CHOQUE E MISTÉRIO

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SÃO PAULO(como pode?) – O meio antigomobilista brasileiro está em choque com o roubo de três Impalas ontem à noite, numa operação esquisitíssima. Os ladrões se apresentaram no começo da semana passada por telefone como representantes de uma revista, a “Quatro Rodas”. Combinaram com os proprietários de levar os carros para fotografá-los em Interlagos. Um de Vinhedo, outro de Campinas, outro de Mogi Mirim. Em comum: eram carros normalmente alugados para fazer casamentos.

[bannergoogle] Essa, inclusive, foi a conversa dos ladrões. Que iriam fazer uma edição especial da revista voltada para noivas. Mandaram crachás, credenciais e pulseirinhas para entrada no autódromo, todos com timbre da “Quatro Rodas”, além de cartas explicando a ação e tudo mais. Os donos mandaram seus carros, de prancha, até um galpão ao lado do autódromo. Lá havia inclusive seguranças identificados como sendo da revista. O plano seria fazer as imagens hoje pela manhã, e quem quisesse poderia acompanhar sem problemas.

Uma das proprietárias, Edenise Carratu, de Vinhedo, mandou junto o motorista, que dormiu no hotel Ibis perto do shopping Interlagos e hoje pela manhã foi até o galpão para acompanhar filmagens e sessão de fotos. Ao chegar ao galpão, não viu ninguém. Estranhou e avisou Edenise e seu marido, Nilson — o casal é o organizador do Encontro Paulista, que era realizado em Lindoia e neste ano será em Vinhedo. O alarme foi dado. Abriram o galpão e lá dentro… nada. Os três carros desapareceram.

Até agora, se sabe pouco mais além disso. O galpão para onde os carros foram levados estava vazio, disponível para locação, e o dono o alugou por um dia para guarda dos carros. A documentação apresentada para fechar o negócio, isso já se sabe, era toda falsa.

Os carros foram levados na madrugada, provavelmente em plataformas. O galpão fica diante de uma agência da Caixa na avenida Teotônio Vilela e a polícia requisitou imagens das câmeras de segurança para tentar alguma pista. Falei agora com o Nilson e ele disse que parece que um dos carros foi visto nas redondezas. A polícia foi atrás. Os carros são:

– Impala 1963 SS Conversível – Preto – Placas: EGI-1963
– Impala 1963 Coupé – Dourado – Placas: CGM-1963
– Impala 1964 Coupé – Azul – Placas: GBN-1964

O conversível é o mais valioso deles, com cotação na casa dos 200 mil reais. Os outros valem algo em torno de 150, 180 mil. Não são veículos absurdamente caros, e nem têm mercado tão farto assim — quem quer comprar um Impala, a essa altura, já sabe dos roubos.

É uma encomenda óbvia, mas… de quem? Para desmanche? Quem desmancharia um Impala para ganhar dinheiro com venda de peças? Poderia ser alguém que precisasse de peças para montar outro carro? Não faz muito sentido. É mais barato buscar nos EUA, onde tem tudo, do que se arriscar numa operação criminosa dessa dimensão. Exportar? Para isso é preciso documentação e tirá-los do Brasil. De que jeito? Escondidos numa mala? Impossível. A não ser que já tenham cruzado alguma fronteira terrestre, mas mesmo isso é altamente improvável pelo tempo necessário para o transporte até o Uruguai, Paraguai ou Argentina.

É o caso mais esquisito envolvendo roubo de carros antigos de que já ouvi falar. Uma coisa é um Opala, ou Fusca, ou Maverick ser furtado na rua e revendido a um incauto. Fusca, por exemplo, tem liquidez: desmancha e vende as peças com alguma rapidez. Há poucos anos, roubaram um Passat estilo Dasher de um amigo, o Zé Ricardo, que nunca mais apareceu. Um Impala roubado não volta à luz do dia sem que alguém o identifique. Donos de carros antigos gostam de mostrar seus carros, e esses estão definitivamente carimbados. E aqueles que mantêm coleções secretas, em geral, têm dinheiro suficiente para comprarem o que quiserem, sem necessidade de patrocinar um roubo como esse.

A foto acima foi tirada ontem à noite no tal galpão. Fiquemos atentos. A coisa está muito fresca e os ladrões estão sendo caçados. Encontrar essa quadrilha e o mandante dos crimes é algo que a polícia pretende fazer em poucas horas. É o que todos esperamos.

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