SOBRE ONTEM DE MANHÃ…

RIO (express) – Seremos um pouco mais breves nos nossos rescaldões em 2020. O ritmo do campeonato, com corridas praticamente todos os finais de semana, não permitirá muitas ginásticas literárias, não.

A imagem do GP da Áustria, claramente, é essa aí em cima. Falta o sexto elemento, Verstappinho, um dos que se recusaram a repetir o gesto de ajoelhar na hora do hino. Cada um justificou a recusa de uma maneira — alguns não falaram nada e pronto.

É como disse ontem. O fato de não terem se ajoelhado não faz deles racistas. Mas revela falta de solidariedade, adesão, postura, desconexão com o mundo à sua volta. Achei bem antipática a atitude. E minha admiração pelos demais, os 14 que fizeram o mesmo que o jogador de futebol americano Colin Kaepernick em 2016 — gesto ampliado pela semelhança com a estética do assassinato de George Floyd por um policial nos EUA –, só aumentou.

A F-1 não é uma ilha.

Eis a leitura do GP da Áustria pela pena do nosso cartunista Marcelo Masili, que segue com a gente em 2020. O sorriso de Lando Norris sob o arco-íris que a McLaren incorporou ao seu carro como símbolo da campanha #WeRaceAsOne era tão largo que, de fato, parecia transparecer através da máscara que todos tiveram de usar no pódio. E há uma curiosidade nesse pódio: McLaren e Ferrari não dividiam troféus na mesma corrida desde o GP do Brasil de 2012, vencido por Button, então na equipe inglesa, com Alonso em segundo e Massa em terceiro.

? GOSTAMOS …de muita coisa nessa corrida, mas merece uma nota de louvor o combativo Pierre Gasly, sétimo na estreia da AlphaTauri, novo nome da Toro Rosso. Logo no começo da corrida o pedal de freio do francês foi para o chão e a equipe cogitou o abandono. Ele pediu uma volta para resfriar os freios, eles voltaram ao normal e ele foi à luta. Foi um resultado honroso para um piloto perseverante e dedicado.

?NÃO GOSTAMOS…da péssima apresentação da Alfa Romeo, em que pese o nono lugar de Giovinazzi — numa prova de muitos abandonos, aproveitou para beliscar uns pontinhos. Mas a equipe andou atrás o tempo todo e ainda pisou feio na bola com Kimi Raikkonen, deixando uma roda solta depois de um pit stop que poderia causar um grande acidente. A foto, aliás, tem um significado especial. Kimi não se ajoelhou na hora do hino. O carro fez isso por ele.

E nosso amigo Gola Profonda?

Tá titi? Fica titi não!

Como se sabe, trabalha na Ferrari em função desconhecida, mas se gaba de ter informações do submundo de Maranello e de ser amigo de Vettel. “Temos um grupo de WhatsApp”, me disse hoje de um telefone que, segundo ele, fica na recepção da pensão sórdida onde o hospedaram perto do autódromo. “Olha o que Tião me mandou. Disse que ele mesmo tirou a foto depois que Charlinho ouviu do Binotto que vai ser esse motor aí até o fim do ano que vem. Não entendi a legenda, acho que ele escreveu em alemão”, disse.

Também não entendi direito.

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