JENSON & CHECO | Blog do Flavio Gomes | F1, Automobilismo e Esporte em geral
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segunda-feira, 22 de abril de 2013 - 20:11F-1

JENSON & CHECO

perezbuttonbahSÃO PAULO (conversem, rapazes) – Se tem um cara que a gente nunca imagina que vai ser inimigo do companheiro de equipe, é Button. Em 13, quase 14 anos de F-1, não lembro de nenhuma treta envolvendo o inglês com parceiro algum. Nem com adversários de outros times. Ele era meio despirocado no começo da carreira, mas logo caiu na real. E construiu uma imagem de piloto leal, correto e boa praça. Incapaz de esmagar uma formiga ou de falar mal de qualquer um.

Ontem, porém, soltou os cães sobre Pérez — especialmente nas entrevistas imediatamente após a corrida.

“Houve muita disputa limpa nessa corrida, o que é legal. Exceto com meu companheiro de equipe. Tive muitos companheiros ao longo dos anos, alguns bem agressivos, como Lewis. Mas não estou acostumado a pilotar numa reta tendo meu companheiro ao meu lado batendo rodas a 300 km/h. Esse não é o meu jeito de dirigir. Talvez seja a maneira que a gente vai correr agora, mas não é o jeito que eu quero. Ele me tocou por trás e de lado no meio da reta. Isso é perigoso, não gosto dessas coisas. Tive muitas brigas na F-1, mas nenhuma suja como essa.”

“Suja” foi a palavra mais forte que Jenson usou. Depois, disse que Pérez precisa “se acalmar”, caso contrário “alguma coisa perigosa vai acontecer logo”. “A gente faz essas coisas quando está correndo de kart, mas normalmente as pessoas crescem. E não é o caso de Checo.”

Uau. Chamou de moleque.

O mexicano tentou justificar o que fez. “Foram brigas agressivas com vários pilotos, lutei com eles como eles lutaram comigo. Concordo que fomos muito agressivos, mas ele também foi, e saí da pista algumas vezes. Temos de conversar. Foi um pouco arriscado demais o que Jenson e eu fizemos. Nos tocamos algumas vezes, mas quando você está lá dentro, tem a adrenalina toda e você está lutando. Espero que nas próximas corridas possamos ajudar um ao outro um pouco mais.”

Martin Whitmarsh conversou com Pérez. Disse a ele que bater na traseira do companheiro não leva ninguém para o céu. “Ele é jovem, vai aprender, e talvez tenha de se acalmar um pouco. Mas foi essa paixão, essa vontade, que fez com que ele passasse outros pilotos no fim da corrida. A gente não pode apagar essa chama.”

Uau. Chamou de fogoso.

Sam Michael, outro dirigente importante, falou que a McLaren, historicamente, libera seus pilotos para as disputas. “Somos uma equipe de corrida. Foi assim com Senna e Prost e com Button e Hamilton”, lembrou. “E sempre vai ser.”

Eu achei que Pérez exagerou. Não por disputar posições e brigar por elas. Mas por ser agressivo demais a ponto de, realmente, quase tirar Button da corrida. Isso, de fato, não se faz. Não se tira ninguém de corrida nenhuma, e quando se trata de um companheiro de equipe, o cuidado tem de ser maior ainda.

Passou do ponto. Deveria ter procurado Jenson e pedido desculpas. Mas, como já disse mais de uma vez, consta que o rapaz é meio da pá virada. Não sei se com essa personalidade que resvala na arrogância vai muito longe, não.

83 comentários

  1. Julio Carvalho disse:

    Tenho certeza que depois dessa foto você vai torcer para o Jenson ser o campeão http://migre.me/ek8QC

  2. Luiz disse:

    A verdade é que a McLaren esqueceu de avisar o Jenson: Checo is faster than you, tanto que o Sergio Perez chegou em sexto, quatro posições acima do bonito. Tem que acabar a cultura de se defender, corrida é pra ver quem corre mais, não é?Fulano se defende, fecha a porta, joga lá pra brita? coisa feia isso!

  3. Rafael Friedrich disse:

    Jackie Stewart dizia: ” A gente só se comporta na frente dos box, lá do outro lado rolava cada coisa.”

  4. Pedro disse:

    O mexicano está certo. A corrida estava sonolenta até essa disputa. É corrida de carros ou autorama? Tem que partir pra cima, mesmo. E o ponto em que ele passou não precisou da tal da asa móvel.

  5. eduardo disse:

    a FIA resolvel pegar leve nas punições,aleluia,o mas sensato é chamar o Perez e o Webber que andou misturando tinta em duas corridas seguidas e falar para eles terem mas cuidado que se o fato repetir serão punidos e fim de papo.

  6. Luis disse:

    Toda F1 precisa de um fdp. Agora que o Schumacher se aposentou, tá na hora de o Pérez agarrar esse título na unha.

  7. Paulo Pinto disse:

    Gente, a McLaren está tão apagada este ano, que resolveu criar uma disputa entre seus pilotos em plena pista, só pra aparecer…

  8. Achei que o Button pareceu o Barrichello ao sair do carro de cabeça quente e soltar a diarréia verbal. Vejam neste vídeo o Davidson ridicularizando o Button após a corrida na Sky:
    http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=8a2-iUqoVBQ

    Perez foi mais maduro após a corrida, disse que concordava com Button mas que não iria mandar nada pela mídia e iria conversar diretamente com ele

  9. Crock disse:

    Pérez fez o tipo de corrida que o público gosta de assistir, se jogou sujo ou é arrogante é o que menos interessa. O mais importante é mostrar resultado e sempre tentar bater o seu companheiro de equipe. Piloto que pega leve, esse sim, vira segundão e não vai longe.

    • od disse:

      Prezado Crock
      Infelizmente esse é o tipo de ultrapassagem que pessoas como voce que pelo visto não entendem nada de corridas e sim está apenas vendo a imagem na tv gosta.
      Pessoas que realmente gostam de corridas, vão curtir as belas ultrapassagens e as escaladas de pelotão quando estas são feitas de maneira limpa.
      Voce não precisa bater e nem jogar ninguem para fora da pista para ser considerado arrojado.
      O Perez realmente passou dos limites, implico isso até pela pressão da própria mclaren que no gp passado falou que ele estava passivo demais, ai ele foi afoito e achou que era aquilo que a equipe esperavam dele, se ele tivesse batido no button e tirado os dois da prova te garanto que todos e inclusive voce estariam malhando o rapaz.

  10. Billy disse:

    Houve um momento em que Button jogou Pérez para fora da pista, talvez incomodado com a pressão do mexicano. Portanto, não foi unicamente Pérez que jogou pesado.

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