DICA DO DIA

SÃO PAULO (sensacional) – Primeiro, leiam a mensagem que o Iúri Ribeiro me mandou há quase dois meses:

Olá Flavio, tudo bem? Acompanho seu trabalho no blog há muitos anos e seus livros também. Não sei se conhecia essa história do Fangio, mas de qualquer forma, até porque não me lembro de ter visto no blog, acho que seria interessante para publicação. O meu irmão, Jean Carlo Ribeiro, estava fazendo pesquisas para sua tese de doutorado sobre a história dos esportes em Goiás à época da construção de Goiânia, entre 1930 e 1945, e encontrou essa notícia da participação do Fangio na prova “Getúlio Vargas”, organizada pelo Automóvel Club do Brasil. A etapa entre Uberaba e Goiânia, vencida por Fangio, aconteceu em 24 de junho de 1941, dia do seu aniversário. Segue o link da publicação no perfil do Grupo de Pesquisa em História do Lazer da UFMG com texto do meu irmão.

O Jean Carlo, irmão do Iúri, faz o seguinte resumo no Facebook:

No ano de 1941, o Automóvel Club do Brasil organizava a prova automobilística “Presidente Getúlio Vargas”. Cerca de 50 pilotos largavam do Rio de Janeiro em direção ao interior do Brasil, passando pelos estados de Minas Gerais, Goiás e São Paulo. Depois de oito dias de competição, retornavam à então capital federal para receber a bandeirada final após percorrer 3.731 km, divididos em sete etapas. Entre os competidores, Juan Manuel Fangio. Àquela altura, ninguém imaginava que por aquelas poeirentas estradas sertanejas pilotava aquele que se tornaria uma das maiores figuras do automobilismo mundial. Em 24 de junho de 1941, dia em que completava 30 anos, Fangio vencia a terceira etapa (disputada entre Uberaba e Goiânia) assumindo a liderança geral da prova para não mais perdê-la, prenunciando os triunfos que conquistaria em pistas europeias na década seguinte. Depois de então, na história de inúmeras cidades, surgiria o orgulhoso registro dos dias em que o pentacampeão mundial Juan Manuel Fangio “pilotou pelo sertão brasileiro”.

E, na mesma postagem, indica este link aqui de 2018 do site “Uberaba em Fotos”, que traz um relato mais completo da prova, com fotos espetaculares e detalhando cada etapa. O cartaz abaixo, que extraí desse site (e pelo crédito é do Arquivo Nacional), promove a corrida com sua data original — ela acabou acontecendo no mês seguinte.

O percurso é fantástico. Sair do Rio para BH, depois Uberaba, Goiânia, Barretos, Poços de Caldas, São Paulo e Rio de novo… Fico imaginando o que era riscar este país há 80 anos por estradas de terra sem nenhum equipamento de localização via satélite como os que usamos hoje. Apenas mapas. E olhe lá. E de pé embaixo, sem dó. Isso aí é quase um Caminho de Santiago de Compostela automobilístico!

O Chevrolet que Fangio usou nessa corrida está no museu que leva seu nome em Balcarce, na Argentina. Pensem o que tem de história dentro dele. Dá vontade de chorar, até.

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Allphew
Allphew
1 mês atrás

Cara, que história! Imagina as dificuldades E os perrengues que esse pessoal passou.

Drunk Tsundere
Drunk Tsundere
1 mês atrás

Há umas duas semanas fiz a viagem de ônibus de Belo Horizonte para Uberaba. Agora o coração dá uma aquecida pensando que posso ter passado pelas mesmas estradas que Juan Manuel Fangio.

Jefferson Luiz Emmerich de Borba
Jefferson Luiz Emmerich de Borba
1 mês atrás

Simplesmente fantástico!

Ander
Ander
1 mês atrás

Que história maravilhosa, esse local é demais!

Cristiano
Cristiano
1 mês atrás

Tivemos essas provas de estradas aqui no Paraná até os anos 60, Landi (qeu venceu uma edição), Christófaro e outros “volantes” conhecidos nacionalmente participavam. Muito da história do automobilismo brasileiro passou pelas nossas estradas, e pouco é lembrado. Muito bom esse trabalho sobre essa prova “Getúlio Vargas”. Imagino que batizar os eventos com o nome dos políticos era uma forma de conseguir algum apoio, ou mesmo uma simples autorização para o evento. Nesse sentido, o GP extra calendário de F1 em Brasília teve um dos piores nomes possíveis…

Jean Carlo Ribeiro
Jean Carlo Ribeiro
1 mês atrás

Olá Flávio!
Parabéns pelo belo trabalho no blog. Agradeço a você pela gentileza de publicar as fontes e ao meu querido irmão Iúri pela iniciativa. Que venham novos resgates históricos do automobilismo em nosso país.
Grande abraço!

Edson Sibila
Edson Sibila
1 mês atrás

Olá Flávio.

Aproveitando o gancho , de uma olhada no link abaixo.

https://www.socialbauru.com.br/2018/10/30/ford-t-museu-bariri/

Jean Carlo Ribeiro
Jean Carlo Ribeiro
Reply to  Edson Sibila
1 mês atrás

Sensacional a história!

Ricardo Bigliazzi
Ricardo Bigliazzi
1 mês atrás

Belo trabalho!

Obs.: Grande Getúlio Vargas… um dos maiores déspotas que essa nação já teve.

Ronald Dirschnabel
Ronald Dirschnabel
1 mês atrás

parabéns ao Jean Carlos pelo trabalho – e ao Iúri e a ti pela divulgação dessa história!

flavio
flavio
1 mês atrás

Fiz esse trajeto – exceto o Rio – ha alguns anos. A maior parte composta por trechos precários, esburacados, sem sinalização, e curvas com geometria esquisita. Não faria novamente.

marcos de souza alencar
marcos de souza alencar
1 mês atrás

mas e ai, tu conhecia essa história?

Dennis
Dennis
1 mês atrás

Sensacional.

Cléber Fabbri
Cléber Fabbri
1 mês atrás

Flavio, quando abri os links e vi os mapas do percurso, deduzi que o raid poderia ter passado aqui na minha cidade, Porto Ferreira (SP). Dei umas googladas e… BINGO! Encontrei esse relato aqui (https://silo.tips/download/1941-fangio-vence-getulio-vargas-o-gp-1parte), etapa por etapa. Agora vou no museu aqui da cidade ver se o jornal da época deu alguma nota sobre isso e, claro, como colaborador do atual jornal impresso da cidade (sim, ainda temos!), fazer um texto sobre o ocorrido, com ou sem registro local.

Abraço!

Ricardo Bigliazzi
Ricardo Bigliazzi
Reply to  Cléber Fabbri
1 mês atrás

Bem legal, na matéria da para ver que o Fangio usou o numero 30. Bem legal!

Antonio Seabra
Antonio Seabra
1 mês atrás

Muito legal essa historia.
Já tinha lido em algum lugar que Fangio havia disputado provas no Brasil antes de ir para Europa, mas não sabia desse Raid tão longo.
Curioso notar que essa Carretera está com direção do lado direito. Fui lá o iste do Museu conferir, e é do lado direito mesmo.

Antonio

Frank
Frank
1 mês atrás

Que história espetacular! Essa prova em 1941 pode ser considerada uma precursora do Rali dos Sertões?

Evandro Airton Sordi dos Santos
Evandro Airton Sordi dos Santos
1 mês atrás

Há muitos anos, não lembro se foi por ocasião de seu falecimento, a Globo fez uma matéria em balcarce, e, houve uma entrevista com o curador do museu, onde ele falava que Fangio por vezes falava com os visitantes, e ao encontrar um grupo de brasileiros, perguntou de onde eram e disse que ficaram maravilhados quando ele relatou essa prova. Talvez tenha no YouTube.
Tenho muitas fotos do museu, onde nunca estive, mas meus pais (ambos vítimas da COVID) foram visitar com o primo dele de buenos Aires que chegou antes do museu abrir, e passearam guiados pelo sobrinho de Fangio, tirando muitas fotos literalmente nós carros

Diógenes Pacheco
1 mês atrás

Flávio…
Essa faixa preta em cima do blog, com o título e os atalhos “sobre, f-1, one comment…” e a faixa translúcida embaixo do blog, com propaganda, estão deixando difícil a leitura.
Elas acompanham a rolagem da tela e o espaço para ler fica limitado, claustrofóbico.
Fica a sugestão para rever o leiaute.
Abraços!

Drunk Tsundere
Drunk Tsundere
Reply to  Flavio Gomes
1 mês atrás

No computador a faixa preta aparece atrapalhando a leitura.

Sérgio Santana
Sérgio Santana
1 mês atrás

Que grande história. Como é bom saber que tem gente que ainda faz pesquisa e busca descortinar acontecimentos que ficam esquecidos em algum canto de uma biblioteca. Parabéns ao Jean, pelo trabalho e ao Iuri, por ter compartilhado a história contigo.