FW33

SÃO PAULO (rua, meu filho!) – E o último lançamento de hoje: FW33, o carro da Williams. A equipe não se preocupou muito com fotos de divulgação (só essa aqui, de lado, por enquanto). Mandou Barrichello para a pista rapidinho. A pintura me parece provisória. Carro todo azul escuro, com número grande na lateral e a PDVSA como patrocinadora quase exclusiva. A estatal venezuelana vai garantir a maior parte do orçamento do time. Em troca, colocou Pastor Maldonado no cockpit.

Mas seria legal se ficasse assim, uma pintura clássica e minimalista. Gosto da Williams. É o que sobrou de uma F-1 que não existe mais, que a gente chama de “garagista”. Lugar apropriado para Barrichello, um apaixonado pelo que faz. Pode-se falar o que quiser de Rubens, mas uma coisa não se nega a ele: o amor pelas corridas.

Comentários

  • Barrichello tem seus talentos de acertador de carros. Aliás, é um papel que lhe cai bem numa equipe que tem um estreante trazendo o principal patrocinador. Se fosse numa situação como a da Ferrari, em que um campeão traz o dinheiro grosso, só haveria espaço para o Barrichello como piloto de testes, sem correr GPs, e a equipe preferiria como segundo piloto alguma promessa vinda das “categorias de base”, como fez a MacLaren com o Hamilton.

    No ofício de motorista (ué, driver não é motorista?), certamente Barrichello é melhor do que eu. No quesito sucesso financeiro, ele também é muito melhor do que eu. Mas me sinto à vontade para criticá-lo pelas besteiras que volta e meia ele solta. Ele teve, e ainda tem, a pretensão de ser um segundo Senna, de ser um campeão do mundo na F1, mas não tem nem o talento e nem a agressividade do piloto de saudosa memória. Ao contrário, Barrichello é muito mais lembrado pelo festival de “mi, mi, mi” na frente dos microfones.

    Talvez a melhor definição de Barrichello hoje (fevereiro de 2011) é que ele é um fóssil vivo: representante de uma época romântica em que o automobilismo brasileiro formava pilotos competitivos no exterior (com destaque para o Emerson e para o Piquet), vivendo numa época em que o caos reina na CBA, em que os autódromos nacionais vão rareando, em que as corridas de monopostos estão extintas no Brasil e em que apenas duas categorias automobilísticas nacionais conseguem se sustentar (a “estoque” e dos caminhões) e seus pilotos não têm a menor chance em correr no exterior (prova disso é que nem o Cacá e nem o Popó Bueno, filhos do famoso narrador da F1 da Globo, se animaram a começar uma carreira lá fora).

    Pobre Barrichello, queria ser um novo Senna, mas tem que se contentar em ser um novo Riccardo Patrese.

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