Os brinquedos do Nasser

SÃO PAULO (palmas que ele merece) – Roberto Nasser é um dos maiores, senão o maior, especialistas em história da indústria automobilística brasileira. E ele não se limita ao academicismo. Além de ter uma biblioteca inacreditável em Basília, mantém um museu cujo acervo é quase todo dele e salva carros da extinção. Foi assim com o Onça, foi assim com o recém-restaurado Democrata.

Fiquei feliz ao receber as fotos do encontro de Araxá. O Democrata ficou pronto. Carro que vi, no final do ano, em estado de nascimento numa oficina em São Bernardo do Campo. Nasser é insistente. Fez o motor (que não é Alfa; era fundido em alumínio na Itália porque ninguém queria fundir o bloco aqui), uma tarefa insana, e levantou o carro, que ficará orgulhosamente em seu museu.

Várias carrocerias de Democrata estão com os Finardi em SBC. Ter saído um carro inteiro dali já é façanha digna de comemoração.

Boa, Nasser. Você talvez não tenha idéia do que vem realizando. É mais do que se poderia esperar de qualquer um.

Comentários

  • flávio,

    encantado com suas palavras gentis e pelos comentários. tento responder a algumas das dúvidas:

    1. o museu do automóvel em brasília busca preservar e divulgar a competência brasileira em veículos.
    o acervo não é meu. tenho alguns veículos; programo mostras temáticas; atraio colecionadores e suas raridades.
    é menos um prédio e mais uma agitação.
    são 1.000 m2 de área expositiva, abrigando entre 28 e 32 veículos de acordo com o tema;
    2. acredito na história. escrevi o livro baseado em depoimentos pessoais de agentes da história e dados fáticos. vivi a época, moro na capital do poder e todos sabem que o poder absoluto pode tudo.
    3 – linhas – eram específicas, parecem o corcel coupé ? sim. só que o projeto do democrata era anterior;
    4 – motores: 500 unidades prontas e todo o de faze-los, apreendidos em águas internacionais – onde não cabe apreensão, abandonados num porto, sem final preciso – furtados ? depenados ? alumínio vendido a peso ? o porto era privado e com a transição não me responderam sobre isto;
    5 – motor – específico para o carro, projetado em milão, v6, 2.4, 120 hp, comandos no cabeçote, tudo em alumínio;
    6 – grupo óptico – foi o primeiro a utilizar os farois retangulares – vw zé do caixão, anos depois; lanternas específicas, nunca igualadas;
    7 – na minha conclusão foi lamentável que a intervenção governamental, julgada indevida por sentença do stf, deu prejuízo a 50 mil sócios e, institucionalmente, tenha cortado o desenvolvimento tecnológico que a industria nacional, toda apoiada em projetos e motores antigos, seria forçada a adotar frente à nova referência;
    8 – josé luiz vieira toca uma revista de transporte e edita um correio eletronico sobre tecnologia e veículos. chama-se techtalk e pode ser recebido graciosamente por solicitação. o marazzi não fez parte da motor 3. sua marca personalista ficou em 4 rodas e auto esporte;
    9 – o empreendedor da Indústria Brasileira de Automóveis Presidente, que fez o Democrata, se chama Nelson Fernandes. é o mesmo de empreendimentos que funcionam com adesão, como o acre clube, o tal hospital presidente e a rede de cemitérios verticais que hoje administra. convidei e o nelson foi a araxá e deu entrevista sobre seu projeto.
    serviço: o livro Democrata, o carro certo no tempo errado, conta a história do projeto, situa-o no cenário de época e é fiel reprodução das entrevistas realizadas e materiais compilados. apresentação pelo José Luiz Vieira.
    Custa R$ 40 e pode ser pedido pelo telefone xx61.3225.3000 e end eletronico [email protected]
    como digo, gostei de escrever esta história. você gostará de le-la.

  • belo trabalho na restauração de algo que jamais existiu. nunca passou de um protótipo.
    sobre a história que agora se tornou um ROMANCE DE FICÇÃO da pior qualidade, é melhor não falar nada.

  • Acho admirável o trabalho do Nasser, a quem não conheço pessoalmente, mas acompanho de longe, torcendo pra tudo dar certo. Mas cá entre nós, essa história romanceada do Democrata que anda rolando agora é muito esquisita. Vai ter mais exemplares restaurados do que a produção original.

  • Gostaria de parabenizar o Roberto Nasser nesse epico momento, onde ele ao fazer todo este trabalho esta na verdade mostrando o que a ditadura tornou impossivel.

    Meus parabens a voce e ao Blig do Gomes que nos deixa espressar nossas opinioes.

  • Muito interessante toda a discussão levantada no fórum. Sempre achei um tanto poética essa história da Ibap, mas é o fato que o carro existe e deve ser preservado.
    Se houve mesmo essa remessa de 500 motores completos, por onde será andam? Será que chegaram ao porto brasileiro?

  • Tem mais é que bater palmas, muitas palmas para essa gente abnegada que preserva não só os carros, mas nesse caso parte da nossa história.
    Belo trabalho, bela luta, bela vitória.
    Vivemos num país que fabrica que tem massa crítica e competencia para projetar e construir aviões, e não tem nenhuma fábrica NACIONAL de carros.
    Parabéns mil vezes.
    Deveria ser o carro-madrinha da Superclassic SEMPRE.

  • Nota 10 para o Nasser,um dos mais ferrenhos defensores da memória do carro nacional.
    Como foi lembrado pelo Bianchini,a Motor 3 era,disparada,a melhor revista automotiva,misturando carros,barcos e aviões.
    Alguém aí tem notícias do José Luís Vieira e Paulo Celso Facin,excelentes redatores da revista.
    Abraços…

  • Fantástico ver mais um Democrata, enfim, “vivo”!

    Seria este o carro que aparece em uma revista Oficina Mecânica do final dos anos 80 (ou início dos anos 90), no galpão abandonado da fábrica, em péssimo estado na ocasião? Pelo menos a cor é a mesma.

  • mais uma vez o Nasser superou as espectativas com a sua perseverança. A procura do Onça foi insana e ele conseguiu. Agora o Democrata, um presente para todos os antigomobilistas. E fora isso, ele é um cavalheiro da pena. Como escreve bem o cara…

  • Lembro-me do Nasser na época em que ele escrevia na melhor revista de carros que apareceu em terras tupiniquins, a Motor 3. Um dos textos mais fluidos que tive o prazer de ler. Hoje este militante do antigomobilismo tem uma coluna na Classic Cars (encarte da revista Auto & Técnica), com histórias deliciosas sobre os primórdios da indústria automobilística, tanto internacional como brasileira. Infelizmente Brasília é muito longe de SP e não tenho condições de viajar até lá para visitar o museu e, se possível, conhecê-lo pessoalmente, mas deixo através deste blog os meus parabéns para esse grande brasileiro pelo trabalho de preservação de nossa memória automobilística.

  • Afinal, que motor é este e traseiro? Este Democrata eu não conhecia, pois acredito, que em seu museu, ele deve estar trocando os carros, pois o espaço físico não é lá estas coisas e não dá para colocar todos os carros. Vou dar uma passada no museu para ver se ele se encontra por lá.

    Jovino

  • Fantastico o trabalho do Nasser. Eu tive a oportunidade de ver um Democrata (vermelho) na festa de aniversario do bairro que eu morava (Parada Inglesa) na Zona Norte. Ele estava em cima de um reboque e na ocasião estavam fazendo propaganda do carro e vendendo os titulos de propriedade da fabrica para os futuros proprietarios do veículo. Não estou certo mas me parece que nome do investidor era Nelson Fernandes, o mesmo que construiu o Acre Clube e Hospital Presidente no Bairro do Tucuruvi (Zona Norte de S.Paulo) nos anos 60. Não estou totalmente certo destas informações pois na epoca eu era muito jovem.