DOS DOIS

SÃO PAULO(uau) – Foi menos frenética do que eu imaginava a troca de mensagens e informações entre Lando Norris e Lewis Hamilton e seus engenheiros nas últimas voltas do GP da Rússia.

Pelos diálogos acima, em vídeo indicado pelo Bruno Bertolo (tem de ver no YouTube, direto no canal da F-1), percebe-se que Norris e a McLaren foram, por assim dizer, “cúmplices” no erro. A equipe, primeiro, disse que a chuva não iria se intensificar. Mas mesmo quando isso aconteceu, não insistiu para que Lando parasse — como fez a Mercedes na segunda chamada, à qual Hamilton respondeu com silêncio e obediência, ainda que a contragosto (“Pô, meu, está parando de chover…”).

Norris quis ficar, teve a chance de parar no fim da volta 51 e salvar a corrida, depois de Hamilton, mas mesmo assim permaneceu na pista, diante da consulta do time pelo rádio, deixando a decisão para o piloto. Está na cara que ninguém sabia direito o que fazer, nem ele nem o engenheiro. Ninguém quis assumir o ônus de decidir sozinho.

Resumo da ópera: Norris e a McLaren erraram juntos, a Mercedes falou grosso com Hamilton, “impôs” o acerto e ganhou a corrida.

Sobre o “cala a boca” do jovem piloto papaia, quando a equipe lhe informou sobre os pilotos que estavam rodando pela pista, não chega a ser um crime. Ele estava nervoso, queria apenas um pouco de silêncio para se concentrar na pilotagem num momento em que aquela informação — “tem gente rodando” — lhe parecia pouco importante; tipo “pô, e eu lá quero saber o que está acontecendo com os outros?”.

Faltou pulso à McLaren e Norris não tem cancha o bastante para decidir sozinho numa hora dessas.

Mas é muito, muito fácil dizer isso do lado de fora e depois do que aconteceu. Levanta sacode a poeira e dá a volta por cima. Não há outra coisa a fazer.

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