LABORIOSAS (2)

Russell: terceira pole na festa inglesa em Silverstone

SÃO PAULO (só alegria!) – George Russell desbancou o favoritismo da McLaren e fez a pole-position para o GP da Inglaterra, num fim de semana de festa no Reino Unido. Na pista, 1-2-3 no grid para pilotos ingleses: Russell em primeiro, com seu companheiro de Mercedes Lewis Hamilton em segundo e Lando Norris em terceiro. Fora dela, os conservadores foram enxotados do governo britânico depois de 14 anos, com a Inglaterra – alvíssaras! – guinando para a esquerda enquanto no continente os ventos sopram cheirando enxofre para a direita. E na Alemanha o English Team avançou na Euro nos pênaltis contra a Suíça. Oh, my God!

Foi a terceira pole de Russell, segunda neste ano. E a Mercedes não fazia uma primeira fila desde o GP do Brasil de 2022, com os mesmos pilotos e nas mesmas posições. Max Verstappen, líder do campeonato, larga em quarto em Silverstone. Não se encontrou em nenhum momento do fim de semana, numa pista em que a Red Bull costuma se sair bem. Neste, porém, o holandês está apanhando. Para piorar, estragou o assoalho de seu carro numa escapada de pista no Q1 e dali até o final foi só uma questão de minimizar os prejuízos. Vai fechar a primeira metade da temporada com alguns pontos de interrogação na cabeça. O domínio do começo do ano foi para o vinagre.

Nuvens sobre o autódromo: clima típico da Inglaterra

Tem sido um fim de semana típico do verão inglês, este, com tempo instável e imprevisível. Para se ter uma ideia, o dia começou com muita chuva e foi com pista molhada que aconteceu o terceiro treino livre. Havia a previsão de que o clima continuaria do mesmo jeito nas horas seguintes. Mas o sol saiu depois da chuvosa corrida Sprint da F-2, vencida por Kimi Antonelli com Gabriel Bortoleto em terceiro — com uma bela ultrapassagem na última volta.

É Inglaterra, enfim, e lá o tempo vira toda hora. Assim, a classificação começou sem água. A temperatura, porém, baixa: 12°C. Mas o solzinho ajudava a secar o asfalto e na medida em que os carros iam saindo dos boxes no Q1, com pneus intermediários, um trilho ia se formando.

As primeiras voltas foram completadas entre 1min37s e 1min40s. Tempos muito altos que cairiam bastante e rapidamente se não desabasse o céu antes, já que ao redor de Silverstone nuvens muito carregadas intimidavam os pedacinhos de céu azul que apareciam aqui e ali.

Bottas foi o primeiro a colocar slicks, a dez minutos do final do Q1. Todos começaram a fazer o mesmo. Mas ninguém fechou volta, porque uma bandeira vermelha apareceu nas telas. As câmeras foram buscar o que aconteceu. E encontraram Sergio Pérez atolado na brita. De pneus slicks. Ele ainda ficou pedindo pelo rádio para alguém empurrá-lo. Nem a regra o cara conhece. Um vexame.

(Aqui, vale uma informação. Ainda que tenha tido seu contrato com a Red Bull renovado recentemente, por dois anos, Pérez corre risco de ficar a pé. Faz um campeonato horrível. A rodada na classificação só reforçou seu mau momento. Terá de largar na última fila, sem chance de fazer nada amanhã. Nas últimas cinco corridas, marcou 15 ridículos pontos. Verstappen fez 101. A equipe não pode se dar ao luxo de ficar pontuando com apenas um carro. Nesses mesmos cinco GPs, foram 116 pontos no Mundial de Construtores, contra 144 da McLaren e 132 da Mercedes. Por essas e outras se comenta muito fortemente que o contrato recém-assinado não garante nada ao mexicano. Tanto que Liam Lawson, neozelandês que fez algumas provas pela AlphaTauri no ano passado, tem um teste agendado para a semana que vem com o RB20, o carro deste ano, para Silverstone mesmo. É aquela quilometragem permitida para filmagens, que a Red Bull ainda não gastou neste ano. Se o menino aparecer no lugar de Checo ainda nesta temporada, não se espantem.)

A sessão foi retomada depois do resgate do caro de Pérez. Não chovia, mas as nuvens eram cada vez mais pesadas. Foi todo mundo para a pista às pressas com pneus para piso seco e os tempos desabaram para a casa de 1min30s lá na frente. Mas durou pouco. Voltou a chover. Verstappen deu um passeio na brita na Copse, onde seu companheiro tinha rodado. Mas se recuperou na volta seguinte. Pelo rádio, a Ferrari avisou Sainz: “Vai agora porque vai cair o mundo, filhote!”. Conseguiu subir para o segundo lugar, atrás de Piastri. Nâo caiu o mundo, a chuva parou de novo e os tempos voltaram a baixar. Era o melhor momento da pista, e nessa hora Hamilton fez 1min29s547 e ficou com a primeira colocação. Bottas, Magnussen, Ocon, Pérez e Gasly (que andou pouco, porque trocou várias coisas no carro e teria mesmo de largar lá atrás) foram os eliminados. A Williams passou com os dois carros para o Q2. Zhou, que só anda no fundão com a Sauber, também. Ocon, coitado, se lamentou: “Na única volta em que pude acelerar choveu!”, disse ao seu engenheiro. Acontece.

Hülkenberg: muito bem com a Haas

(Falando em Ocon: notícias da imprensa inglesa garantem que o francês já assinou com a Haas para 2025. Não há motivos para duvidar. Quando ele anunciou que ia sair da Alpine, estava na cara que já tinha amarrado alguma coisa. O anúncio oficial deverá sair em breve. Assim, Magnussen dança de vez, já que o outro piloto do time americano, esse já anunciado oficialmente, será Oliver Bearman.)

Começou o Q2 sem chuva e uma fila na saída dos boxes porque havia pressa. Era um olho no asfalto e outro no céu. Tempos despencando de novo: Piastri abriu os trabalhos com 1min27s631, já se aproximando dos tempos de ontem nos treinos livres, com pista totalmente seca. E nada de chuva mesmo, o que significava que no final do Q2 as condições seriam as melhores possíveis. Quem deixasse para fazer tempo nos últimos minutos iria se dar bem.

Por isso que todos foram para a pista nos instantes finais. E os tempos foram despencando. No fim, Norris bateu o cronômetro em 1min26s559 e foi o mais rápido. Russell, Alonso, Piastri e Hamilton fecharam a turma dos cinco primeiros. E na galera da degola, uma surpresa: a Ferrari de Leclerc. Junto com ele foram mais cedo para os vestiários Sargeant, Tsunoda, Zhou e Ricciardo. Dos oito motores Mercedes na F-1, sete foram ao Q3 – só a Williams de Sargeant ficou fora.

E foi no seco que a pole foi definida, já sem chance alguma de chuva. Verstappen foi um dos primeiros na pista, para avaliar os danos no assoalho de seu carro causados pela escapada no Q1. A primeira bateria de voltas rápidas teve Russell na frente, com 1min26s024, apenas 0s006 à frente de Norris. Hamilton e Piastri vinham em terceiro e quarto. Max apenas em quinto, a 0s326 do tempo de Jorginho.

E quem arrebentou a boca do balão na segunda saída dos boxes foi a Mercedes. Russell baixou sem tempo para 1min25s819, com Hamilton fechando sua volta 0s171 atrás. Norris ficou a 0s211. Decepção? Não diria tanto. Mas esperava-se uma briga mais acirrada pela pole com os carros papaia como protagonistas. Não foram. Verstappen arrancou leite de pedra e ficou em quarto. Piastri, Hülkenberg, Sainz, Stroll, Albon e Alonso fecharam a ordem dos dez primeiros, com grande destaque para o alemão da Haas em sexto.

Três ingleses nas três primeiras posições: Silverstone não podia querer mais

É difícil imaginar uma vitória amanhã que não seja da Mercedes com seus dois carros na primeira fila. Uma boa estratégia de proteção ao líder tem chances razoáveis de funcionar. Trata-se de uma grande reviravolta da equipe alemã, que só teve motivos para festejar neste sábado – Antonelli ganhou na F-2, como já dito, e ninguém na equipe, quando começou a temporada, esperava uma reação tão forte na metade do campeonato. A dupla da McLaren, que começou o fim de semana tão bem, vai brigar pelo pódio com Verstappen, que jamais deve ser descartado. Norris tentará um ataque aos mercêdicos no início, mas terá de se preocupar com Max, com quem se encontrou nas últimas voltas do GP da Áustria e a quem verá de novo nas primeiras curvas de Silverstone. E pode chover, porém, o que normalmente embaralha algumas corridas.

A casa estará cheia, com o bom momento dos ingleses. Pela primeira vez desde 1977 a prova britânica tem uma primeira fila com dois pilotos da casa — naquele ano foram James Hunt (McLaren) e John Watson (Brabham). Apostem num belo GP. Começa às 11h. Não percam.

Comentar

LABORIOSAS (1)

Norris: favorito, sim

SÃO PAULO (a Euro é demais) – Desculpem a hora. Sexta de reuniões, Alemanha roubada, Portugal x França e cachorro no veterinário! E treino durante meu programa na Placar TV, o que significa que só vi depois.

Então seremos breves no textão, que hoje será textinho. Porque daqui a pouco tem live, às 20h.

O lance é o seguinte: pela primeira vez no ano — e podemos incluir 2022 e 2023 na conta — a Red Bull não é favorita à vitória num GP. Eu achava que ia andar muito bem em Silverstone. Mas o carro do fim de semana parece ser o da McLaren. E se é para apontar um candidato com maior chances de ganhar o GP da Inglaterra, fiquemos com Lando Norris.

Não só pelos resultados dos treinos livres de hoje — estão aí embaixo, com dobradinha papaia. Mas pelos depoimentos dos pilotos. Sainz, da Ferrari, colocou a McLaren “em outra liga”. Verstappen, da Red Bull, sabe que tem como melhorar amanhã, mas não muito. Helmut Marko, guru do time, admitiu que hoje a equipe não economizou ao despejar potência nos motores de seus carros, como costuma fazer às sextas-feiras. Admitiu ou mentiu — saberemos amanhã.

Segundo treino: McLaren voando

Um dia que tem Pérez como o melhor Red Bull, claro, é de estranhar. Mas os quase 0s7 que Verstappen levou de Norris preocupam o time dos energéticos. Considerando a diferença média que Max coloca em Checo, dá para imaginar que o holandês estaria mais perto de seu mais novo rival e ainda amigo do peito. Mas não seria capaz de superá-lo.

Foi interessante ver Hülkenberg em quarto, com um carro da Haas que, puxa vida!, tem atualizações em Silverstone. Stroll e Alonso, da Aston Martin, também andaram com consistência ao longo dos dois treinos e são candidatos ao top-10 na classificação. Mercedes e Ferrari não se encontraram. A dupla do time italiano já descartou qualquer chance de brigar pela ponta. Hamilton e Russell apelaram para o clássico “temos muito trabalho pela frente”.

A segunda sessão de treinos livres aconteceu com temperatura baixa e chuva fraca nos últimos cinco minutos, o que impediu aqueles que tinham deixado para fazer tempo no fim de melhorarem suas marcas.

A previsão para amanhã na Inglaterra, além de um novo governo, finalmente, é de tempo instável. O que não é novidade, tratando-se da ilha.

E agora vamos a algumas caixinhas para não deixar arestas.

DE VOLTA? – Falamos da possibilidade de Ricciardo na Williams, ontem. Mas hoje o nome que surgiu com mais força para 2025 foi o de Bottas. Ele defendeu a equipe por quatro anos, de 2013 a 2016. Então foi para a Mercedes, para o lugar de Rosberguinho. O time inglês desistiu de Sainz.

VOLTOU – E a Argentina voltou a ter um piloto num fim de semana de GP. Franco Colapinto andou com a Williams e ficou em 18º, 0s4 atrás de Albon. Depois foi cuidar de suas coisas na F-2. Nunca é demais lembrar: o último argentino a disputar um GP foi Gastón Mazzacane, em 2001. Não deixou muitas saudades, coitado. Mas era bom sujeito.

NAS TELAS – Decidido: o filme produzido e estrelado por Brad Pitt estreia no verão do ano que vem — verão europeu, meio do ano. O nome foi escolhido: “F1”. Muito criativo.

NO YOUTUBE – Confirmando: nossa live hoje começa um pouquinho mais tarde, às 20h. Até!

Comentar

SUPERQUINTA (2)

Verstappen e Norris: amiguinhos desde 2013

SÃO PAULO (normal) – Essa foto aí em cima é de 23 de julho de 2013. Max Verstappen tinha 16 anos. Lando Norris, 20 cm mais baixinho, 13. Eles haviam acabado de conquistar os títulos europeus de kart em suas categorias — KF e KF Júnior. Foi em Ortona, na Itália.

Dois anos depois, Max estrearia na F-1, pela Toro Rosso. Em 2016, ganharia seu primeiro GP, já na Red Bull. Em 2019, Lando chegou à categoria, direto na McLaren. São contemporâneos: Verstappen nasceu em 30 de julho de 1997; Norris, em 13 de novembro de 1999. Dois anos e quatro meses de diferença, quase nada.

Domingo passado, na Áustria, os amigos se encontraram pela primeira vez numa corrida de F-1 disputando a liderança. Se tocaram, furaram os pneus, o inglês abandonou, o holandês terminou em quinto. Foi um bafafá danado. Nas redes sociais (Prost e Senna: felizes foram vocês de viverem aquela rivalidade quando não existia a internet), chiliques histéricos de fãs, “incluencers”, “instagramers”, “idioters”. No domingo mesmo, Lando disse que perderia o respeito por Max se ele não se desculpasse. O tricampeão mundial ponderou que era melhor esfriar a cabeça antes de falar qualquer coisa.

Pois bem. Segunda-feira bem cedinho, segundo o próprio, Verstappen telefonou para o amigo. Se falaram. Hoje, ambos estiveram em Silverstone — amanhã começam os treinos para o GP da Inglaterra. O piloto da Red Bull contou sobre a conversa. “Chegamos à conclusão de que gostamos da nossa disputa. Concordamos em 99% de tudo que falamos. Gostamos de jogar duro, fazemos isso até nas nossas corridas on-line. E temos de continuar assim porque é o que gostamos de fazer. Disse a ele que pode confiar em mim quando tiver de tentar me passar por dentro ou por fora de uma curva, que não estou lá para tirá-lo da pista.”

Depois, disse a frase mais relevante de toda essa história: “Para mim, a única coisa que importa é minha amizade com Lando”.

Max ganhou muitos pontos com este blogueiro. Muitos mesmo.

Já Norris, escalado para uma das entrevistas coletivas de hoje, falou que o amigo não tinha mesmo de se desculpar por nada. “É como ele corre: duro, no limite. E é o que eu amo. Eu realmente gostei da nossa batalha. Quanto mais penso no assunto, mais chego à conclusão de que é só corrida. E foi uma boa corrida, muito perto do limite, às vezes. Falamos sobre isso e ficaremos felizes se continuarmos disputando novamente. O que falei no domingo, no calor do momento, não é exatamente o que eu penso. Fiquei frustrado, claro, porque foi um toque bobo que teve grandes consequências.”

Assunto encerrado. Agradeço à dupla por dizer quase com as mesmas palavras o que escrevi aqui mesmo neste blog no domingo passado. E se vocês não lembram, é só ler o início do gigantesco relato da corrida.

Vamos às caixinhas? Porque a quinta-feira não foi só de Bearman na Haas, não…

Pintura nova: sugestão de fã

VERMELHOU – Essa será a pintura da Red Bull na Inglaterra. Foi escolhida em concurso com fãs, usando uma ferramenta da Oracle para criar layouts. Um cara da Tailândia ganhou — dá-lhe Horner! Mas melhor do que a pintura em si é o vídeo que a equipe colocou no ar com uma brincadeira sobre o novo desenho. Está aqui, é curtinho, vale a pena ver.

ARGENTINA DE VOLTA – Pela primeira vez desde abril de 2001, quando Gastón Mazzacane disputou sua última corrida pela Prost, um argentino estará num carro de F-1 em sessão oficial num fim de semana de GP. Trata-se de Franco Colapinto, 21 anos, piloto da holandesa MP na F-2. Colapinto fará o primeiro treino livre de amanhã pela Williams, que o tem sob seu guarda-chuva de jovens talentos. Na F-3, ano passado, ele venceu em Silverstone — foi quarto colocado no campeonato. No momento, na F-2, ocupa a quinta colocação. E nas últimas quatro corridas conseguiu uma vitória e dois segundos lugares.

RICCIARDO? – Falando em Williams, vamos às últimas do mercado. A equipe, aparentemente, se cansou de esperar por uma resposta de Carlos Sainz. Já está atrás de outro alguém para correr com Albon em 2025. Bottas está ciscando por ali. Mas, creiam, há uma chance para Daniel Ricciardo. Sim, ele mesmo. O australiano já sabe que dançou na Pega Lá a Maquininha Por Favor. Será substituído por Liam Lawson. Se bobear, neste ano mesmo, depois das férias. A Williams não está muito a fim de colocar crianças para correr — a não ser que a Mercedes lhe empurre Kimi Antonelli. Ricardão, embora não tenha feito nada de muito impressionante nos últimos anos, pode acabar ganhando uma sobrevida.

MERCEDES? – Sobre Sainz, agora, de quem dependem todos os outros que estão procurando vaga para o ano que vem. Descartada a Williams, sobrariam Sauber/Audi e Alpine. O espanhol está mais perto do time francês, que pode anunciar a qualquer momento que vai se tornar cliente da Mercedes em 2026, o que seria um vexame para a Renault — embora, na indústria, alguns modelos de rua compactos da Mercedes usem motores feitos pela montadora francesa, e ninguém se choca com isso. Acontece que Toto Wolff andou dando entrevistas para jornais espanhóis e não descartou Sainz, ainda. O piloto se animou com a possibilidade. O problema é o tempo. Carlos sabe que não pode esperar indefinidamente para decidir seu futuro, sob o risco de ficar na rua da amargura.

SE DER ERRADO… – Na Alpine, caso Sainz não feche, há um plano B e um plano C. O B é Jack Doohan. O C, Mick Schumacher. Ambos andaram testando carro de dois anos atrás em Paul Ricard, nos últimos dias.

Comentar

SUPERQUINTA (1)

SÃO PAULO (merecido) – Não chega a ser novidade para os leitores deste blog, já que na terça-feira retrasada demos a notícia aqui. Mas sempre é bom registrar os anúncios oficiais. A Haas confirmou Oliver Bearman para o lugar de Hülkenberg no ano que vem, e além — contrato provável de três anos, na modalidade 2 + 1. O inglês de 19 anos corre na F-2, pela Prema, e semana passada venceu sua primeira corrida na temporada, na Áustria.

Bearman fez dois treinos livres em finais de semana de GP pela Haas no ano passado, mais um dia de testes em Abu Dhabi ao fim do campeonato. Desde novembro de 2021 é piloto da Academia da Ferrari, que cuida de seus passos. Neste ano, todos lembram, foi chamado às pressas em Jedá para o lugar de Sainz, que teve apendicite. Fez um treino livre, se classificou em 11º e foi para a corrida. Chegou em sétimo, com incrível tranquilidade. Ali agarrou a chance que a vida lhe deu.

O jovem fará mais quatro treinos livres neste ano — já andou em Ímola e Barcelona. Vai para a pista amanhã em Silverstone, e depois em Budapeste, no México e em Abu Dhabi. Chegará razoavelmente preparado para sua temporada de estreia integral — tecnicamente, não é mais um debutante.

Boa escolha da Haas. As vagas estão sendo preenchidas, como se vê abaixo. Esse não era um movimento inesperado, e a grande dúvida segue sendo a Sauber/Audi. Na Williams e na própria Haas deveremos ter Ocon e Bottas. Não necessariamente nessa ordem. Magnussen corre por fora para tentar ficar. Mas não é muito fácil. E ele tem feito muitas bobagens. De qualquer maneira, não deve ser descartado.

Na Mercedes, o lugar deverá ser de Kimi Antonelli — é ele ou Verstappen, tarefa não muito simples, mas em andamento. A renovação que muita gente pede se dá assim, aos poucos. Lawson será outro novato, na filial da Red Bull, no lugar de Ricciardo. É possível que chegue mais alguém. Dos 20 deste ano, talvez quatro percam o lugar — Ricciardo, Sargeant, Zhou e Magnussen.

É assim que a banda toca.

Comentar

AGENDINHA

Inglaterra domingo! Anotem os horários!

Comentar

CORPO ESTRANHO

SÃO PAULO (lá?) – Um 2CV não é a coisa mais fácil de se ver hoje no mundo. Nem mesmo na França. Em Portugal já foram mais frequentes. Na Argentina e no Uruguai, eles estão sumindo, também. Mas em Boston?

A mensagem é do blogueiro Márcio Flávio:

Me chamo Márcio e o acompanho desde tempos imemoriais, sempre curtindo muito seus textos bem-humorados e precisos. Em abril último, realizei o sonho de fazer um curso presencial na Universidade de Harvard. No último dia, flanando e comprando algo para a Dona Patroa (ai de mim se não levar nada), deparei-me com esta belezinha. Apesar de curtir F-1, não tenho tanto conhecimento assim dos autos, mas tenho certeza de que você saberá o modelo e o ano só pela foto! Agora, realize mais um sonho e, se possível, coloca a foto pra jogo!

Sonho realizado, persiste o mistério. O que um Citroën desses foi fazer nos EUA?

Comentar

FOTO DO DIA

Assim vai a Williams para o GP da Inglaterra. A bandeira do Reino Unido será formada pelos nomes dos 1.005 funcionários da equipe. Um cozinheiro com estrelas Michelin vai fazer o rango no motorhome. Button vai andar com o modelo FW22 em Silverstone, o de sua estreia na categoria, em 2000. Em Londres, um espaço será aberto para receber fãs. Carro que é bom…

Comentar

SOBRE ONTEM DE MANHÃ

A IMAGEM DA CORRIDA

O choque da discórdia: que se entendam…

SÃO PAULO (continua no próximo capítulo…) – A foto, esteticamente, não é grande coisa. Mas é a única que me chegou da batida que fará esse GP da Áustria ser lembrado no futuro. Depende um pouco, sua perenidade, de como serão as relações entre Verstappen e Norris daqui para a frente. E se eles serão, no porvir, rivais inconciliáveis. Em caso positivo, a memória dessa corrida será sempre resgatada: foi aí que tudo começou.

As discussões sobre o episódio seguem quentes, especialmente nas redes sociais. Dispenso. Mantenho tudo que disse ontem, aqui e no nosso programinha ao vivo no YouTube. Acontece. Bastante. De vez em quando o caçador abate a caça. Às vezes a presa se livra. É frequente que ambos saiam feridos. A turminha que está aprendendo a ver corrida agora e acha que a vida é igual a um videogame um dia vai entender.

Detalhe que não abordamos ontem. Norris tinha sido punido com 5s por ter excedido os limites da pista mais de três vezes. Se não cumprisse na corrida, perderia posições no grid em Silverstone. A McLaren foi rápida e esperta. Quando ele parou para abandonar, com o carro todo estropiado, ficou no cockpit. Por 5s, ninguém encostou no automóvel. Passado o tempo da punição, saiu do carro e abandonou. Mas como cumpriu mais de 90% das 71 voltas, Norris oficialmente terminou a prova. Quando um piloto cumpre esse percentual, é considerado “classificado” e tem uma posição registrada, ainda que pare antes do número total de voltas. Formalmente, não é um abandono — o que pode ser importante em casos de desempate; nos anais da categoria, Norris foi o 20º colocado na Áustria, e não aparece como DNF (“did not finish”).

Assim, a punição foi cumprida.

Médios usados: erro estratégico

E o que aconteceu com a Red Bull, afinal, que estava tão tranquila na corrida e de repente se viu na iminência de ser atropelada pela McLaren de Norris?

Aconteceu que a equipe tinha guardado, para a prova, três jogos novos de pneus: um médio e dois duros. Essa era a estratégia diante da perspectiva de um domingo quente e ensolarado, como foram a sexta e o sábado, com temperaturas esbarrando nos 50°C no asfalto: largar de médios, para ter boa aderência na partida e fazer bons tempos nas primeiras voltas, e depois trocar para os duros nas duas paradas.

Mas o domingo foi menos quente do que o time esperava, e os pneus duros não funcionaram como deveriam com temperaturas mais baixas. Tanto que o segundo stint de Verstappen foi pontuado por reclamações do piloto. Para a segunda troca, usar o outro jogo de pneus duros novos estava fora de questão. E a equipe teve de colocar pneus usados médios no carro de Verstappen. Já Norris tinha borracha nova.

Ainda assim, a vantagem de 7s que Max tinha antes do segundo pit stop seria administrável nas últimas 19 voltas da prova, desde que Norris ficasse longe da zona de acionamento da asa móvel. Max teria de mantê-lo a mais de 1s de distância. Só que a parada da Red Bull foi ruim, o que é raro. Deu problema numa roda e a troca foi concluída em 6s5. Normalmente, o time realiza a operação em 2s. Na saída do box, Verstappen ainda perdeu tempo numa fritada de pneus e Lando encostou. Daí a reduzir a diferença para menos de 1s o caminho foi bem mais curto. E começaram os ataques na fase final da corrida.

Por isso que Max disse, depois do GP, que “foi tudo uma merda” — a estratégia, os pneus, o pit stop. Inclusive a batida. “Ninguém gosta quando essas coisas acontecem.”

A FRASE DE SPIELBERG

“Se não admitir que errou, vai perder o respeito que sempre tive por ele.”

Lando Norris

Norris disse ontem que o prejuízo da batida com Verstappen não se resume à perda dos pontos e da possibilidade de vitória no GP austríaco. Falou que seu carro ficou bastante danificado, e que talvez não tenha algumas peças novas para a corrida de domingo na Inglaterra.

Falando nisso, como será a recepção dos torcedores ingleses a Verstappen no próximo fim de semana? Melhor ficar de olho nisso.

Já nas hostes mercêdicas, só festa. A segunda vitória da carreira de Russell foi daquelas inesperadas e muito bem-vindas. O inglês contou que quando Toto Wolff disse a ele pelo rádio “nós podemos ganhar essa, George!”, quase bateu o carro. “Me deixem dirigir, cacete!”, respondeu, gritando.

Foi a primeira vitória da Mercedes desde o GP do Brasil de 2022, em Interlagos. Também de Russell.

Para a posteridade: primeira vitória da Mercedes desde Brasil/2022

O NÚMERO DA ÁUSTRIA

300

…GPs com pontos completou Hamilton na Áustria, dos 343 que já disputou. Isso dá uma taxa de 87,5% de eventos pontuando de alguma forma — nas corridas e Sprints. Mas ele continua sem saber o que é uma vitória desde o GP da Arábia Saudita de 2021. O jejum chegou a 56 corridas.

SORRISOS & ABRAÇOS – A reação dos três primeiros à batida entre Verstappen e Norris foi, primeiro, de espanto. Depois, Sainz, Russell e Piastri deram boas risadas na salinha pré-pódio. Oscar, então, se tocou que não pegava bem se divertir com a desgraça do companheiro. “A gente não tinha de rir disso”, censurou os amigos. Lá embaixo, indo para o pódio, o sempre simpático Frédéric Vasseur, chefe da Ferrari, amigo de todo mundo, foi abraçar Toto Wolff.

CAMPEÃ DA SEMANA – Ao final do GP da Áustria, o terceiro com Sprint neste ano, a Mercedes se sagrou “campeã” da semana. Marcou 45 pontos, mais do que todas suas rivais. A Red Bull fez 25, a Ferrari marcou 21 e a McLaren, 31. Na classificação, porém, segue em quarto com 196 pontos. Red Bull (355), Ferrari (291) e McLaren (268) seguem à frente.

CAMPEÃO DA SEMANA – E o piloto que mais pontuou na Áustria foi Russell: 30. Piastri veio a seguir, com 25, e Verstappen, apesar de tudo, marcou 18. Para ele, cair de primeiro para quinto na corrida não fez muita diferença quando se considera a disputa com o (distante) vice-líder. Norris marcou apenas seis. A diferença de 12 é maior do que ele faria se tivesse vencido, com Lando em segundo. A conta é simples. O inglês perdeu 18 pontos de um eventual segundo lugar. Max faria 25 se ganhasse, e acabou ficando com 10 da quinta posição. Perdeu 15, pois.

Sainz: aproveitando os pódios enquanto pode

MERCADÃO – “Quero desfrutar dos pódios, porque não sei quando terei de novo”, disse Carlos Sainz depois do terceiro lugar com a Ferrari. O espanhol sabe que seja qual for seu destino em 2025 — Alpine, Sauber/Audi ou Williams –, vai ficar longe das taças por um bom tempo. Para atualizar a situação do mercado: tudo depende daquilo que Sainz decidir. O cenário mais provável neste momento é sua transferência para a Alpine, que lhe ofereceu um ano de contrato e a possibilidade de sair se surgir uma chance na Mercedes ou na Red Bull em 2026. A Audi quer três anos e acorrentá-lo em Igolstadt. A Williams está cada vez mais longe e conversa com Ocon e Bottas. A Haas tem um lugar vago e também fala com ambos. A grande interrogação é a Audi. Como já contratou Hülkenberg, não descarta a possibilidade de ter um piloto jovem ao seu lado. Lawson, Drugovich e Doohan têm sido citados.

GOSTAMOS & NÃO GOSTAMOS

GOSTAMOS da Haas, claro! A equipe tinha feito 12 pontos na temporada passada inteira. Ontem marcou os mesmos 12 com Hulk em sexto e Magnussen em oitavo. Ayao Komatsu tem feito um bom trabalho como chefe da equipe. A gente adorava as travessuras de Günther Steiner, mas o fato é que ele tinha perdido a mão.

NÃO GOSTAMOS da Aston Martin, que nas últimas quatro corridas deixou de pontuar em três. Stroll e Alonso se arrastaram nas últimas posições. O espanhol ainda acertou Zhou e foi punido. Fez a melhor volta no final, com um jogo de pneus macios. Mas como ficou longe dos dez primeiros, nem ponto extra levou. A equipe desandou.

Comentar

STÄDTISCHE LEGION

Blogueiros viajantes têm sempre prioridade. Daniel Faistauer, de São Leopoldo (RS), mandou as fotos e a mensagem lá embaixo:

Sou leitor assíduo do teu blog e acompanho seu canal no YouTube. Em uma visita de meu irmão Fábio a Bremen, ele se deparou com uma exposição/encontro de Borgwards, na margem do rio Weser. Seguem em anexo duas fotos de um dos exemplares. Achei muito bonito e envio porque sei de seu apreço pelos antigos alemães.

Comentar

ÁLBUM (SOBRE RODAS) DE FAMÍLIA

SÃO PAULO (mestre!) – Não posso privar vocês dessas fotos, mesmo sem pedir a autorização do nosso comandante Ma2Tos — José de Mattos Souza, grande amigo de Brasília. Sua Vemaguet foi tirada zero em 1967 e era verde água, como na primeira foto tirada em Belo Horizonte assim que comprou. A segunda foto é de 1969, com sua mulher Eliane. Na terceira, o casal em foto recente. A peruinha está com ele até hoje, já há bastante tempo pintada de bege, que era a cor que queria quando comprou. Viaja o Brasil todo. Tem Saxomat (procurem no Google!). É uma preciosidade!

Comentar

Blog do Flavio Gomes
no Youtube
MAIS VISTO
1:24:07

POR QUE AMAMOS UM LOGAN (BEM, MERDINHAS #257)

O Dacia Logan que dividiu os 25 km de Nürburgring com Max Verstappen foi o grande herói do fim de semana nas pistas. O carrinho fabricado na Romênia acabou se transformando no xodó dos 350 mil esp...

1:10:23

CAMPEÃO TEEN (BEM, MERDINHAS #255)

Se conquistar o título deste ano, Kimi Antonelli o fará com 20 anos de idade, tendo começado a temporada oficialmente como um... adolescente! Depois de vencer as três últimas corridas com muita a...