CHINELADAS (2)

C

RIO (longo, este dia…) – Bom, está na cara que alguma coisa acontece na Mercedes. E alguma coisa maior ainda, na Ferrari. Vejam só. Desde o início da “Era Turbo MGKU MGHK Dois Motores Elétricos e Um a Combustão”, em 2014, pela primeira vez a Mercedes fica duas corridas seguidas sem fazer a pole. São mais de quatro anos dominando tudo, deixando migalhas para a concorrência. Será que o jogo virou, finalmente? Tomara. Queremos alternância no poder. Vermelhos na ponta. É a hora dos vermelhos.

Vettel fez uma grande pole de madrugada em Xangai. Ajudou o fato de a Ferrari ter percebido rápido que Hamilton e Bottas eram cartas fora do baralho, e a equipe ofereceu ao distinto público um belo duelo interno que teve Raikkonen na frente por boa parte do tempo, mas que acabou, mais uma vez, com Tião Italiano jantando o calado companheiro na hora H.

Foi sua segunda pole no ano e 52ª na carreira, com apenas 0s087 de vantagem sobre o finlandês — que só não comemorou a pole antes do tempo ao fazer uma volta excepcional em sua segunda tentativa no Q3 porque não costuma comemorar nunca mesmo, nem depois do tempo.

polevettelchi18

Agora, o que assustou mesmo foi a diferença para os prateados. Bottas foi o terceiro e Hamilton, o quarto. Ambos a mais de meio segundo dos ferraristas. É algo muito incomum. Lewis até abortou sua segunda volta rápida porque, depois da segunda parcial, percebeu que não iria derrotar o rival. Nem quis saber de tentar bater Bottas. Deprimiu. “Vai ser muito difícil ganhar deles amanhã”, falou, quase chorando, o inglês.

A esperança mercêdica está na meteorologia. O sábado foi muito frio em Xangai, com temperatura mal passando dos 12°C. para amanhã, no entanto, a previsão é de um dia ensolarado e mais quente. A Mercedes tem tido muita dificuldade com pneus ultramacios para atingir sua temperatura ideal de funcionamento. A Ferrari, não. O calor, se realmente fizer algo parecido com calor, será muito bem-vindo nas hostes alemãs.

A Ferrari não fazia uma pole em Xangai desde 2004, com Barrichello. Já a Mercedes vinha de seis poles seguidas na pista chinesa. As duas equipes eram, ao início da classificação,  as únicas com ambições claras no sábado.

No Q1, tudo normal com a degola das duplas de Sauber e Williams e surpresa com a queda de Gasly, que fizera uma corrida espetacular domingo no Bahrein. Drama só para Ricciardo, da Red Bull, que precisou trocar o motor após o terceiro treino livre e os mecânicos conseguiram terminar o trabalho quando o Q1 estava acabando. O australiano só teve tempo para dar uma volta, e conseguiu se colocar no jogo.

O Q2 espirrou Magnussen, Ocon, Alonso, Vandoorne e Hartley. Também normal, dada a irregularidade da McLaren em classificações e o sobe-desce da Haas — às vezes um de seus pilotos vai bem, em outras vai o outro; hoje foi Grosjean o melhor dos dois. Interessante que Mercedes e Ferrari fizeram seus tempos no Q2 com pneus macios, e é com eles que largarão amanhã para aguentar um primeiro stint um pouco mais longo num asfalto que judia da borracha.

Ao fim do Q3, as três primeiras filas ficaram com as duplas de Ferrari, Mercedes e Red Bull. Hülkenberg, Pérez, Sainz Jr. e Grosjean fecharam os dez primeiros, e é preciso aqui elogiar a performance sólida da Renault durante todo o fim de semana.

Deve ser uma corrida interessante com a mudança de temperatura. A Mercedes não é meio segundo mais lenta que a Ferrari, e essa distância deve diminuir na prova. De qualquer maneira, é notável como a equipe de Maranello tem feito um trabalho bom e consistente neste começo de temporada. Na Austrália, não tinha carro para ganhar, e ganhou com alguma sorte e muita competência de Vettel e da equipe nos boxes. No Bahrein, Sebastian segurou as pontas no final e contou com uma punição a Hamilton para vencer de novo. Na China, se mostra melhor, mesmo.

É ótimo que isso aconteça. A Mercedes vai se mexer, claro, para recuperar o terreno perdido. Falta a Red Bull acordar para a vida para animar a brincadeira um pouquinho mais.

Meu palpite para hoje: Kimi vence, com Vettel em segundo e Hamilton em terceiro.

Sobre o Autor

Flavio Gomes

Flavio Gomes é jornalista, mas gosta mesmo é de dirigir (e pilotar) carros antigos.

20 Comentários

  • “Vettel fez uma grande pole de madrugada em Xangai. Ajudou o fato de a Ferrari ter percebido rápido que Hamilton e Bottas eram cartas fora do baralho, e a equipe ofereceu ao distinto público um belo duelo interno que teve Raikkonen na frente por boa parte do tempo, mas que acabou, mais uma vez, com Tião Italiano jantando o calado companheiro na hora H.” Sim. Vejamos:

    Para quem diz que o Kimi na hora H tem de comparecer, click no link abaixo e depois em Fastest Mini Sectors Comparison.

    https://www.formula1.com/en/video.html?date=2018

    Vou contar resumidamente o que aconteceu ali: A Ferrari freou o carro do Kimi tirando-lhe potência, com algum limitador ou algo do gênero. O que aconteceu é inexplicável. Vou mostrar e vcs vão ver.
    Kimi esteve à frente de Vettel em todos os setores. De repente, no tempo do vídeo de 1min14, numa reta, inexplicavelmente o carro do Kimi andou para trás, estancou no retardo de 0,1s e não reagiu mais e lá ficou até o tempo 1m36. Ou seja, ficou 22s à mesmíssima distância do tempo do outro carro sem qualquer reação. Nem um mínimo de avanço nem de retardo nem por milésimos ou milionésimos de segundo. Foi como se os dois carros tivessem sincronizados. Olhe ainda, que coisas interessantes:
    1. Na primeira reta, a dos boxes, eles entram juntos e vão juntos até o fim. Kimi curva melhor e sai na frente (13s) e Kimi faz o caracol na frente até o finalzinho, mas Vettel traciona melhor na saída.
    2. Logo depois do caracol na curva de alta, no tempo 24s, Kimi traciona melhor e some na frente. Depois equilibram de novo.
    3. Aos 49s eles entram em uma curva de alta juntos e Kimi voa na frente de novo e fica até 1min11 no meio de uma reta.
    4. Aí, a partir do 1m14 acontece o inexplicável. Repito, o inexplicável. o carro do Kimi andou para trás, estancou no retardo de 0,1s, não reagiu mais e lá ficou até o tempo 1m36. Ou seja, ficou 22s à mesmíssima distância do tempo do outro carro sem qualquer reação. Nem um mínimo de avanço nem de retardo nem por milésimos ou milionésimos de segundo. Foi como se os dois carros tivessem sincronizados. Não há como dizer que o carro do Kimi é ruim de reta (nem de curva). Até então ele foi melhor em todos os setores e em todas as situações de retas, curvas de alta e curvas de baixa.
    A Ferrari está exatamente igual ao STF e à direita em geral: acha que ninguém está vendo o que está acontecendo.
    Tem até um jornalista antigo aí cujo nome não vou citar, ferrarista de carteirinha, que admitiu escancaradamente que Kimi só andaria à frente de Vettel na classificação e na corrida se a Ferrari deixasse.
    Abç.

  • É só uma questão técnica na Mercedes, aliada a uma falta de sorte. Veremos o fenômeno Comandante Hamilton em ação. Como diria o Zampa, sem choro e nem vela…. Ah, Hoje no Brazil, o melhor narrador da F-1, Sérgio Maurício do Sportv. Abraço.

  • isso nunca aconteceria jamais a ferrari deixaria essa oportunidade de aumentar mais ainda a diferença do vettel pro hamilton o kimi e bottas sao os barrichello e massa finlandezes

  • Fala Flávio,

    Na minha opinião a diferença de 0s087, do Vettel para o Kimi, é o que podemos chamar de empate técnico. O Ice Man parece ter o carro perfeito para seu estilo de pilotagem mas esbarra num problema, o companheiro de equipe é osso duro.
    Gosto do outsider Kimi Räikkönen e vou torcer por uma vitória dele na China.
    Lenda
    Unico
    LIvre
    Amável

    Saudações,

  • A McLaren dizia que o problema era o propulsor, agora tentam vácuo para Alonso avançar na classificação. Parece que não é só motor. O Renault pode não empurrar como Ferrari e Mercedes, mas a RBR anda lá na frente constantemente. Apesar de me divertir vendo o insuportável Alonso no fim do grid, seria interessante a McLaren de volta ao pelotão da frente. Parece que isso não vai rolar.

  • Mercedes, Force Índia e Williams, cada uma no seu patamar, tem apresentado menos do que se esperava.
    Parece mesmo que o motor Mercedes não tem nesta temporada a supremacia das anteriores.
    E aguardem que em 2019 a Honda chega de vez.

  • Não entendi nada do seu palpite. Vettel tem ritmo de corrida muito melhor que Kimi, sem contar que a equipe o privilegia em tudo. A única chance do finlandês é acontecer algum problema com o tedesco.

  • 0 ano passado também foi assim até a primeira metade, depois nós vimos o ” garanhão prateado” de rédeas soltas o quanto andou ! Espero que este ano a turma de Maranello não se deixem enganar e já estejam pensando nas melhorias para a segunda metade, pois eu acredito, como o campeonato é longo, que os tedescos estão guardando o seu melhor para a segunda metade do campeonato.
    Quem viver verá , se os tedescos estão escondendo o leite ou sua vaca , já não tem tanto leite para dar.

  • Galera hj a globo vai por a tranquera do Luiz Roberto pro grande premio da China. Pra quem não aguenta esse cara como eu e muitos, sugiro acompanhar pela band news fm, alem da transmissão começar meia hora antes, e tem o pos corrida com entrevistas, tudo, a turma la entende do assunto, Odinei Edson, Castilho, Luiz Fernando Ramos, pra mais um show do genio Vettel! pois Luiz Roberto não da

Por Flavio Gomes

Perfil


Flavio Gomes é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.” Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo”, revistas “Placar”, "Quatro Rodas Clássicos" e “ESPN”, rádios Cultura, USP, Jovem Pan, Bandeirantes, Eldorado-ESPN e Estadão ESPN — as duas últimas entre 2007 e 2012, quando a emissora foi extinta. Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil. Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o "Grande Prêmio" passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o "Esporte de Primeira" na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Em 2005, publicou “O Boto do Reno” pela editora LetraDelta. No final do mesmo ano, colocou este blog no ar. Desde 1992, escreve o anuário "AutoMotor Esporte", editado pelo global Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, "Dois cigarros", pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas "Gerd, der Trabi" (Gulliver, 2019). É torcedor da Portuguesa, daqueles de arquibancada, e quando fala de carros começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs e Volkswagens de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. É com eles que roda pelas ruas de São Paulo e do Rio, para onde se mudou em junho de 2017. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020.
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