O “CHOCOLATEGATE” | Blog do Flavio Gomes | F1, Automobilismo e Esporte em geral
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quarta-feira, 4 de julho de 2018 - 12:36F-1

O “CHOCOLATEGATE”

MOSCOU (se fosse um Lindt, talvez…) – Claro que não foi o episódio do chocolate que determinou a demissão de Éric Boullier, anunciada hoje pela McLaren. Mas também não há dúvidas sobre o que a História relatará num futuro remoto, porque a versão é sempre melhor que a realidade: o sujeito perdeu o cargo numa das maiores equipes da F-1 porque deu de recompensa para funcionários que ralaram feito loucos uns chocolates sórdidos e medíocres.

Boullier, na verdade, sai porque nada tem dado certo no time, e alguém tem de ser crucificado. Mas não foi culpa dele a assinatura do contrato com a Honda, que empacou a equipe por três anos. E também não é ele quem desenha os carros, nem o responsável pelas decisões estratégicas do grupo depois da saída de Ron Dennis.

Não estou aqui defendendo ninguém, por óbvio. Nem conheço Boullier e as boas referências que se tem dele remetem aos anos de Lotus preta, quando surgiu no mundinho da categoria como quadro emergente e promissor. Fato é que a McLaren, sim, está meio desorientada. Falei disso em vídeo recente no “GP às 10″. O comando ianque de Zack Brown parece um tanto… americano demais.

E essa percepção se reforça com a contratação de Gil de Ferran para o cargo. Brasileiro nascido na França, Gil fez a vida na América, como se diz. É um baita cara, sujeito sensacional de enorme competência e piloto com histórico fantástico. A proximidade que conquistou com Alonso no ano passado, escolhido que foi para ser tutor do espanhol em Indianápolis, foi decisiva para que se chegasse a seu nome para a função.

Talvez tenha sido o primeiro acerto real de Brown, ainda que pautado por sua “americanice”. Porque se Gil é americano automobilisticamente falando, carrega também vasta experiência dos anos que passou na Europa e conhece o melhor de cada um desses mundos do esporte a motor. Vai transformar a McLaren de novo numa equipe vencedora? Sozinho, claro que não. Mas que vai ajudar a colocar as coisas no lugar, vai. É o tipo de cara que já trabalhou diretamente com mecânicos, engenheiros, gente do chão de fábrica. Jamais daria a eles chocolates de prêmio.

E Alonso o ama.

boullierdemitido

53 comentários

  1. Ricardo disse:

    Alonso desagrega até time de botão.

    Mas a McLaren e Williams sofrendo dos mesmos problemas é sinal de que não é apenas gestão apenas(embora seja uma das causas)… é mesmo falta de acesso a recursos de grandes montadoras, ou uma fonte forte de recursos(como a Red Bull tem).

    Pra completar, a Williams mantém um incompetente como Stroll. com dois daquele, afunda de vez.

    a F1 atual vai ficar apenas pra grandes fábricas.

    os garagistas não vão durar muito.

  2. Alfredo disse:

    Vamos começar pelo começo (genial): Gil já esteve na F1. E não deu em nada, como diretor esportivo da BAR/Honda não conseguiu nenhum resultado. Saiu pelas portas do fundo.
    Boulier sempre falou mais do que fez. Levou sorte na Lotus e foi o maior responsável pelo fim da equipe preta quando tentou empurrar goela abaixo que um tal vigarista chamado Mansoor Ijaz iria salvar a equipe.
    Zack é outro que não tem a mínima a competência pra tocar o time. Se sustenta na mesma lenga-lenga do Boulier e se apoia no espanhol que é seu único trunfo, o que já demonstra que não tem nenhum trunfo.
    A equipe tá tão perdida que descobriram só agora, que as peças do ano passado e retrasado dão melhores resultados que as “atualizações”. Imagina a qualidade técnica dessa gente, que ainda reclama de ganhar chocolate barato.
    Como eu sou torcedor de carteirinha do espano. Torço muito que ele permaneça por bastante tempo pela McLaren. Alegra meus domingos!!!

  3. Chupez Alonso disse:

    Por que ultimamente, quando se entra nesse blog, automáticamente a página é direcionada para o site do Grande Prêmio?

  4. Maikon Marcom disse:

    Boa sorte Gil De Ferran nessa nova empreitada.
    Se 2018 não temos motivos para torcer para pilotos brasileiros, vamos continuar torcendo para a McLaren que é o Brasil na F1 não só por causa da parceiria com o produto Lubrax ( ou será que ninguém vé no bico dos carros laranjinhas) e agora por Gil De Ferran. Espero ver um pódio de Fernando Alonso nos Estados Unidos ou até mesmo no Brasil. Imagina a repercussão que não seria. Vou torcer para que Gil possa colocar um brasileiro no carro 2 da equipe. Se a McLaren pretende andar na Indy manda o belga pra equipe Foyt Chevrolet andar junto com o Matheus e o Tony Kanaan la nos Estados Unidos para ir se acostumando com a Indy.
    Emerson Fittipaldi tava vendo vaga para o Preito mas eu não sei se estaria bem para guiar uma McLaren depois do acidente que teve com ele em SPA. Pietro é um grande piloto espero que consiga.

  5. Bob disse:

    Na época da Honda diziam que o chassi era ótimo, com os atuais motores Renault e chassi adaptado não funcionou direito. Vamos ver o modelo de 2019, agora sem o Tim Goss (responsável pelo departamento de chassi), e com o Peter Prodromou e Matt Morris entendendo melhor o motor Renault. Andrea Stella e Gil de Ferran vão atuar em conjunto para dar fluidez as soluções que se fizerem necessárias, portanto só ano que vem para ver o que vai dar essa mexida .

  6. Paulo F. disse:

    Praga poderosa do Ron Dennis.
    Mandaram o cara embora com uma mão na frente outra atrás.
    Dennis devia comprar a Force India só para tripudiar em cima da McLaren rs!!!!

  7. William disse:

    Se a nova gestão não der certo, podemos dizer que o Gil se Ferran?

  8. Wanderson Marçal disse:

    Nessa vou discordar muito de você, caro Gomes. O problema da McLaren passa longe de qualquer americanice do Zak Brown. O cara assumiu ontem. O grande problema da McLaren se chama… Ron Dennis. Exatamente. Tudo que está aí é herança das misérias que ele fez. Inclusive o seu Éric Boullier, que é conhecido no meio da F1 por ter subido na vida por ser pau mandado. Foi para a McLaren por indicação de quem? Ron Dennis. O próprio quando começou a entrar em atrito com a direção majoritária e tratou de colocar um capacho.

    E vamos fazer aqui uma pequena retrospectiva do legado do seu Ron Dennis desde seu último acerto, a parceria com a Mercedes lá nos 90: começo dos anos 2000 perdeu o maior projetista da categoria, Adrian Newey, por pura vaidade do seu Dennis, que ainda saiu insinuando que carros quebravam demais por conta do projetista. Ali pela metade dos 2000s investiu mais em motorhome que no desenvolvimento dos carros. Viu-se envolvido num escândalo e não soube apaziguar as coisas. Conseguiu o feito de perder o campeonato mais ganho de todos em 2007. Conseguiu o grande feito de com a Mercedes, sendo a equipe com maior orçamento muitas vezes, ganhar 3 míseros campeonatos (sendo que em dois deles, 99 e 2008, só o de pilotos). Em 2009 quando a Mercedes quis ampliar sua participação, ele rejeitou e aí os tedescos foram comprar a Brawn GP. Em 2011 brigou com a Mercedes. Ficou anos até conseguir um acordo com outra montadora. Não conseguiu para o primeiro ano de mudança de regulamento, que seria o ideal. A equipe ficou anos sem patrocinadores master. Ficou anos com duplas de piloto inconsistentes. A parceria com a Honda foi toda costurada pelo seu Ron Dennis, bem como a “reconstrução” da equipe técnica. O resultado? Da ponta para o fim do grid.

    Não foi à toa que ele foi chutado mesmo sendo um ícone. Ele pode ser carismático e o escambau, mas suas decisões recentes foram desastrosas. Absolutamente. Culpar o Zak Brown por isso, que assumiu em 2017 e pegou o bonde andando, e sugerir que o problema é uma gestão americana (cabe lembrar que toda a equipe de trabalho da F1 continua atuando em Woking, sob direção européia e, o principal, com projetistas e direção indicada pela última reestruturação em 2014-15 sob o comando de Ron Dennis) porque fizeram aparições em Indianápolis não condiz como as coisas aconteceram. Se a McLaren quebrar ano que vem, a culpa continuará sendo do Ron Dennis. Não fosse o seu Dennis, os campeonatos faturados pela Mercedes com equipe própria de 2014 pra cá teriam sido vencidos por quem e com quem? McLaren com Hamilton. Tão simples quanto isso.

    • Bob disse:

      Rapaz !!! O que o Ron Dennis fez com você???

    • McLaren-12 disse:

      Tão simples quanto um texto sonolento de 500 linhas…

    • moisesimoes disse:

      - É bem isso que penso mas não tive tempo de escrever. Brown também está tentando explicar coisas que a galera confunde: de que automobilismo não é apenas F1, e a McLaren não foi e não é, em sua história, apenas F1: uma alternativa pra quem não vê, por enquanto, uma luz no fim do túnel. Outro ponto que passa despercebido é o fato de que a F1, com esse formato que favorece montadoras, não tem sido interessante do ponto de vista da competição para a McLaren, restando poucas estratégicas e alternativas pra quem saiu recentemente frustrada de um grande projeto com a Honda e tinha fechado as portas para ninguém menos que a própria Mercedes. Eles sabem que uma McLaren-Mercedes, uma McLaren-Renault ou McLaren-caralho-a-quatro-Tag-Heuer, nunca será uma Mercedes-Benz ou uma Ferrari. O “agora podemos lutar” significa “agora podemos lutar, talvez, pelo décimo lugar”.

      Também duvido que Ron Dennis estaria conversando com algo relacionado às 500 milhas, muito menos liberando piloto pra disputar corrida em oval americano. Gil de Ferran, se não for a salvação da equipe (e de fato , não é), é a peça chave para os planos da McLaren na F1 e na Indy. E deve ter um termômetro mais sensível pra alinhar os pensamentos e planos da equipe com Alonso e vice-versa. Para o bem ou para mal, a equipe estando atrelada aos planos de Alonso ou não, lança uma incógnita ainda mais emblemática e preocupante sobre o futuro da equipe.

  9. clodoaldo lelli disse:

    o cara viveu ate agora do sucessinho que a lotus do kimi fez mas na mclaren era um zero a esquerda enquanto o ron denis estava lá era ele que mandava com a saida do ron simplesmente não tinha a menor ideia de onde estava e oque foi fazer lá vão falar um pouco dele nesse fim de semana de gp já no proximo ninguem vai lembar mais

  10. Luciano Adjuto disse:

    Flávio Gomes, o Alonso se amarrou no Gil! O cara nas 500 andou muito e o Gil teve papel primordial dando-lhe dicas de como andar naquele circuito, pena que o motor abriu o bico. E na Austria, o Gil colocou o bico e o fundo do carro de 2016 e deu certo, pois no final os pneus não criaram bolhas como em outros carros.

  11. Nick B disse:

    Fla, meu bombom Godiva.

    Sabe dizer se o chocolate era 70% cacau?

    Bitocas.

    Nick B
    (Dire Straits, Sultains of Swing)

  12. Celio ferreira disse:

    Alguma coisa tinha que ser feita..sobrou pro cara do chocolate .Gil pega o bonde
    andando …melhoras acho que só o ano que vem..

  13. Paulo Fonseca disse:

    Prezado F&G : O início dos problemas da Equipe Mclaren, foi em razão de uma briga de acionistas investidores , com o CEO Ron Dennis, com o afastamento de Ron Dennis, a Mclaren,não soube buscar no mercado automobilístico, um profissional gabaritado para seguir o rumo com a conquista de novos títulos e vitórias. O prejuízo foi enorme para a turma de Woking-Inglaterra ( sede da Mclaren). Sua avaliação foi extremamente competente com relação à Gil de Ferran. A equipe necessita buscar, um profissional nos moldes de Teddy Mayer , conhecedor das pistas e das oficinas.
    Gil de Ferran, vai apertar os parafusos soltos, vai agregar tecnologia de ponta
    ( Engenheiros da fábrica), pilotos de testes , com os profissionais de pista.

  14. Garlet disse:

    Ferran ser amigo do Alonso foi uma feliz coincidência não.

  15. Lagerbeer disse:

    “Se fosse Lindt …. ” kkkkkk…. grande FG !!! Prefiro chocolates Pan ! Rs.. e quem lembra dos chocates Sonksen ? Só rico conseguia comprar …

  16. Plinio disse:

    Como mero espectador, vejo que toda vez que um carro nasce mal na F1 a equipe fica em polvorosa. Justo, afinal são milhões envolvidos. No caso da Mclaren, depois de três anos culpando a Honda a ficha caiu. Sobra pra alguém sempre. Não que a saída do rapaz seja injusta. Ao contrário. Mas, é difícil retomar o caminho das conquistas. Tomara que mudança não seja, principalmente, para agradar Alonso. Equipe de F1 jamais pode ser refém de piloto. Se está claro que, pra vencer, é preciso um piloto competente, também está que piloto nenhum arruma carro mal nascido.

  17. Ricardo Bigliazzi disse:

    Não era essa pecinha que atrapalhava. Basta perguntar ao Kimi se o cidadão é competente.

    A Mclarem como a Williams andam de mãos dadas, ao meu ver com os mesmos problemas (dado que as duas equipes possuem motores de F-1, partilham dos mesmos problemas, todos, sem exceção)

  18. Toni Righi disse:

    O estilo gaulês de “motivar equipes” é coisa do outro mundo. Conheço bem pessoas que trabalham ou trabalharam em área de engenharia na fábrica da Renault Brasil. Nunca vi em outra grande multinacional clima organizacional tão ruim. Os funcionários não são motivados a trabalhar felizes. Parece que os franceses fazem questão de que seja ao contrário.

  19. Alberto disse:

    Será se agora vai? Provavelmente Alonso pode renovar o seu contrato por mais um ano. Gil de Ferran deve saber lidar com o egocentrismo de Alonso e extrair o que ele tem de melhor. Se esta teoria fluir e a Mclaren acertar um chassi que case bem com o motor Renault, a F1 com certeza ira agradecer.

  20. Zempa disse:

    É como se recompensasse funcionários com um Sonho de Valsa no Brasil.

    Que chefinho feladaputa…

  21. Antonio Vieira disse:

    Olá Flávio.

    Esta saída já era mais que esperada. Desde a volta com com Honda e a consequente queda da equipe e a continuação dos maus resultados com a Renault, era questão de tempo a saída de Boullier.

    Agora fiquei pensando: não foi uma cartada esta saída para a continuação do Alonso na McLaren? Será que o Briatore estará voltando a F1 em parceria com Alonso e Renault, antigos parceiros nos títulos mundiais de 2005 e 2006? Além disso, Briatore sempre elogio seu pupilo. Esta dupla daria uma agitada na F1. É esperar os próximos passos.

  22. César Lima disse:

    Pelo jeito o ‘genro’ Vandoorne também! ;)

  23. Fernando Monteiro disse:

    A McLaren está mais para uma equipe de F Indy perdida no mundo da F1 do que propriamente uma equipe de F1. Acho que a Williams e a McLaren tendem a desaparecer da F1, afinal estamos no século XXI e as coisas não são mais como foram em outrora. Vejo a F1 indo por um caminho perigoso, pois está alicerçada somente em três equipes fortes – Mercedes, Ferrari e Red Bull -. A Renault assim que perceber que não ganhará mais nada vai pular fora, afinal não se rasga dinheiro por aí. É notório que não há harmonia entra as equipes e o corpo dirigente. Uma coisa é lhe dar com equipes de corridas outra bem diferente é lhe dar com fabricantes. A grande categoria que a F1 foi um dia não se repetirá.

  24. MARCELO JOSE DALBELLES disse:

    Mais uma etapa da DesRonDenização da McLaren e mais um passo a sua Alonsização

  25. Airton Silva disse:

    O fato de Gil ser casado com uma inglesa também ajuda.

  26. Fernando Chen disse:

    É o começo de uma mexida ás pressas pra ver se conseguem segurar o espanhol. Embora seja chato para muitos e insuportável para outros tantos, a equipe, neste momento, não tem piloto melhor para contratar, pois ao que parece dos atuais pilotos os top já estão acertados e os outros não chegam nem perto do talento do Alonso.

  27. Ricardo disse:

    Isso se não tiver o dedo de Alonso nessa história também.

  28. Paulo Pinto disse:

    Cabeças sempre rolam quando as coisas vão mal. Natural e óbvio, mas nem sempre funciona, principalmente quando erram a cabeça…

  29. Tiago Abreu disse:

    Flávio, boa tarde.

    já tivemos outros brasileiros com tal função em equipes de ponta, como McLaren, seja na F-1 ou outra categoria?

  30. Alexandre disse:

    Se o Boullier ñ tem culpa do contrato de motores, então é o R. Dennis o responsável, certo? Pergunto pq já teve leitor inocentando R. Dennis pela crise atual da McLaren.

    • Wanderson Marçal disse:

      Toda a crise atual da McLaren é culpa do Ron Dennis. A gestão atual tem zero de culpa. Pegaram uma bomba no colo e tão tentando contornar da melhor forma possível. A primeira ação correta foi se livrar da Honda, parceria desastrosa arquitetada pelo Dennis. E é só olhar a pontuação da McLaren no campeonato: mais pontos em 2018 que em todos os anos de parceria com os japoneses.

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