SWEET NEW HOME

SÃO PAULO (finalmente) – Dá para reclamar de alguma coisa? Não. Quando, daqui a alguns anos, eu fizer o relato desta breve road trip por parte do continente, não vou lembrar de nada desabonador. Um cabo de bateria solto seria? Claro que não. Isso é falha humana, minha mesmo. Eu que não prendi direito. No odômetro, na saída, 55.367 km. Na chegada, 57.165. Eu disse que você ia achar aqui meio quente demais, recomendei protetor solar. No fim, quem não passou fui eu, um camarão ambulante. E você engoliu o asfalto, 1.798 km sem engasgar, 17,5 km por litro, no sol e na chuva.

Eu prometi que ia te buscar, não enche mais o saco, para de resmungar. OK, eu sei que demorou, mas as coisas demoram. É assim, aqui. Só quem não demorou a se acostumar com tudo foi você. Bem que o Tuerto disse que podia ir, ia se consertar sozinho. Não demorou meia hora, se consertou. Sim, eu sei que você não rodava isso por ano lá onde vivia, e rodou em quatro dias, com um de folga. E sei também que esse monte de caminhões às vezes enche o saco, e os buracos, e o calor, e depois o frio, e a gasolina diferente, e a chegada no meio de uma enchente, e a escapada pelas quebradas da periferia, sei que tudo isso parece meio esquisito. Mas você já não estranha nada desde o ano passado, ainda bem.

Pode descansar um pouco agora, rapaz. É aqui que você vai morar. É legal, aqui. Você vai gostar. E apaga esse farol, não tenho loja de bateria.

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