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terça-feira, 3 de julho de 2018 - 20:18Arquitetura & urbanismo

PARABÉNS À FORD

MOSCOU (e nem é aniversário) – Talvez vocês tenham percebido que vira e mexe pinga aqui, praticamente na íntegra, algum press-release da Ford. Explico. Primeiro, o departamento de imprensa da montadora tem feito um ótimo trabalho. Vivem mandando coisas interessantes, nunca deixam de registrar datas importantes (outro dia mesmo foram os 50 anos do Corcel; agora o Escort faz 35, acho que devem preparar algo) e os textos são claros, bem escritos e informativos. Melhor: eles mandam e não ficam enchendo o saco para publicar nada. Fazem bem seu trabalho.

Segundo, se não faço o mesmo com material de outras montadoras isso acontece pelo simples fato de que elas não me mandam nada. Meu nome não está no mailing de fábrica nenhuma. E olha que no Brasil tem Fiat, VW, GM, Honda, Toyota, Audi, Renault, Citroën-Peugeot, Kia, Hyundai, Mini, BMW, Mercedes, Land Rover, Jeep e a porra toda. Sendo justo, abriram uma loja de superesportivos McLaren outro dia e eles têm me mandado material muito bom.

Mas é problema delas. Sem falsa modéstia, mais de 30 anos no ramo deveriam ser suficientes para as assessorias de imprensa se lembrarem da minha existência. Quando não pelos meus belos olhos azuis, ao menos porque este blog — que em dezembro completa 13 anos — é vinculado ao maior site de automobilismo do mundo em língua portuguesa e ambos têm uma audiência das mais qualificadas. Os assessores de imprensa da indústria automobilística nacional, exceção feita à Ford — e agora à McLaren –, são bem ruinzinhos, é o que concluo. Mas puxam o saco de youtubers e “influencers” como ninguém.

Feio o desabafo — na verdade um desagravo, ninguém tem obrigação de me mandar press-releases, se não mandam devem ter seus motivos, talvez seja porque eu só gosto de Lada e DKW –, segue notícia das mais bacanas que a Ford mandou. Trata-se do resgate de um dos prédios mais espetaculares de Detroit, que aos poucos vai deixando de ser uma cidade-fantasma:

A Ford adquiriu um dos edifícios mais famosos de Detroit, a Estação Central de Michigan, no bairro de Corktown, para transformá-lo em um centro de inovação voltado ao desenvolvimento de carros elétricos e conectados e futuras soluções de mobilidade. O prédio histórico, que serviu como estação de trem de 1913 a 1988, será totalmente remodelado para abrigar escritórios modernos da Ford e seus parceiros, além de lojas, restaurantes e residências.
Com uma área total de cerca de 112 mil metros quadrados, o local deve atrair talentos do setor de alta tecnologia e se transformar em uma atração regional, incluindo vias e estacionamentos inteligentes e conectados. A empresa planeja ter cerca de 2.500 empregados no novo centro até 2022, havendo também espaço para outros 2.500 funcionários de parceiros e outros negócios.
“A Estação Central de Michigan é um lugar que conta a história de Detroit no último século”, disse Bill Ford, presidente executivo da empresa. “Nós, da Ford, queremos ajudar a escrever o próximo capítulo trabalhando juntos em Corktown com as melhores startups, os principais talentos e engenheiros e inovadores que enxergam as coisas de maneira diferente para moldar o futuro da mobilidade.”
Segundo Jim Hackett, presidente e CEO da Ford, o local será o campo de provas onde a empresa e seus parceiros vão projetar e testar os serviços e soluções de mobilidade do futuro. “Será o tipo de campus onde a economia emergente vai prosperar, um ecossistema colaborativo de empresas, educadores, investidores e inovadores”, disse. “É onde nossa equipe vai viver e trabalhar como parte da comunidade, ao lado dos consumidores e vizinhos cujas vidas estamos tentando melhorar.”
Quando foi inaugurada, em 1913, a Estação Central de Michigan era a ferroviária mais alta do mundo e um símbolo da pujança da cidade, com pisos de mármore, lustres de bronze e colunas de estilo grego. As salas de espera tinham decoração inspirada nos banheiros públicos da Roma Antiga. Antes do início das obras, a Ford organizou um programa de visitas públicas para os moradores poderem ver pela última vez o seu formato original.
Além da estação, a empresa também comprou o antigo depósito de livros das escolas públicas de Detroit, um terreno de 2 hectares, as instalações de uma antiga metalúrgica e uma fábrica restaurada em Corktown que agora abriga as equipes de desenvolvimento de veículos elétricos e autônomos da marca.

Sério, parabéns à Ford de novo. Noto que é uma empresa que está olhando para a frente em tudo — recentemente fez um acordo com a Deutsche Bahn para fabricar bicicletas! E recuperar um dos símbolos da cidade que fez dela a potência que é me parece um sinal de comprometimento com a comunidade, seu país e, sobretudo, com a história.

Ah, para ficar bem claro… Minha única relação com a Ford se resume a um Corcel II 1979  e a um XR3 1989. Além do desejo de uma Belina, que um dia acrescentaremos ao acervo. Ainda estou na dúvida se uma das antiguinhas, uma Belina II ou ainda uma Scala. Gosto de peruas.

17 comentários

  1. mario aquino disse:

    Em compensação está deixando o Brasil.

  2. Diego Ximenes disse:

    Flávio, meu pai está querendo vender uma Belina II 1989, relíquia de família, te mandei um email, abs

  3. ricardo disse:

    a Ford percebeu que o negócio dela é transporte, não apenas fabricação de carros e caminhões a combustível fóssil.

    se não abrir o leque, afunda.

  4. Mucio Lopes disse:

    Tenho “quase” certeza que o motivo de não receberes os release é por causa do brinquinho na orelha. kkkkkk…………

  5. Altair disse:

    Não tenho certeza, mas no estacionamento onde guardo meu carro aqui no Canindé tem uma Belina I sob uma lona.

  6. Anderson disse:

    Voto na Del Rey Scala Ouro!

  7. Paulo Leite disse:

    Iniciativa muito legal da empresa, está de parabens. Mas uma iniciativa recente da Ford que me deixou cabisbaixo, acabar com carros de passeio, Corcel, Ka, Fiesta, concentrar apenas no horror do SUV. É uma desgraça. Mas eu continuarei dirigindo minha Bellina 2003 em Vancouver, Canada, enquanto a Amazon continuar me suprindo com peças de reposição. Abraços.

  8. Muito bom! Admiro quando alguma empresa se preocupa com história. Espero que essa visão também se demonstre na filial brasileira, especialmente agora quando se fala na eventual desmobilização da fábrica de São Bernardo do Campo.
    Meu Landau (feito no Ipiranga, sei disso) e meu Maverick GT agradecem.

  9. Meu avô, Sud Mennucci (1892-1948), do qual sou biógrafo, era alucinado por Henry Ford e pela Ford. Os únicos carros que ele teve em vida eram Ford (não por coincidência, nem eventualmente por preços) e ele usava em seus textos o Sr. Ford constantemente.

  10. Roberto Mota disse:

    Meus avós tinham uma Belina GLX 1987 azul,completinha, comprada zero na J. Oduque veículos, em Itabuna (pesquise a história de José Oduque, Flavinho. O cara é uma figura. Já passou dos 90 anos e ainda hoje dirige seu Del Rey pelas ruas itabunenses). Após a morte dos mesmos, meu primo Murillo herdou o carro, levando consigo para Brasília. Infelizmente o neófito vendeu a “berlinda”, como carinhosamente chamávamos, para comprar um ônix. Até hoje eu fico sentido…enfim, sugiro uma dessas para sua magnífica coleção….Abraços.

  11. Tulio disse:

    Achei muito bacana, também. Minha única birra com a Ford foi a decisão de matar de repente quase todos os seus carros, incluindo vários com uma história enorme, como o Fiesta.

  12. Wilian Esteveas disse:

    Falta a Ford dar um destino mais digno à Fordlândia que, se não me engano, fica no Pará. Ainda que não seja utilizada para o mesmo fim para o qual foi criada, seria um ótimo lugar para visitação turística. Não sei se há demanda por isso, mas que seria muito legal, seria.

  13. Cenzi disse:

    Um grande amigo do meu pai, há uns 20 anos, ganhou uma Belina I em uma rifa. Ele era vendedor de frios (queijos, presuntos, etc) em Curitiba e usava a “Bela” para trabalhar. Desconfio que ele ainda a tenha, vou até perguntar ao meu velho.

  14. Paulo Torres disse:

    Bela iniciativa.
    O prédio estava abandonado e, foi contemplado com vitrais novos, para colocar em prática a “teoria de regeneração urbana”. Parece que deu certo.
    Agora, vai se tornar um centro de desenvolvimento e um (novo, ou novamente) ícone de Detroit.
    Também, excelente a percepção da Ford em abrir o prédio para uma “última vista” dos moradores ao local, em sua forma original.

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