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domingo, 30 de junho de 2019 - 12:02F-1

ZÉ TWEG (3): MAX ÉPICO

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Max comemora, Leclerc lamenta: corrida histórica do holandês

SÃO PAULO (já voltam0s) – Foi uma das maiores vitórias da história da Fórmula 1. Verstappen ganhou o GP da Áustria mostrando mais uma vez um talento transbordante depois de uma largada ruim, quando caiu da segunda para a sétima colocação. A Honda, agora com a Red Bull, voltou a vencer depois de 13 anos — a última tinha sido com Button na Hungria em 2006. Foi o sexto triunfo da carreira do holandês.

E Leclerc, segundo colocado, pode fazer o bico que quiser e reclamar com o arcebispo de Viena, se achar que deve. Ele perdeu uma corrida ganha. Com a vantagem que tinha desde o início e após a janela de pit stops, não tem cabimento não controlar a diferença para os rivais para ter alguma tranquilidade nas voltas finais.

OK, Max estava voando, mas tem momentos em que é preciso voar também. Nem que seja por três ou quatro voltas. O monegasco não perdeu a prova de Spielberg na ultrapassagem que levou na volta 69, a duas do fim. Perdeu ao não impor um ritmo que lhe permitisse ter segurança na fase derradeira da corrida. E a Ferrari deveria monitorar melhor as coisas. Parece não ter percebido Verstappinho na pista. Teve olhos apenas para a Mercedes. Quando foi ver, era tarde.

Um bom indicativo de como Charlinho deitou na pole e na liderança, talvez acomodado pelo fato de ter o pacato Bottas atrás e Hamilton fora da briga por conta de um pit stop longuíssimo para trocar o bico, é sua diferença para Vettel, quarto colocado: 16s886 ao final da corrida. Só isso. E Sebastian largou em nono. Além de ter feito duas paradas, contra apenas uma do jovem de bochechas rosadas.

O resultado da corrida só foi oficializado três horas depois da quadriculada num comunicado cuja decisão se resumiu a três palavras: “No further action”. Ainda bem. O bate-rodas de Leclerc e Verstappen foi levado à torre de controle nestes tempos de VAR até para chupar picolé. Charles achou que Max deixou o carro espalhar e o jogou para fora da pista. O holandês, que enlouqueceu as arquibancadas tingidas de laranja por seus torcedores, devolveu: “Se não pudermos fazer isso, que sentido tem estar na F-1?”, perguntou.

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Os três que ganharam troféus em Spielberg compuseram o pódio mais jovem da história: Verstappen, Leclerc e Bottas têm em média 24 anos e 156 dias de idade. Os dois primeiros, 21. Max nasceu em 30 de setembro de 1997. Charles veio ao mundo 16 dias depois.

Não foi um pódio exatamente festivo, porque Leclerc estava emburrado até a alma. Como no Bahrein, onde perdeu uma corrida fácil porque seu motor teve problemas. Na Áustria, bobeou — mas vai se queixar até o fim de seus dias da manobra do piloto da Red Bull e da dificuldade que teve com os pneus na escaldante Spielberg, 35 graus e um sol de ferver o leite na teta da vaca.

A prova foi muito boa desde o início. Verstappen deixou entrar o ponto morto na largada e caiu de segundo para sétimo. Hamilton, Norris e Raikkonen se esfregaram num ritmo alucinante e Vettel saltou de nono para sexto na primeira volta, entrando na brincadeira. Na sétima volta, estava em quarto. Verstappinho se recuperou como deu e se estabilizou em quinto até começarem os pit stops.

Com pneus macios, Vettel parou na volta 22 e o pit stop foi um desastre — os mecânicos não tinham preparado os pneus quando ele chegou aos boxes. A opção foi pelos duros, como todo mundo. Leclerc veio na volta seguinte e Hamilton assumiu a ponta porque Bottas também já tinha parado. Quando fez seu pit stop, Lewis teve de trocar o bico do carro, danificado numa zebra na volta 27. Verstappen veio duas voltas depois — tinha largado de médios, como os prateados. Ele e Vettel ganharam a posição do inglês e depois da janela de paradas a ordem era Leclerc, Bottas, Vettel, Verstappen e Hamilton.

Charlinho mantinha-se seguro oscilando sua diferença para Bottas entre 4 e 6s. Com os pneus duros, Max, em quinto, começou a descontar o tempo para Vettel, que não conseguia um bom ritmo com essa borracha. Na volta 50, chegou e passou. O alemão foi imediatamente para os boxes e espetou pneus macios para a fase final da prova, caindo para quinto. A torcida delirou.

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Mar laranja: a torcida de Verstappen comemorou cada ultrapassagem como se fosse um gol

Na volta 56, Verstappen chegou em Bottas e passou por ele com uma facilidade inacreditável. O piloto da Mercedes contou depois que tinha problemas de superaquecimento do motor, como Hamilton. “Não conseguimos correr hoje”, disse o chefe do time alemão Toto Wolff. “Expusemos nosso calcanhar de Aquiles. Apenas tentamos nos manter vivos resfriando o motor.”

A 15 voltas do fim, Leclerc tinha 5s1 de vantagem para Max. Vettel, um pouco mais atrás, vinha voando para cima de Hamilton com o carro muito mais rápido. Verstappen virava tempos 1s melhores que o monegasco na caça à Ferrari. Na volta 66, chegou. À frente de Leclerc estava a outra Red Bull, de Gasly, que saiu do caminho para não permitir que o ferrarista abrisse a asa. Max, a menos de 1s, abria a sua para tentar o bote.

Foram voltas eletrizantes. Na 68ª, Verstappen tentou e Leclerc se defendeu lindamente. O autódromo estava de pé. Na volta seguinte, foi para cima decidido, viu o espaço deixado pelo rival, mergulhou na freada da curva 3, se tocaram, e levou. Na mesma hora, Vettel passou Hamilton e reassumiu o quarto lugar. O autódromo veio abaixo.

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O momento decisivo: Verstappen “espalha” e assume a liderança para desespero de Leclerc

“Eu achei depois da largada que já era”, falou Verstappinho com um sorriso de orelha a orelha. “Mas após a parada nosso ritmo era muito bom e consegui atacar todo mundo. Estou muito feliz pela equipe e pela Honda”, concluiu. Todos ficaram felizes — exceto, claro, a turma da Ferrari. Ainda que a decisão dos comissários tenha demorado uma eternidade, fez justiça a um piloto que lutou até o fim. E que não fez nada de errado. Leclerc foi juvenil quando abriu para fazer a tomada da curva 3 deixando um buraco enorme para Max se atirar. A “espalhada” na saída da curva foi normal e todo piloto faz isso. Não é proibido.

Depois de um GP modorrento na França, domingo passado, a Áustria ofereceu um espetáculo de encher os olhos. Mas não se deve tomar essa corrida como padrão. Exceção define melhor a prova do que redenção. Tipo de pista, calor, posições de largada da Mercedes, problemas de Hamilton com o bico e a temperatura do motor, Vettel em nono no grid, tudo isso contribuiu para montar um roteiro inesquecível. Que teve, ainda, atuações ótimas da McLaren (Norris em sexto e Sainz Jr. em oitavo, este depois de largar em 19º), da Alfa Romeo (com os dois nos pontos, Raikkonen em nono e Giovinazzi pontuando pela primeira vez em décimo) e do próprio Vettel, incansável na luta por um pódio que não veio por meros 0s650.

A vitória de Verstappen interrompeu a série de dez triunfos seguidos da Mercedes (oito neste ano) e levou o holandês para o terceiro lugar no Mundial, com 126 pontos — ele ainda fez o ponto extra da melhor volta. Hamilton segue firme na liderança com 197, 31 à frente de Bottas. É provável que as coisas voltem ao normal em Silverstone. Mas que deu gosto de ver essa corrida, deu. E é com ela na retina que ficaremos nas próximas semanas, até chegar o GP da Inglaterra.

210 comentários

  1. John Player disse:

    Leclerc tomando o choque de realidade.
    Chegou agora na realidade, equipe top 3, e acha que não teria competidores?
    Menos meu rapaz, bem menos…
    Teve a oportunidade de vencer tranquilamente e se deitou na posição achando que seria inalcançável. Vacilou e perdeu uma corrida ganha.
    Mais uma vitória que lhe escapa das mãos, agora por exclusiva culpa do monegasco.
    Sabe quando vai ver Hamilton, Vettel e Verstappen todos juntos “lá atrás” com ele folgado na frente de novo nessa temporada?
    NUNCA MAIS.

  2. John Player disse:

    Solução para a F1 voltar a ter graça contra o domínio absoluto da Mercedes:
    Ter metade das corridas da temporada realizada na Austria, em Zeltwegg!
    Um corrida da F1 na Austria por mês, revezando com os outros autódromos do campeonato.
    Rá!

  3. Paulo F. disse:

    Quer dar panca vai correr na Nascar!
    Dois pesos e duas medidas. O que fizeram com o incidente Vettel e Hamilton?

  4. Fernando disse:

    Melhor corrida que vi tem muito tempo.

  5. Eder Félix disse:

    FG, concordo com vc, tá tendo muito comentário com ofensas pessoais. Parece que o Brasil foi tomado pelo autoritarismo e o direito de ofender quem quiser quando bem entender.
    Sobre a polêmica ultrapassagem:
    – Verstapen se achou no direito pelo espaço que foi deixado, tem a gana dos vencedores perseverantes e não deixaria passar em vão. Mas receoso da volta anterior, espalhou mais do que o necessário para evitar o troco novamente. Foi manobra bonita, mas todos sabemos que se fosse a disputa pelo 5° teria sim, punição.
    – Leclerc bobeou muito ao deixar tanto espaço, foi otimista pensando que não haveria tentativa, quando percebeu tentou repetir a volta anterior, mas só funcionaria se a manobra da RBR fosse na condição igual, o que o holandês garantiu que não seria.
    Resumindo: foi bonito, “corrida em estado puro” como muitos disseram, mas foi irregular. Gostaria que todo piloto que tiver a oportunidade de fazer igual, o faça de agora em diante: deixa escorregar e manda o outro pra fora. Quero ver coragem pra punir depois de RBR Ring.
    A lamentar:
    – Verstapen: poderia ter utilizado a bobeada do Leclerc para contornar a curva atrás, mas com saída mais tracionada e passar na reta seguinte, com asa aberta!
    – Leclerc: alguém lembra de algum piloto que escreveu seu nome na história dos grandes que tinha 5s de vantagem a 10 voltas (e curtas) do fim, com um carro sem problemas, e perder a liderança?

  6. Marmelada-44 disse:

    A marmelada chegou na sala dos comissários de corrida. Ficaram se lambuzando durante 3 horas pra dizerem que não houve nada. Será que eles consultaram os cartolas da FIA à distância?

  7. Robertom disse:

    Leclerc parou antes e tinha os pneus mais desgastados, dificilmente ele conseguiria resistir por 2 voltas mas cometeu o erro fatal, deixou a porta aberta e emparelhou por fora, pediu para ficar no prejuízo…

  8. Comentarista Crítico disse:

    Todo mundo falando que a corrida foi maravilhosa. De fato foi um corridão. Mas muito mais por questões circunstanciais do que pela pista por exemplo. Hamilton largou em quinto e Mercedes teve problema de super aquecimento. Max teve problema na largada e graças a isso fez uma corrida tão incrível. Se Hamilton tivesse sido pole e Mercedes não tivesse os problemas de super aquecimento, a corrida seria o oposto do que foi. Se Max não tivesse problema na largada e largasse bem, a corrida não seria nem metade do que foi. Tô falando isso, porque muitos colocam a culpa na pista pela terrível corrida da França. Quando o maior culpado não foi a pista e sim o melhor piloto e o melhor carro estarem na frente desde o início corrida. Além de uma chicane insossa e áreas de escape desnecessárias. Olhem só como Paul Ricard pode ser uma das 4 pistas mais tops da F1:
    https://m.youtube.com/watch?v=Im9FHrQ_PB4
    A velocidade na Signes é de deixar de boca aberta. Com brita ao fundo seria sensacional. A típica curva pra separar os Homens dos Meninos.

  9. Pedro disse:

    a corrida foi o maior barato, adorei! nem os bordões forçados do narrador global – “mete o pé e vai na fé”, convenhamos, é de matar – atrapalharam.

  10. Alfredinho disse:

    Dois pesos. Duas medidas.

    Vettel, por muito menos, foi punido no Canadá. Verstappen, por muito mais, foi absolvido na Áustria.

    • Micromax disse:

      Perfeito Alfredinho….É a política nojenta da F1 de novo intervindo. Verstappen fez sim uma bela corrida até jogar o Leclerc pra fora como se soubesse que dificilmente o puniriam na Áustria, casa da RBR. Eu estaria aqui aplaudindo sua atuação não fosse a última e decisiva manobra, tem gente que se acha no direito de compará-lo ao maior de todos, mas o fato é que não tem 1/3 do carisma e da personalidade que Ayrton tinha…..e nunca terá, podem escrever o que eu digo!!

    • Gabriel P. disse:

      Também concordo.
      Ele jogou o carro do Lecrerc fora da pista e batendo de propósito.
      Se acham que ele está certo, então fica valendo bater para jogar o adversário fora da pista ?????
      Não dizem tanto, que na ultrapassagem tem que deixar espaço para manobras do outro carro ?
      Qualquer outro seria punido e para piorar demoraram 3 horas para concluírem, o que supõe ter jogadas extra campo.

    • John Player disse:

      Se liga Comentarista Critico!
      O Malafredo DETESTA o Vettel e ama o Hamilton!!
      Jamais defenderá o piloto ALEMÃO.
      Não inverta a realidade.

      • Marmelada-44 disse:

        A viuvinha detesta o Vettel, mas ele detesta mais ainda o Verstappen que espanou o Riccardão, um dos seus idolozinhos.

      • Comentarista Crítico disse:

        John Player, jamais defenderá o Alemão? Mas porque no comentário acima ele concorda com o Alfredinho contestando a punição do Vettel no Canadá? Se isso não é defender… E olha o comentário do Marmelada. Ele definiu perfeitamente como é a situação. E detesta mais o Verstappen, porque o Holandês espanou o Riccardo e porque o Holandês é realmente craque e ainda vai fazer a mala sem alça e sem rodinha passar muita raiva assim como Schumacher fez.

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