(OUTRA) DICA DO DIA

SÃO PAULO (da força da grana) – Esta aqui veio de um blogueiro via comentários, mas infelizmente não anotei o nome. De qualquer forma vale muito ver a série de fotos de São Paulo feitas pela “Life” em 1947. Tenho a impressão de que já mostrei alguma coisa aqui, mas se for repeteco não tem problema nenhum. Estão aqui, em tamanho gigante.

Selecionei uma que mostra por que São Paulo é uma cidade tão estropiada. Desde o final do século 19 que pobres almas resolveram “endireitar” o Tietê em sua passagem pela metrópole. Mas foi só nas primeiras décadas do século 20 que as obras começaram a estragar a cidade. Vejam como era, com uma enorme várzea nas margens do rio, que obviamente não nasceu em linha reta. Quando fizeram a cagada monstruosa de “retificar” o leito, é claro que a agressão à natureza só podia dar no que deu. Quando chove demais, para onde vai a água? Antigamente, para a várzea. Hoje, inunda as marginais.

A seta amarela indica a Ponte das Bandeiras, com as duas torres de cronometragem para competições de remo que aconteciam no rio. As linhas azuis, de minha autoria (sou muito bom em artes gráficas), mostram o traçado atual. No círculo vermelho, acho que é onde fica hoje o Canindé.

Não tinha como dar certo.

comoeraorio

ATUALIZANDO… 

Um blogueiro chamou a atenção e acho que tem razão. O campinho no círculo parece mais o do CMTC Clube, na avenida Cruzeiro do Sul, onde acontecia o Desafio ao Galo. Acho que o Canindé está fora da foto.

 

Comentários

  • tem uma história muito mal contada de uma enchente em 1930 e vai pedra que foi provocada pela Light fechando as comportas da usina Edgard de Souza, porque pelo contrato de concessão, as terras inundáveis pertenciam a ela. Posteriormente foi feita retificação do rio, os terrenos foram vendidos, a grana rolou solta e a merda esta feita. O irmão do Regi Nat-Rock trabalhou na Light/Eletropaulo e tinha o arquivo da obra feita.

  • Flavio, o estadio da Lusa não é onde voce marcou, mas sim na frente onde o rio vai em frente e desvia ao mesmo tempo para esquerda juntando-se mais a frente antes da ponte das Bandeiras, formando a tradicional Ilha da madeira.
    Abraço

  • Foto sensacional!. Uma observação FG: o campinho de futebol marcado em vermelho não é o Canindé. É o campo de várzea que está lá até hoje na av. Cruzeiro do Sul, exatamente entre o shopping D, a escola federal e o museu dos transportes. Aquela linha que atravessa os dois braços do rio Tietê, com uma ilha no meio, é do Tramway da Cantareira, o famoso “Trem das 11”. O Canindé estaria um pouquinho mais pra esquerda, a foto não pega. Valeu! ET.: com as avenidas de “fundo de vale” típicas de São Paulo, enterramos nossos rios. Com o Tamanduateí do Maluf chegamos ao supra-sumo da coisa.

      • Valeu! A referência é exatamente a avenida Cruzeiro do Sul, por onde seguia o Tramway da Cantareira, o trem das 11, desde o início da avenida até o seu fim, em Santana, seguindo depois para o Horto Florestal (o ramal para Jaçanã saia da avenida Ataliba Leonel). O Desafio ao Galo era o torneio de futebol de várzea que passava ao vivo, acho que Domingo de manhã na Record, confere?

  • Realmente Belas Imagens.

    Flavio, não querendo ser chato, mas já sendo: No circulo Vermelho seria o Shopping D. Repare o caminho reto que existe dos dois lados da Marginal: É a atual Avenida Cruzeiro do Sul.

    O bacana da foto, além do já comentado, é mostrar o espaço onde hoje é a Rodoviária do Tietê,

    • Exatamente Thiago. Na Cruzeiro do Sul após o rio, tem uma fábrica com duas chaminés, era a fábrica da Klabin, que funcionou ali até começo dos anos 1990 e hoje é uma enorme estacionamento. Restaram apenas as belas chaminés. Um pouco mais para frente, um prédio volumoso, era uma fábrica de tapetes e hoje é o Arquivo do Estado.

  • Onde nasci, Vila Anastácio, também alteraram o traçado do Tietê, gerando pontos de alagamento na ponte da Anhanguera. Lembro de uma obra monumental que deve ter gerado muita propina. Falando nisso, teve ainda aquela ideia de jerico do Maluf de canalizar o Tietê. Essa cidade não é assim por acaso: não teve um prefeito que prestasse, que imaginasse a cidade como uma metrópole bacana.

  • Em 1947, o Canindé, que ainda pertencia ao São Paulo e era usado como local de treinos e sede social (ainda não havia estádio ali, que só seria construído pela Lusa, nos anos 1960), sofria com constantes alagamentos. Esses alagamentos deram ao local o apelido de “Ilha da Madeira”.

  • Flávio, o que vc marcou em vermelho não é onde seria o estádio do Canindé, mas sim o campo do CMTC Clube, onde em outros tempos acontecia aos domingos o saudoso Desafio ao Galo, aquele campeonato de várzea (aí sim, várzea…) que passava na TV Record, canal 7, do Sr. Paulo Machado de Carvalho…!
    Btk!

  • Um conhecido (alemão, pesquisador do INPA, especialista em rios) comentou certa vez que na Europa há uma tendência a corrigir e refazer a calha normal de rios retificados. No Brasil, se deixar, vão continuar retificando, impermeabilizando solos e construindo sobre banhados.
    O lucro a curto prazo e inconsequente ainda fala mais alto no Brasil. E falará por muito tempo…