BELLA CIAO (1)

Tudo por um vácuo: o de sempre em Monza

SÃO PAULO(E ho trovato l’invasor) – Foi o de sempre em Monza em classificações: todo mundo atrás de um vácuo, e no fim quem fez a pole para a Sprint de amanhã acabou sendo Valtteri Bottas com uma volta muito boa em 1min19s555, 0s096 à frente de Lewis Hamilton — que vai ganhar a minicorrida e empatar com Max Verstappen nos pontos, se o holandês não chegar em segundo ou terceiro. O jogo de equipe será escancarado. E, nesse caso, compreensível.

O roteirinho para amanhã está escrito porque a Mercedes é muito favorita para o GP da Itália de domingo, também. E Hamilton está atrás na classificação. Max ficou em terceiro hoje no Q3 a 0s411 do finlandês. É uma diferença considerável. A Red Bull sabe que em Monza o que tem de fazer é, como se diz, minimizar o prejuízo. De certa forma, recebeu uma pequena ajuda da Mercedes, que decidiu trocar o motor de Bottas. Valtteri perderá posições no grid para o GP. Vai largar no fundo do pelotão e não deve se meter na briga lá na frente, tirando pontos de Verstappen. Grid que, lembramos, será definido amanhã na provinha de 18 voltas — a segunda do ano; a terceira Sprint está prevista para Interlagos, se a Anvisa deixar.

Tráfego na saída de box: pequenos perrengues

Apesar da ânsia por um vácuo, o Q1 e o Q2 aconteceram sem grandes problemas, apenas com pilotos reclamando do tráfego pelo rádio, como fazem todos os anos. Hamilton foi o mais rápido na primeira parte da classificação com 1min20s543, 0s142 à frente de Bottas. Norris ficou em terceiro e Verstappen foi em quarto, a 0s492 do inglês. Latifi, Tsunoda (que perdeu sua melhor volta por exceder os limites da pista na Parabólica; me desculpem, mas vai ser difícil chamar essa curva de Alboreto), Schumacher, Kubica e Mazepin foram os eliminados. Kubica corre de novo em Monza no lugar de Raikkonen, que testou positivo para Covid-19 na semana passada.

A surpresa do Q1 foi Antonio Giovinazzi, da Alfa Romeo, em sexto. A equipe corre com uma pintura diferente em Monza. Detalhes em verde foram acrescentados ao seu histórico logotipo para festejar a corrida de casa. Ficou lindão, o carro.

No Q2, quase todo mundo saiu em duplinha para pegar vácuo do companheiro. Hamilton voltou a andar forte com 1min19s936, deixando Bottas 0s096 atrás. De novo Norris foi o terceiro e Verstappen repetiu a quarta posição. Giovinazzi, mais uma vez, surpreendeu com a sétima colocação. O italiano ainda luta pela vaga na Alfa Romeo no ano que vem. Vettel, Stroll, Alonso, Ocon e Russell ficaram para trás. Aston Martin e Alpine decepcionaram e não levaram ninguém para o Q3.

A fase final da classificação também não apresentou grandes surpresas, exceção feita à grande volta de Bottas. Hamilton era o favorito e, com 1min19s949 em sua primeira volta, parecia prestes a confirmar a pole-que-não-é-pole-porque-Sprint-não-é-corrida. Só que Verstappen ficou apenas 0s017 atrás na primeira bateria de voltas rápidas e acendeu a luz amarela na Mercedes.

Bottas: pole para a Sprint, motor trocado para domingo

Mas não era preciso se preocupar tanto. Na segunda saída, mais uma vez com os segundos pilotos dando o vácuo para os primeiros, Bottas se recuperou de uma primeira volta ruim e cravou 1min19s555 para ficar com a primeira posição. Hamilton também melhorou, mas não conseguiu bater o tempo do futuro ex-parceiro. “Ele vez uma megavolta”, elogiou. Sem se preocupar demais também, porque sabe que amanhã terá toda moleza do mundo para assumir a ponta logo de cara. “Todo ponto conta”, falou Lewis na entrevista a Felipe Massa logo depois da classificação, lembrado pelo brasileiro da decisão de 2008 em Interlagos — ganhou o título por um ponto em cima do então piloto da Ferrari. “Já ganhei e perdi campeonatos por um ponto”, acrescentou, referindo-se a 2007. Naquele ano, sua estreia na F-1, ficou em segundo empatado com Alonso, enquanto Raikkonen comemorava a conquista pela Ferrari também no autódromo paulistano.

Com as boas voltas da Mercedes, Verstappen caiu para terceiro e viu a diferença no cronômetro subir para quase meio segundo. “A gente sabia que aqui ia ser difícil”, conformou-se o holandês, líder do Mundial. Norris ficou em quarto, seguido por Ricciardo, Gasly, Sainz, Leclerc, Pérez e Giovinazzi nas dez primeiras posições.

O grid para a Sprint: deu a lógica em Monza

A Sprint não deve chegar a meia hora de duração, amanhã. Pé embaixo o tempo todo com pneus macios, valendo três pontos para o vencedor, dois para o segundo colocado e um para o terceiro. As posições finais da provinha determinam o grid para o GP de verdade de domingo.

E atenção! Hoje tem “Fórmula Gomes” no YouTube, mas começa mais cedo, às 18h, porque temos um compromisso mais tarde — pizza com meus pais que completam 60 anos de casado!

Comentários

  • Legal a homenagem ao Alboreto, mas poderia ter sido em outra curva, não a Parabólica, que tem um nome histórico e muito tradicional. Poderia ser a curva Grande. De qualquer forma, gosto muito mais de curvas com nome – Eau Rouge, Acqua Minerale, Laranjinha, Woodcote – do que essa fria padronização de curva 8, 10, 12…

  • Qual a dificuldade de definir como QUALIFY- SPRINT RACE – RACE?! Resolveria toda essa prezepada, e daria a importância devida a cada sessão. Inclusive, mantendo o mais rápido em volta lançada como o poleposition, nas estatísticas; como deve ser!!

  • Bottas fez mágica e quebrou a banca. Terminado o treino Sérgio “torcedor” Maurício agiu como se fosse um velório, e ainda não esqueceu de mencionar que não valeria a pole com Reginaldo Leme no fundo ainda dizendo que Hamilton tirou o pé no final. Mas como??? É de gargalhar a transmissão da Band, um bando de torcedores. Como sofre o finlandês por esses lados.
    Obs: A transmissão inglesa tratou de narrar de forma entusiasmada o primeiro lugar de Bottas. Normal a transmissão inglesa é composta por profissionais. Já a do Brasil……
    De quebra o finlandês colocou quase meio segundo no Max e mais de um segundo em Pérez que muita anta acha que é melhor que Bottas.
    Enquanto isso Giovinazzi vai desfilando entre os primeiros com a Alfa Romeu próximo carro do finlandês. E o grande Georjão da Massa ficou somente meio décimo à frente do limitado Latifi usando o vácuo do canadense.
    É, ano que vem muitas máscaras irão cair.