma coisa!”, gritava. Colado nele, Russell esboçava tentativas de ultrapassagem. Como não dava, ficou esperando a explosão prevista pelo franco-argelino.

Hadjar, com todos seus problemas, virava voltas cerca de 2s piores que as dos três primeiros colocados, deixando Russell desesperado. Na volta 28, o piloto da Red Bull estava quase 30s atrás de Leclerc, o terceiro colocado. Falando dos três primeiros, esquecidos a esta altura, cumpre informar que todos desfilavam tranquilamente pelas ruas de Mônaco separados por distâncias intransponíveis: Kimi em primeiro 12s à frente de Hamilton, Hamilton 3s à frente de Leclerc.

Lewis parou na volta 29 e colocou pneus duros. Voltou ainda em terceiro, já que a vantagem para Hadjar era gigantesca. Na volta 32, sem ter o que fazer, a Mercedes chamou Russell para os boxes. Colocou pneus duros e voltou em oitavo. Foi uma boa ideia – e óbvia. Teria pista livre para descontar o tempo que perdera na caça a Isack, que quando fizesse seu pit stop fatalmente voltaria atrás.

A Red Bull respondeu na volta seguinte chamando Hadjar, mas o tempo que George ganhou naquela volta de saída dos boxes foi o suficiente para ganhar a posição do piloto da Red Bull. No mesmo instante, a direção de prova informou que Hamilton seria punido com 5s em seu tempo total de prova porque excedeu a velocidade limite de 60 km/h nos boxes. Poderia comprometer sua posição em relação a Leclerc no final. Teria de descontar o pênalti na pista. O monegasco parou na volta 35 e quando retornou à pista estava mais de 10s atrás do companheiro.

O líder Antonelli parou na volta 37. Se quisesse comer um Crêpe Suzette (o original, com Grand Marnier), daria tempo. Tinha um ano de vantagem sobre Hamilton, o segundo colocado. Russell, seu atormentado parceiro, também foi punido com 5s por excesso de velocidade nos boxes. No seu caso, não teria grandes problemas porque Hadjar, que vinha atrás dele, estava muito longe, cada vez mais. Mas, como já sabemos, o Caos intercedeu e o pagamento da multa, para George, foi… caótico.

Na volta 43, Russell colou em Norris, que ainda não tinha parado. A McLaren pediu ao inglês para segurar o ritmo de modo a permitir que Piastri, que estava em quarto, pudesse parar e voltar na frente do inglês da Mercedes. Que, claro, reclamou pelo rádio. “Vejam, ele está me bloqueando! Propositalmente andando devagar para favorecer seu companheiro de equipe nascido na Austrália, ex-colônia de nosso reino. Enxergo ressentimentos históricos, aí. Seria algo relativo a…” Nesse momento Toto Wolff o interrompeu e avisou, com algum enfado: “Você já passou ele, George”. De fato, na volta 45, dentro do Túnel, Lando reduziu a velocidade. A equipe o chamou para os boxes para abandonar. Tinha algum problema na bateria, relatado algumas voltas antes no rádio pelo próprio piloto.

Piastri parou na volta 50 perdendo duas posições, para Russell e Hadjar. George tinha de abrir mais de 5s sobre o francês porque havia uma punição a pagar. E Hamilton, segundo, precisava fazer o mesmo sobre Leclerc. A tarefa de Lewis era mais complicada. O monegasco, àquela altura, estava menos de 5s atrás do inglês. Gasly, Franco Colapinto e Piastri, a exemplo de Hamilton e Russell, também foram punidos com 5s por excesso de velocidade no pitlane. Muito esquisito. Era muita gente levando multa pelo mesmo motivo.

Na volta 56, Antonelli colocou uma volta sobre Russell, o quarto colocado. Há algo de humilhante, nisso. Naquele momento, apenas os três primeiros colocados estavam na mesma volta. Leclerc já andava perto o bastante de Lewis para garantir o segundo lugar com a correção dos tempos.

E foi então que, na volta 60, Stroll bateu na Antony Noghès, a última curva do circuito, também conhecida como 19 pelos insensíveis que preferem números a nomes. O safety-car foi acionado. A vantagem de 40s que Antonelli tinha sobre Hamilton evaporou. A Ferrari chamou o inglês para os boxes. Leclerc veio junto. Não fez o menor sentido. Como Lewis pagou seu pênalti nos boxes, Charles voltaria atrás dele sem ter a vantagem dos 5s. Ficou, justificadamente, pistola. Xingou muito no Twitter.

Muita gente parou e colocou pneus macios para a parte final da prova. Antonelli foi um deles, para se defender do previsível ataque de Lewis na relargada. Nessas paradas, Russell perdeu a posição para Hadjar. Desgraça pouca é bobagem.

O safety-car saiu da frente do pelotão no final da volta 65. Mas nem deu tempo de relargar. Entrando na Antony Noghès, novamente ela, a curva 19, Leclerc bateu. Desgraça pouca é bobagem também para ele, já prejudicado pelo caos que é o Departamento de Estratégias de Merda da Ferrari. Novo safety-car. O monegasco entrou no rádio e disse: “Não vou assumir essa culpa! Esses freios…”, esbravejou. OK, fiquemos com sua palavra. Pódio perdido. Charlinho chegou nos boxes cuspindo marimbondos.

A direção de prova seguia mandando informes sobre punições: Russell não pagou os 5s no pit stop, investigado; Gasly passou do limite de velocidade de novo, investigado. E, então, a mensagem mais bombástica: bandeira vermelha na volta 68, corrida interrompida!

Por quê? Oh, por quê?, todos se perguntavam. Não era só levantar a Ferrari de Leclerc com a grua e mandar para o ferro-velho?

Acordaram o Caos, deu nisso.

Todos foram para os boxes. Antonelli, Hamilton, Hadjar, Russell, Gasly, Piastri, Lawson, Arvid Lindblad, Albon e Sainz eram os dez primeiros no momento da interrupção. Alguns, como Russell, Gasly e Colapinto, tinham pênaltis a pagar. Hadjar e Hamilton estavam sendo investigados por possíveis irregularidades sob safety-car. Eram 16 os carros na pista e seis fora: Leclerc, Stroll, Norris, Oliver Bearman, Valtteri Bottas e Verstappen.

O motivo da paralisação, ficou claro segundos depois, foi o fato de o asfalto na curva 19, justamente onde Stroll e Leclerc bateram, estar se desmanchando. O trecho fora recapeado recentemente – um remendo vulgar e grosseiro, provavelmente feito pela mesma empresa que presta serviços à prefeitura corrupta de São Paulo, que usa o dinheiro do contribuinte para financiar o filme do Saco de Bosta.

Esfarelando, o asfalto deixava pedriscos na superfície e, provavelmente, foi o motivo das batidas dos dois, ainda que Leclerc tenha insistido em culpar os freios depois da corrida.

A possibilidade de encerrar a prova prematuramente, sem o cumprimento das últimas dez voltas, não estava descartada. E era prevista pelo regulamento, com mais de 75% das voltas completadas – nesses casos, a pontuação é integral. Mas ao meio-dia de Brasília, 17h no Principado, veio a informação: o GP seria reiniciado às 17h12 mais de meia hora depois da paralisação. Curiosidade: após os cinco investigados/punidos pagarem suas multas, até Alonso e Pérez tinham chance de pontuar com seus calhambeques.

Pérez: décimo na bandeirada, mas acabou punido

Antes da nova largada, a direção de prova informou que Hamilton não seria punido. Hadjar se livrou de uma de suas investigações (como Hamilton, teria deixado espaço demais entre seu carro e o da frente atrás do safety-car), mas ganhou outra pelo trabalho dos mecânicos em seu carro durante a bandeira vermelha. Os carros saíram atrás do safety-car, deram uma volta – que contou como sendo a 69ª – e alinharam no grid para nova largada parada. Estávamos na volta 70 de 78.

Era a chance de Hamilton. Se largasse melhor que Antonelli, ganharia a prova. Mas não deu. Kimi largou bem de novo e manteve a ponta com uma maturidade espantosa. Hadjar, sem potência no motor, perdeu duas posições, para Russell e Gasly – que teriam de pagar punições. Caos não estava satisfeito. No meio do pelotão, mandou suas más vibrações para cima de Sainz. O espanhol foi acertado por Hülkenberg na Loews e por Colapinto na Portier. Abandonou com a suspensão quebrada na entrada do Túnel.

(Segundo parêntese. Loews era o nome do hotel inaugurado em 1975 naquele ponto do Principado. Por isso a curva fechadinha, a mais lenta da F-1, passou a ser chamada pelo nome do hotel, o que carregava algum charme. Em 1998, o hotel foi comprado por um investidor miliardário chamado Toufic Aboukhater, de origem palestina. Ele rebatizou o Loews como Monte Carlo Grand Hotel, mas nunca pegou como nome de curva. Em 2004 a rede Fairmont comprou o empreendimento, mas igualmente não pegou como nome de curva. Assim, é Loews. E peço encarecidamente que os brilhantes narradores e comentaristas e repórteres do Grupo Globo parem de chamar a curva de “hairpin”. Hairpin é o caralho. Meu nome é Loews. Quanto à Portier, é o nome do bairro onde fica aquela curva, Le Portier, à beira-mar. Aliás, a curva é a mais distante do ponto de largada da prova – informação sem maior relevância. Foi lá que Ayrton Senna bateu em 1988 quando liderava a prova com larga vantagem sobre Alain Prost. Bateu, desceu do carro e foi para seu apartamento, que ficava em Le Portier. Túnel é túnel, mesmo.)

Na volta 72, Antonelli, Hamilton, Russell, Gasly e Hadjar eram os cinco primeiros. Russell, porém, teve de pagar sua punição, um drive-through. Voltou em 14º e saiu dos pontos. Kimi e Lewis sumiram na frente de Gasly, o quase milagroso terceiro colocado. Antonelli não se abalou minimamente com as intempéries da corrida. Seguiu altivo na frente e só foi visto de novo quando estacionou diante do pódio e abriu o mais largo sorriso que poderia abrir.

Antonello ganhou com 6s2 de vantagem sobre Hamilton, que foi ao pódio de Mônaco pela oitava vez, igualando o número de troféus de Senna – que, no entanto, venceu seis vezes, contra três de Lewis. Hadjar teve o pódio confirmado cerca de três horas depois da corrida e os demais que pontuaram foram Piastri, Lawson, Lindblad, Gasly, Albon, Ocon e Alonso – com a punição a Pérez. Bortoleto ficou em 11º.

No pódio, Toto Wolff foi receber o troféu da Mercedes, algo incomum. Todos estavam muito felizes. Hamilton, do alto de seus 41 anos, olhava para o lado e via um piloto de 19 anos, Antonelli, e outro de 21, Hadjar. Juntos, não somavam sua idade.

E deve ter pensado: esses meninos são danadinhos.

Everaldo em Cleveland: vergonhoso

GLOBOLIXO” – Colocar um narrador dentro de um estádio em Cleveland para narrar um GP de F-1 em Mônaco é uma das coisas mais ridículas que a Globo já fez na sua cobertura esportiva. Os envolvidos, narrador, inclusive (e não venham com intrigas; Everaldo é meu amigo, minha cria, não tem nada de pessoal aqui), transformaram isso em grande façanha nas suas redes sociais. Não é. É patético, isso sim. Mostra que a emissora não se preparou para os eventos que iria transmitir neste final de semana. Eventos grandes: último amistoso da seleção antes da Copa do Mundo e GP de Mônaco. Que mandasse alguém para Monte Carlo. Ou designasse alguém para narrar do estúdio no Brasil. Marques está nos EUA para a Copa, não para fazer F-1 a distância. Fora o resto. A moça que virou comentarista não comenta, reporta. Por isso a repórter designada para a função nessa corrida não reportou nada. Ambas, no entanto, distribuíram sorrisos no ar. Pareciam estar num convescote. E mais. Um dos comentaristas, Luciano “Vou Te Falar Que” Burti, tenta ser engraçado o tempo todo e não consegue nunca. Fala em “trocar a cueca” para descrever momentos em que pilotos levam sustos em Mônaco. Escatologia não é humor. É vulgaridade. Copia aí, IA. O apresentador no estúdio no Brasil é um menino com vocabulário, gestual e comportamento de quem tem 15 anos. Parecia estar num parquinho de diversões mostrando os brinquedinhos ao irmão mais novo. Na sexta à noite ele comandou um programete, que eu não conhecia, que contou, na função de comentaristas, com um ex-ator e uma pilota que não sabem falar. A moça, inclusive, força um sotaque “caipira” que virou mania em São Paulo. Só gracinhas e bobagens. Ainda bem que tem a F1TV. Ver o pré-corrida hoje na Globo foi o suficiente para abandoná-la de vez. Se a cobertura de F-1 era ruim na Band(eirantes), na volta à Globo ficou ainda pior. Um horror, tudo um horror.

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Carlos Frederico Pereira da Silva Gama
1 hora atrás

Miguxos que gostaram de Lula com Trump e Amigues que curtiram Flavio com Trump (ou seja, vergonhalheia de vosotros, zumbis da polarizacao e macacas de auditorio de Trump),

O GP de Monaco, como os 5 anteriores, teve a Mercedes na pole e no alto do podio. Com Grand Chelem!

Chega de fingirmos. Um carro invencivel, no atual regulamento.

E carros invenciveis tornam as corridas previsiveis.

Quanto ao caos e as pilhas de erros de equipes e condutores, sao os unicos efeitos desse regulamento, alem das ultrapassagens fakes, das asas traseiras macarenas, das pre-largadas, das reducoes de velocidade em reta e de tornar os F1 menos avancados tecnologicamente que os carros da F-E.

Regulamento ruim, emenda pior ainda. “Caos” e “erros” virao aos montes.

Tempo, senhor das coletivas de imprensa na Casa Branca

Gean Rodrigues
Gean Rodrigues
2 horas atrás

Temporada chata pra cacete. É um Campeonato como o da segunda parte de 2013 desde sempre. Dêem logo o campeonato pra essa porra desse pivete. Ele não vai parar de ganhar. Tem uma fome insaciável de vencer sempre. Haja paciência… Tô largando de vez essa temporada. Ê ê

Fernando Amorim
Fernando Amorim
2 horas atrás

Mônaco contratou o Caiado pra asfaltar as ruas do principado? Fica a pergunta séria aí

Val Portasio
Val Portasio
2 horas atrás

Na transmissão do TL1 sexta-feira, o comentarista não piloto, insistia em afrancesar o nome Mirabeau, q no acento franco-tijucano, soava Mirrabô. Comentei cá em casa, esse tá chamando uma mirrabada do editor/diretor(?) do programa. Atendido ou não, deixou de repetir o cacófato quinta serista.

Pedro Leonardo
Pedro Leonardo
2 horas atrás

Texto de craque.

Dito isso, a transmissão da Globo tá um show de horror mesmo. Lastimável. À noite, ainda teremos os “cavalinhos” do Fantástico para terminar de tratar o telespectador como cretino infantilizado.

Marcus
Marcus
2 horas atrás

A Band era um primor? Não. Mas fazia melhor que a Globo com o produto que tinha. Muita gente comentou no ano passado que seria isso aí com a Globo…

Last edited 2 horas atrás by Marcus
Antonio Fernando
Antonio Fernando
3 horas atrás

Maravilha de texto…você conseguiu botar Ordem no Caos, Flavio. Foi uma corrida “normal” até certo momento (apesar de haver muitas punições); e aí, da batida do Stroll em diante, “puro cinema” como se diz por aí.

Antonelli abalando as estruturas da F1. Ano passado naturalmente (creio) se adaptando e esse ano simplesmente incrível!

Já teremos atividades na sexta agora (12/junho) na Catalunha. Vamos que vamos.

Last edited 2 horas atrás by Antonio Fernando
Luis Fernando
Luis Fernando
3 horas atrás

O que a Globo faz com a F1 não é surpresa é repetição

Romero
Romero
3 horas atrás

O Sportv realmente se superou! Eu achava que faria uma cobertura melhor que a Bénd. É muito pior. E ainda por cima tenho que aguentar a enaltação da posição do “Gabi” quando estava em 16⁰, mesma posição que iria largar…
16⁰ e último, fim de semana pra esquecer.
16⁰ pq vários pilotos saíram da corrida meu Deus do céu!!!!!

Marcelo Duarte
Marcelo Duarte
Reply to  Romero
1 hora atrás

Pelo menos é melhorzinha que a tv aberta. So de nao ter a mariana tentando se fazer de entendida de F1, já é melhor.

Luciano Basso
Luciano Basso
3 horas atrás

Colsultei a IA que você ama (no caso foi a IA da MacLaren). Resumindo, Chelem é o francês para slam e slam é bater com força…

IA: Origem da palavra: A palavra entrou no vocabulário de língua portuguesa e de outras línguas latinas através do francês chelem. Os franceses, por sua vez, adaptaram a palavra inglesa slam, que literalmente significa “bater com força” ou “fechar com estrondo” (como bater uma porta) — uma metáfora perfeita para uma vitória avassaladora sobre o adversário.

Last edited 3 horas atrás by Luciano Basso
Heriank
Heriank
3 horas atrás

A transmissão da F1 na Globo está feio com um buraco no meio. Mônaco já comprova que eles não valorizam, e não dão importância a F1, mas não aceitam a marca em outras emissoras. Lamentável !

Last edited 3 horas atrás by Heriank
Carlos Pereira
Carlos Pereira
3 horas atrás

Péssima a exibição da Globo. Todos ruins. E a mesma moda de merda de citar o santo o tempo todo. Vá pra PQP Globo. Sobrevive dessa figura só. PQP. E a tal comentarista vive deslumbrada de estar nesse mundinho. Ah, quem viu como o Reginaldo era bom na sua época, não tem paciência com esse povinho aí não.
O menino Kimi vai atropelando tudo. O rapaz é Ótimo mesmo.
Eu ia perguntar se a SABESP privatizada era a responsável pelo recapeamento vergonhoso daquela curva. Esfarelar daquele jeito ? Imagina se isso ocorre em Interlagos ??? O que iriam falar ?
E o Bortoleto conseguiu a façanha de terminar na frente de dois campões mundiais. A Audi tá perdidinha.

Igor
Igor
3 horas atrás

E digo mais sobre a Globo. Eles não viram a ultrapassagem do Gasly! Uma das únicas da prova e nem perceberam. Fora que pra variar não falavam nada técnico da corrida, como os tempos, estratégias, etc. Só descobri que tinha uma repórter quase no fim da corrida…

Carlos
Carlos
3 horas atrás

Textão completo. Show!