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terça-feira, 8 de maio de 2012 - 19:45F-1

GILLES (4)

SÃO PAULO (30 anos é redondo, ok?) – Gilles Villeneuve não foi grande coisa como piloto, quando se olha apenas para os números. Fez duas poles e ganhou seis corridas em 67 GPs. Isso aí o Button fez na primeira metade de 2009. Mas era “nosso doido favorito”, como bem definiu o Ivan Capelli em sua coluna de hoje no Grande Prêmio. Bem doido. Por isso acabou como acabou, num acidente besta num treino em Zolder — o texto é de Fagner Morais, nosso estreante no site.

Gilles não virou ídolo por ter morrido num acidente. Virou ídolo porque era um show à parte em qualquer corrida, e por isso as pessoas gostavam dele. Gostamos de malucos, ainda que eles sejam irresponsáveis às vezes. Mas, principalmente, porque malucos não se preocupam com resultados, números, estatísticas, objetivos, foco. Apenas vivem.

Um maluco como Villeneuve, naquela F-1 dos anos 70 e 80, seguia seus instintos e tinha como maior ambição ser amado. Amado pela torcida da Ferrari, amado pelo comendador, amado pelos amantes do automobilismo. Isso foi. Tanto que seus erros todos eram perdoados como perdoamos uma criança que comete alguma travessura. E ele errou muito.

Enzo o adorava de paixão. Foi sua aposta para o lugar de Lauda, foi seu menino. Talvez nenhuma morte tenha sido tão sentida pelo fundador da Ferrari quanto a de Gilles, e daquele jeito, carro de um lado, corpo do outro. O acidente foi, realmente, horroroso.

Gilles deixou de herança Jacques, que na F-1 fez muito mais, mas jamais conquistou o coração dos torcedores como seu pai. Não se deve culpá-lo, no entanto. Quem, hoje, conquista sinceramente o coração de alguém a distância, apenas por guiar um carro de corrida? Quem desperta paixões verdadeiras mesmo sendo apenas um maluco beleza, um perdedor para os padrões atuais?

São poucos, e são poucos e poucas os que se apaixonam verdadeiramente pelos birutas do mundo, e por isso é fácil afirmar que outro Gilles não vai aparecer de novo. Ele seria crucificado pelos idiotas da objetividade antes de terminar de soletrar seu nome.

54 comentários

  1. evandro disse:

    para quem quiser,procurem o video “Gilles come era”um documentário italiano dos anos 80 fantástico contando toda a sua história com imagens de Jaques pequeno dentro da 312t depoimentos dos pais , uma despedida comovente de sua esposa,etc.etc…vale a pena.

  2. Tiago N. disse:

    Que carro era aquela ambulância que levou o Gilles? Ela parece muito com a Caravan!

  3. John McClane disse:

    Podem me execrar, mas prefiro pilotos como Villeneuve, Alesi (500 milhas, imperdível), Berger e Patrese, que podem não ter ganhado títulos mas davam um colorido às corridas e eram, pelo menos, grandes coadjuvantes apaixonados e impetuosos. Totalmente o oposto de vegetais de carsima zero e sem alma, como Vettel (cadê o talentosíssimo campeão do ano passado), Hamilton, Webber, Alonso etc. Só se salva o Raikkonen, o melhor da era pós-Schumacher e que lembra o Piquet quanto ao comportamento.

    • John McClane disse:

      Sério, até os brações eram mais legais antigamente. Adorava o Nakajima, Alliot e ele, o grande, o inigualável, o único, De Cesaris. Hoje tem Karthikeyan, Pic… caras que também não têm aquele espírito de barbeiro e que a gente adorava. Enfim, carisma e alma sumiram da F-1.

  4. Edson Bellozo disse:

    Grande texto. Aprendi a admirar a F1 e, conseqüentemente, o seu blog graças ao Villeneuve.

  5. Alvaro disse:

    Interessante notar a precariedade do socorro prestado na época. Uma ambulância pequena (parece até uma “Belina”) sem equipamentos ressucitação, ventilação, etc.
    Para completar o socorrista vai pendurado na traseira com a porta da viatura aberta.

  6. ChristianS disse:

    Para mim muito melhor que o Senna e todos os outros que vieram depois dele. Antes não posso dizer me lembro do Emerson em diante.

  7. Jonny'O disse:

    Fantastico Flávio……….mas ainda creio que um homem pode mudar tudo, até temos algo assim hoje em dia, o proprio Kobayashi é amado e nunca venceu, e deve ter atualmente a maior torcida na F1, porque chegou em um momento que ninguém fazia ulttrapassagens na F1, mas ele chegou e começou a passar como se fosse uma brincadeira…….hehehe…..ainda bem!!!!

  8. Rodrigo Duarte disse:

    Sim, objetividade e pragmatismo este que vem do imperialismo norte-americano.

  9. Breno disse:

    É possível traçar um paralelo com a história de Marco Simoncelli.

  10. Maristela disse:

    Irretocável texto, Flavio. Quando Gilles morreu, eu tinha 13 para 14 anos e gostava muito de F1. Depois de sua morte, tudo ficou mais “mauricinho”. Malucos como ele fazem muita falta ao mundo babaca e corporativoide de hj em dia. Mas fica a lembrança.

  11. André disse:

    Acho que sou um idiota da objetividade. Pra mim, Gilles era só um doido mesmo.

  12. Gabriel disse:

    Gilles era simplesmente sensacional, porque fazia valer a pena assistir a qualquer corrida em que participava.
    Se os pilotos de hoje não fossem tão “chorões” e os “cartolas” pensassem mais no espetáculo que na grana, impondo menos regras.
    Talvez a F1 voltasse a ser o que era e arrebataria muitos mais apaixonados.
    Na F1 nem deveria haver regras para construção dos carros, deveria valer de tudo e da tecnologia mais de ponta possível e quanto aos pilotos a única regra deveria ser jogo limpo sem querer matar o oponente. No resto vale tudo, mudar de trajetória, passar pela “grama”, por fora, etc…

  13. gilles disse:

    Gilles era piloto, como Emerson, Piquet, Senna, Rosberg pai, etcc. e nos dias de hoje como Hamilton, Alonso, guerreiros sem frescura para ultrapassar, o resto e motorista de taxi que liga o taximetro e chegar no final da corrida. Abraços.

  14. Zalex disse:

    pista aberta, primeiros minutos de treino e lá vinha Gilles de lado, duas rodas na grama, como se já fosse a classificação…
    assisti alguma corridas do Gilles, em Brands Hatch 1980, todo mundo ali na frente de carros “asa” que funcionavam, a Ferrari com um carro super ultrapassado, era lento de curva mas em compensação em cada freada era maravilhoso assistir Gilles e a Ferrari, não era tão producente mas era lindo.
    o número 27 é marcado até hoje com a cara do Gilles…

  15. LBM disse:

    Quanto ao Gilles ter morrido em um treino; em 1993, a cada dia treino de classificação, eu achava que era o dia do Senna se arrebentar (naquela época que a McLaren perdia feio para a Willams)…

  16. Fernando Cruz disse:

    Gilles Villeneuve foi o expoente máximo da combatividade ao volante. Poupar material não era com ele, o seu lema era andar sempre a fundo até chegar ao primeiro lugar nas corridas. Mas ao contrário do que muita gente parece pensar, também sabia gerir uma prova de forma exemplar e até poupar material. Se assim não fosse ele não teria sido vice-campeão em 1979, apenas a 4 pontos do seu colega Jody Scheckter. Em 1980 e 1981 ele não teve carros competitivos, por isso andava sempre como um louco tentando os possíveis e os impossíveis para lutar por vitórias. Em 1982 teve finalmente um Ferrari competitivo e provavelmente seria campeão. Era o piloto mais rápido e uma vez na liderança das corridas não iria cometer as loucuras que cometia quando não tinha um carro capaz de ganhar. Tendo um carro dominador seria capaz de fazer o que fez Schumacher entre 2000 e 2004, embora de uma forma diferente.

  17. Helton Garcia Fernandes disse:

    Koba, o Mito, é o atual Doido Favorito.
    O Perez, se não estivesse tão focado na Ferrari, poderia ser tb.

  18. Tailor Junior disse:

    Lembro como hoje, tinha 9 anos, meu pai me levando na barbearia na av. Duque de Caxias, na cidade de Pelotas, quando estava esperando minha vez aparece o plantão da Globo, não tenho certeza mas por volta das 5 da tarde, anunciando a morte do Gilles. Já nutria paixão por F1 e gostava dele, foi um final de tarde triste naquele dia.

  19. Rafael Balneário disse:

    Videos lindos e incríveis sobre Villeneuve!!!!!!!!!!!!!Aquele vídeo de Dijon é um dos momentos mais incríveis da F1 junto com Mônaco 1984!!!!

  20. Luiz G disse:

    Temos que concordar que a Familia Villeneuve se completou.

    Gilles dava um show e fez historia na F1.

    Poucos sabem, mas Gilles tinham um irmão, Jacques Villeneuve, que corria na mesma época. Chegou a correr duas corridas na F1, mas teve uma carreira mais sólida na Indy-Car.

    Jacques (filho) começou sua carreira profissional na F-Indy, onde conquistou o título de Rookie of the year em 1994, foi campeão da categoria no ano seguinte e faturou as 500 milhas de Indianápolis. (orgulho do Tio)

    No ano seguinte (1996) foi pra F1 e foi vice-campeão e no ano seguinte foi campeão com 7 vitórias na temporada. (orgulho do pai)

    Aos 26 anos já tinha conquistado os principais triunfos da carreira de um piloto.
    Eu o considero um dos pilotos de maior sucesso de todos os tempos.

    Seu maior erro foi continuar na F1 por tantos anos. Devia ter ido pra Nascar em 98 e conquistado mais um título inédito.
    Infelizmente, quando ele fez essa tentaviva, já estava velho demais.

  21. Ótimo texto, realmente o nosso doido favorito.

  22. Maurício Freitas disse:

    Flávio, você tem razão em tudo o que falou sobre o Gilles Villeneuve.
    Porém, deixe-me apenas lembrá-lo que os idiotas da objetividade já existiam e faziam a cabeça de muita gente.
    Recordo-me perfeitamente que no ano de 1979 Gilles disputava o campeonato contra o Jody Scheckter e andou cometendo alguns erros, sempre motivados pelo seu excesso de arrojo. Quando ele bateu no GP da Holanda e foi até o boxe arrastando a roda traseira esquerda toda arrebentada, o mundo desabou sobre ele e foi um mar de críticas, todos dizendo que era um irresponsável e não merecia ser campeão.
    O “endeusamento” dele veio com o GP da Espanha de 1981, quando segurou quatro carros atrás de si, de maneira magistral e venceu a corrida. Creio que essa foi a corrida mais sensacional que eu assisti. E o detalhe é que ele podia ser maluco, mas jogava muito limpo com os adversários. Fico revoltado quando vejo hoje a forma como os pilotos “defendem a posição”, praticamente jogando o adversário para fora da pista.
    A cotação do Gilles subiu ainda mais com outra magistral vitória em Mônaco, no mesmo ano de 1981 e aquela incrível corrida do Canadá, sob chuva com a frente em frangalhos, quando chegou em terceiro. Infelizmente o carro da Ferrari ainda não era grande coisa naquele ano e justamente quando fez um decente em 1982, houve o acidente.
    Lembro-me do Edgard Melo Filho, na corrida seguinte à Bélgica lamentando a falta que estava fazendo o Gilles, exatamente porque era a garantia do espetáculo.
    De minha parte eu adorava assistir as corridas com ele na pista, tanto pelo espetáculo como pela lisura como esportista. E li também que como pessoa ele era extremamente amável e educado, embora não fosse nada recomendável andar com ele de carro nas ruas, porque dirigia da mesma forma absurda.

  23. Pedro Moral disse:

    Felizmente sou de uma geração que viu esses caras correrem.
    Gilles talvez não faria carreira na F1 atual, onde quem acelera menos por conta de economizar pneus feito de merda, tem mais chances de ganhar …

  24. Sandro disse:

    Por essas doideras que gosto de ver o Hamilton pilotando e ainda bem que a McLaren deixa seus pilotos a vontade na pista, na Ferrari, por exemplo, só existe idolatria pelos carros.

  25. Crock disse:

    Esse 30 redondo foi foda, o Flavio Gomes perde o leitor mas não perde a piada hehehe.
    Quanto ao Gilles eu ainda não tinha prestado atenção no video do acidente, deve ter sido muito chocante na época.
    Reparem que o sujeito da câmera foca o carro e só depois percebe que o piloto estava do outro lado da pista.

  26. ms disse:

    Gilles Villeneuve….foi…….sem dúvida….. o maior “acrobata” que já passou por essas bandas da f1……seus feitos…..ou seria melhor dizer……suas “travessuras”……já fazem parte dos momentos antológicos da f1……era puro talento…..vai ficar para sempre…. na memória de quem teve o privilégio vê-lo correr…….pena que se foi tão cedo…..

  27. Rodrigo Monassa disse:

    Eu comecei a ver formula um aos seis anos, em 73, e acompanhava amarradão qdo giles faleceu, chorei, sofri muito, pq era isso que o Flavio falou, era nosso querido doido. eu vejo nos dias de hoje como herdeiro dele nosso querido Kamui Kobayashi. o que vcs acham?

    • José Brabham disse:

      Lewis. Lewis Hamilton eh, na minha opinião, o que mais se aproxima de Gilles. Koba também eh candidato, assim como foi, uma época, Montoya.

      • Rodrigo disse:

        José, Respeito sua opinião mas, ao meu ver, ninguém na atualidade da F-1 se iguala, nem chega perto, da doce maluquice de Gilles. Sinceramente, depois do Gilles, não vejo ninguém top no quesito. Talvez um pouco no Thierry Boutsen, nos áureos tempos da Arrows.
        Gilles, se não houvesse o 08/05/1982, seria campeão um dia, ah seria.

      • Zalex disse:

        Boutsen ???? não tem nada que lembrasse Gilles em Thierry Boutsen… me desculpe mas que comparação infeliz

      • Fernando Cruz disse:

        Talvez o colega quisesse dizer Bellof, que dividiu com Boutsen o Porsche da Brun com o qual viria a ter o acidente fatal nos 1000 Kms. de Spa de 1985…

      • Arthur disse:

        E o Senna? Acho que ele tinha um pouquinho do jeito maluco do Gilles. A vontade de chegar na frente a (quase) qualquer custo, a vontade de acelerar até o carro cair em frangalhos, o jeito insano de dirigir na chuva…

        Também sou da opinião que quem mais chegou perto disto atualmente foi o Hamilton. Pena que parece que os idiotas da objetividade já fizeram a cabeça dele.

    • ChristianS disse:

      Concordo o Koba é o que mais se aproxima atualmente, não querendo nem tentar comparar com o MESTRE Gilles

  28. Mario Gasparotto disse:

    Tenho 35 anos e a imagem deste acidente foi uma das primeiras que vi e registrei na minha memória. O famoso “desde que que me conheço por gente” Acho que é por isso que ainda gosto tanto de corridas. Mas não como gostava. Depois é claro, fui saber o que foi Gilles Villeneuve. Umas das histórias mais impressionantes na Formula 1. Daria um filme melhor do que a história do Senna.

  29. José Brabham disse:

    Caramba! Disse tudo! Vai ser difícil achar um texto que sintetize melhor o que os fãs de Gilles viam no grande piloto.
    Bela homenagem!

  30. Jonatas disse:

    Naquele tempo era bem mais divertido ver as corridas… faz falta.

  31. Fernando Monteiro disse:

    Ainda lembro como se fosse hoje o dia da morte do Gilles. Naquela época época não havia transmissão do treinos como tem hoje, porém a cobertura era muito mais completa com mais conteúdo e sem vinhetas inuteis. Foi horrível, ele era meu ídolo, acompanhei toda sua carreira e eu passei a amar a F1 por sua causa. Sempre ouvia falar dos “ases dos volantes do passado” e daquelas corridas antigas e Gilles tinha essas características e a F1 da época até 83, 84 mesmo com os patrocínios, ainda tinha muito daquelas corridas perigosas do passado. Hoje, um piloto como Gilles seria impensável na F1, por isso ela está tão chata. Sóque a F1 e a própria Ferrari se esquecem que grande parte dos seus amantes e tifoses se devem a esses pilotos e as corridas daquela época. A F1 vive de uma tradição bem antiga que permeia nosso imaginário e nossas lembranças. Aqueles boxes sujos, motores jogados em caixotes, asas empilhadas em um canto qualquer, pilotos acampados em trailer dentro do autodromo (José Carlos Pace fez muito isso assim como o próprio Gilles) e outras coisas que hoje soa como piadas mas que aconteciam, mas aquilo me apaixonava, mas aquilo me apaixonava, ali eu via vida, via almas se dedicando àquilo. Hoje essa F1 é asséptica, limpinha, cherosinha, mas sem alma, sem vida, sem corrida, sem nada. Abraço a todos, obrigado por tudo Gilles. O último romantico.

  32. Gustavo disse:

    Foda o texto!
    Gostei da definição pra maluco, “apenas vivem” e teu termo “idiotas da objetividade”, descreve muito do que há por aí, e em vários setores, infelizmente.

    Grd abraço!

  33. totiy disse:

    esse pancão do Gilles sepultou também a chance de Piquet na Ferrari,ele desceu o pau no comendadore e na equipe ,dizendo que o carro era de isopor e Enzo já estava gagá para construir carros,Piquet era foda ,jamais correria nas equipes de hoje.

  34. Carlos Trivellato disse:

    Assisti agora há pouco uma entrevista com Jacques na exibição com a Ferrari de Gilles, se não soubesse de quem se tratava, diria que era um italiano que estava falando, como ele fala bem!

  35. Renato Powell disse:

    Comecei a acompanhar F-1 vendo o Gilles nas pistas. Não foi o Emerson. Acompanhava de longe o triunfo do brasileiro. Não me interessava nas corridas. Achava monótono acompanhar quase 2 horas de transmissão. Foi o Gilles Villeneuve que me fez acompanhar todas as corridas desde aquela prova em Long Beach, que ele terminou a corrida sem o aerofólio. Foi ali que começou a Fórmula 1 pra mim.

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