DE SAÍDA

RIO (tremendo, sem jogo) – Tony Fernandes não vai insistir com a Caterham. Victor Martins conta direitinho aqui o que está acontecendo. Tem a ver com o sucesso do QPR no futebol inglês — vai demandar mais tempo e atenção. Mas tem a ver, principalmente, com o fracasso da aventura na F-1. É o quinto ano do time, um dos nanicos, na categoria. Chegou em 2010 como Lotus (nome do qual teve de abrir mão) ao lado da Virgin e da Hispania. A Virgin já virou Marussia e conseguiu seus primeiros pontos neste ano em Mônaco, uma façanha inenarrável. A Hispania mudou de nome para HRT e já fechou as portas.

A Caterham, com a Renault e Kobayashi, prometia alguma coisinha nesta temporada. Não vai acontecer nada. Como nem todo mundo rasga dinheiro, principalmente empresários bem-sucedidos, não se deve esperar que o time siga sua vida. Se alguém comprar, OK. Mas quem, em sã consciência, compra uma equipe de F-1 hoje em dia?

catdesaida14

Comentários

  • Equipes pequenas acabam se tornando folclore na F1 e, invariavelmente falem. Talvez a única equipe que começou pequena e vingou foi a Williams, muito pela união de talento e os petrodólares vindo do Oriente Médio oportunizados no final dos anos 70.
    Aproveitando. Estou percebendo o pessoal com reclamações sobre a economia de combustível. A estes indico assistir a um GP da década de 80 no qual todos os pilotos lutavam com as últimas gotas no final para conquistar alguma posição. Era comum algum destes galgarem várias posições e chegar até ao podium baseando-se somente na economia. Lembram-se do Boutsen com um arrows em Imola 85 empurrando para cruzar a linha, mesma corrida que Senna teve que abandonar por falta líquido no tanque e a vitória acabou caindo no colo do De Angelis após a desclassificação de Prost? Só para citar um exemplo.

  • Assim como o Fábio já mencionou, o Gene Haas tá chegando, e ele é um cara sério. Não que o Tony Fernandes não fosse…
    Pessoalmente, eu acho que alguma marca européia poderia se interessar. Deixar Renault e Mercedes ficarem faturando em marketing sozinhas me parece estranho. Será que não tem uma Audi, VW, Porsche, Opel, Maseratti, Vauxhall ou outra pensando não ?

  • É triste ver mais uma equipe saindo da F1.

    Vai ser difícil alguém comprar a equipe, mas existem os investidores que ficaram de fora da última abertura de vagas da FIA.

    Tomara que alguém o faça, e de maneira competente.

    Abraços.

  • “OK. Mas quem, em sã consciência, compra uma equipe de F-1 hoje em dia?”

    Vijay Mallya comprou a Spyker em uma época pior que a de hoje. Se bem que a base era(e ainda é) boa…

  • Palpite meu. Pode pintar a Russian Time que está na GP2. O banco russo SMP investe em várias categorias como a GP2, WEC e Indy, não duvido comprarem e trazer o Petrov devolta.
    Sobre o futuro da F1 só vejo mudanças pra melhor quando o Bernie sair. Talvez a saída para salvá-la seja o caminho que todos são contra, que é a padronização de chassis, câmbio, eletrônica dos carros baseado no ocorre na NASCAR.

    • Um regulamento mais simples já ajudaria bastante. Motores de 1600cc com turbo com uma configuranção minima de 4 cilindros e máxima de 12 que poderia ser em linha , V ou W ;a marca do propulsor escolheria a melhor forma para o seu projeto, tirar o DRS, os pneus se manteriam o que seriam hoje mas com algumas alterações nos 5 tipos (duro,médio,macio,intermediário e chuva) sem a obrigação de usar os dois tipos nas corridas. Asas traseiras voltariam as mesmas dimensões que eram antes de 2010. Treinos nas sextas com um tipo de pneu em cada sessão, por exemplo duros na sessão da manhã e médios na sessão da tarde mas na sessão de uma hora no sábado em conjunto com a sessão de classificação teremos a opção do macio somados aos outros dois compostos cabendo a equipe utilizar os pneus que usará na corrida. Se vai funcionar? Só colocando em prática pra ver.

  • Bem, se sobrarem somente as equipes fortes – Mercedes, Ferrari, Red Bull e Mclaren – e uma equipe satélite para cada uma, dá 16 carros. Não seria nenhum desastre.

  • Totalmente fora do tema. Flavio, por acaso ainda tem o Boto do Reno para venda??
    Moro em Curitiba e não consegui achar em algumas livrarias que fui. Desde já grato

  • Talvez o rompimento do negócio na parceira com a Renault para montar os Alpines também contribuiu para o fim do projeto da F1, ele contava com esse dinheiro para manter a equipe. Fernandes precisará de muito dinheiro para mante-se na Premier League; vendo que teria duas grandes despesas então decidiu vender aquela que dá maior prejuízo para ele (a equipe de F1). O valor da venda da equipe de F1 ajudaria no orçamento do Queens Park Rangers nos próximos anos.

  • Acho péssimo que mais e mais equipes caiam fora da F1. Tudo começou em 2008, com o tsunami econômico que varreu o mundo. Naquela época, gente mui grande e poderosa como BMW, Honda e Toyota ou fecharam as portas ou conseguiram vender a preço de banana seus espólios. “Ah, vamos atrair mais equipes pessoal!”, algum gênio se tocou. Pois não. Apareceram a atual Caterham, a Virgin e a HRT. A última evaporou; Branson vendeu aos russos o seu time; e Fernandes ainda resistia. Não mais. Não se enganem, a Caterham não será a última a picar a mula nos próximos ( poucos ) anos. Mais gente pegará o boné e dará o fora também. Sauber? Marussia? Lotus? São belíssimos candidatos a sumirem das pistas de Bernie Ecclestone, cada vez mais despreocupado com a categoria, somente com os seus lucros e o medo de parar no xilindró da justiça inglesa que, como sabem, mete colarinho branco em cana, sim, senhores. “Ah, mas sempre haverá alguém querendo entrar!”, diz algum incauto. É mesmo? Quem? O mundo mudou, senhoras e senhores, e bastante. Com os custos nas alturas, quem quer rasgar dinheiro para andar na rabeira do grid anos e anos a fio, na promessa vã de desenvolver o carro pouco a pouco até atingir os píncaros da glória. É complicado. E irrealista. Fernandes, coitado, acreditou nessa balela e se lascou, para não usar outro termo. Se até o Alain Prost, peixe grande e tetracampeão, com todo o apoio da indústria francesa ( Peugeot e Gauloises ) e com pista para treinar à volonté em Magny Cours se quebrou miseravelmente, imagina os bagrinhos. Não é por menos que o nome de Piranha Club cabe tão bem à F1.

    • Ora meu caro blogueiro, sabemos que uma crise econômica dificulta a maioria das mercados, mas, o sistema capitalista sempre dá um jeito de se adequar as demandas . E a F1 como um grande conglomerado que é não será diferente, e despeito da cobiça de alguns dirigentes como Bernie. Além do mais o espólio dessas equipes e seu “know how” ´é um facilitador importante para sua aquisição, atraindo grupos empreendedores ou upgrade de equipes alpinistas de outras categorias do automobilismo. Não esqueça que já houveram sucessões relativamente bem sucedidas na F1 como a Toro Roso, ex-Minardi e Force India, ex-Jordan, ex-MF1 e ex-Spyker. Outro aspecto é que muitas vezes o core business dos big boss dessas equipes é contratar pilotos ambiciosos com seus patrocinadores milionários, indiferentemente de talento ou experiência profissional, tornando-se porta de entrada para nomes desconhecidos que necessitam de um foco internacional para suas carreiras. Pra encerrar num mundo em que pessoas pagam fortunas em terrenos na LUA, passeios de algumas horas no espaço, abrigos anti-nucleares e até congelamentos do corpo para eternidade, comprar uma equipe de F1 não chega a ser uma “loucura”.

    • O Prost mostrou toda sua habilidade diplomática em perder todos os apoios franceses ao longo dos anos. Tanto que, quando precisou em 2001, ficou ao relento (mas com o patrimonio quase intacto).

  • As histórias das equipes pequenas são sempre imprevisíveis, umas mal conseguem se manter por mais de um ou dois anos e outras conseguem ser vendidas e se tornam médias. Pelas dificuldades que as equipes grandes estão passando imagine como é o mundinho das equipes nanicas. Por isso fico pensando o que esperar da equipe norte-americana quando entrar na F1.

    • Não se esqueçam que a Mercedes nasceu BAR e a RedBull nasceu Stewart! As duas, depois de mudarem de direção algumas vezes foram compradas por organizações que lhes deram folego para serem grandes campeãs.