SOBRE MORTE E CORRIDAS

SÃO PAULO (must go on?) – Sempre que morre um piloto, em qualquer categoria, as discussões sobre segurança são reabertas, o que é mais do que saudável depois que a poeira baixa. Em muitas ocasiões os acidentes fatais levaram à adoção de medidas eficazes, seja nos carros, seja nas pistas. Foi assim em 1994 depois da batida de Senna em Imola. Os carros eram frágeis como cascas de ovo. Os cockpits foram reforçados, as rodas passaram a ser presas ao chassi por cabos de aço, nasceu o HANS, áreas de escape foram repensadas, a segurança aumentou.

Em outras, não se faz coisa nenhuma e fica-se na retórica. Ou nos lamentos, nas promessas de criação de comissões, essas coisas que não resultam em nada.

Na Indy, as mortes têm sido mais frequentes do que em outras categorias. A lista que segue carece de confirmação, pode ser maior, porque estou me fiando apenas na memória. De 1990 para cá, de acordo com minha memória, se foram Jovy Marcelo (Indianápolis, oval), Gonzalo Rodriguez (Laguna Seca, misto), Greg Moore (Fontana, oval), Jeff Krosnoff (Toronto, rua), Paul Dana (Homestead, oval), Scott Brayton (Indianápolis, oval) e Tony Renna (Indianápolis, oval).

Os americanos não costumam caçar bruxas no automobilismo e as mortes são genericamente descritas como “fatalidades”. Às vezes são, mesmo. Automobilismo é esporte de risco, não é preciso ficar repisando esse clichê o tempo todo. O importante é aprender com os acidentes e tentar entender por que eles acontecem. E isso os americanos não têm feito.

A listinha acima mostra que não são só os ovais que matam, mas na maioria das vezes, sim. Krosnoff morreu porque a pista de Toronto tinha um poste ao largo, o que acontece em muitos circuitos urbanos. Para provas com monopostos, é algo que precisa ser revisto por causa da sempre perigosíssima possibilidade de decolagem quando toca roda com roda. Já Rodriguez capotou em Laguna Seca, num acidente nem tão impressionante, mas que lesionou sua coluna. Fatalidade? Sei lá.

Nos ovais, porém, o problema é só um e visível a olho nu: velocidade exagerada e carros demais andando muito próximos uns dos outros. Por mais que os americanos gostem desse tipo de competição, não há como negar que seus riscos são potencialmente maiores do que em circuitos que têm curvas e freadas. Num oval, é pé embaixo o tempo todo. Numa categoria como a Nascar, em que os carros são como tanques de guerra, esses riscos são um pouco menores. O piloto tem alguma proteção, o carro em volta dele. Com monopostos, não dá. São mísseis prontos para decolar, incontroláveis, insanos, carregando pilotos desprotegidos.

Outro problema para o qual a Indy não pode mais fechar os olhos: a qualidade discutível de seus pilotos. Num oval, ninguém precisa ser muito bom para passar dos 350 km/h. Se o cara, ou a menina, tem peito, chega a essa velocidade. Não é muito difícil. Basta enfiar o pé. As doses de adrenalina no organismo se encarregam do resto. E essa velocidade é quase um suicídio em algumas circunstâncias. A 350 km/h, um piloto que perde o controle do carro ou é atingido por outro só se salva por sorte. Wheldon morreu, e foi pouco, diante do que poderia ter acontecido com 15 carros batendo e voando uns sobre os outros. Nesses acidentes múltiplos, a diferença entre morrer e não acontecer nada é questão de detalhe, apenas. De sorte.

A Indy abre suas portas para gente despreparada e inexperiente. É um risco grande demais colocar num carro que vai andar a mais de 300 km/h, velocidade quase constante, pilotos sem noção de vácuo, turbulência, distância. Eles se tornam armas mortais. Tenho lido algumas declarações de pilotos experientes, como Tony Kanaan, sobre o comportamento de seus pares nas pistas. Jody Scheckter pediu para o filho Tomas largar a categoria. Tomas admitiu que a Indy não é segura, em ovais. Nigel Mansell comentou que não há acidentes “pequenos” em ovais. O menor erro de qualquer piloto acaba causando uma catástrofe.

Há fatalidades imprevisíveis. Mas há outras anunciadas. Corridas de monopostos em ovais estão entre essas. Colocar 34 carros num oval curto de altíssima velocidade e enorme inclinação é quase uma insanidade. A Indy tem sua parcela de culpa pela morte de Wheldon. Os pilotos, que aceitam entrar nessas arenas suicidas, também.

Mas é um enorme paradoxo isso tudo que estou escrevendo. Num primeiro momento, a vontade que dá é de dizer: proíbam as corridas em ovais. Só que, aí, me vêm à mente as imagens de Indianápolis, seus mais de 100 anos de história, as provas que vi lá, a festa do público, a solenidade em torno daquele evento mágico, suas lendas e histórias.

Como imaginar o mundo sem as 500 Milhas de Indianápolis? Ou sem a velocidade de Monza, sem a loucura da Eau Rouge, sem a insanidade de Monte Carlo?

Meu amigo André Forastieri, jornalista da área cultural sempre antenado em tudo, escreveu um belo artigo hoje, cujo título é “O sentido do automobilismo é a morte”. De fato, é difícil argumentar a favor de corridas de automóvel. Que sentido elas têm? Levam a quê? Qual o sentido que existe em arriscar o pescoço em círculos sabendo que a qualquer momento pode aparecer um muro no meio do caminho?

Nenhum. Mas o quê, mesmo, faz sentido nesta vida?

Quase nada, porque ela acaba, de um jeito ou de outro. O sentido da vida é aquele que cada um dá à sua. Quando estou no meu carrinho de corrida, um velho Lada soviético que não vai me levar a lugar algum, percebo algum sentido na vida, mesmo sem saber exatamente qual. Talvez seja: OK, vamos correr e tentar sobreviver. Isso faz sentido: sobreviver.

No meu velho Lada soviético de corrida, sobreviverei sempre. É um desafio simples que não demanda nenhuma dose enorme de valentia. A sobrevivência, para pilotos de verdade, é algo bem mais complexo que exige muito mais talento e coragem e é por isso, creio, que os admiramos tanto.

Admiramos os que enfrentam a morte com talento e coragem, acho que é isso. Embora também não faça muito sentido.

Comentários

  • Flávio, seu texto, como sempre, excelente, mas discordo com o texto do repórter do R7. Ele claramente dá sinais de ignorância no esporte a motor. Apesar de discorcar plenamente de tudo que ele escreveu, respeito o ponto de vista dele, mas apenas por encarálo como uma pessoa que sequer ver corridas pela TV. Talvez minha avó ache o mesmo que ele. Um agrande abraço.

  • Quando se corre em circuitos fechados, de fato, não há muito sentido, a não ser que aconteça um acidente com mortes, então faz todo sentido, para criticar, para melhorar a segurança e tudo mais…pena que ninguém comenta quando há um acidente no trânsito de São Paulo, Rio de Janeiro, entre outros lugares com vítimas fatais e fica por isso mesmo….

    Tudo bem que a morte do Dan Wheldon trará algum exemplo, vai melhorar a categoria, o circuito, proibirem de correr no circuito, enfim, mas quantos engavetamentos ou acidentes com embriagados são necessários para motivar alguma mudança real e fazer algum sentido à vida?

  • O capacete é o lugar mais solitário do mundo, assim como a morte é pessoal e intransferível. Não sei expressar em palavras porque gosto tanto de estar amarrado em um banco de fibra, vestindo um macacão quente p’ra cacete e sacolejando dentro de um carro de corridas duro, barulhento e desconfortável. Só sei que qualquer um que já o tenha feito, sabe a resposta. Abraços a todos que amam o automobilismo, e às famílias e amigos daqueles que morreram fazendo aquilo que amavam. Acho que, estejam onde estiverem, não se arrependem.

  • Formula 1 é segura porque as areas de escape são tão grandes que antes de bater em algo acaba a gasolina dos carros, se o acidente de Las Vegas fosse com os F1 teria a mesma consequencia ou até maior.

  • Admiro as corridas pela parte mecânica e claro, pela coragem e perícia dos pilotos.
    Mas quando morre alguém, é uma merda que me faz sentir culpado por incentivar esse tipo de atividade. Mas porra, dessa vida ninguém sai vivo, certo?

  • A corrida ainda faz algum sentido , mas aqueles recordes ridículos é que não entendo.
    O que faz uma pessoa pular de moto, carro ou jegue uns 30 onibus ????
    Comer mais cachorro quente ? Quer coisa mais ridícula !!
    A discussão sôbre segurança sim , é válida e necessária.

  • Apenas duas observações (corrijam se eu estiver errado): Wheldon é o primeiro campeão da Indy (AAA, USAC, Indycar, Champ Car e IRL somadas) morto na pista em 50 anos, desde Tony Bettenhausen, campeão em 1951 e 1958 (morto durante os treinos da Indy 500 em 1961). Também é o primeiro campeão da Indy 500 na mesma situação em 36 anos (Mark Donohue venceu a Indy 500 em 1972 e morreu nos treinos para o GP da Áustria de F1 em 1975). O que pretendo levantar com estes dados é que experiência, aliada à competência, ajuda (e muito) à evitar tragédias, principalmente no automobilismo. Não trata-se de apontar culpados (ok, o novato Wade Cunninghan foi quem começou tudo, mas obviamente não teve culpa alguma, apesar de sua visível guinada na pista, causando a rodada de James Hinchcliffe, desencadeando tudo), mas campeões e vencedores de corridas na Indy raramente morrem. A maioria dos que perderam suas vidas nas pistas (falando em Indy) tinham pouca ou nenhuma experiência, e poucas ou nenhuma vitória na categoria. Ou seja: um grid melhor qualificado poderia ter evitado o ocorrido em Vegas ? Muito provavelmente sim. Wheldon não morreu por não ter desacelerado mas sim por alguém à sua frente ter cometido um erro. Neste caso um erro relativamente bobo (Wade demorou à perceber um carro ao seu lado antes de apontar o carro para a linha interna) mas ao mesmo tempo grave em função dos tais 34 carros, andando todos juntos à 360 km/h…
    Eu diria que talvez metade do grid da Indy seja bom. A outra metade é apenas tapa-buraco, e definitivamente não serve para correr nestas condições (por mais perigosas e absurdas que sejam).

  • Correr de carro, moto ou barco, se resume a 2 elementos: emoção e adrenalina. Correr em ovais adiciona-se um terceiro elemento, o desapego á vida. Quem não consegue administrar estes três elementos, vira comentarista.

  • Olá a todos.

    Discordo do ponto de vista de que a Indy, ou o automobilismo americano não investe na segurança de suas competições. As melhoras na construção do cockpit e a safer barrier evitaram algumas mortes óbvias. O grande problema dos últimos acidentes graves da Indy é que os carros saem voando com muita facilidade. Mesmo assim tivemos sobreviventes em acidentes com essa mecânica (Kenny Brack, Mike Conway, Dario Franchitti duas vezes).

    Fazendo uma análise mais detalhada dos últimos acidentes fatais da Indy, suas circunstâncias e causas:
    – Jovy Marcelo: morreu num impacto relativamente inocente em Indy porque seu capacete estava preso de maneira errada, o que provocou uma fratura cervical alta fatal. Ou seja, nada a ver com condições de segurança da categoria. Causa: Falha na colocação do capacete.
    – Gonzalo Rodriguez: falha de frenagem fez com que batesse de frente no saca-rolha, sendo catapultado por cima do muro e caindo capotado do outro lado. Defeito nos freios? Punta-taco errado? Causa imponderável.
    – Greg Moore: rodou em direção ao canteiro central da pista, sendo catapultado por um degrau entre asfalto e grama no canteiro, o que fez com que o cockpit exposto colidisse diretamente com o muro. Esse acidente expôs a necessidade de se asfaltar os canteiros centrais. A Indy enxergou o problema e asfaltou os canteiros. Causa: carro ao ar.
    – Jeff Krosnoff: foi lançado ao ar após subir na roda traseira de um carro a sua frente, colidindo no ar com um poste. Causa: carro ao ar.
    – Paul Dana: Acertou em cheio um carro parado no meio da pista após um acidente a frente. Erro de sinalização? Spotter dormindo? O próprio piloto não tirou o pé? Causa pouco esclarecida
    – Scott Brayton: Furo de pneu no meio de uma curva em Indy e impacto lateral com o muro. Ainda não existia a safer barrier, nem o hans, em meados dos anos 90 quando foi o acidente. A safer barrier e o hans provavelmente evitariam essa morte. Causa: falha mecânica.
    – Tony Renna: O único desses acidentes que não foi filmado. Relatos dizem que o carro decolou em uma curva de Indianápolis e se chocou contra as grades. Não se sabe se o carro passou sobre algo para decolar. Causa: carro ao ar.
    – Dan Wheldon: Carro ao ar após colisão com rodas do carro da frente e impacto do cockpit exposto entre a safer barrier e as grades. Causa: Carro ao ar.
    Lembrando: dos 15 envolvidos no acidente, quatro voaram. Wheldon, Hidebrand, Power e Mann. Os quatro se machucaram. Todo mundo que ficou no chão não se feriu.

    Fica óbvio constatar que o grande perigo da Indy atual está nos carros sairem do chão.
    Dos acidentes fatais, vários tiveram carros voando. Não é exclusividade da Indy. É só lembrar de Gilles Villeneuve ou Marco Campos. Mark Webber na fórmula 1 teve um incidente assim em Valência.
    Só que a Indy foi a única a enxergar o problema e tentar resolvê-lo. O chassis do ano que vem, que o Dan Wheldon testava, tem peças atrás das rodas traseiras que dificultam a subida do carro que bate atrás.
    A grande ironia da história é que na última corrida de rodas traseiras expostas, o próprio Dan Wheldon foi vitimado por isso.
    A possível solução não chegou a tempo.

    As providências são tomadas para que o show que é a corrida de monopostos em ovais continue. Mas as mortes são da natureza do automobilismo, infelizmente. E, de certa forma, o perigo faz parte da beleza desse esporte. Restringir velocidade ou quantidade de carros na pista vai tirar um pouco da graça. O que se pode fazer é investir ainda mais em segurança. E o caminho para isso parece ser impedir que os carros decolem.

    Abraço.

    • Bem lembrado, viu! O problema é a fórmula do formula – rodas expostas, cockipit aberto. E agora muitos clamam que a F1 é o padrão a se seguir, mas ano que vem estarão reclamando dos circuitos insossos, dos carros estreitos e que freiam demais (e iguais, dificultando a diferença de equipamento que se via tempos atrás), etc.
      E outra: até agora a F1 deu uma sorte danada e um carro decolar e não ir para um gard-rail, que ainda existem por aí. Isso pode acontecer em Monza, por exemplo, onde eles andam a 350km/h na pista que é estreita e sem área de escape lateral.

  • achei ótimo o comentário do Fernando Amaral. A raça humana faz um monte de coisas estúpidas, inclusive se matar por religião, e todos defendem o “seu” Deus , como se Ele fosse diferente. E também morrem mais torcedores de futebol ( que são vítimas ou algozes?) do que pilotos por ano, sendo que estes fizeram a opção de correr risco. Acho que a frase de Bruce Mclaren, que postei outro dia resume porque gostamos de automobilismo e porque os pilotos assumem os riscos.: ” To do something well is so worthwhile that to die trying to do it better cannot be foolhardy. It would be a waste of life to do nothing with one’s ability, for I feel that life is measured in achievement, not in years alone”

    • grato pelo elogio, Vitão, e contente por saber que alguém viu validade no meu comentário.
      e ótimo você reproduzir a frase (aliás são mais de uma) do McLaren, não a conhecia na forma completa, ela está num inglês muito bom, e bonito. Valeu. Grande abraço.

  • Aos que criticam a Indy, vamos lembrar que o Massa quase morreu com uma mola,Kubica quase morreu com um guard rail…Automobilismo é perigoso em qualquer nivel , basta colocar o capacete para começar a correr risco de vida.A culpa não é dos ovais, mas de estar no lugar errado na hora errada.

  • É incrivel como certas coisas acontecem. No meu ponto de vista (posso estar errado) ele bateu muito rápido, parece que de “pé no fundo”. Será que não faltou de repente aquele grito do spotter no ouvido dele dizendo que havia um acidente a frente? Talvez não mudaria, ou talvez ele batendo sozinho no muro não morreria. Talvez, mas a verdade é que o destino quis assim. Deveria ter ficado em casa curtindo o milhãozinho ganho em Indianápolis. Vai saber…

    Em tempo:
    Feliz estão os organizadores, ou melhor, os desorganizadores da stockcar, pois graças ao acidente na indy, NADA ainda se falou nas quantas muitas cag*das que ocorreram neste final de semana em brasília.
    – Bandeira vermelha e depois soma de tempos?
    – Losacco tendo que sair do pódio?
    – Desclassificação e exclusão na Montana por defender a posição?
    – Exclusão por toque seguido de rodada, mas NÃO exclusão em toque seguido de capotagem?
    – Dois pesos e duas medidas continuam?

    aguardemos cenas dos próximos capítulos.

    • carlos, eu tambem fiquei em duvida quanto ao spoter, talvez tenha olhado a batida e não deu tempo de avisar, om dan nem freou, bateu acelerando, num formula, voce só ve as coisas quando estão muito perto, devido à proximidade da pista.
      quanto a stock, foi uma verdadeira palhaçada o que fizeram, primeiro as dondocas não queriam correr na chuva, depois a globo coloca a corrida com algumas voltas, misturaram tudo e ninguém entendeu nada.
      na montana os caras estão batendo mais do bengala de cego, parece que já esqueceram o acidente com o sonderman no começo do ano, o galid defendeu a posição de forma um pouco a louis hamilton por isso foi punido.
      ali está uma bagunça geral.

  • Lamentavel o que aconteceu, apesar de ser um esporte arriscado assim a dor da família é a mesma.Eu só fico pensando se algo desse tipo tivesse acontecido na stock ou alguma outra categoria nacional o que não estaria falando alguns blogueiros puxa sacos do GP.

  • O que notei deste acidente é algo que já aconteceu antes, com muitas reclamações na época mas desta vez não notei ninguem falando disto. Quando acontece um acidente no oval os que vem atras continuam acelerando como se nada tivesse acontecido. Neste caso , alguns tiraram o pé e os que vieram atras destes , não desacelerando, foram lançados. Infelizmente Wheldon foi um deles, Powell, outro. Acho que não é nem questão de habilidade mas , vendo também todos os acidentes deste ano na Indy, nota-se que esta faltando um pouco de juizo aos pilotos desta categoria.

  • Devemos fazer uma questão: Por quê os carros da Indy andam tão juntos em supersppedways?
    1- Em superspeedways, não se freia, nem se alivia, nem se reduz marcha, então é todo mundo pé embaixo, o bom piloto e o não tão bom; em Indianápolis, não vemos esse bolo de carros andando junto, pois as curvas exigem aliviada, freada, ou até troca de marcha, dependendo do acerto do carro, aí os carros se distanciam.
    2- Diferente dos carros da Indy dos anos 80, ou 90, hoje os carros são idênticos, do chassi ao motor, passando pela eletrônica. Isso embola o grupo. E a tecnologia e a qualidade deixa o ajuste mais preciso, reduzindo as diferenças nos carro.

    Com esses dois fatores, vemos os Indy embolados em algumas pistas, e algo que aconteceu, poderá novamente acontecer.
    Detalhe: os carros resistiram muito as pancadas de domingo. São seguros, até onde andar de monoposto num circuito daqueles é seguro.

    Abs,

  • Infelizmente é uma fatalidade, temos de nos precaver para isso. Como fazer isso ainda não sabemos. Mas tem se tentado fazer alguma coisa. Proibir corridas em ovais não é uma solução até porque o automobilismo americano se baseia nisso e em circuitos de rua, tendo só uma meia duzia de mistos por lá, mas não é uma solução porque esse tipo de coisa não é exclusiva de ovais. 34 carros num oval desse é um exagero. O que deveria ser feito é reforçar os carros para não se desmancharem em uma batida e projetar uma célula de segurança que proteja o piloto em um acidente, como aquela que garantiu que Robert Kubica saisse apenas com um pé machucado daquele GP do Canadá alguns anos atrás.

    Correr de carro é um risco que todos que o fazem estão sujeitos, como em qualquer profissão. Mas correr é algo que deve ser incrivel, menos nos autódromos do Tilke, que são uma coisa bizonha, como aquele de Abu Dhabi e o de Yeongam.

    Que a Indy se organize para garantir a segurança nas corridas todos os seus envolvidos.

  • Os americanos até gostam de corridas em circuitos ovais, mas não gostam assim tanto da Indy para fazer muita diferença… basta olhar o público presente numa corrida que decidia o campeonato esse fim de semana.

    A Indy por aqui só é notícia quando algo assim acontece, pq a paixão é sem dúvida pela NASCAR. E o Jimmy Johnson ontem falou que está mais do que na hora de acabar com corridas da Indy em ovais pelo mesmo motivo exposto pelo Flávio no texto.

    O Wheldon era um dos responsáveis por testar e desenvolver um carro novo que tem como objetivo principal acabar com as “decolagens” após batidas, mas isso infelizmente não evita o principal que é quando o carro bate no muro e volta para a pista acertando em cheio carros que vem em velocidades absurdas. Vai ser interessante ver o que vai ser feito no ano que vem.

  • Concordo que a INDY foi pioneira em algumas medidas de proteção. No entanto, os números falam por si mesmos. Na F1 já se vão 17 anos sem uma morte ou um acidente que deixasse graves sequelas para os pilotos. Na INDY, nesse mesmo período, quantos já perderam a vida ou se machucaram gravemente? Eu nem consigo lembrar todos. A F1 pós Senna é a prova de que se pode correr com um alto nível de segurança. Além do mais acho impossível comparar as duas categorias atualmente. F1 vence no nível dos pilotos, na segurança e desafio dos autódromos, no corpo técnico e nos carros. E para quem diz que a F1 é menos emocionente, sejamos realistas, 70 voltas num tilkódromo é o mesmo que 200 numa pista curta em que se virá para um lado só, um verdadeiro porre. Em compensação 1 volta em SPA é melhor que 1000 em Indianápolis.

  • Concordo com o texto e com muitos comentários. Um deles até diz uma coisa ineteressante: a mentalidade do automobilismo nos EUA ainda está parada mais ou menos na década de 1930. Automobilismo é “esporte” de risco, mas não se pode confundir isso com uma disputa de roleta russa. As medidas de segurança tem um lado técnico/tecnológico, mas o simples bom senso também tem seu peso. Tomando o exemplo do boxe: limitar o número de assaltos de uma luta não demandou tecnologia nenhuma, ou será que deveriam deixar os caras se batendo até que um deles morresse e o sobrevivente fosse declarado vencedor?

    A organização que propôs a realização desta corrida com estas característica foi insana, os donos de equipes que concordoram foram irresponsáveis, os pilotos não tiveram peito de marcar posição sobre o perigo porque não tiveram coragem de enfrentar patrões e organizadores ou estavam cegos pelo valor do prêmio. Aí entraram lado a lado na pista incomptetentes que só estão lá por causa do dinheiro de patrocinadores e até um campeão em busca de vaga na categoria. A indy jogou irresponsalvementes eus campeões e estrelas -o maior patrimônio de uma categoria esportiva- na arena por irresponsabilidade e ganância. Findo o acidente, aquela pista parecia ter sido palco de atentado terrorista.

    Não sei porque a Formula 1 mudou tanto em questões de segurança a partir do final dos anos 70/início dos 80. Talvez a intensificação das transmissões ao vivo pela TV tenha levado a isso, já que a maioria do público até se diverte com uma ou outra trombada sem maiores consequências para os pilotos, mas não acho que pessoas normais gostem de ligar a TV pra ver ídolos de um esporte morrendo ou ficando inválidos. Acho que tem gente confundindo o mundo real com o desenho animado Speedy Racer ou vídeo game. Antes de serem pilotos, aqueles caras são pessoas e a pessoa que morreu bestamente deixou um órfão de 2 anos e outro de 7 meses. Será que isto não foi motivo suficiente pra que ele também pensasse duas vezes antes de pisar a arena do Coliseu por livre e espontânea vontade?

    • “Talvez a intensificação das transmissões ao vivo pela TV tenha levado a isso, já que a maioria do público até se diverte com uma ou outra trombada sem maiores consequências para os pilotos, mas não acho que pessoas normais gostem de ligar a TV pra ver ídolos de um esporte morrendo ou ficando inválidos.”
      Concordo. É bem por aí.
      Como disse eu meu post, nossos ídolos que morrem fazem falta. A F1 tomou ações (algumas absurdas até) depois que seu maior campeão em atividade morreu quase ao vivo, em 1984, chocando o mundo inteiro.

  • Flavio, acompanho a Nascar e no sábado assisti a corrida da Truck Series com o Nelsinho Piquet e o Miguel Paludo na pista de Las Vegas. Ocorreram 10 bandeiras amarelas por causa de acidentes, nenhum com tanto impacto quanto o da Indy, até porque aqueles Truck parecem tanques como você mesmo disse. Havia uma reclamação generalizada dos pilotos pela pista estar muito escorregadia que geraram várias rodadas causando os acidentes citados anteriormentes. Inclusive o Miguel Paludo foi pego em um desses e teve que abandonar a prova.

  • FG,

    Falou tudo, fantástico !
    Em uma categoria desse nivel, não pode deixar entrar um monte de ” pé de macaco” pilotos que não guiam porra alguma sentado o rabo num missel desses, aí fica a turma q acelera pra carai a merce desses meia rodas !
    A F.truck nossa tbem não é muito diferente não , não pode entrar menores de 21 anos que andam de carro desde os 16 anos q é qdo a CBA dá a carteira , mas pode a minha empregada q nem carta de motorista tem, basta ir em uma escolinha de pilotagem tirar a carteira e sentar num foguete q anda a 240 km e pesa 5 toneladas.

  • Discordo 100% de que o “sentido do automobilismo é a morte”.

    Não acordo 3h da matina para assistir a ninguém morrer. E duvido que algum leitor deste blog faça isso.

    Gostamos de disputas, demonstrações de habilidade e coragem.

    A morte leva nossos ídolos embora. Quem quer isso?

    Sentimos falta de Peterson, Revson, Rindt, Senna, DeAngelis…

    Só quem “curte” a morte é que não curte o automobilismo. Quem não acorda 3h, 2h, 4h da manhã para ver uma corrida no outro lado do mundo. Ou paga R$300 num ingresso da arquibancada desconfortável.

    Discordo desta análise!

    • Eu acho que a afirmação do cara foi mais no sentido de que o risco de morte torna a coisa mais interessante. Eu acho que isso faz sentido. E isso não implica que torçamos pela morte dos pilotos, o simples fato de existir o risco de morte já é suficiente.

  • Amigo,

    Bizarro, escroto e rídiculo é o seu comentário….Procura no iutúbe a prova de watkins glen desse ano e tu vai mudar a tua opinião sobre a NASCAR, eu garanto. Aproveita e assiste nesse fim de semana a prova de Talladega e vai te ajudar muito a sair desse mundinho que os fãs de automobilismo brasileiros entraram (pelo menos 90% deles).

  • Era falta de público sim amigo. Na transmissão percebe-se que alguns setores de arquibancada nem estavam abertos. Os primeiros lugares são ruins de se enxergar e..perigosos. Por isso o público evita.

  • Fala FG, cara sobre esse tema só quero repetor aqui a frase que foi dita por Wilsinho Fitipaldi, na epoca da morte do Ayrton Senna.

    “INFELIZMENTE ESSE É O ESPORTE QUE AMAMOS”

    pra mim ele esta certo, pois pra amor não tem explicação nem logica é amor e pronto.

    Abraço.

  • “Colocar 34 carros num oval curto de altíssima velocidade e enorme inclinação é quase uma insanidade. A Indy tem sua parcela de culpa pela morte de Wheldon. Os pilotos, que aceitam entrar nessas arenas suicidas, também.” – essa a parcela de culpa da categoria no acontecido. Ao inves de se pensar so no show, deveriam ter pensado tambem na corrida em si. Eles nao tem tecnicos especializados nisso? E aonde esta Brian Barnhart agora?

    Terminar com corridas em ovais é o “modo facil” de “resolver o problema”. É possivel te-las em segurança sim, como aconteceu por anos a fio. Insisto, o problema era o carro, rapido porem altamente obsoleto. Os acidentes de Vitor Meira, Mike Conway e Will Power no passado ja chamavam a atençao, mas ainda assim nada era feito….

    Sobre os acidentes antes do ano 2000, gostaria de colocar um adendo: a morte de Scott Brayton aconteceu no 1o. ano apos a cisao, quando a Indy resolveu colocar uma pressao de turbo absurda em seus motores para chamar atençao pela velocidade. Mas o misto de motores muito fortes e carros antigos acabou causando o que aconteceu ao veterano. Engraçado, exatamente como agora…

  • Flavio, acho que a resposta para a sua pergunta sobre Indianápolis, Monza e Spa pode estar no passado: porquê Avus foi criada e fechada? Lá carros muito mais frágeis chegaram à casa dos 300 km/h e mataram vários pilotos pela falta de segurança.

    Na época, acho que pela falta de opção, aí você explica bem melhor do que qualquer um aqui, eles fecharam as corridas por lá.

    Acho que temos hoje capacidade de evoluir em tecnologia e regras para termos corridas mais seguras, mas automobilismo é esporte de risco, não podemos nunca esquecer disto. Se olharmos para Avus e aprendermos podemos evitar novos fechamentos no futuro.

  • Tópico muito interessante , tão bem reportado pelo Flavio..

    O termo non sense sempre vem a baila quando morre um piloto, e nós lúdicos mortais com nossos carrinhos 1.0.. 1.4.. entravados no rush das 8 da manha.. rodando a 40 Km’s por hora sempre nos chocamos pelas mortes, em respeito a vida ceifada dos intrépidos pilotos.. e muitos deles já se foram, alguns que jamais deveriam ter partido desta forma tão tragica.. Ascari , von Trips , Clark, Peterson, Villleneuve..

    Mas também sabemos que eles lá estavam cientes dos riscos, riscos que cada categoria oferece. Algumas quase nada e outras risco total como Indy.. Mas estes intrépidos ases ou medianos estão sempre lá.. driblando a morte, driblando o adversário, driblando o relógio.. chegando vivo e vencedor na linha de chegada.. estes são os prazeres de um piloto de verdade..

    O tempo passa e a saga continua.. porque vivemos de contraditoriedades.. precisamos de fazer parte desta emoção em nossos sofás, pois amamos as corridas e o risco está instrinsicamente arraigado em nossas emoções, onde infelizmente a morte faz parte integrante de tudo isso..

  • O braço da suspenção foi um detalhe mais no horror show que matou Senna.O perigo dos open whells além das rodas soltas, é que o cockpit é aberto. Arrisco a dizer que a roda por di só seria fatal, como foi para o filho de John Surtees. A cabine dos monopostos totalmente aberta é o perigo. A qualquer momento isso pode ocorrer de novo em qualquer categoria de carros abertos.

    Em Las Vegas, o acidente foi muitas vezes mais horrível que esses dois citado, não teve nada a haver com cabine aberta ,mas pelo fato de a pista ser muito inclinada para a sua pouca largura. Alonso só não morreu em Interlagos na curva do café porque por sorte a roda que voou se encaixou no carro e não na cara dele.

  • FG, concordo quase que inteiramente com seu post. Discordo somente quando vc diz que os americanos nao estao fazendo nada para aumentar a segurança dos carros. Parece-me que isso e um problema da Indy/Cart, cujo nivel de profissionalismo e bastante questionavel, como foi demonstrado algumas vezes durante esta ultima temporada.

    A NASCAR passou por um momento parecido quando o Dale Earnhardt, maior idolo da categoria na epoca, morreu num acidente que nem pareceu tao serio assim ha alguns anos. Os caras implantaram varias mudancas para tornar os carros mais seguros. Desde entao, ja aconteceram diversos acidentes bastante violentos – inclusive alguns carros que decolaram, bateram na grade e capotaram algumas vezes, muito parecido como o carro do Wheldon ontem – e os pilotos sairam andando.

    Grande abraco e me desculpe a falta de acentuacao, estou usando um computador com teclado “americano”.

  • Faz alguns anos que trabalho com imagens de natureza entre fotografias e vídeos. Neste tempo todo uma coisa ficou bem clara: nós animais da espécie humana somos os únicos que possuímos geladeiras. Todos as outras espécies de animais vivem TODOS OS DIAS entre a vida e a morte (com a excessão de animais domésticos e/ou em cativeiro). Pois todos os dias eles precisam sair para caçar e ao mesmo tempo correm o risco de serem mortos. É assim na natureza, é assim com alqueles pombos que vemos todos os dias nas cidades, os gatos e cachorros que vivem pelas ruas também: todos os dias entre a vida e a morte.

    Este vídeo é uma pequena amostra disto:

    http://www.youtube.com/watch?v=vdg9gkmWsEA

    Acho que os esportes onde existe risco trás este lado “selvagem” de volta para nossa vida. A maioria de nós vivencia este “risco natural” através destes que se dispões a corre-los como os pilotos por exemplo. Por isto este facínio.

    Com risco natural me refiro a que que faz muito pouco tempo na história da espécie humana que deixamos de ter medo de predadores, nosso cérebro ainda guarda todas as informações sobre isto. Antes que alguém discuta 10.000 ou 20.000 anos não são nada em termos de evolução de uma espécie com um organismo tão complexo quanto os animais mamíferos dos quais fazemos parte e outros – bactérias e vírus são outra coisa.

    • Expetacular a abordagem… a visão das interelações biológicas,geológicas,antropológicas se amalgamando numa relação de espaço tempo inseridos em outras relações sutis e complexas que se refletem em uma simples relação de vida e morte…paradigmas dentro de paradigmas…no fim o sentido de tudo é que tudo parece não ter sentido e ao mesmo tempo tem…você entra na toca do coelho e não sabe como sair…ou vai mais fundo…ou não tem como voltar…conhecemos o perigo,procuramos nos proteger dele e paradoxalmente o desafiamos…viver faz e não faz sentido…em suma,não existe vida sem risco…a vida é o risco.

  • Dizer que um dia chegaremos ao perfeccionismo de não ter nenhum piloto morto nas pistas é utopia. Mas o que vejo aqui é que estão tratando a morte e o acidente no mesmo patamar. Acidentes acontecem, enquanto mortes tem que ser evitadas. Que acidentes em circuitos ovais acontecem com frequência, todos sabemos. Que as consequências dos acidentes em ovais são quase sempre de grandes proporções, todos sabem.
    Agora, colocar 34 carros em 2.400m, onde todos percorrem 100m em 1segundo é, no mínimo, insano. Se todos estivessem separados pela mesma distância, esta seria de 70m, ou seja, em 0.7s um carro encontraria outro.
    A inclinação da pista, favorece que um carro, mesmo arrastando pelo muro, volte para o meio da pista. Paul Dana acertou em cheio outro carro assim, e Alex Zanardi (que ninguém citou), não morreu por detalhes, ou sorte, como diz o texto.
    Os carros de Fórmula Indy são mísseis, prontos para decolar.
    Não há santantonio que resista ao impacto como foi o de Wheldon.
    A cabeça do piloto continua vulnerável. O caso de Surtees foi fatalidade, o caso de Wheldon foi negligência.

  • Analisando várias vezes vídeos e fotos do acidente, podemos dizer que no mínimo 4 pilotos tiveram uma sorte muito grande por nada de grave ter acontecido: Will Power (pela capotagem), JR Hildbrand (o carro do Will Power caiu sobre o carro dele), Charlie Kimball (Por questão de 1m o pneu do carro de Dan Wheldon não acertou sua cabeça em cheio) e Pippa Mann (Que saiu capotando feito um foguete branco).

    Foi uma terrível fatalidade, um conjunto de fatos que culminaram com o acidente fatal. Tudo começou com Hélio Castroneves e James Hinchcliffe se estranhando, e com isso o segundo perdeu velocidade e sofreu toque de Wade Cunningham que rodou e foi atingindo por JR Hildbrand. Em um segundo momento Vitor Meira roda, sendo atingido por Charlie Kimball e Ernesto Viso, que acaba sendo acertado pelo carro de Wheldon.

    Logo mais atrás, Alex Lloyd diminui a velocidade e acaba sendo atingindo violentamente pelo Will Power, que decola e cai sobre o carro de Hildbrand. Ao mesmo tempo Paul Tracy atinge o carro de Tomas Scheckter e acaba sendo atropelado pelo carro da Pippa Man, que acaba caindo junto ao muro, perto dos carros de Ernesto Viso e outro que não pude identificar.

    Não sei dizer ao certo, mas ao que parece um “motim” de carros ajudaram a lançar o carro de Dan Wheldon para a tela de proteção, ao menos foi esta a impressão que tive vendo o vídeo algumas vezes. Analisando por fotos, para que o carro da Pippa Mann “ajudou” no impacto na tela (o carro do Wheldon já vinha se arrastando pelo chão, e subtamente sobe em direção a tela, tendo próximos o carro de Viso e Mann).

    Um conjunto de fatos, em que não dá para dizer que houve um culpado, mas pode-se dizer que a Indycar foi bastante negligente ao não testar o comportamento do carro antes de se fazer a corrida, e também por permitir que 34 carros largassem.