MENU

segunda-feira, 27 de julho de 2015 - 11:35Motoland

MOTOLAND

Jpeg

SÃO PAULO (quero muito uma dessas) – O Bruno Correia mandou a mensagem e a foto.

Uma das coisas que me deixa encantado com o povo alemão é seu caráter prático, de arregaçar as mangas e consertar coisas por conta própria. Não gosto de ser reducionista, mas se no Rio ou São Paulo eu podia contar nos dedos as pessoas do meu círculo social (classe média alta, branca, intelectualizada) que conseguiam fazer um furo na parede sem pedir ajuda, aqui parece que todo mundo tem uma caixa de ferramentas (e quem não tem parece ter vergonha de ter que pedir algo emprestado). Enfim, esse nariz de cera é para contar como esbarrei nessa moto. Fui beber com a minha vizinha alemã, e ela me contou sobre uma motocicleta produzida na DDR nos anos 1970 que ela comprou por uma pechincha há uns anos. A moto estava guardada e essa semana ela tirou do depósito, e começou a consertar para botar para circular (não há colecionismo envolvido). Fui ver a bichinha, e me surpreendi ao ver que era uma Simson (lembrei de um post seu de uns meses atrás). E fiquei pensando se daqui a quarenta anos alguma moto ou carro produzido hoje vai continuar rodando (ou terá condições de ser consertado por alguém sem ajuda profissional).

A partir de um despretensioso e-mail, o Bruno lança uma questão bem pertinente. Respondam vocês, enquanto eu fico admirando essa Simson maravilhosa — sim, terei uma, de algum jeito.

19 comentários

  1. já vi algumas pelas esquinas vienenses. em terras germânicas é mais fácil encontrar. basta querer…

  2. Sanzio disse:

    Depende do defeito….
    Se for de alguma peça “fazível”, sim, com certeza. Se for eletrônico, provavelmente não.

  3. Hélio disse:

    Seria desejável, mas acho muito improvável que a indústria dê prioridade à qualidade colocando em risco seus lucros futuros em manutenção e peça.

    A ironia é que a tecnologia permitiria uma longevidade muito maior do que as maquinas antigas de hoje. Juntando a isso as mudanças na qualificação dos usuários, como o desenvolvimento da impressão 3D; facilidade de obtenção de peças e ferramentas e sobretudo a facilidade de compartilhamento e acesso de informação fariam os autos e motos de hoje rodarem muitos anos pela frente. Exceto por alguma lei proibitiva, que deve pintar em breve, para motores à explosão.

    Mas não irá ocorrer com todo potencial que poderia, pq não é interessante pras fabricantes. A tal da obsolessência programada.

  4. Jacob Lindener disse:

    Se daqui a 40 anos algum carro ou moto continuará rodando?
    Porque acho que sim: os processos de fabricação melhoraram muito, e se cumpridos com os requisitos de manutenção carros e motos duram muito tempo sem grandes intervenções mecânicas (elétricas nem tanto…)
    Porque acho que não: devido a necessidade de manter a economia constantemente aquecida, as pessoas serão cada vez mais incentivadas a trocar de veículo, entregando seu antigo para a reciclagem.
    Se daqui a 40 anos as pessoas continuarão “fuçando” em seus carros e motos: cada vez menos, devido ao aumento da complexidade dos mesmos.

  5. Rodrigo Moraes disse:

    Dizem os historiadores que o fato do nosso país ter tido escravidão tornou o trabalho manual desonroso. Quem era “bacana” não fazia trabalho manual. Para isso, ele tinha seus negros. Viria daí a “dificuldade” de se lavar louça, arrumar a cama, cortar grama, coisas simples que o brasileiro mais rico prefere pagar para alguém fazer a fazer ele próprio. Quanto aos veículos modernos, não vejo dificuldade em consertá-los no futuro. São de melhor qualidade que os antigos, e peças plásticas são mais fáceis/baratas de se reproduzir do que peças metálicas, que são obtidas através de processos caros como usinagem, forja, fundição, torneamento. Essas peças plásticas de acabamento dos carros atuais, se bobear, não precisaremos nem comprar. Imprimiremos em nossas próprias impressoras 3D, após escanear a peça original.

  6. rama disse:

    É de encantar mesmo isso lá. Vi um Golf (acho que 1985, ou algo assim) como se fosse zero estacionado em um restaurante. Tirei foto. Mando como pro blog?

    O porão da tia de minha esposa parece uma oficina. O marido dela não só instalou todo sistema de aquecimento da casa como faz a manutenção. Sem contar na parte elétrica. Eu tenho inveja. Sem pendurar quadros, mas não sei nem trocar um chuveiro.
    Lá em casa eu cozinho, minha mulher conserta.

  7. Eduardo Gasparrini disse:

    Vettel é só carisma.

    Olha ele chegando no circuito esse fim de semana com sua Suzuki T500

    http://www.blikk.hu/blikk_sport/exkluziv-fotok-retromotorral-jar-vettel-a-hungaroringre-2382621

  8. Felipe Teixeira disse:

    Estava falando sobre isso com meu pai, dia desses. Tenho um Opala que estou lentamente reformando e tento fazer por conta propria tudo o que e possivel ser feito em casa com as ferramentas e a infinidade de informacao que tem hoje na internet, minha mae tem uma Freelander 2 e me pediu que levasse a mesma para trocar a guarnicao de borracha do vidro do motorista que estava enroscando, primeiro fiquei chocado com a fixacao do painel da porta na porta, o mecanico que ja foi funcionario em concessionaria da Land Rover levou uns 3o minutos apenas para conseguir tirar e dentro da porta tem mais fio do que no Opala inteiro. Eu duvido que daqui ha 40 anos alguem vai ser capaz de fazer o que eu faco no meu Opala nos dias de hoje. As coisas estao ficando mais complexas e as pessoas menos habilidosas.

  9. Luiz AG disse:

    Vai sim, daqui a 40 anos os carros 2015 estarão muito melhores do que hoje os de 1975. Lembro inclusive conversar com um mecânico de moto desiludido com a falta de serviço de retífica dizendo que “motores de moto não travam mais”.
    Qual o último carro que se ouviu que fez retífica?
    Aliás, muitos desses carros 1975 hoje estão rodando graças aos avanços conseguidos hoje, como óleos melhores, peças de reposição para retífica com materiais muito mais resistentes, tratamento de chapa e tintas que evoluíram absurdamente, a ponto de não se saber mais qual carro foi repintado.
    Exemplo? Veja como olha para um carro hoje 2005 e em 1985 olhava um carro feito em 1975. Não se procura mais podres em um carro com 10 anos de uso.
    Não existe carro ruim hoje, nem chinês nem lada.

  10. Luciano Pinho disse:

    Aqui é exatamente assim. Tô com uma Schwalbe na vaga de garagem esperando eu ter um tempinho para fazê-la funcionar e voltar à velha glória, e essa semana chegou a que eu mandei para um amigo lá em Lisboa, que no mesmo espírito faz a restauração (ou no meu caso, a “mexeção para funcionar e curtir”) por conta própria.

  11. Thiago disse:

    Quanto a questão de alguém “normal” conseguir concertar um carro antigo, ou até um novo (que será antigo daqui a 40 anos) acredito que sim. É impressionante a quantidade de tutorias que podemos encontrar na internet para pequenos ou até grandes serviços nos carros. Os fóruns de apaixonados estão cheios de exemplos, (eu mesmo tive um amigo que botou um uno 1.5R pra rodar depois de 10 anos parados, em casa foram feitas a lataria e o interior e o processo de retífica do motor foi acompanhado por ele na oficina, sendo que participou de algumas partes dos processo).

  12. Farid Salim Junior disse:

    Essa coisa de “do it yourself” (faça você mesmo, para quem não entende inglês), é uma tradição em países que passaram por guerras, como europeus e norte-americanos. Por aqui, ainda há reticências, seja por não haver tempo, ou por não haver necessidade, ou até paciência! Uma pena! Hobbies são caros, principalmente em mecânica, já que um alicate e um jogo de chaves de fenda só ajudam em primeiros socorros. E, tem a coisa da aptidão ou vocação… Eu tentei desmontar e montar uma vez o carburador de um Maverick. Sobrou muita peça depois de remontado… Como não havia como fazer um curso de mecânica, tive que recorrer a um profissional e, desisti dessas aventuras…

  13. Pedro Araújo disse:

    acho que uma coisa que influencia muito essa cultura do-it-yourself da europa é o alto custo da mão de obra da turma que faz esses serviços caseiros, de pequenos e médios consertos e manutenções (incluso aí os serviços domésticos).

    aqui no brasil ainda é bem barata esse tipo de mão de obra (mesmo com a PEC das domésticas, a turma empregadora tá toda dando um jeito de contratar por fora da carteira de trabalho, dividindo os dias de diarista com parentes e conhecidos pra continuar tendo gente em casa todo dia, mas sem ter que pagar lei trabalhista)

    quanto aos carros e motos de hoje: muito difícil ter condições de consertarmos/restaurarmos nós mesmos. e é tudo produto de obsolescência programada, nem peça direito vai ter pra comprar…

    mas sinceramente, é raro ter algum carro/moto atual de dia a dia que dê vontade de se manter inteiro ou mesmo restaurar no futuro…

  14. rogerio de carvalho disse:

    tomar uma cerveja com a vizinha alemã, e ela chama pra ver a moto dos anos 70 que está consertando…. huummm….
    Mas respondendo a pergunta, não, daqui a 40 anos nada do que é fabricado hoje estará em condições de ser consertado, muito menos de funcionar.

  15. André disse:

    A magrela ali do lado também está linda!

  16. Clovis disse:

    Penso, na minha ignorância, que os automóveis e motocicletas produzidas no leste europeu, em especial a DDR (Alemanha Oriental para os não íntimos), foram feitos para durar por bem mais de 50 anos. Acho que isto se deve mais a um conceito soviético, que foi aliado à excelente engenharia alemã.
    Figurativamente (quase literalmente) falando, tais máquinas tem um DNA, uma alma, algo que é difícil explicar a essa meninada. Algo que o FG sempre diz muito bem “é um carro feito por um trabalhador, para o trabalhador”.
    Linda peça.

  17. Joe disse:

    É possível, mas vai dar mais trabalho. Exemplo, tenho uma harley 2008, cujo ápice tecnológico é ter injeção eletrônica. Pouco mais de dois anos atrás a bateria começou a mostrar que não ia muito longe (depois de 4 anos, tava bom até) até que não tinha mais energia para partida. Primeiro problema, injeção, não adianta empurrar. Segundo problema, baixa voltagem impede o sinal do sensor do descanso, atrapalhando usar a bateria do carro via chupeta. Acabou que ficou pouco mais de um ano parada até arrumar tempo para comprar uma bateria nova.
    Por outro lado, mesmo depois de mais de ano parada sem nenhum cuidado foi instalar a bateria nova e dar uma partida um pouco mais longa e funcionou. Mal por uns minutos até provavelmente queimar a gelatina que estava na mangueira de combustível e chegar a gasolina velha.
    Resumindo, se fosse mais velha, carburada, ia ter que limpar carburador, regular de novo, etc. Mas provavelmente teria resolvido antes, empurrando para pegar, etc. Sendo injeção, se autoresolveu. Só não pode quebrar nada eletrônico.

  18. Bruno Cardoso disse:

    Eu tenho um Gol Ls 1983 que estava prestes a virar sucata quando o comprei, mas foi todo reformado por mim durante 4 anos, sem a ajuda de nenhum profissional.
    Fiz isso porque ele de alguma forma me pediu e permitiu.
    Os carros de antigamente têm personalidade, os atuais não, pois são todos iguais criados por robôs.

  19. Fernando disse:

    Ah, isso eu também não entendo, porque as pessoas não são como os alemães e os americanos, super DIY, autonomia é o nome. Independência é a melhor coisa do mundo, vc faz o que precisa ser feito sem depender de mão de obra cara e – aqui – pouco qualificada até prá trocar uma torneira.

    A outra é fácil, a maioria dos veículo produzidos até as décadas de 1950, 60 e 70, dura 40 anos, e pode ser consertado por pessoas com pouco conhecimento em mecânica. Algum maldoso poderia dizer que as coisas na DDR tinham que durar 40 anos, mas não é o caso, veículos brasileiros desta época ainda rodam muito por aí.

    Se produtos “duráveis” produzidos hoje durassem 40 anos haveria o maior desemprego mundial da história da humanidade, não duram nem 5 anos, e o planeta não agradece.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>