PROCURAM-SE PISTAS

RIO (só Europa?) Azerbaijão, Japão e Singapura cancelaram de vez suas etapas deste ano, como já haviam feito, também em caráter definitivo, Austrália, Mônaco, Holanda e França. São sete provas riscadas do calendário original de 22 etapas, o que numa conta de português de padaria reduziria o Mundial de 2020 a 15 GPs.

Mas a gente sabe que não é essa conta simples que vai desenhar a temporada ainda por ser iniciada — aliás, neste fim de semana, não fosse a pandemia do novo coronavírus, estaríamos falando sobre o GP do Canadá, nona etapa do campeonato. Como se sabe, o Mundial só vai começar de verdade no dia 5 de julho, na Áustria — data original da corrida, diga-se.

Baku e Singapura, corridas de rua, não poderão acontecer por conta da logística necessária para montar os circuitos. O Japão preferiu adotar uma postura cautelosa e resolveu não arriscar. A FIA divulgou um calhamaço de 70 páginas com protocolos de segurança e sanitários para as oito etapas já confirmadas — as duas da Áustria e da Inglaterra, mais Hungria, Espanha, Bélgica e Itália. Chamou a atenção o número de jornalistas que terão acesso aos autódromos: 12. DOZE! Putz. A F-1 arrasta um contingente de mais de 400 por corrida, vindos de todas as partes do mundo. Como são estranhos, estes tempos…

Para ampliar esse minicampeonato, cogita-se recorrer a autódromos que ou nunca receberam a F-1, ou não o fazem há tempos. Algarve (foto), em Portugal, Imola, na Itália, e Hockenheim, na Alemanha, estão na lista. Mugello, na Itália, e Jerez, na Espanha, também. Talvez seja impossível correr fora do Velho Continente neste ano, embora Abu Dhabi e Bahrein estejam no radar, ainda. Falar em provas nas Américas, por enquanto, é prematuro. Interlagos corre risco? Sim, muito. Embora esteja marcado para novembro, apenas, o GP do Brasil é um ponto de interrogação porque o país também é. As pessoas lá fora sabem o que está acontecendo aqui. E, por isso, não tem muita gente no mundo disposta a mergulhar neste pântano de obscurantismo e ignorância enquanto for governado por milicianos e psicopatas. O Brasil perdeu a graça.

A Europa oferece uma facilidade de transporte que não deve ser ignorada. Dá para fazer tudo de caminhão, sem recorrer ao caríssimo transporte aéreo de todo o equipamento da categoria. Isso pode ser decisivo também pela questão dos custos.

Será um segundo semestre frenético para quem gosta de F-1. Corrida quase todo fim de semana. Gostamos? Ô! E digo mais: nessas condições, o favoritismo da Mercedes cai um pouco. Pode acontecer qualquer coisa, principalmente se a temporada for curta, com dez ou 12 corridas. As 18 pretendidas pelo Liberty, porém, recolocam o time alemão como maior candidato ao título. Com Hamilton, claro.

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