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quinta-feira, 16 de julho de 2015 - 20:23Dica do dia, Tecnologia

DICA DO DIA

googlecar

SÃO PAULO (me acordem quando acabar) – Tenho observado com alguma curiosidade os primeiros movimentos desta que deve ser a nova grande revolução tecnológica (e comportamental) do planeta: o advento dos carros que não precisam de motorista.

A ideia não é nova, no século passado já se imaginava que no futuro isso poderia acontecer, mas a gente achava que era apenas literatura, algo distante demais, ficção científica à qual não teríamos acesso nunca, não viveríamos para ver. Afinal, diziam também que no ano 2000 estaríamos voando entre os prédios como os Jetsons e não aconteceu porra nenhuma, continuamos engarrafados nas avenidas. O futuro ficou meio desmoralizado.

Só que os meios para que isso finalmente se transforme em realidade estão aí. Basta pegar seu smartphone e clicar no Google Maps. Ele sabe exatamente onde você está. Essa incrível (e para mim quase incompreensível) rede de satélites e sensores capazes de te localizar com margem de erro de centímetros levou ao caminho óbvio. Um automóvel com sistema de navegação preciso, num mundo em que qualquer beco é mapeado do alto, é capaz de sair de A e chegar a B sem que ninguém encoste nos seus comandos. De certa forma, com os aviões já é assim — a diferença é que o tráfego é substancialmente menor e o espaço, mais generoso.

A novidade é que você não vai mais precisar do carro na garagem para ir de A a B. Pelo seu celular, você vai pedir um carro, qualquer carro, de um desses serviços que estarão disponíveis através de aplicativos — hoje a gente já faz isso com táxis e funciona inacreditavelmente bem. Ele vai chegar na sua casa em questão de segundos, você entra, já informou previamente para onde quer ir, ele te leva, e sai para catar outro passageiro. Ou outros passageiros, que possam rachar a conta e vão para o mesmo lugar.

As montadoras de ponta já possuem tecnologia para fabricar e vender carros que andam sozinhos. Mas quem vai querer uma porcaria dessas pagando preços altíssimos se, sei lá, o Google pode te mandar um carrinho elétrico que vai custar apenas a corrida, e que ainda pode ser dividida com alguém? Se o objetivo final de um automóvel é exclusivamente levar uma pessoa de um ponto a outro, e se teremos frotas monstruosas de carrinhos que andam sozinhos e cumprem esse objetivo por um custo baixíssimo, para que ter um carro?

Ah, mas hoje já é assim, quem não quiser ter carro não precisa, é só usar ônibus, metrô e táxi, pode argumentar alguém. São serviços semelhantes, é verdade, com a diferença de que precisam de quem os conduza. OK. Só que táxi custa caro — tem imposto, combustível, desgaste de peças e um cara que precisa ganhar para dirigir. Ônibus e metrô não te levam exatamente de A a B, te levam de mais ou menos perto de A para mais ou menos perto de B, se você tiver sorte de morar em regiões bem servidas pelo transporte público.

E o que vai acontecer quando o mundo for infestado por carrinhos coletivos controlados pelo Google ou pelo Uber? O que farão as montadoras, as fábricas de peças, a indústria do petróleo? E os estacionamentos, as seguradoras, os motoristas profissionais de tudo que anda? Carros particulares serão realmente necessários? Ou apenas as grandes corporações capazes de operar sistemas de compartilhamento de veículos terão necessidade de possuí-los?

É uma discussão interessante, que o blogueiro Evin Moretti propõe a partir da (ufa!) dica do dia, o artigo de um certo Zack Kanter — descrito no fim do texro como “empreendedor, futurista, palestrante, escritor, fundador de algumas startups, chefe de cozinha amador e nerd em geral”. Não o conheço, não sei se é famoso, se as pessoas o levam a sério, mas o que ele vislumbra a partir da disseminação de veículos autônomos faz sentido.

No fundo, acho que o que será determinante no futuro para assegurar a sobrevivência de todo o universo que gira em torno do automóvel é exatamente a visão que o ser humano terá do… automóvel. Na medida em que ele passa a ser visto apenas como algo inanimado e desprovido de qualquer interesse ou atrativo particular, cuja única função é transportar uma pessoa de um lugar a outro, seu valor diminui. De bem durável e sinal de status, passa a ser um estorvo permanente — precisa abastecer, pagar imposto, estacionar, fazer manutenção, licenciar, paga multa, consertar quando quebra, arrumar quando bate. Qual seria uma boa razão para ter um negócio desses — caro, dispendioso, irritante, às vezes — para ir de casa para o trabalho, se serviços gigantescos de compartilhamento podem te atender por uma fração ínfima do valor, fazendo a mesma coisa e assumindo o ônus de todas as dores de cabeça que a posse de um automóvel acarreta?

O carro como o conhecemos está vivendo seus últimos dias?

É possível. Kanter fala que em 2025, daqui a dez aninhos, apenas, já estaremos vivendo num mundo que vai se mover de outro jeito — e, como consequência, terá toda sua economia redefinida graças a esses veículos autônomos que não precisam ser de ninguém, serão de todos, e farão tudo sozinhos. O planeta não precisará de tantos carros queimando gasolina e borracha, um para cada motorista, a frota diminuirá monstruosamente e ninguém olhará para um treco que anda sobre quatro rodas como símbolo de porcaria nenhuma.

Kanter está sendo precipitado? Não sei… Quem imaginaria, há dez anos, sistemas de navegação tão sofisticados como os que temos hoje? Quem é capaz de duvidar do avanço da indústria da conectividade global quando, com qualquer celularzinho mequetrefe, se pode hoje colocar no ar em tempo real (já ouviram falar do Periscope?) imagens em vídeo? Vejo essas coisas e fico sinceramente chocado. Transmitir qualquer coisa ao vivo com imagens é algo que, há pouco tempo, só era possível fazer com uma unidade móvel montada num caminhão, antenas enormes, microondas, cabos infinitos… E o Skype, que te coloca para falar com alguém do outro lado do mundo com vídeo e áudio, sem gastar nada? Você imaginava, no ano 2000, que isso seria possível em 2015 quando se conectava à internet pela linha telefônica? Quando morria de medo de fazer um interurbano porque custava os olhos da cara? Uma ligação internacional, então, era um evento.

Diante de tantos avanços tecnológicos, e tão rápidos, por que é que não se pode imaginar que daqui a dez anos um carro deixará de ser o que é hoje — um objeto de desejo, um símbolo de status, liberdade, prosperidade, potência, velocidade?

Sim, pensando bem, é possível que estejamos vivendo seus últimos dias. Acho que daqui a dez anos vamos olhar para 2015 e dar risada de algumas coisas que hoje nos causam espanto, inclusive de um texto como este. O futuro talvez seja muito mais espantoso do que podemos imaginar.

Por isso, vou aproveitar meus carrinhos o máximo que puder, antes que eles se transformem em vilões da Nova Ordem Mundial.

94 comentários

  1. Ed disse:

    A melhor resposta sobre esse movimento de carros autônomos li hoje, no Carplace: “Em entrevista recente ao portal Automotive News Europe, o diretor de desenvolvimento de produto da Jaguar Land Rover, Wolfgang Epple, afirmou que a empresa jamais lançará um carro com tecnologia de condução autônoma. De acordo com o executivo, a decisão foi tomada pelo fato da a companhia não considerar como “carga” aqueles que estão dentro do veículo. “Nós não queremos construir um robô que entrega uma carga de um destino A para um destino B”, explicou.

  2. Fabio Tust disse:

    Oi Flávio! Gostei muito do post. Me fez pensar. Ficamos um bom tempo eu e minha esposa falando sobre o que tu descreveu e organizou no teu texto. Deixa, por favor, eu te sugerir um outro texto, de outro Gomes, o Marco. Não tenho nada com ele, só gosto dos textos e opiniões. É um guri empreendedor ai em SP:
    O texto é sobre o mundo com mais maquinas e menos empregos. Na verdade é um comentário longo sobre um artigo do The Atlantic:
    https://www.facebook.com/omarcogomes/posts/10153474931663373

  3. FPS3000 disse:

    A resposta para saber se os carros serão demonizados ou não pela sociedade, qualquer que seja a novidade que vá desbancá-los, é sempre a mesma: enquanto quisermos autonomia para ir onde desejarmos, sem ter que usar roteiros pré-programados, veículos particulares, de duas ou quatro rodas, serão necessários.

    Especificamente nesse caso, creio que é mais fácil o carro elétrico se tornar comum (ou o ônibus movido a cocô se tornar viável) ser do que um veículo sem motorista dar certo. Os custos de sistemas automatizados serão astronômicos, e deverão ser bancados por alguém (que com certeza não será a iniciativa privada).

    Não vai demorar muito tempo para se comprovar que o sistema será inviável, e tudo o que vai restar são esses “carrinhos de bate-bate” caríssimos – mas sem uso.

  4. Gastão disse:

    Na minha opinião, é um processo irreversível, pelo menos a pequena escala, inicialmente,

    Uma nave espacial chegou sozinha a Plutão há uns dias atrás, sem chocar com nada, sem desviar-se da sua trajetória, etc. Hoje, os aviões poderiam voar sem pilotos, os trens sem maquinistas, etc.

    Como dizem os espanhóis, “la pregunta del millón es”: Com tanta tecnologia disponível e fiável, vocês entrariam num avião sem pilotos?

    Eu não entraria num carro sem motorista.

  5. Alexandre disse:

    Tanto faz. Adoro dirigir, independentemente de dividir estradas com googlinhos ou motoristas humanos. Devo ser um flagelo do século XX na futura nova ordem…

  6. Müller disse:

    Pois eu acho o oposto, o automóvel vai continuar a ser cultuado.
    O carro como necessidade, de fato, vai ser aos poucos substituído – como já o está sendo pelas bicicletas, basta dar uma olhadinha nos centros das grandes cidades do mundo – e quem pensaria em comprar um somente pela necessidade de deslocamento, de si e da família, poderá mudar de idéia.

    Mas o carro como objeto de desejo, esse sim continuará sendo produzido, vendido, gerando lucro e tendo demanda. Aos poucos, vai acontecer o mesmo que ocorreu com vários outros “utensílios”, passando a ser considerado mercado de “nicho” (conceito chato, mas já faz parte do dia-a-dia).

    Vai vender menos? Vai. Vai mudar a economia? Vai. Mas ainda vai ter muuuuita gente interessada em gastar dinheiro pra dirigir sua própria máquina ao levá-la de A pra B.

  7. Anselmo Coyote disse:

    Haverão corridas de automóveis sem pilotos.

  8. disse:

    Problema do GPS é um só; Como aconteceu na Guerra do Golfo. Os Made In USA alteram os dados para o inimigo não utilizar. Agora, a mídia falar que o carro do Google bateu, que houve feridos…

  9. Mario Sarot disse:

    Sou engenheiro e trabalho desde sempre no ramo automotivo. Nasci viciado por carros.

    Mas sou o primeiro a defender que é uma maluquice total o fato de que o mundo e a economia mundial giram em torno do automóvel. Uma droga, uma praga moderna.

    O surgimento de possíveis alternativas como carros elétricos autônomos e compartilhados talvez faça com que a população acorde para a realidade de o quanto é maluco pagar uma fortuna em máquinas ultra ineficientes, com índices absurdos de acidentes e nas quais passamos presos boa parte de nossos dias.

  10. Andre Nascentes disse:

    Acredito que o futuro do carro é o mesmo do cavalo. Um meio de transporte ultrapassado que tem vida na mão de entusiastas. Nos EUA já tem tem vários e aqui já está começando a ter os condomínios com pistas, que são para os carros o que os haras são para os cavalos.

  11. Ed disse:

    Sei não.. há décadas que ´também se fala em carros voadores. Tirando alguns protótipos que alguns malucos fizeram por aí, nenhum se tornou comercial. Quanto aos carros autonomos. o Jeremy Clarkson escreveu um artigo bem legal onde ele pergunta: ” os modernos aviões de passageiros já são capazes de voar sozinhos. Mas, você viajaria num avião sem piloto?”.

    • Hélio disse:

      Se vc só mudar o nome da “caixa”, de avião para elevador XYZ, fica fácil de encarar… Agente se acostumará fácil. Mas quando der m., vai ser de arrepiar, hein.

      Mas fiquei curioso com um aspecto: a marginália, que faz do auto o seu alvo de maior valor, vai migrar pra que tipo de ilicitude?

  12. Nelson Barreiros Neto disse:

    Olha, não digo 10 anos… Mas vamos colocar em 50 anos e vou explicar por que 50… Vou traçar um paralelo com um hábito que quem não tinha, que era o de fumar, há 50 ou 60 anos estava por fora.

    Hoje fumar é quase um sacrilégio, e proibido (acertadamente ao meu ver) em locais públicos fechados…

    Quem sabe daqui há 50 anos quem estiver passando dirigindo um carro a combustão vai ter vários olhares de reprovação sobre si…

    Como nosso pequeno grande blogueiro diz, o mundo está chato, e na minha opinião caminha para ficar pior…

  13. Bkist disse:

    Os donos de cavalos e carroças ficaram p… no início do séc. XX. Será que o lobby das petroleiras e da indústria automobilística será melhor que os deles?

  14. rama disse:

    Esses estudos são sempre muito mecânicos e presos a números, esquecendo algumas variáveis básicas das necessidades humanas.

    Essa revolução tende a acontecer em regiões mais desenvolvidas, principalmente na Europa e talvez em NY, que tem uma densidade maior e outra organização urbanística e rede de transporte público. Mas de forma geral é fácil apontar motivos para que ao menos nos Eua e Brasil isso não aconteça de forma assim tão rápida.

    Na Europa se tem, de forma geral, uma grande rede de transporte público, com minimercados pequenos espalhados pela cidade, muitos deles já self service e também contam com uma boa rede de trens para transportes intermunicipais, facilitando a adaptação à esta revolução/conceito. NY e Boston também.

    Já em cidades como LA, as distâncias são enormes, tudo é feito pra carro, o metrô é ruim, não tem trens para passeio entre cidades, a cultura do automóvel é arraigada à organização urbanística. Mesmo com baixo custo, a conta é outra. Os supermercados são mega, ultra, no meio do nada, em locais baratos entre o subúrbio e o centro. O povo precisa de carro pra levar criança, trazer criança, fazer feira, levar a mudança pra casa de praia.

    O Brasil, infelizmente, quis ser EUA. A gente não tem transporte público, não tem trens, não tem segurança. Em algumas cidades, esse negócio faz sentido. Faria pra mim, que mesmo de táxi em tempos atuais, gastaria menos do que mantendo um carro. Mas eu preciso viajar, levar malas, e pra cidades vizinhas visitar família. Eu, e muita gente nesses países, continuaremos a precisar de carro. Logo essa mudança não será tão radical assim, nem mesmo com esse preço citado artigo.

    Alguém se imagina dentro de um veículo desses com esse povo mal-educado dirigindo outros carros?

    Talvez a única coisa em que concorde plenamente é que os taxistas estarão lascados.

    • César disse:

      Tudo bem, respeito sua opinião, embora pense que ela não seja a mais próxima da realidade. A Europa tem uma grande e estruturada rede de transporte público, mas quem utiliza são os turistas. Os europeus utilizam muito pouco e cultuam o veículo particular (seja o carro ou principalmente o scooter) tanto quanto nós.
      Ninguém gosta de depender de transporte público. Só mesmo para quem não tem mesmo outra opção. Seja no Brasil, nos EUA ou na Europa.

  15. marcos disse:

    57 anos, acho que este mundo tá ficando cada vez mais sem graça. Saudades dos anos 70 um pouco dos 80. Como era bom, meninas (de verdade), festinhas, carros com escapamento barulhento, cerveja sem data de validade, cigarros, rock bom. Hoje um bando de mariquinhas bombados e ecológicos só querem saber de queimar a rosca. Barbaridade! Tão F…com este mundo.

  16. Bruno Mantovanelli disse:

    Acho que em breve vão me proibir de andar com meu Fusca pelas ruas.

    • Nando Figueiredo disse:

      Você leu a matéria???
      O carro do Google foi atingido por trás por outro carro quando estava parado num cruzamento.
      Ou seja o causador do acidente foi o motorista que vinha atrás.

      • perna quebrada disse:

        Ok, mas ainda apresentam esses carros como a oitava maravilha do mundo. É óbvio que um vai dar pau um dia.

        Se seu computador trava de vez em quando, porque não seria diferente com um carro desse?

  17. Banana Joe disse:

    Vamos falar a verdade, nós todos somos peças de museu.
    O mundo que se desenha não é para nós.
    Ficamos para trás.

  18. Mike Fields disse:

    Todos usando apenas um carrinho. O sonho de um comunista.

  19. Em 1996, eu tinha 10 anos, sentado no sofá da casa de minha avó, assistindo Power Rangers na hora do almoço, Zordon chamava seus rangers e aparecia sua imagem na tela de cada relogio de cada rangers.. e eu achando aquilo realmente coisa de super herói… hheheheh já hoje..

  20. Uma ligação internacional era um evento. Sensacional isso! E era mesmo. Eu guardei a conta da primeira ligação internacional que fiz!

  21. EduardoRS disse:

    Flávio, a verdade é que os carros JÁ SÃO considerados um estorvo pela grande maioria da população. Manter um carro custa caro, considerando impostos, seguro, manutenção, depreciação… e todo esse dinheiro é gasto em um objeto que fica parado mais de 90% do dia! Deixando de lado a paixão pelos carros e pensando de forma completamente isenta, é algo que não faz sentido algum – literalmente, rasgar dinheiro.

    Estamos assistindo ao início de uma mudança no sistema mundial, do capitalismo particular (aquele to TER) para o capitalismo colaborativo (o do USAR). Você Flávio, idealista de esquerda assim como eu, deveria estar saudando essa revolução. Quem critica o novo sistema é conservador, que quer que as coisas fiquem como estão. Todas as indústrias passarão por esse período de adaptação, e a automotiva não vai escapar. O capitalismo tradicional tem prazo de validade, pois se baseia em crescimento infinito, e nós vivemos em um mundo de recursos finitos. Então, uma hora será preciso mudar.

    Carros como os de hoje continuarão existindo. Vai levar bem mais do que 10 anos para termos tráfego 100% autônomo. Eu apostaria em, no mínimo, uns 50 anos. É preciso a readequação de fábricas caríssimas, de pensamento, de infraestrutura… isso leva tempo. O automobilismo vai continuar existindo, como as corridas de cavalo existem até hoje e continuarão também existindo. Ninguém precisa cortar os pulsos.

    E mesmo assim, no futuro ainda será possível pegar um carro e curtir a estrada. O que acontecerá é uma otimização do tráfego nos grandes centros, redução do número de acidentes, redução do número de carros estacionados ocupando espaço nas ruas, redução do custo de acesso a um carro (democratização do veículo). Só coisas boas. Eu não vejo graça nenhuma e ver uma avenida engarrafada cheia de Corollas prata, Palios brancos e Celtas pretos. Preferiria que eles fosse substituídos por modelos compartilhados, pelo menos seriam trapizongas úteis à sociedade.

  22. André Micheloto disse:

    Sim, mas vejo um problema nesse negócio…

    http://tecnologia.uol.com.br/noticias/efe/2015/07/17/carro-sem-motorista-do-google-se-envolve-pela-1-vez-em-acidente-com-feridos.htm

    À parte a diferença entre carros e aviões (que trafegam com aterrorizantes velocidades e altitudes), experimente vender passagens para um vôo sem pilotos e repare no fiasco. Tudo bem que isso já acontece com trens, mas eles andam em trilhos e a única ação necessária numa emergência é frear! Tá fácil de um sistema com umas quinhentas redundâncias fazer isso.

    Não sei se nossos conhecimentos (e confiança) evoluirão tão rápido a ponto de não temermos não poder assumir o controle de uma máquina em movimento no caso de uma pane. Não se esqueça que elas podem ocorrer no veículo em que estivermos embarcados ou numa outra centena ao nosso redor.

    Sei lá…

    • Nando Figueiredo disse:

      Meu Deus, leiam a matéria.

      O carro do Google foi atingido por um outro carro num cruzamento.

      Não foi ele que provocou o acidente.

      “Então, um veículo que vinha atrás não freou e bateu na traseira do Lexus do Google a uma velocidade de 27 km/h. A colisão provocou ferimentos leves nos pescoços das três pessoas que estavam carro da companhia americana e também no outro motorista.”

  23. Rodrigo disse:

    O marketing das montadoras nunca vai deixar os carros perderem seu status social.

    O que realmente deve acontecer é uma mudança para elétricos e a busca por sistemas colaborativos.

    Será como já é hj nos países mais ricos. A pessoa escolhe se quer um automático ou esportivo. No futuro, ela escolherá se quer um autônomo ou esportivo.

  24. zeba disse:

    Deve ser a tendência, mas não da maneira como está descrito no texto. Qualquer cidade sem transporte público é impraticável.

    Imagine em vez de carros eléricos sem motoristas, todos abandonassem ônibus e metrô e andassem de taxi? A cidade ficaria travada 24 horas. Totalmente inviável.

    Outra: a necessidade de geração de energia elétrica teria que aumentar drasticamente assim como novos profissionais para mecânica (mecatrônica?) pois obviamente esses carros precisarão de manutenção.

    Criar toda a infra-estrutura pra manter essa “nova realidade” demora muito mais do que criar carros sem motorista em série.

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