MIL TEXTOS

SÃO PAULO(obrigado, muito obrigado) – É uma dupla que começa com G. Gabriel Araújo, um garoto de Jacareí que, por alguma razão pouco compreensível, é meu fã. Tem 16 anos, será jornalista, certeza. E dos bons. A outra é Gisèle de Oliveira, esta já uma jornalista especializada, a quem chamo apenas de “È” porque acho o máximo esse acento grave no “E”. Das boas.

Há algum tempo eu pensava em reunir todas minhas colunas, de anos e anos de imprensa escrita e internet, num lugar só. Elas foram se espalhando por aí, primeiro apenas em jornais, depois no embrião do Grande Prêmio, o glorioso Warm Up (que até hoje é o nome da minha empresa), depois sumindo e aparecendo nas várias versões do site. No início eu gravava todos meus textos em disquetes. Sim, disquetes. Eles ainda existem, mas receio que nenhum equipamento atual seja capaz de lê-los.

No iG, enquanto o Grande Prêmio esteve lá (entre 1999 e 2012), essas colunas eram depositadas numa área específica do site. Mas as sucessivas reformulações da página, que hoje é a maior do mundo em língua portuguesa sobre automobilismo, e depois a migração para o MSN exterminaram a velha e boa coluna Warm Up.

Mas a dupla de Gs foi atrás. Primeiro o Gabriel, depois a Gisèle, há uns dois ou três anos, começaram a reunir tudo com um trabalho de arqueologia digital inacreditável. Formataram, corrigiram, arrumaram, organizaram. E foi “È” quem montou o site que já está no ar há alguns meses, mas que eu não havia ainda divulgado porque pretendia dar um tapa final, ilustrar com fotos e desenhos, indexar alguns temas e tal.

Mas me conheço, e não sei se um dia terei tempo de fazer isso. Assim, não tem cabimento deixar esse trabalho oculto. Mesmo as colunas Warm Up se tornaram erráticas nos últimos anos, depois que parei definitivamente de escrever para jornais, em 2011 — a F-1 não tem mais espaço na mídia impressa, no papel que sempre amei e amarei até o fim da minha vida. A explicação para isso é simples: este blog, na prática, substituiu as colunas semanais, escritas sempre às sextas-feiras para publicação, no caso dos jornais, aos sábados. Não faz mais sentido esperar cinco dias para escrever sobre uma corrida que acabou de acontecer, no domingo. Ou sobre um tema que veio à tona, sei lá, na terça-feira. Os leitores exigem, e estes tempos também, que tudo seja rapidamente destrinchado, analisado, resenhado.

São 19 anos de colunas semanais, que também foram publicadas, entre 1997 e 2010, no “Lance!”. Não tenho ideia de quantos textos estão disponíveis. Considerando que um ano tem em média 52 semanas e que escrevi em todas elas, são 988. Mas devo ter pulado uma semana ou outra de férias. E pode ser que em alguns períodos tenha escrito mais de uma por semana. Juro que não lembro. Fiquemos com um número redondo e possível: mil textos.

Está tudo lá, para vocês lerem e comentarem à vontade.

Quanto à dupla G&G, minha eterna gratidão por cuidar deste acervo que pode nem ser tão importante assim,reconheço. Afinal, são só escritos sobre corridas de carros. Mas que, na prática, é uma grande parte da minha vida.

Comentários

  • Creio que ano que vem também chego às mil colunas, Flávio. Aliás, estou pensando até em lançar em breve uma coletânea na forma de livro impresso, para ver o que pessoal acha. Há uns 3 anos, passei a colocar os textos que publicava em jornal também na internet, no endereço http://pista-e-box.blogspot.com.br. Talvez minhas colunas não tem a classe e a fama das suas, mas creio que dou algum caldo. Convido-o e a todos aqui a darem uma espiada quando tiverem oportunidade, chance, ou curiosidade. E vamos nós rumo à marca das mil colunas, ainda chegarei lá…

  • Desde 2001, quando passei a ter acesso a internet, tentei acompanhar seus textos. Imprimi muitos e os lia quase todos os dias, até atualizar. Gostava bastante também dos textos do Everaldo Marques e do Edgar…
    Muito bom o resgate de tudo isso, porque pra mim, representa quando sonhei ser jornalista.
    Lembro quando o Flávio fez uma palestra na Uninove, convidado por mim, o qual ele aceitou prontamente.
    Muito bom reviver tudo isso…
    Obrigado à dupla G&G pelo trabalho!

  • Muito bacana esse juntado dos seus textos e olha só o que achei

    NOVELAS E SURUBAS – 03/11/1995 (sim, fui atraído pela palavra suruba no título )

    Uma pequena citação deste texto
    ‘””Claro que essa popularidade caiu nos últimos tempos, junto com o interesse geral das pessoas pela Fórmula 1. De um ano pra cá, o táxi embica na rua de casa sem grandes problemas, o pessoal do botequim acena e fica por isso mesmo.””

    O interesse das pessoas por f1 vem caindo desde 95. Triste.

  • Muito bom! Flavio, caro escriba, foi através da Warm Up, no iG, que conheci seu texto. Despertou minha atenção pela personalidade e pelo estilo. Com acuidade na informação e a essência lúdica de quem tem prazer com o que faz, você proporciona ao leitor uma ótima leitura Parabéns, aos jovens que criaram o site e a você, pelo que escreveu, escreve e escreverá. Bravo!

  • Sencacional!!! Palmas para a dupla G&G por terem realizado este trabalho tão importante para o automobilismo mundial (por que nao?)! Estou lendo os textos em ordem cronológica. Muito bons! Comecei a ler e nao consigo parar!

  • Estou tentando fazer a memória funcionar, mas não consigo encontrar outra manifestação tão contundente de reconhecimento ao talento de um jornalista. Se não é a maior, certamente é uma das maiores provas da importância do trabalho de um jornalista.

    PS: Por jornalista entenda-se Flavio Gomes.

  • Faz mais ou menos uns 30 dias que encontrei esse site em uma pesquisa no google. Ate postei nos comentários de algum post aqui no blog.

    Sempre gostei de guardar artigos sobre f1. Ate hoje tenho muitas colunas suas no lance. Aquela sobre o estranho caso da Benetton ou então aquela em que foi descoberto como repórter numa festa de criança. Hahahahaha

    Sensacional isso. Parabéns a todos os envolvidos.

  • Parabéns Flávio Gomes, Gabriel e Gisèle!
    Acompanho seu trabalho desde a ESPN comentando F-1, futebol e outras coisas e gosto do seu discernimento e maneira lúcida de observar. Sinceramente acho bajulação um saco, mas esse site é o 1º que venho buscar quando quero ler sobre automobilismo e presta um serviço importantíssimo para manter a força desse esporte, sem oba oba e purpurina.
    abs.

  • Parabéns aos dois, trabalho excelente!

    E entrou para a história:

    “Schumacher conhece a choldra e aceitou mesmo assim. Aos 26 anos de idade, deu para encarar desafios. Sabe que é muito melhor do que todo mundo, mas que só vai entrar para a história, mesmo, se ganhar um campeonato na choldra vermelha. Isso sob o risco de afundar na crise eterna da Ferrari. Precisa ser macho.”

  • Sempre achei que era seu fã, mas eles são mais.
    Parabéns ao trabalho de todos!

    @flavio
    Fui seco procurar o texto sobre primeira vitoria do Shummacher na Ferrari, mas não achei, os textos de 1996 começam em outubro, espero que esteja guardado em alguma caixa e que um dia você pingue ele lá.

    Abs

  • Solução para a F1… Quanta petulância de minha parte…

    1. Os pilotos de corrida deixam de serem pilotos das equipes e passam a ser pilotos independentes;

    2. Vinte no mínimo, vinte e dois, vinte e quatro carros pouco importa;

    3. Os patrocínios dos pilotos são seus, eles não receberiam mais salários dos times;

    4. Os patrocínios dos times são dos times;

    5. Um espaço do carro a ser definido seria reservado para o patrocinador do piloto;

    6. Carros seriam projetados por um ano em paralelo, e uma vez lançados não mais poderiam ser aperfeiçoados, ou seja, pode-se projetar e testar o carro para 2016, mas o carro lançado para o início de 2015 seria o mesmo com as mesmas especificações até o fim do campeonato;

    7. No início do ano, por sorteio, os pilotos seriam sorteados nos carros e corridas, de tal forma que todo piloto teria a oportunidade de pilotar cada um dos 20 (e tantos) carros do grid até o final do ano;

    8. A regulagem do carro de corrida seria livre, o desenvolvimento proibido conforme já escrito;

    9. Em paralelo as equipes poderiam ter piloto de teste, com testes limitados para o desenvolvimento do carro do ano seguinte;

    10. Os carros de corrida do ano vigente ficaram “congelados” no desenvolvimento, De tal forma que a “Ferrari” da primeira corrida sorteada para o piloto X, seria “a mesma Ferrari” da última corrida dada para o piloto Z (Facilitaria o trabalho dos restauradores, afinal como “restaurar” a verdadeira Ferrari de 2011 se neste mesmo ano a Ferrari mudou “200” vezes no ano?);

    11. Assim os custos de desenvolvimento seriam limitados pelo número de testes, e pelo congelamento do carro de corrida do ano vigente;

    11. Assim todos os pilotos teriam a oportunidade de pilotarem todos os carros em condições digamos iguais, pois igualdade absoluta não existiria, pois logo se perceberia que alguns carros seriam melhores em alguns tipo de pistas. Mas a sorte no sorteio se faria necessária, mas a desigualdade seria infinitamente menor do que é hoje;

    12. Equipes economizariam com mega salários de pilotos;

    13. O campeonato mundial de F1 seria dividido em três divisões: a GP1 (a própria F1), a GP2 e a GP3;

    14. Os quatro piores pilotos da F1 seriam rebaixados para a GP2, os melhores da GP2 promovidos para a F1 e assim sucessivamente a cada ano;

    15. Os piores 4 pilotos da GP3 deixariam de ser pilotos credenciados pela FIA;

    16. Os campeonatos da GP2 e GP3 teriam carros com especificações técnicas diferentes de menor complexidade tecnológica mas com regulamento igual, ou seja, pilotos intercalando os carros até o final do ano com um piloto dirigindo um carro diferente por corrida até dirigir todos;

    17. Assim, o campeonato de pilotos apontaria o melhor de todos. O melhor mesmo. E acabaria com a crítica de que piloto só ganha se tiver o melhor carro (momento atual). Todos os pilotos teriam que ser os melhores no melhor carro e no pior carro também;

    18. Assim, o campeonato de equipes seriam uma vitrina para montadoras, motores, pneus, etc… Uma vez que seria possível dizer que o “nosso” carro foi dirigido pelos melhores pilotos do mundo e foi vencedor;

    19. O desenvolvimento do carro do ano próximo, é livre, com algumas limitações de testes e orçamentos e direcionado ao mercado automobilístico;

    20. Os carros seriam projetados com medidas mínimas e máximas de tal forma que o piloto apenas adaptaria seu banco no carro no final de semana em que foi sorteado para dirigir o mesmo;

    21. Patrocínios de piloto seriam disputadíssimos, afinal seria a oportunidade única de o patrocinador “Zeguedé” ter o seu nome escrito pelo menos em um final de semana na Ferrari, naquele espaço reservado ao patrocinador do piloto da vez;

    22. Mesmo que um carro fosse infinitamente superior ao outro, o campeonato de pilotos seria sempre disputado, pois cada piloto iria pilotar o carro top, somente uma vez, e teria que dar o seu melhor também nos demais carros;

    23. A tecnologia meio que se democratizaria, uma vez que os pilotos iriam levando aos demais carros a sua experiência do carro anterior, e isto seria levado para o carro de teste que estaria sendo projetado para o próximo ano;

    24. O ingresso na GP3 seria definido pela FIA, por merecimento, destaque, bateria de testes, identificação de talentos em programas de desenvolvimento de pilotos desenvolvido pela FIA;

    25. Em caso de morte ou afastamento definitivo por acidente, o melhor piloto do momento na categoria inferior GP2 ou GP3 conforme o caso, ascenderia uma categoria e substituiria o piloto afastado, todavia naquele ano da ascendência não participaria do processo de rebaixamento caso ficasse entre os 4 piores rendimentos;

    26. Retornando o piloto afastado temporariamente por acidente, as situações retornariam a situação anterior, mas com o mesmo participando do sistema de rebaixamento, ou seja, sorte e azar faz parte da vida e o mesmo se necessário teria que remar tudo novamente na categoria inferior para voltar ao topo, sendo bom certamente voltaria.

    27. Voluntariamente os pilotos poderiam sair das categorias, seja por falta de patrocínio pessoal, ou idade, ou desinteresse. Desejando retornar, começaria novamente pela GP3.

    Acho que é isto!

    Abraço!

    Se fui ridículo, me perdoe.
    Se fui inoportuno, uma vez que postagem não trata deste assunto, me ignore.
    Se fui brilhante, me contrate.
    Se perceber algum erro de português, pode corrigir a vontade.

    • Achei interessante, mas pouco viável. Pq não é apenas de patrocínios que o piloto vive, Alonso por exemplo, dificilmente ganharia 35mi por ano em patrocínios. Alguém teria que bancar o salário, quem sabe a FIA, mas duvido que ela queira assumir a bucha. Viraria algo tipo UFC, pilotos contratados pela FIA para dar “espetáculo” ao publico.

      Estava pensando sobre isso esses dias, e sobre a falta de interesse do treino de sábado. Acho que a F1 vai ter que seguir um padrão internacional atualmente, o Grid invertido.

      Na corrida de sábado o grid seria invertido a classificação de pilotos do ano, e no domingo seria invertido de acordo com a chegada de sábado, assim teríamos disputadas garantidas, como foi na Alemanha semana passada, com o Hamilton tendo que abrir caminho dando foiçada em todo mundo. Duas corridas de 1h, 150km em ambas, e com uso de dois compostos de Pneus em ambas.

      O melhor carro ganharia vantagem, mas a habilidade do piloto em não se meter em merda no “pelotão de merda”, e nas ultrapassagens seria necessário, acabaria com essa coisa do cara sair na frente e sumir. Na Alemanha o carro do Rosberg só apareceu na largada e na chegada, e não estou exagerando, foi a mais pura verdade.