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sábado, 30 de novembro de 2019 - 15:19Automobilismo internacional, F-1, Imprensa

DOMINGOS, 75

RIO – Foi com uma enorme tristeza que recebi agora há pouco a notícia da morte de Domingos Piedade. Ele ficou mais conhecido no Brasil por sua atuação como comentarista de F-1 da antiga Rádio Panamericana, nos anos 70. Mas foi muito mais que isso. Domingos foi um dos caras mais importantes na história da F-1.

Engenheiro, Domingos deixou Portugal para viver na Alemanha por 35 anos, onde, entre outras coisas, foi um dos homens-chave da AMG — o braço esportivo da Mercedes que, por exemplo, conduz as operações da equipe de F-1. Como chefe de equipe, ganhou duas edições das 24 Horas de Le Mans pela Porsche/Joest, em 1984 e 1985. Na imprensa, em seu país, comentou as corridas pela RTP. Como empresário, foi responsável pelo início da carreira de Emerson Fittipaldi na categoria, “descobriu” Schumacher no kart, foi um dos amigos mais próximos de Senna, empresariou Pedro Lamy e Michele Alboreto, deu o pontapé inicial na carreira de Montoya. E ainda foi administrador do autódromo do Estoril, organizou provas de rali, corridas de endurance, eventos automobilísticos de todos os tipos, viveu entre carros e motores.

Nesta recente entrevista a “A Bola TV”, o canal de vídeos do jornal esportivo português, Domingos conta muitas de suas histórias de décadas na F-1. Os detalhes sobre o começo da carreira de Schumacher são especialmente saborosos. Em outra entrevista, ao “AutoSport” lusitano, em 2016, pode-se conhecer melhor essa grande figura.

Domingos se foi ontem aos 75 anos. Estava internado em Cascais, sua querida Cascais. Lutava havia dois anos contra um câncer no pulmão.

Era um amigo querido.

8 comentários

  1. António Barbosa disse:

    Flávio Gomes, Domingos Piedade foi isso tudo e ainda mais, eu creio que ele não venceu apenas uma vez Le Mans, creio que ele venceu duas, em 1984 e em 1985 e esteve quase a ganhar uma terceira seguida em 1986, ele era também manager de Michelle Alboreto que Domingos considerava o sujeito mais correcto que conheceu no automobilismo, Domingos teve também intervenção na passagem de Ayrton da toleman para a Lotus, também foi por Domingos que Ayrton correu os 1000 km de Nurbugring num Porsche 956 da Joest de seu amigo Reinald Joest, Domingos teve também intervenção na ida de Pedro Lamy para o campeonato alemão de F3 que venceu e na entrada de Lamy na Lotus e era amigo muito chegado de Rolf Stomelen, existe inclusive uma foto em que estão Domingos, Senna e Bellof juntos… E era dos homens que mais histórias tinha para contar porque as viveu e esta entrevista que ele deu ao jornal português autosport também é deliciosa em histórias… https://www.autosport.pt/maismotores/recordar-domingos-piedade/

  2. Romeo Nogueira disse:

    Ótima entrevista de Domingos Piedade ao jornal português. Sobre Schumacher, disse que respeita a decisão da família em não divulgar seu real estado de saúde. Respeitar não significa necessariamente concordar ou discordar. “Como ele está? Está como está!” No vídeo, porém, aos 11:46, acrescenta: “se ele voltar a viver, ser pessoa, que seja pelo menos parecido com aquilo que ele era…”.

  3. Miguel Direito disse:

    Incrível e versátil carreira no mundo dos automóveis. A importância dele no início do DTM e na Joest de Le Mans, por exemplo, é imensa.

  4. Danir disse:

    Incrivel como pessoas da maior qualidade se vão e ladrões e assassinos continuam vivos e atuantes.
    Eu gostava de ouvir os comentários do Domingos piedade sobre a Fórmula 1 juntamente com os artigos com os desenhos do Piolla na Auto Sprint.
    Tempos que não voltam mais.
    R.I.P. Domingos Piedade

  5. Edison Guerra disse:

    Curioso, ontem parado no trânsito, sem mais nem menos, lembrei dele!
    RIP.

  6. Ricardo Bigliazzi disse:

    Realmente uma perda, acompanhei muita da trajetória, em casa as minhas primeira memória auditivas eram dos programas da Jovem Pan desde 69 (se não me engano o nome comercial da radio muda em 65 para Jovem Pan).

    Uma perda grande para nós que amamos o automobilismo.

  7. Jose Alberto disse:

    Ainda me recordo, quando vivi no Brasil no final dos anos 70, de ouvir as transmissões dos gp em que o Domingos Piedade acompanhava o Velho
    Barão, Fittipaldi. Deixa saudades.

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