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terça-feira, 8 de novembro de 2011 - 14:34Futebol

VAI, LUSA, SER FELIZ*

No exato momento em que escrevo, há uma pequena bandeira pendurada na janela. Ela está lá faz alguns dias, tomando sol e chuva, ao vento. Faz frio, um frio incomum nesta época do ano.

Olho a pequena bandeira e lembro de mim, e de alguns outros, tomando sol, chuva e vento em tantas tardes e noites naquelas arquibancadas que, a esta hora, devem estar desertas e silenciosas como quase sempre.

Minha história recente, nossa história recente, tem sido assim. Ao sol, na chuva, ao vento, em arquibancadas quase sempre desertas e silenciosas. Nossas doses semanais de vida: pequenas alegrias, grandes decepções, enormes e inabaláveis esperanças.

Esse jogo de bola nos dá tudo isso, mas é preciso sentir a arquibancada fria ou o sol na cara para compreender o quanto ele nos confronta com tudo aquilo que a vida lá fora oferece. Exultar com a vitória, aceitar a derrota. Entender que tudo é passageiro e efêmero. Só o jogo de bola faz isso.

Naquelas arquibancadas, somos todos iguais. Disso não há dúvida. Somos todos idênticos nas breves alegrias e nas tristezas duradouras. Nesse jogo de bola é assim: alegria dura pouco, tristeza parece que não acaba nunca.

Mas sempre há uma esperança, a esperança no próximo jogo de bola, e um dia a gente percebe que tudo valeu a pena, cada noite na arquibancada deserta, cada tarde solitária nos degraus silenciosos olhando para a grama verde, aquele palco onde nem tudo acontece como a gente gostaria.

E um dia acontece tudo como a gente queria. Vale a pena a espera, ô se vale. Que seja uma única vez na vida, é o bastante. E foi assim neste ano, desde o primeiro jogo do campeonato de jogo de bola, o primeiro gol, o primeiro abraço no desconhecido ao seu lado.

Não lembrarei nunca dos resultados, são muitos e a memória, ultimamente, anda recusando tanta informação. Mas lembrarei de cada abraço no desconhecido ao meu lado, de cada lágrima que tentei esconder, de cada par de olhos vermelhos meio envergonhados, de cada sorriso trocado, de cada quilômetro de estrada rumo ao estádio distante, de cada minuto num aeroporto qualquer voltando de outro estádio distante, de cada sacolejar no ônibus que nos levou a um destino que é só nosso, e só a nós cabe a busca.

Lembrarei para sempre do momento em que gritamos, todos juntos, que somos campeões.

***

* Escrevi esse texto numa noite qualquer da semana passada, para ser lido na rádio. Acho que será, mais tarde. E hoje, perdoem os blogueiros, a cabeça não está nos carros, nem nas corridas. Volto amanhã, com a taça.

69 comentários

  1. Muller disse:

    E dá-lhe Náutico! De volta à primeirona também!

  2. Felipe disse:

    Flavio, parabéns pelo texto me fez emocionar..
    As lágrimas pelo prazer de TORCER pela Portuguesa, é um absurdo é uma paixão quem não tem comparação…
    Existe uma frase e tenho certeza que você tem conhecimento da mesma, está na parede da sede da torcida organizada da Portuguesa Leões da Fabulosa.

    Um time é só vindo de títulos e alegrias, você realmente vai saber que existe paixão pelas cores do seu time, quando brotar lágrimas dos seus olhos ao falar do time do coração.
    Ocorreu isso comigo agora, Parabens pelo seu trabalho..
    Um abraço!

  3. Ricardo Soeiro disse:

    Texto lindo, descreve exatamente o que o futebol representa pra mim. Mas sou Vasco,
    Parabéns pelo título e pelo texto

  4. Olá, Flávio. Sou seu leitor há tempos, tempos… E tenho um jornal de literatura chamado Relevo. Você deixaria eu republicar este texto na edição de dezembro, com todos os créditos? O jornal é todo em P&B e eu e a minha mulher tocamos ele.
    Seria uma honra contar com esta sua crônica da Lusa.

    Abraços

  5. Julio Santini disse:

    Parabéns.
    Agora é caprichar no projeto “Anti Degola 2012”.

  6. Ubaldir Jr. disse:

    Parabéns à torcida da Lusa. Só quem é torcedor de “time pequeno” é que sabe o valor de uma conquista dessas. A Lusa é campeã nacional, e isso é o que vale.
    Abraços de um torcedor do Atlético Goianiense, um verdadeiro “gaulês” no meio desse monte de “romano” que tem na série A. A Lusa é mais um Asterix pra se juntar à gente. rs

  7. Rogerio A disse:

    Flavio, nós apaixonados torcedores da Lusa que por tantas vezes sofremos nas arquibancadas do Caninde tomando chuva,passando e nervoso mereciamos ser ser campeões. E graças a Deus o titulo veio. Como voce escreveu “Lembrarei para sempre do momento em que gritamos, todos juntos, que somos campeões”. Da-lhe LUSA

  8. Rogerio Antonio disse:

    Flavio, nós apaixonados torcedores da Lusa que tanto sofremos naquelas arquibancadas do Canindé passando frio, tomando chuva e muitas vezes passando nervoso , merecíamos esse titulo. Graças a Deus ele veio e como voce disse “Lembrarei para sempre do momento em que gritamos, todos juntos, que somos campeões”. DA-LHE LUSA!

  9. celso carvalho disse:

    grande flavio, quantas vezes eu pegava o bús em são paulo para ir vêr a lusa, e ele parava
    em campinas para vc entrar. valeu ontem foi lindo. da-lhe lusa campeã.

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