PATRIOTÁRIOS (8)

CAPITAL PAULISTA (mais um…) – Eu já não caio mais no conto do novo autódromo do Rio para comprar projetos e planos como se fossem fatos consumados. Mas é preciso registrar determinadas notícias. E, dependendo de sua origem, a gente pode torcer para dar certo ou, simplesmente, alertar o distinto público de que é conversa fiada.
Foi o caso de Deodoro, que vocês devem se lembrar. Lá pelos idos de 2019, o tosco eleito presidente apareceu no Rio ao lado do ex-governador Wilson Witzel (que foi cassado) e do pastor Marcelo Crivella (prefeito à época, deputado atualmente) para “anunciar” que no ano seguinte a F-1 seria disputada num autódromo que seria construído numa área do Exército na Floresta do Camboatá. Falou, o belzebu, que a F-1 ia sair do Brasil, mas que depois de sua eleição a categoria mudou de ideia ao perceber que o país voltaria a ser próspero e impoluto. Disse um monte de mentiras, como de hábito. Junto ao sinistro trio de políticos havia um sujeito de alcunha JR que se declarava empresário e estaria à frente da iniciativa. As obras, prometeu o prefeito-pastor, começariam em 45 dias.
Não havia NADA de regular ou factível naquele disparate. Para começar, tinha a questão ambiental — que o estrupício simplesmente ignorou. Depois, era terreno minado para treinamentos militares, o que elevaria os custos das obras imensamente — já que poderiam morrer operários a cada cinco minutos se não fosse feita uma caríssima descontaminação do local. Não havia nenhuma pista de onde sairia o dinheiro para fazer cem metros de asfalto, que fosse. Era, tudo, uma gigantesca farsa que o tinhoso resolveu jogar no ventilador para espezinhar o governador de São Paulo, João Doria, de quem havia se afastado politicamente.
Mesmo assim, foi constituída uma empresa de nome chique (MotorPark, acho) e, além da F-1, os envolvidos anunciaram também a realização de uma etapa da MotoGP, outra da Indy, motociatas e carreatas, quiçá uma edição das 24 Horas de Le Mans. Eu morava no Rio, na época. A imprensa local, especialmente, encampou a ideia sem questionar nada e manchetou: F-1 está fora de São Paulo e volta no ano que vem.
Essa história de fazer um autódromo naquela região da cidade era velha, tinha começado em 2010 (encontrei registros antigos no blog). Em 2013, publiquei uma nota aqui com o título “A mentira de Deodoro”, baseado em documentos revelados pelo Américo Teixeira Jr. Anos depois, o ser imundo fez seu anúncio, em 8 de maio de 2019 — hoje ele resta em sua casa vomitando e soluçando enquanto aguarda para saber em qual cela será preso. No mesmo dia, escrevi aqui: “Jair, Wilson e Marcelo mentem”. Não vou dizer que fui voz isolada, mas no meio especializado posso, sim, afirmar que ninguém falou com tanta clareza do que se tratava aquele desatino: uma mentira.
Foi preciso que algumas entidades cariocas se mexessem para brecar aquela insanidade, e o veto das autoridades ambientais à destruição da floresta acabou sendo determinante para que o projeto morresse, embora estivesse muito claro que a picaretagem não prosperaria de jeito nenhum. Mesmo assim, até o bigodudo da Liberty, cujo nome me foge, posou para fotos sorridente ao lado do satanás um mês depois — peço perdão por publicar as fotos abaixo, mas é que não podemos nos esquecer de certos momentos da história recente do Brasil.


Recentemente veio à tona um novo projeto de autódromo para o Rio, e desde já aviso: sou totalmente a favor de uma pista na cidade desde o infame assassinato de Jacarepaguá. Ah, mas por que era contra Deodoro? Eu não era contra Deodoro. Eu era contra a destruição de uma floresta, era contra a mentira de políticos filhos da puta, era contra o que se mostrava claramente uma farsa.
E chegamos, finalmente, a Guaratiba. Aquela imagem lá em cima foi divulgada hoje no Rio na Cidade das Artes. A apresentação foi feita pelo prefeito bossa nova Eduardo Paes junto com os empresários que estão à frente do projeto. Guaratiba também não nasceu hoje, já se fala nessa região para construir um autódromo desde 2015. Em janeiro deste ano, na minha newsletter, escrevi sobre o assunto. Pelo que li hoje, a ideia é começar as obras no primeiro semestre de 2026 e, quem sabe, pleitear uma corrida de F-1 em 2029. Fala-se num investimento de R$ 1,3 bilhão e em dois anos para a construção. Entre os envolvidos está a turma que faz o Rock in Rio. Nesse terreno, em 2013, o papa Francisco deveria ter rezado uma missa para fechar a Jornada Mundial da Juventude, mas uma tempestade acabou alagando tudo e o evento foi transferido para Copacabana.
Na mídia carioca, o mesmo erro de Deodoro está sendo cometido neste instante: comprar o projeto como se fossem favas contadas. “O complexo ficará” no lugar tal e “terá capacidade para 120 mil pessoas”, diz o G1, da Globo. Crianças, cuidado com os tempos verbais. Usar o futuro do presente nesses enunciados é dar como certo que um vídeo e uma animação de computador se transformarão em realidade num estalar de dedos. Calma. O que o Rio fez hoje foi apresentar com alguns detalhes o que ainda é um projeto. Serão necessárias licenças ambientais, levantar o dinheiro, viabilizar o empreendimento.
A diferença para Deodoro, porém, é claríssima. Quem apresentou o projeto, para começo de conversa, sabe usar talheres. Não estava ladeado por um parvo que deixou como legado político o conceito de “mirar na cabecinha”, nem por um pastor lunático, muito menos por um dono de loja de chocolate amigo de milicianos. Os empresários são… empresários, e não um obscuro empreendedor de alcunha “Queimadinho” em seu estado natal. E segundo todos os presentes na apresentação, o projeto é privado. A Prefeitura não entra com dinheiro.
O que quero dizer é que Guaratiba pode sair, sim, e seria ótimo. Adoraria ver o GP do Brasil (quando é que vão acabar com essa bobagem de GP de São Paulo?) sendo disputado em revezamento com o Rio. Ou, quem sabe, duas corridas aqui. Se os EUA podem ter três GPs, por que não?
Guaratiba fica longe pra cacete, é quase vizinho de Itaquera, mas é Rio de Janeiro. Em que pesem todas suas mazelas, é um lugar que não pode ficar sem automobilismo. É o que penso.
Por isso, vou torcer silenciosamente por Guaratiba.
Defendo fazer um autódromo no Rio idêntico ao traçado de Jacarepaguá. Deveriam fazer uma cópia da antiga pista, que achava excelente, e merece um novo local. Algo para quem construir um novo circuito pensar na ideia. Outro ponto interessante é pensar em um revezamento Rio e São Paulo, para manter duas pistas boas e desafiadoras no calendário.
Flávio, gosto de ler o que escreve, sempre faz sentido. Mas dessa vez tem muitos riscos e muita logística para viabilizar. Você falou da licença ambiental, ali é um parque que separa da muvuca dos morros de Mangaratiba, licença vai ser muuuito difícil. E que de certo!!!!, como vai ser a logística da cheda e saída do bando de equipes? onde vão hospedar? vão passar ao lado dos morros todos os dias? E o público vai ficar acampado os 3 dias ou vão ficar fazendo o bate volta dando moleza pro morro? Bom é verdade o morro pode ser sócio.
Pelos corres da vida, fazia tempo que não o lia… Li. E valeu cada linha! Esse é o Flávio que admiramos e recomendamos, é ou não é turma?
“O projeto é privado” me faz lembrar o Ricardo Teixeira dizendo que a Copa do Mundo não teria dinheiro público.
Flavio, ano que vem teremos MotoGP em Goiânia. Conversando com uma amiga de lá, ela comentou que eles querem levar a F1 tbm. Você acredita nesse projeto?
Claro que não.
Ri muito dos adjetivos:
Tinhoso, estrupício, tosco eleito, belzebu, ser imundo, satanás.
Na foto com o bigodudo, ainda apareceu o Mister Rachad Inha.
Mais fácil o Corinthians pagar suas dívidas do que esse autódromo do errejota sair do papel.
Apesar da comodidade de ter o GP no nosso quintal, seria bacana um rodízio com o Rio e uma utopia maravilhosa os dois autódromos no calendário. A família dona do Rock in Rio de fato passa mais credibilidade, porém esse discurso de que será um projeto privado me faz crer que ou esta se contando uma mentira para aplacar críticas ou o projeto esta morto. Pelo que já li de pessoas que entendem mais do que eu, a conta de sediar um GP só fecha se tiver incentivo publico ou forte interesse privado sem preocupação com prejuízos – RB na Áustria e Liberty nos EUA – e isso tendo como ponto de partida um autódromo já construído.
Eu não vejo problema no Estado fomentar eventos privados, desde que haja um retorno para a sociedade, seja cultural, de desenvolvimento de uma região ou o alegado aumento da arrecadação tributária que ocorre em razão da realização do evento. O que enche o saco é não dizer a real e perder a oportunidade de jogar luz em algumas ignorâncias.
O projeto do autódromo é privado. Não de um eventual GP de F-1.
O bigodudo parece o boneco do Monopoly
Eduardo Paes é da base. Lance normal, segue o jogo!
Parabéns pelo texto, seria ótimo ter um GP no Rio e concordo com você,, seria o GP Brasil no Rio e o de Sampa poderia ser GP São Paulo mesmo. Esta e uma cidade meio bairrista mesmo. Mas vamos aguardar.
Hoje o comentário é sem copydesk. Mais uma espetacular pérola da lavra do mais brilhante e mais notável escriba lusófono que já palmilhou estas searas!!
É GP de São Paulo pq, diante a safadeza do nojento ex presidente, o prefeito de SP bancou o GP com dinheiro da cidade e promoveu o evento. Pq dar o nome do país se o presidente queria tirar o GP daqui? Os Eua não tem o GP de Las Vegas? Miami? Pq não pode ter o GP de São Paulo? Ainda mais q é o contribuinte paulista q acaba arcando e todo dia aparece um estado querendo tirar o GP daqui? Tinha q ser o GP Paulista de F1 e no mesmo fim de semana do paulista de automobilismo.
Pq vc não cita que o autódromo de Jacarepaguá foi dizimado para dar lugar a instalações da olimpíada do Rio? onde o governo (já que vc gosta tanto de falar de governos, ops.. só quando lhe interessa) criou instalações super faturadas que hoje estão jogadas ás moscas! uma mina de corrupção, que neste caso vc prefere se calar….
Eis um jegue relinchando. Também temos por aqui.
Bem, se o evento era do Rio, são obviamente o governo municipal e estadual que deveriam ser escrutinados (além das próprias Olimpíadas modernas, evento apropriado culturalmente por um machista e racista, de atual propagandismo de países terroristas com seus atletas dopadaços). Sugiro ao epitetado ‘jegue relinchante’ (jegues não zurram, escriba?) e ao bando de bots trazido a reboque do aplicativo fascista de mensagens instantâneas para positivarem teu comentário (e negativarem o meu, imagino, como se eu me importasse) enviarem o juiz Marreco, certamente um ídolo, para investigar essa tal ‘mina de cupção’ (de qual jornalão você aprendeu essa?)…
Falando em criminosos, lembro do escriba desenvolvendo um certo otimismo nos primeiros anos da gestão pós-Bernie, que palpito terem sido sepultados exatamente com a foto acima. Aliás, essa tendência de firmar GPs em locais ainda sem um metro sequer de asfalto posto representa bem o que virou a F1 do século XXI…
Chasey Carey, o bigodudo, creio (sem consultar o Googlo, claro).
Excelente o esclarecimento valeu Flávio!
Cerca de uma decada atras, o filosofo Ronaldo Fenomeno dizia que o Brasil “precisa de estadios, nao de hospitais”.
Depois de uma pandemia em que 700.000 patriotas foram dizimados pela inepcia do chefe da OCRIM de 8/1/23, para nosotros a frase soa muy ofensiva.
Nas vesperas da COP-30, o Brasil nao precisa de novos autodromos.
Os que foram construidos sem dindim para agradar o Careca do INSS ou os Faria Limers do PCC nao estao recebendo ofertas de sediar F1 ou MotoGP.
A torneira de dinheiro publico no Rio continua a jorrar, assim como o sangue nas comunidades…
Make Brasil Great Again
👏🏻👏🏻👏🏻
Uma prova de F1 no RJ vai ser matadora, com certeza. Imagino a cara dos executivos ouvindo “vamos ali no mato ver o terreno”.
deixando de lado o autódromo do Rio por hora, eu tenho certeza de que um desgraçado soluçar o dia inteiro é castigo divino