25 ANOS

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SÃO PAULO (e nós aqui, firmes) – Hoje fez 25 anos da primeira vitória de Ayrton Senna no Brasil. O GRANDE PREMIUM fez um trabalho maravilhoso hoje para relembrar a conquista. A página foi diagramada como se fosse um jornal impresso dos anos 90. Ao longo do dia, nosso Twitter “transmitiu” a corrida em tempo real com a hashtag #Senna91NoGP. Entrem lá para ver que legal ficou.

A mim coube rabiscar algumas linhas, que estão aqui.

Agora, contem o que vocês lembram.

Sobre o Autor

Flavio Gomes

Flavio Gomes é jornalista, mas gosta mesmo é de dirigir (e pilotar) carros antigos.

25 Comentários

  • Prezado F&G :Com todo respeito não sou fã do Senna, não me recordo de outro Piloto de F-1, ter conquistado uma vitória em condições similares.Sim nesta prova especificamente,o um pouco do talento de Senna, foi a condição para sua vitória.Pilotos Brasileiros; Emmo, Pace,Piquet, Senna e Massa, outros apenas tentaram correr em interlagos,muitos choraram com areia nos olhos…………

  • “Especial de Páscoa!
    Cenas desse “milagre” do “messas brasileiro” estão incluídas na sequência do filme/novela “Os Dez Mandamentos”, não percam!
    Breve, no cinema mais próximo!”

  • Essa corrida foi realmente marcante. Minha família estava toda em casa. Tios e primos inclusive, e é sensível como o interesse pela Fórmula 1 atingia até os menos íntimos do esporte.

    Foi a primeira e penúltima vez que torci por Ayrton Senna, o que percebi de repente – ué, estou torcendo pelo Senna? – pois nessa época torcia pelo Nelson Piquet.

    Foi algo contagiante, ainda mais para um moleque tarado por automobilismo.

  • Essa conquista estava sendo aguardada pelo piloto e pela torcida desde os tempos da Lotus. Algo tão esperado, tão fermentado, só poderia acontecer do modo como aconteceu. Numa explosão de euforia e entusiasmo indescritível.

  • Nesse dia eu estava no clube Náutico de Araraquara, com 14 anos de idade disputando a final do torneio de truco que teria como prêmio seis caixas de cerveja de lata (mais tarde meu pai teria que retirar o prêmio na secretaria do clube porque eu e meu parceiro de cartas eramos pivetes). Lembro perfeitamente que vencemos o torneio com um rei (verdade), e que nessa hora todos que estavam no clube se amontoavam na frente da tv do restaurante para assistir e torcer pela primeira vitória do piloto em sua casa, faltando umas quinze voltas. Lembro também que, embora fosse “devoto fervoroso” do piloto, achava que algo iria acontecer e que não seria ainda dessa vez, em virtude de alguma materia de tv que havia listado todos os infortúnios dos anos anteriores que impediram o piloto de vencer essa etapa específica. Disse em voz alta e clara que algo iria acontecer e que ele não chegaria em primeiro. Bastou para me chamarem de língua preta, boca de praga e cabeça de burro podre…. …foi divertido, e olha que acabou dando certo, e o cara foi lá e venceu, com drama e tudo o mais, para delírio dos bêbados presentes no restaurante do clube. Realmente, inesquecível.

  • Essa corrida de 91 é daquelas que sempre ficarão na memória, embora os detalhes escapem. Patrese em segundo? Eu jurava que era o Mansell, mas, lendo o relato, bateu aquele flashback momentâneo. Acho até normal que detalhes se percam face à dramaticidade das últimas voltas, a expectativa do que ia acontecer, o carro vai quebrar de vez?, as Williams encostando perigosamente, o Galvão berrando como mais só se veria no tetra.

    O lance das marchas é inconcebível hoje. Assim que o câmbio começasse a pipocar, o rádio mandaria o piloto entrar nos boxes ou encostar imediatamente, tanto por risco de explodir a merda toda quanto porque a parafernália eletrônica provavelmente nem dá conta de rodar com marcha faltando. O carro ia travar com uma tela azul e precisar de um control alt del pra voltar a andar. O mundo analógico era mais favorável a atos extraordinários, penso.

    Outro flashback ao ler o relato foi em relação a 88. Na epoca, eu já assistia às corridas, mas não tinha muito conhecimento de causa e nem dava tanta importância. Quando deu a cagada na largada, lembro de ter ficado chateado e querer ir fazer outra coisa — provavelmente brincar na rua, que era o que a gente fazia — e meu pai insistiu que não. “Eu conheço esse cara, ele é foda, vai passar todo mundo e ganhar ainda.” Ele não deve ter falado “foda”, que na época era palavrão grave, mas foi isso. “Meu pai sabe das coisas, vai dar certo”, pensei. Não deu, e eu comecei a descobrir ali que ele não sabia tanto assim das coisas.

    E essa coisa de que Deus ajudou a ganhar, discurso tão comum entre esportistas, que grande balela. Então quer dizer que Deus gosta mais de você e menos dos seus adversários? E então nenhum ateu é campeão? Se fosse Deus quem ganhasse qualquer coisa, nem precisava ter corrida: era só colocar todo mundo ajoelhado no grid e mandar pro pódio os três que rezassem com mais fervor.

  • Eu tinha 7 anos. Vi a corrida com meu pai, numa TV daquelas Sharp, procurei o número do modelo dela, mas não achei, mas era aquelas você apertava o botão do canal, meu irmão tinha a mania besta de apertar dois ou três botões ao mesmo tempo, ficava um barulho terrível e a imagem distorcida, ela tinha tipo uma portinha acima do cromado auto-falante que, quando a imagem estava ruim você abria e girava os botõezinhos, potenciômetro seria o nome correto, eu acho, o só a Globo e a Band pegavam bem, os outros canais tinha que ficar mexendo toda hora… Só lembro que falavam do tal ‘desgaste físico’, no alto dos meus 7 anos eu achava que isso era doença, tentei isso pra não ir pra escola no outro dia, mas não colou muito bem… Só lembro disso.

  • Não há há palavras para descrever o mito (como diria L. do Valle).
    O maior de todos os tempos, o inigualável. Interlagos/91 foi apenas uma amostra do que ele sabia. Seria campeão de Indy, Le Mans, F-E e o que mais aparecesse. Mito. Certo, Flávio?

  • Eu acompanhei toda a carreira do maestro das pistas e ví proezas que só ele era capaz de fazer. O GP Brasil de 91 foi mais uma delas. Nesse dia, ele mostrou que a capacidade que tinha de não aceitar a derrota o levava sempre um passo a frente. Eu já revi essa corrida inúmeras vezes e toda vez que ele finalmente cruza a linha na 71ª passagem e explode naquela emoção indescritível, realmente toca fundo qualquer coração sensível. Ele era realmente especial. Existem videos de muitas outras provas em que ele dá seu show ao longo da curta carreira, onde muitas vezes ele não venceu, mas a marca dele está lá, podem ver! Experimentem Imola/85, Austrália/85, Espanha/87, Canadá/89, Japão/89, Alemanha/92, Canadá/93 e Inglaterra/93 entre outras. A vitória dele na Hungria/91 é emblemática… Vejam como ele foi capaz de segurar as duas Willians atras dele a prova inteira e o que o Mansell fez com o Berger na mesma corrida. Ali ficou claro o gigante que existia dentro do cockpit.
    Grande abraço Flávio

    • Realmente se for para enumerar as corridas geniais dele precisaríamos de um livro….aliás, porque ainda não publicaram um com o seguinte título: ” as 41 vitórias do gênio”…….venderia muito!!

      O gp de Brands Hatch em 1984 assombrou o munda da F1… pois todos viram ,depois de mônaco, que era genial não somente no molhado!!

      • Antes disso, de estrear na Fórmula 1, ele já assombrou o mundo da da categoria. No seu primeiro teste com um carro de fórmula 1 pela Williams em Donington Park com apenas 35 voltas deixou o próprio Frank Williams boquiaberto. Por pouco não assinaram contrato para correr em 84, se fizesse isso, colocaria Keke Rosberg e Jacques Laffite que eram experientes na categoria no chinelo fácil fácil.. E olhe que a Williams de 84 era meia boca.

  • Nossa que matéria deliciosa de ler! Infelizmente eu não me lembro dessa corrida, pois tb tinha uns 6 anos de idade, só me lembro mesmo a de 93, mas logicamente que já vi e revi várias vezes a cena no youtube. Que época! Espero que um dia possa voltar a ter algo parecido.

    FLÁVIO só queria chamar atenção e mandar uma dica de um canal no youtube chamado FormulaOn(e)board, que acaba de sair FRESQUINHO o vídeo do GP da Austrália, tudo mostrado pela câmera onboard de vários pilotos. Sensacional!

    Valeu!

Por Flavio Gomes

Perfil


Flavio Gomes é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.” Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo”, revistas “Placar”, "Quatro Rodas Clássicos" e “ESPN”, rádios Cultura, USP, Jovem Pan, Bandeirantes, Eldorado-ESPN e Estadão ESPN — as duas últimas entre 2007 e 2012, quando a emissora foi extinta. Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil. Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o "Grande Prêmio" passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o "Esporte de Primeira" na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Em 2005, publicou “O Boto do Reno” pela editora LetraDelta. No final do mesmo ano, colocou este blog no ar. Desde 1992, escreve o anuário "AutoMotor Esporte", editado pelo global Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, "Dois cigarros", pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas "Gerd, der Trabi" (Gulliver, 2019). É torcedor da Portuguesa, daqueles de arquibancada, e quando fala de carros começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs e Volkswagens de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. É com eles que roda pelas ruas de São Paulo e do Rio, para onde se mudou em junho de 2017. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020.
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