COM GELO E ÁGUA (2)

Verstappen, quinta pole: na frente da Mercedes onde a Mercedes era favorita

SÃO PAULO(pras ruas já!) – Assim que acabou a classificação em Paul Ricard, Christian Buziner, o chefe da Red Bull, falou: “Se a gente ganhar na França, estará provado que podemos bater a Mercedes em qualquer pista”. Pois é. Ontem, aqui mesmo nestas páginas, falei que Hamilton faria a pole, mesmo tendo começado muito mal o fim de semana. Quase fez. Mas “quase” não basta. Quem ficou na frente foi Verstappinho, pela quinta vez na carreira e segunda no ano — ele tinha feito a pole também na abertura do campeonato.

É favorito à vitória amanhã? Olha, vou dizer… O sorrisinho maroto de Hamilton na entrevista logo após a classificação me deixaria preocupado, se meu nome fosse Max e o sobrenome, Verstappen.

Mas como não é o caso, que deixemos as preocupações a quem elas pertencem. Lewis arrancou um segundo lugar no grid surpreendente e disse três coisas importantes, a saber: 1) a história de que a troca de chassi com Bottas poderia estar por trás dos maus resultados desde ontem era apenas “um mito”, como definiu; 2) a Mercedes está perdendo para a Red Bull em velocidade de reta, porque os rivais optaram por uma configuração com menos asa; 3) de ontem para hoje, ele e a equipe mexeram no carro de cabo a rabo: “Vocês não fazem ideia de quantas mudanças fizemos entre os treinos”.

Sorrisinho maroto: o que Hamilton vai aprontar amanhã?

Verstappen, feliz com a pole, decidiu que na França vai recuperar os pontos perdidos em Baku. “É nosso objetivo aqui”, resumiu. “O fim de semana está sendo muito bom. Hoje não vale ponto nenhum e temos de terminar o trabalho amanhã.” OK. Terá a ajuda de Pérez? Talvez não muito, porque o mexicano ficou em quarto no grid. Max fez a pole com uma volta extraordinária em 1min29s990, o único a andar abaixo da casa de 1min30s no chatonildo traçado de Paul Ricard. Hamilton ficou 0s258 atrás. Bottas, o terceiro, 0s386. O mexicano, vencedor no Azerbaijão, virou 0s455 mais lento que seu companheiro.

Foram dois os destaques no Q3. Carlinhos, em quinto, conseguiu seu melhor grid na Ferrari e ficou na frente de Charlinho. Gasly, que teve sua primeira volta cancelada por exceder os limites da pista, cravou um excelente sexto lugar. Depois dele vieram, pela ordem no top-10, Leclerc, Norris, Alonso e Ricciardo. O grid completo está aí embaixo.

Grid para o GP da França: surpresa maior foi Mick Schumacher em 15º

Há uma possibilidade de chuva para amanhã, aventada por Hamilton depois da classificação. Falou sobre isso com o mesmo sorriso maroto. Hoje o dia foi nublado e quente na região do circuito, perto de Marselha. Os organizadores abriram as arquibancadas para 15 mil pessoas. A vida começa a voltar ao normal no mundo civilizado, enquanto por aqui o seboso fedorento segue cuspindo seus perdigotos e dizendo que ninguém mais precisa usar máscara. É um imbecil perigosíssimo. Usem máscaras. Vacinem-se.

(Falando em público, ontem começaram a ser vendidos os ingressos para o GP de São Paulo, ex-Brasil, que terá capacidade limitada de público em Interlagos, isso se acontecer a corrida. A primeira leva, para quem tinha cadastro, já esgotou. Fiquem atentos às notícias no Grande Prêmio, vocês que pretendem ver a prova.)

Pérez, quarto no grid: poderia ter sido um pouquinho melhor

Dois pilotos bateram na classificação. O primeiro foi Tsunoda, cada vez pior. Saiu dos boxes, rodou e deu no guard-rail. Larga em último. O outro foi Mick Schumacher, depois de cometer a façanha de colocar a carroça da Haas em 14º. Faltavam 30 segundos para o fim do Q1, a bandeira vermelha foi acionada e, assim, dois pilotos que poderiam superá-lo não tiveram a chance de fechar voltas e empacaram no grupo da degola: Stroll e Raikkonen. Eles se juntaram a Latifi, Mazepin e Tsunoda na turma que foi para os vestiários mais cedo.

Com o carro arrebentado, Schumaquinho não pôde participar do Q2, que teve todo mundo fazendo voltas com pneus médios para poder usá-los na largada amanhã — as exceções foram Russell e Giovinazzi, que de qualquer maneira não passaram ao Q3 e poderão usar os mesmos médios dede o começo da corrida; os macios não duram mais que uma volta.

Foi no Q2 que Hamilton deu sinal de vida, superando a Red Bull pela primeira vez. Bottas também foi bem e os sorrisos voltaram à garagem da Mercedes. Em compensação, muxoxos na Alpine (Ocon em 11º) e na Aston Martin (Vettel em 12º). Giovinazzi, Russell (de novo no Q2, passou em todas neste ano) e Schuminho foram os riscados da lousa.

Schuminho ou Schumaquinho? Bom, seja como for, mesmo batendo ele merece aplausos pelo desempenho no Q1. Seu pai ficaria orgulhoso. Talvez tenha ficado. Ninguém sabe. Aliás, ninguém sabe nem onde a família Schumacher está morando. Dia desses a mansão da Suíça foi colocada à venda.

No Q2, Mercedes dá sinal de vida: Bottas em primeiro, Hamilton em segundo

Não tiraram os salsichões da curva 2, motivo de reclamação de muita gente ontem, e como ninguém arrebentou assoalho nenhum hoje acho que o diretor de prova Michael Masi estava certo quando disse que as equipes e os pilotos são uns malas, que um dia pedem uma coisa e no dia seguinte querem outra. Quem fiquem longe da salsicha e acabou o assunto.

Claro que a pole de Verstappen faz dele um ligeiro favorito à vitória amanhã, e os palpiteiros de plantão, como eu, tendem a colocá-lo nessa posição. Mas ainda acho que Hamilton vai encontrar alguma coisa de hoje para amanhã para reverter o quadro. A Mercedes ganhou em Paul Ricard em 2018 e 2019 com muita facilidade. Ambas com Lewis. Vou manter meu palpite inicial e sigo com ele. Mas está na cara que, se acontecer, será muito mais difícil do que nas edições anteriores desse GP. Tenho dito com frequência neste ano: a Mercedes ainda tem um belo carro e é plenamente capaz de ser campeã de novo. Só que sem a moleza das temporadas passadas.

E é isso que está fazendo deste campeonato o melhor dos últimos anos.

Hoje às 19h tem “Fórmula Gomes” lá no YouTube. Apareçam!

Comentários

  • Olá Flávio Gomes. Meu comentário é sobre outro assunto, de interesse seu, como não sei outra forma de entrar em contato, vai aqui mesmo. Espero que você leia.
    O que quero dizer é que seus textos estão fazendo enorme falta no Grande Prêmio, e aproveitar pra dizer que sempre que leio algo de uns tempos pra cá vejo erros. De português são mais raros, mas principalmente dos fundamentos de jornalismo, como não presentificação de verbos, repetir palavras, etc. Um abraço de longe.

  • Ei flavio! Aquele “sorrizinho” do hamilton esta me parecendo “cara de bosta”… ele, esperto e experiente que eh, ja sentiu que o momento eh de relaxar e goz…

  • Fala Flavinho, hoje pela manhã assistindo o TL3 fiquei muito feliz quando o Sérgio Maurício e o Reginaldo Leme elogiaram seu livro “IMOLA 1994” e também o livro do querido Rodrigo Mattar “Saudosas Pequenas”, e sobre a corrida: Verspa deve vencer, mas será um corridão!

  • Verstappen tem que agarrar essa nova chance em cima do Hamilton com unhas e dentes, enquanto a Mercedes não larga na Pole com Hamilton a Haas não larga em último com Mazepin.
    Mick Schumacher em 15º mesmo batendo acaba valendo uma Pole para ele com sua carroça Haas.
    Carlos Sainz largando na frente do Leclerc na Ferrari, coisa rara.

  • O ego gigantesco de Charles Leclerc está duplamente incomodado:

    1- Seu companheiro de equipe larga em 5º (e ele, em 7º )

    2- Pior do que a notícia anterior: ele “conseguiu” ficar atrás de um Alpha Tauri, o que prova – mais uma vez – que a Alpha Tauri ficou pequena para o Gasly, que também larga na frente de duas McLaren.