A MAIOR DAS DECISÕES

A
lusacampea73
De pé, da esq. para a dir.: Pescuma, Zecão, Badeco, Isidoro, Calegari e Cardoso; agachados: Xaxá, Enéas, Cabinho, Basílio e Wilsinho.

SÃO PAULO (eu vi) – 26 de agosto de 1973. Eu tinha nove anos e morava no Rio. Já torcia para a Portuguesa havia algum tempo, desde o final de 1963, quando da concepção. Na TV em branco e preto em Copacabana, assisti à decisão do Campeonato Paulista entre Portuguesa e Santos.

Ganhamos. Afinal, que me conste, a Portuguesa é campeã paulista de 1973. Mas aquela final de exatos 40 anos atrás rende até hoje. Foi a primeira decisão por pênaltis do futebol brasileiro, ao menos em campeonatos importantes, e o juiz Armando Marques errou a contagem, fazendo com que o título fosse dividido entre o grande da capital e o simpático time da Baixada.

Na época, não lembro de ter entendido direito o que tinha acontecido no Morumbi. Sabia, apenas, que anularam um gol do Cabinho e que o Zecão, meu primeiro e maior ídolo no futebol até hoje, pegara o primeiro pênalti cobrado por alguém. Era o suficiente para me sentir campeão.

Zecão foi o maior goleiro de todos os tempos. Sua camisa amarela com listras pretas no ombro e gola partida era um manto que continha uma solenidade jamais alcançada por casula nenhuma de papa algum. Ficava na parede do meu quarto o retrato, destacado da “Gazeta Esportiva”. Se Zecão pegou um pênalti, nessa coisa esquisita de decidir um título nos pênaltis, fomos campeões e pronto.

Em 1993, na “Folha”, fiz uma grande reportagem dos 20 anos daquela decisão. Só foi publicada em dezembro, mais de três meses após a efeméride, porque eu exigi publicá-la em duas páginas livres do jornal. Está aqui, para quem quiser ver (tem de virar as páginas, está no fim do caderno de Esportes). Eu queria desmascarar a falácia de que o Santos tinha sido prejudicado, oh, coitado. Lembrava do gol do Cabinho.

Mas quase ninguém lembrava. Os jogadores da Portuguesa com quem falei, todos. Os do Santos, nenhum. Juiz e bandeirinhas tinham versões desencontradas. E os incêndios nas emissoras de TV, comuns nos anos 70, dizimaram as imagens do jogo — sobraram algumas do Canal 100 e os pênaltis. Um gol fantasma, o do Cabinho. Mais fantasmagórico ainda porque o autor do gol não se lembrava dele. Incrível. Cabinho sofrera um acidente de carro na época e tinha o que se chama de amnésia localizada. Simplesmente não se recordava de um monte de coisa que tinha vivido 20 anos antes.

Sábado, agora, a TV Tribuna de Santos levou ao ar uma reportagem emocionante, depois de promover o encontro de vários jogadores dos dois times que estiveram naquela decisão. Meus olhos se encheram de lágrimas ao ver Cardosinho, Xaxá, Dicá, Wilsinho, Basílio e Badeco. Meus heróis, meus grandes heróis daquela tarde fria de agosto de 1973 no Morumbi com 116 mil pagantes. Metade torcendo para a Lusa, e não acreditem em quem disser o contrário. O estádio estava dividido. Ponto.

Há um ótimo relato dessa final, também, com lindas fotos, no Canelada, em texto assinado por Luiz Nascimento. Tem toda a história do campeonato, a vitória do Santos no primeiro turno, a conquista da Portuguesa no segundo, o título da Taça São Paulo entre um e outro (os torneios foram paralisados para a seleção excursionar) e a origem do time de 1973 — que brotou da histórica Noite do Galo Bravo no ano anterior, quando o presidente Oswaldo Teixeira Duarte mandou embora seis titulares após uma derrota para o Santa Cruz.

Dia desses, o pessoal do Impedimento, o melhor site de futebol do país, me pediu um texto sobre aquele time para a série “Esquadrões Marginais”. Está aqui o texto completo, mas reproduzo o que mandei para eles na íntegra abaixo. Tomara que vocês tenham paciência para ler (ninguém mais lê nada que tenha mais de 140 caracteres, é uma batalha inglória, mas dane-se).

A Portuguesa dos anos 70 era o melhor time do mundo. Se não foi campeão mais vezes, azar do mundo.

Para que se entenda o que era a Portuguesa naquela década, talvez seja razoável lembrar os desinformados que o goleiro da seleção brasileira campeã no México era da Portuguesa, Félix. Se ele já estava jogando pelo Fluminense na ocasião, é detalhe pouco relevante. O mesmo vale para o lateral-direito Zé Maria, furtado do Canindé pelos vizinhos da Marginal sem número.

Éramos, portanto, o melhor time do mundo. Até a noite de 13 de setembro de 1972, quando fomos derrotados miseravelmente pelo Santa Cruz no Parque Antarctica por 1 a 0. Jogávamos no modesto estádio dos co-irmãos da Pompeia por uma razão bastante simples. Nosso estádio, o Independência, inaugurado alguns meses antes, ainda não possuía a iluminação adequada para partidas noturnas. Assim, concedíamos aos rivais da zona oeste a honra de jogar em seu gramado.

Pois que perdemos para o Santa Cruz, e naquela noite o doutor Oswaldo Teixeira Duarte decidiu demitir metade do time. Foram seis dispensados, todos titulares: Hector Silva, Lorico, Samarone, Ratinho, Piau e Marinho Peres. Foi a Noite do Galo Bravo. As dispensas foram anunciadas em coletiva de imprensa no dia seguinte pelo presidente em lágrimas. “Este clube hoje não mais aceita atletas que depois de um mau resultado comparecem à imprensa e afirmam que não têm motivação para ficar aqui. E como é duro para nós dizer para um atleta como o Marinho que não o queremos mais aqui dentro! O que vou dizer ao meu associado que gosta e adora o Piau? Mas eu não posso jogar o dinheiro do clube fora.”

(Tem áudio desse pronunciamento do presidente, no blog do jornalista Milton Parron, da rádio Bandeirantes.)

Doutor Oswaldo mandou metade do time embora e no ano seguinte deixamos de ser o melhor time do mundo para nos tornarmos o melhor do universo, fomos campeões da Taça São Paulo e à decisão contra o Santos. Zecão; Cardoso, Pescuma, Calegari e Isidoro; Badeco e Basílio; Xaxá, Enéas, Cabinho e Wilsinho. Esse era o time dirigido por Oto Glória, o homem que mais entendeu de futebol no planeta em sua e em todas as épocas. O Santos tinha um goleiro que se chamava Cejas. O resto do time, sinceramente, não me vem à memória. Não devia ser muito bom.

Fomos evidentemente roubados naquele jogo de 116 mil pessoas no Morumbi, numa noite de agosto, um ano depois da Noite do Galo Bravo. Só falam nos pênaltis, a conta ridícula que só favoreceu o clube da Baixada. Não nos foi dada a chance de empatar. Faltavam dois para cada lado, e estava 2 x 0 para o time deles. Antes, no tempo normal de jogo, Cabinho teve um gol anulado de forma bizarra. Tão grotesca a marcação da arbitragem que após esse jogo os arquivos de todas as emissoras de TV foram queimados para que não sobrasse registro do escalpo. Não há imagens do gol de Cabinho. Mas há dos pênaltis. Incêndios criminosos e muito bem engendrados.

Eu me lembro, porém. Do gol e de tudo. Assisti ao jogo em preto e branco pela TV no Rio de Janeiro, onde morava. Na minha parede, colada com durex, havia uma página da “Gazeta Esportiva” com uma foto gigante de Zecão, o maior goleiro de todos os tempos. A camisa era amarela, com faixas pretas em torno do sovaco e gola preta dividida em dois. Não sei explicar isso escrevendo. Espero que o editor deste texto chinfrim encontre uma foto de Zecão com a camisa amarela para que o leitor compreenda a descrição da camisa.

Detalhe que é importante, neste relato, porque eu queria uma camisa daquela de qualquer jeito, e minha mãe só encontrou, no Rio, uma cor de laranja com a faixa preta no sovaco, mas a faixa não contornava o ombro inteiro, era interrompida na altura dos ombros, também não sei explicar, mas o fato é que era apenas semelhante, não igual, e aquela camisa amarela do Zecão tornou-se uma obsessão para a vida toda, o Santo Graal que nunca encontrei.

Zecão pegou o primeiro pênalti na final de 73 e como aquela era a primeira decisão por penais realizada no Brasil, acho que já deveria ser o bastante para que a taça nos fosse entregue. Não sei de onde tiraram a série de cinco, e depois as alternadas. Perdeu o primeiro, acabou. É o que acho mais justo, quando se trata da Portuguesa. As outras decisões por pênaltis não me interessam particularmente e podem adotar as regras que quiserem. Mas no caso do meu time, creio que se o goleiro pegar o primeiro, como Zecão pegou, está de bom tamanho.

Não estava, porém, e o juiz errou, nos roubou, terminou antes, e o time, dada a decisão do árbitro, se retirou do estádio. Foram buscar nossos jogadores no vestiário para seguirem as cobranças, mas o que queriam? O jogo tinha acabado, não? Se acabou, nada mais tendo a fazer aqui, vamos embora. E fomos. Se resolveram nos dar o título depois, dividindo com os do Litoral, já não era mais muito importante. Apenas mais uma taça. Claro que éramos campeões, como sempre fomos.

Em 1975, praticamente com o mesmo time, fomos derrotados nos pênaltis, de novo, pelo São Paulo. Em 1976, ganhamos a Taça Governador do Estado ao golear o Guarani no Palestra por 4 a 1 com Silvio Luiz, olho no lance, apitando. Como se vê, eram finais aos borbotões e desfiles de craques, sendo Enéas o maior de todos. Dizia-se, na época, que o Enéas do Palmeiras era o Ademir da Guia, o do Flamengo era o Zico, o Enéas do Santos era Pelé.

Deixamos de ser o melhor time do mundo no final da década de 70, com um canto do cisne em 1980, o vice-campeonato do primeiro turno numa final com o Santos. Depois entramos numa crise que, esporadicamente, visita outras glebas e nos permite glórias fugazes, como a Série B de 2011.

Desses anos 70 me recordo das noites geladas no Pacaembu e das manhãs no Canindé, jogávamos muito de manhã, às 11h, com as arquibancadas repletas de garotas de biquíni que deixavam as piscinas para ver a Lusa e, depois, voltavam à água e ao sol, lindas e bronzeadas. Havia três torcidas organizadas, a Leões da Fabulosa, a Corações Unidos da Portuguesa e a Força Jovem. Usávamos, na Leões, calças brancas e camisas vermelhas. Era o uniforme principal do time, também. A CUP tinha lindas bandeiras brancas com um coração vermelho no meio. A Jovem era formada por uma molecada valente, camisas verdes com gola e mangas vermelhas. Colocávamos 15, 20 mil pessoas em alguns jogos. Nunca menos do que 10 mil, contra qualquer adversário.

Havia enorme respeito pela Lusa, algo que foi se dissipando ao longo dos últimos anos e tenho uma tese para explicar isso. Quando caímos, em 2002, estava começando esse negócio de videogame de futebol. Fifa, PES, essas merdas. A garotada passou a ter essas coisas como referência. Futebol existia primeiro ali, depois na TV e, depois, na vida real. Quem não existia no Playstation e na Globo, portanto, não poderia existir na vida real. E a Portuguesa foi eliminada do mundo pelos games e pelos programas de TV, feitos por moleques igualmente educados pelo Playstation.

E é por isso que essa gente retardada não entende quando quem realmente conhece futebol diz que Portuguesa x Corinthians, ou Santos, ou São Paulo, ou Palmeiras é um clássico. Por isso que um reporterzinho, outro dia, tomou uma invertida linda do Muricy Ramalho quando o técnico interrompeu o fedelho, que lhe perguntava por que o São Paulo não tinha ganhado nenhum clássico naquele ano. Como não? Ganhamos da Portuguesa, disse o Muricy. E o frangote, com os dedinhos nervosos no smartphone, se espantou e falou: como assim, Portuguesa é clássico?

O moleque deveria ser empalado e o smartphone enfiado em seu rabo, mas sobreviveu porque somos generosos e da paz.

26 de agosto de 1973. Foi nossa última grande conquista, embora o título da Série B de 2011 me seja muito cara, assim como o vice-campeonato brasileiro de 1996 para o Grêmio de Felipão. Essas vivi mais de perto, no estádio, onde se deve. Mas eu morava no Rio há 40 anos, e assisti àquela decisão, a maior de todas na história do futebol, na TV em branco e preto. O branco era o Santos. O cinza era a Portuguesa. O Zecão era o de amarelo. Sim, sei que ninguém vai acreditar, mas naquela TV em branco e preto a camisa do Zecão era amarela, não me perguntem como.

zecaoidoloam

Sobre o Autor

Flavio Gomes

Flavio Gomes é jornalista, mas gosta mesmo é de dirigir (e pilotar) carros antigos.

36 Comentários

  • Belo texto. Você é um legítimo torcedor. De arquibancada mesmo. Morando em Taubaté e torcendo pelo Corinthians, gostava de ver a Portuguesa jogando. Acompanhava os video tapes, pela tv Bandeirantes(agora inventaram essa “viadagem” de Band!) geralmente com a locução de Alexandre Santos. Belos jogos, com bela transmissão. Emocioante o texto, onde você admite ir as lágrimas ao ver seus ídolos. Bacana.

  • Wilsinho era um ponta encardido. Basílio tinha qualidades. Badeco era tão xerife que virou delegado na vida real. Enéas, um extra-série. Realmente um time memorável, de orgulhar os Leões da Fabulosa. Ei, bom saber que somos da mesma boa safra de 63!

  • o mais massa dessa época era a seriedade ao se tirar a foto para o poster…acho impagável os jogadores em pé, sempre os de defesa,com os braços cruzados, impondo respeito, serios, sisudos, cara de poucos amigos,, a classica foto do goleiro com as luvas espalmadas invertidas sobre o tórax tambem é emocionante… a simplicidade do uniforme sem a porra dos patrocinios tambem mostram o nu e cru do time,
    tenho um poster do vascao da decada de 90 e anos 2000 com todo mundo na foto(massagistas, medicos, crianças, roupeiros e o caralho a 4) com todos os jogadores com bones de aba gigante com patrocinadores, uma coisa ridicula!!!
    salve os antigos esquadroes e sua poses e fotos classicas!!!

  • Eu estava no estádio… estava realmente dividido. Lembro bem por causa das bandeiras que os torcedores levavam.

    A Portuguesa tinha realmente um timaço e jogo foi pau-a-pau… Os dois goleiros trabalharam bastante.

    Infelizmente nos penaltis eu estava saindo e nao pude ver… O estádio estava super-lotado e meu pai quis evitar a muvuca da saída.

  • Flávio, apesar de torcer para o time da “marginal sem número” (embora tenha inúmeros marginais – vide caso de Oruro), gosto do futebol bem jogado e das histórias que o mesmo gera. Quando pequeno, antes de torcer, gostava de saber sobre os times. Uma das minhas remotas lembranças foi um jogo num sábado entre Corinthians e Portuguesa. 1×0 Lusa, gol do Toquinho (lembra-se dele?). Não sei porque esse jogo me marcou. Agora, o simpático time do Canindé merecia ter tido melhor sorte várias vezes. E, só para acrescentar, há um hiato aí na sua história, ao menos na visão de um “moleque” que devorava tudo sobre futebol (pela TV e pelas páginas da Gazeta Esportiva). O grande time da Portuguesa de 1985 (vice-campeão). Um time que tinha Luís Pereira (já em fim de carreira, mas jogando muito), Toquinho, Célio, Esquerdinha e Edu Marangon. Torci muito pela Lusa naquela final, mas como você diria, o SPFC com três gols roubados levou o caneco! O técnico, se não me engano, era Jair Picerni (é isso mesmo?). Talvez a maior explicação para o vice estivesse aí no banco (rs).

  • O “simpático time do litoral” era muito mais time, tinha o maior jogador de todos os tempos e perdeu vários gols. A Lusinha jogou na retranca e teve uma grande chance apenas na prorrogação.

    Na decisão por pênaltis o Santos levava vantagem de dois gols e a Portuguesa poderia, no máximo, empatar as cobranças. O Armando Marques encerrou a decisão faltando ainda duas cobranças.

    As torcidas no Morumbi estavam realmente divididas: a do Santos x torcedores rivais junto com os da Lusa.

    Abraço.

  • Meu Deus, aonde vamos parar?
    Como podemos ter prazer em assistir um jogo?
    Só dissabores e nenhuma providencia.
    Sera que depois de cair mais uma vez para serie B não vão acabar de uma vez com o Futebol de LUSA? e alugar o Canindé para eventos?
    Sera que vamos ter alegrias além de cair e subir na series A e B, ou talvez uma serie C, meu Deus.

  • Olha Flávio, não sou torcedor da Portuguesa Desportos mas, me lembro muito bem dessa final contra o Santos, eu tinha 14 anos de idade. Quando você escala esse time acima, a gente para e pensa, poxa! como esses caras jogaram muita bola e onde foram parar ? Já tinha esquecido o nome de muitos deles mas um em especial ficou marcado para sempre e acho até que é a lembrança mais viva para os seus torcedores, Enéas, esse sujeito era simplesmente maravilhoso com as bolas nos pés. Ainda hoje quando vejo a Portuguesa jogando (TV) a primeira lembrança é desse jogador Fantástico que marcou esse time.Se para mim, a lembrança está mais do que viva, imagino para os seus torcedores o tamanho da saudade e carinho do seu ídolo. Não quis aqui desmerecer nenhum outro jogador pois, todos foram espetaculares e estão gravados na história da Lusa.

  • Eu me recordo deste jogo, pois tinha a mesma idade que você, à época. Me lembro que os jogadores da Portuguesa foram para cima do Armando Marques após ele encerrar as penalidades e ele simplesmente não quis ouvir, ficava abanando as mãos, gesticulando que a decisão tinha acabado. O mesmo juiz que um ano depois, em 1974, meteu a mão no Cruzeiro naquela decisão contra o Vasco, ao anular miseravelmente um gol do Zé Carlos.

  • eu li o texto todo para o meu pai… vi umas lágrimas enchendo os olhos e ele , que estava no Morumbi me contou a aventura que foi ele e minha mãe irem …
    Muito bacana a lembrança … uma pena não estarmos vivenciando tempos assim

  • Lembro bem desse belo time da Portuguesa…..os nomes eram marcantes, escutá-los nas transmissões de rádio ou com o Alexandre Santos no Gol, O Grande Momento do Futebol….Enéas era craque, Basílio chegou no auge em 77 na maior final de todos os tempos e de todos os mundos…e mais um detalhe, essa camisa do Zecão era diferenciada mesmo, novidade na época, acho que no Rio tinha um goleiro que usava uma parecida, não lembro exatamente quem, acho que do Vasco…

  • Recordar é viver!
    Quem torce de verdade por um time de futebol não esquece os sons, as cores ,os perfumes e os sabores que acompanham cada disputa.
    Estive no Morumbi lotado em agosto de 73!
    Tinha 13 anos , dois irmãos (mais um que viria dois meses depois) e um pai DOENTE PELA PORTUGUESA…
    Fomos num grupo de 5, com camisas vermelhas, bandeira para fora do carro ( Corcel 73, vermelho cardeal) e a certeza que daquela vez seríamos campeões!
    Vi todos os gols que perdemos e tirei com os olhos todas as bolas que rondavam nossa meta.
    Vieram os penaltis, novidade que nos atormentam até hoje, e de repente, os de ‘branco” erguiam as mãos aos céus… Alguém os havia declarado campeões.
    Não tivemos tempo de raciocinar, mas nosso Oto Glória , como um raio , tirou o time de campo e nos deu o titulo paulista.
    Bom lembrar tudo isso!
    Bom sentir-se vivo e aguardar a próxima decisão!

    PARABÉNS LUSA!

    Fomos com as camisas vermelhas e uma bandeira enorme de cetim , com faixas verdes e vermelhas convergindo para um dos cantos superiores

  • A Lusa é um caso intrigante = nos anos 50, era uma das forças do futebol paulista e, portanto, brasileiro; cedeu jogadores para Copa de 54; tem um dos mais bem localizados estádios da cidade de São Paulo; é representante de uma comunidade importante e forte economicamente, a dos portugueses. Tinha e tem tudo para ser uma equipe forte, lutando com frequencia por títulos, mas não consegue dar aquele salto que a deixaria constantemente em pé de igualdade com os 4 grandes de São Paulo. O que falta para esse salto?

    • Simples: da mesma forma que os portugueses têm dinheiro, os que estão lá dentro só pensam em roubar o clube. A Votorantim, que é de um descendente português, quis fazer uma arena no Canindé, fechando o anel superior e reformando o estádio inteiro. O que fez o nosso pseudo-presidente? Recusou a oferta, alegando ter algo melhor. Estamos esperando até hoje. O Pão de Açúcar, que é de outro descendente português, mantém DOIS TIMES DE FUTEBOL, mas não investe na Portuguesa. Acha que esses empresários vão investir seu dinheiro e saber que ele irá desaparecer? Respondendo a sua pergunta: o que falta para o salto da Portuguesa é limpar a corja da velharada portuguesa lá de dentro e profissionalizar o time de futebol. Sabe quando? Nunca.

  • Não li texto. Motivo: já tinha lido quando da primeira citação do mesmo nesse blog. Curiosamente, prefiro textos com mais de 140 caracteres.

    Gosto da forma como o Flavio separa as coisas: torcida é doente, irracional, apaixonada. E o trabalho como jornalista é recional, lógico, e com o devido distanciamento. Sem promiscuidade nem putaria. Sem ufanismo.

    Poderia dar um curso disso na Globo, Flavio. Anima?

  • Nesse jogo eu estava na casa do meu tio e ele estava consertando um chuveiro e ouvindo pela radio Jovem Pam am, como eu me divertia com ele quando estava nessa sessão de relaxamento ou melhor xingamento, pois toda vez que ia tentar consetar alguma coisa ele xingava muito e acabava dando umas marretadas naquilo que poderia ter uma salvação se fosse dado a algum técnico especializado. Esse meu tio era uma comédia além de ser descendente de português e corintiano, mas gostava de torcer contra a Portuguesa por causa da minha bisavó que era portuguesa, sogra dele e torcia para esse time. Bem, o que posso dizer afinal, aquela coisa que estava mexendo foi parar no lixo todo marretado, toda a geração de Lusos que o Cabral trouxe na sua descoberta foi amaldiçoada a afundar nas suas malditas caravelas, mas o que também me divertiu foi a narração do jogo que com todo entusiasmo do locutor mencionava o grande feito do goleiro nas suas defesas comparando-o com um gato em seus pulos, isso deve estar guardado nos arquivos da rádio, esse foi o único jogo de futebol que gostei de escutar pelo rádio. Obrigado Portuguesa por ter me dado essa diversão na minha vida.

  • FG, eu nasci neste ano, mas garanto que o gol foi legítimo!!! Seu texto me deu saudades dos domingos em que ia no Canindé pela manhã para ver os jogos e fica admirando as piscinas antes e depois dos jogos…. Agora, goleiro por goleiro, o melhor foi o Everton, lembra? E do Moacyr, com seu “perfeito” golpe de vista……

Por Flavio Gomes

Perfil


Flavio Gomes é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.” Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo”, revistas “Placar”, "Quatro Rodas Clássicos" e “ESPN”, rádios Cultura, USP, Jovem Pan, Bandeirantes, Eldorado-ESPN e Estadão ESPN — as duas últimas entre 2007 e 2012, quando a emissora foi extinta. Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020. Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o "Grande Prêmio" passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o "Esporte de Primeira" na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Em 2005, publicou “O Boto do Reno” pela editora LetraDelta. No final do mesmo ano, colocou este blog no ar. Desde 1992, escreve o anuário "AutoMotor Esporte", editado pelo global Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, "Dois cigarros", pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas "Gerd, der Trabi" (Gulliver, 2019). É torcedor da Portuguesa, daqueles de arquibancada, e quando fala de carros começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs e Volkswagens de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. É com eles que roda pelas ruas de São Paulo e do Rio, para onde se mudou em junho de 2017. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020.
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